O melhor remédio.

1 Pedido de ajuda.


Notas iniciais
Bom, eu espero que vocês gostem.

- Lih? Está tudo bem? O que aconteceu? – A loira se desespera ao ouvir a amiga soluçar do outro lado da linha. – Me responde, onde você está?

- Na praça. – Murmura.

- Aqui em frente? Não saia daí, por favor.

Daniela correu o quarteirão e olhou toda a praça, já estava com o celular na mão para ligar de novo quando percebeu uma pessoa encolhida atrás do escorrego. Seu coração apertou. Nunca tinha visto a amiga se quer chorar, como ela podia ter chegado nesse estado em um lugar tão público?

- Lilith... – Arriscou.

A menina virou o rosto e deixou os olhos vermelhos serem avaliados pela que chegara. De um lado, toda tristeza e dor transbordando em lágrimas. Do outro, a preocupação e o medo.

- Oh, meu Deus! O que fizeram com você? – Daniela se assustou quando percebeu o estado das roupas de Lilith.

- Por... favor... me tire... daqui. – E caiu nos braços da amiga.

- Lilith? Lilith, levanta! Fala comigo. – Dani a segurou nos braços, e ela apenas abriu os olhos. – Fica acordada, eu vou te levar pra casa. Não feche os olhos. Tá tudo bem agora.

Daniela foi dizendo palavras de conforto até chegarem em casa. Colocou a menina no sofá, enquanto ia à cozinha preparar um chá. Aproveitou para ligar para os pais de Lilith para avisar que ela ia passar a noite lá, quando viu que a mesma não iria conseguir falar tão cedo.

- Lih, vem comigo. – Pediu puxando-a um pouco da cadeira, sem sucesso. – Por favor, você precisa de um banho.

Lilith finalmente olhou para Daniela e assentiu com a cabeça. A amiga deixou que ela ficasse sozinha no chuveiro o tempo que fosse preciso para descarregar tudo aquilo. E foi exatamente o que a pequena fez. Se deixou levar e chorou mais forte, até ficar completamente sem forças.

- Tudo certo aí? – Perguntou Dani depois de meia hora, preocupando-se novamente.

- Sim. Estou indo. – A voz embargada de Lilith a denunciava.

- Posso entrar?

A porta se abre antes da resposta. Lilith sai com seus cabelos molhados, rosto inchado e um olhar perdido. Não chorava mais. Daniela, ao ver a cena, envolve a amiga num abraço apertado e protetor. Depois de muito relutar, Lilith toma o chá e come alguns biscoitos. Logo vão para a cama, em silêncio. Dani a coloca nos braços e meche no cabelo da morena.

- Vai ficar tudo bem. Eu não vou deixar nada de mal te acontecer. – Sussurra deixando cair uma lágrima. Não suportava ver sua amiga sofrer desse jeito. – Eu prometo.

- Obrigada. – E foi a ultima coisa que elas ouviram naquela noite, antes de caírem no sono.

Por Lilith

Acordo com o sol entrando no quarto e sinto a cabeça latejar. Não! Não quero levantar, não quero sair daqui. Aliás, o que eu faço acordada? Volte a dormir, por favor. Mas, não consigo me obedecer e, de repente, tudo volta outra vez. A memória se mostra mais forte, me derrubando naquele mar de lembranças terríveis.

- Você sabe que eu sempre gostei de você. – Sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto. Acho que estou sonhando.

- Não, não sei. Onde você está querendo chegar com isso? Não brinca comigo. – Arqueei uma sobrancelha em provocação.

- Estou querendo chegar nisso aqui.

Demorou alguns segundos pra eu perceber o que estava acontecendo. Ele está me beijando. É isso? O beijo que eu sonhei durante anos? Oh, meu Deus!

- Bom dia! – Ouço a voz de Dani me tirar dos pensamentos e agradeço silenciosamente a ela por isso.

- Bom dia. – Respondo sem abrir os olhos. Nunca quebrei na frente de ninguém. Não sabia como reagir.

- Como você se sente? – Dani senta na beira da cama e brinca com meu cabelo. Sorrio de lado com o gesto. – O que quer pro café da manhã? Por favor, não diga nada muito difícil de fazer. Não me acostumo com suas comidas. – Sorrio maior e abro os olhos. – Hey!

- Hey! – Respondo segurando sua mão. – Estou melhor, eu acho. Não se preocupe com a comida, não estou com fo...

- Vai comer sim! – Dani me interrompe e eu suspiro, sabendo que é impossível ir contra ela. – Vai se trocar, te espero na cozinha.

Quando ela fez que ia sair da cama, segurei sua mão mais forte e a puxei. Daniela me olha confusa e, mais uma vez, preocupada. Ela tinha demostrado ser uma ótima amiga esses últimos meses, levando em conta todo nosso passado confuso de brigas sem sentido.

- O que houve? – Ela pergunta, quando estou me perdendo nos pensamentos... de novo.

A puxo para um abraço forte. Ela aceita e me envolve com carinho. Quando nos afastamos ela me olha com atenção e eu entendo o jeito dela dizer que está comigo. É fácil falar com ela através do olhar. Ela sempre foi muito transparente. Dani afaga minha bochecha e solta um “estou te esperando” antes de levantar.

Respiro fundo. Enfrentar esse dia não ia ser nada fácil, apesar da Dani estar fazendo o melhor possível. Depois de me arrastar para o banheiro e ficar alguns minutos encarando o espelho, tentando adiar as horas, ouço meu celular tocar. Vejo o nome de minha mãe na tela e respiro fundo antes de atender. Tento falar com minha melhor voz, e ainda assim ela percebe que algo está errado. Invento que estou cansada, que perdi a hora fazendo um trabalho aqui perto. Desligo e sinto um frio subir por minha coluna. Mais uma vez, me sinto suja. Queria voltar para o chuveiro e esfregar minha pele até cair. Nem o sabonete, nem mesmo perfume estavam conseguindo tirar aquele cheiro de mim. Quando meus olhos resolvem encher de água de novo, pressiono meus pés no chão e me forçolevantar.

Dani está na mesa, lendo um livro enquanto toma seu café. Logo ela percebe minha presença e sobe os olhos para mim, sorrindo fraco.

- Pode pegar o que você quiser, mas coma, certo? – Fala com cuidado. – Você quase não comeu ontem.

- Tá tudo bem, não se preocupe. – Sorrio sem encará-la e pego um pão para partir.

Ouço Dani limpar a garganta. Eu sabia que ela estava ficando incomodada sem saber o que tinha acontecido.

- Tá tudo bem... mesmo? – Procura o meu olhar, mas não consigo olhar pra ela. Apenas assinto. – Você sabe que pode falar comigo, não sabe?

- Sim. – Levanto a cabeça. – Obrigada... por tudo. De verdade.

- Não vai me falar o que houve, né? – Dani segura minha mão. – Não vou te forçar. Só quero que saiba que pode confiar em mim.

- Eu sei. – Digo apressada, apertando a mão dela. Não quero que ela pensasse o contrário, não depois do que aconteceu ontem. – Sinto que eu posso desmoronar se transformar tudo em algumas frases e colocar pra fora. Confio em você. Me perdoe.

- Shhhh...– Dani me puxa pra perto dela. – Não me peça perdão. Não quero te ver assim, acho que falar ajuda, mas se você não se sente bem,não tem problema. Sério.

Assim, terminamos de comer em um silencio confortável... Longo dia.

Notas finais
O que acham?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.