Notas iniciais
O capítulo sete ficou tão grande que eu tive que repartir ele em dois. Muitas revelações aguardam vocês hoje :**

Após quase toda minha família se formar no ano seguinte, eu e Louis não erámos tão próximos, fiquei sozinha naquela escola gigante. Passei a dormir com as garotas do mesmo ano que eu, só que eu era uma pária entre elas, eu não conhecia elas e elas bom infelizmente sabiam quem eu era.

O único conforto que eu tinha naquela escola ainda era Lorcan, nos não éramos amigos tão próximos, mas ele impedia que aquilo fosse um saco total. Os choros à noite eram frequentes ainda, eu me arrastava de aula em aula e passava quase todo meu tempo livre na cama. Foi quase um alívio quando me formei, ironicamente usei o mesmo vestido que eu usava naquela noite, era quase um luto, prometi que mudaria quem sabe iria fazer faculdade e tentar esquecer tudo, deixaria tudo para trás.

Depois da formatura fui para o dormitório tomei banho, terminei de arrumar as coisas e deitei. Não dormi, pois minha cabeça estava longe, perdida em memórias passadas.

Lembra quando você era criança e ralava o joelho? Era horrível ter que tomar banho, ardia, dói mais do que se tivesse ralado ele de novo, mas como todo machucado ele sarava e parava de doer. Já com o coração não é assim, ele continua doendo e conforme você “lava” a ferida com lembranças ele começa a sangrar de novo e isso se torna um ciclo vicioso.

Eu jamais o esqueci. Ele estava aqui o tempo todo, na minha cabeça, nos corredores, no Salão, no meu coração.

Na manhã seguinte me arrumei peguei meu malão e desci, tomei café e fui pegar o trem. Enquanto andava pelos corredores eu observava tudo, cada detalhe. Eu sentiria falta é claro, todos sente eu acho. Já do lado de fora eu parei e fiquei olhando aquele castelo que há sete anos encantará meus olhos pela primeira vez, ele não mudou nada e ainda me encantava.

Entrei na carruagem com Lorcan e fui para o fim da minha jornada aqui. Achamos um vagão e nos acomodamos.

Comemos, brincamos e conversamos. Até que certa altura da viagem Lorcan me perguntou uma coisa.

–Lily você aceitaria namorar comigo?

Eu o olhei abismada.

–Lorcan, você sabe que eu gosto de você como amigo.

–Eu sei Lílian, mas me dói olhar essa dor nos seus olhos, ela esta sempre aí e você merece ser feliz. Pelo menos um pouco. Até onde sei sou a única pessoa que a faz sorrir ainda. Não ache que quero fazer isso para te machucar. Eu quero ajudar você. Eu te amo sempre te amei na verdade.

–Lorcan eu não sei o que dizer.

–Aceite. Eu entendo que você jamais irá me amar como ama ele, e não adianta negar, eu vejo em seus olhos. Um amor como aquele é verdadeiro. Eu só quero te fazer feliz mesmo você não me amando. Porém eu te amo e isso já basta.

Eu prometi pensar. E até a estação não falei mais naquilo.

Um pouco antes de descermos eu o puxei, fazendo-o virar para me olhar.

–Eu aceito Lorcan.

Ele me abraçou, o mesmo abraço caloroso de sempre. E saímos de mãos dadas, para uma nova vida.

**

Já fazia um ano que eu namorava Lorcan. Naquele dia completaria exato um ano, eu caminhava por Londres calmamente indo até um café para encontrar Rose. Eu puxei a gola do casaco até a altura das minhas orelhas por causa do frio. Um homem vinha em minha direção eu desviei para não bater nele, mas o cara deu um esbarrão no meu ombro, devido ao chão liso, eu cai em um monte de neve acumulado ao lado da calçada. Completamente gelada e com as costas e bunda molhada agora.

–Ei cara por que não olha por onde anda?

Ele estendeu a mão para me ajudar, quando a peguei um calor percorreu minha mão até meu braço.

–Desculpe senhorita, não tinha a visto... Lily?

Espera aí ele me chamou de Lily? Levantei meus olhos para o homem que me estendeu a mão.

Eu congelei no lugar. Ali parado estava Natanael. Olhando-me com a maior surpresa do mundo e a mais assombrosa dor do mundo.

Quando recobrei meus sentidos e o controle do meu corpo, eu sai correndo pelas calçadas congeladas. Ele me chamou eu nem sequer olhei para trás. Tudo estava tão bem, porque ele tinha que voltar?

Entrei afobada no café, Rose estava bebericando um chocolate quente fumegante em uma mesa perto das janelas.

–Caramba Lílian, você esta branca. O que houve?

Sentei-me e recobrei o ar.

–Ele voltou.

Ela arregalou os olhos e largou a xícara sobre a mesa.

–Você o viu?

–Se o vi? Ele praticamente me atropelou. Eu estava vindo para cá e alguém esbarrou em mim, quando eu vi ele estava lá parado me olhando.

–Ele disse o que esta fazendo aqui?

–O que você acha que aconteceu, que eu parei e conversei com ele e pus as novidades em dia? Eu simplesmente sai correndo.

Ela se recostou no estofado do banco e ficou olhando para sua xícara, pensativa. Odiava quando ela fazia isso.

–Péssima hora para ele voltar.

–Nem me diga. –Concordei.

–Você tem que contar para Lorcan.

–Eu sei, mas não hoje. Hoje é um dia especial para nós. Não vou estragar isso.

–Lily você tem que contar agora, se ele descobre que você sabia e não contou vai ficar chateado.

–Rose você não entende. Eu não posso, talvez eu nem sequer volte a ver ele de novo. Talvez ele tenha vindo visitar a família e vai embora logo. Vamos deixar assim por enquanto.

–Você que sabe Lílian, mas eu te avisei.

Continuamos a tomar nossos chocolates quentes e mudamos de assunto. Logo estávamos falando da inauguração da loja de Rose. Ela abriria uma loja de doces. Parece que ela e mamãe foram às únicas da família que herdaram o dom da vovó Weasley para cozinhar. Uma coisa engraçada é que tio Rony e tia Mione eram um caos na cozinha, como ela adquiriu esse dom é um mistério. A inauguração aconteceria em uma semana e ela estava radiando felicidade. Eu me esqueci de contar, no ano em que eu me formei Scorpius pediu ela em casamento. E eles casaram dois meses depois do pedido, e eu era uma das madrinhas. Foi lindo. Pudera já era hora também eles namoravam fazia tempo.

James ainda cultivava seu romance nada secreto com Dominique, mas eles custavam a assumir para todos. E Albus, bom Albus continuava de todas isso não mudou.

**

Eu estava saindo do café em direção à entrada do Ministério que ficava ali perto quando eu o vi de longe, eu reparei em um brilho em seu pescoço, algo que não tinha visto antes. Ele usava o meu antigo colar de lua, apenas com outra corrente. Aquilo abalou meu coração. Eu o observei entrar na passagem para o Ministério, não isso não.

Assim que ele sumiu eu entrei também. Torci para que meus instintos estivessem errados. Assim que entrei no Ministério fui até a recepção.

Nicole a recepcionista estava fazendo anotações em um papel e depois as entregou a ele. Assim que ele saiu me dirigi até lá.

–Boa tarde Nicole.

–Boa tarde Lílian. –Ela sorriu.

–Nicole o que aquele rapaz faz aqui?

–Qual aquele loiro alto que acaba de sair?

–Sim bem ele.

–Ele acaba de ser transferido da Alemanha, seu nome é Natanael Robins. Bem bonito ele não acha?

–É bem bonito. Bem obrigada.

–A senhorita seu irmão Albus mandou lhe entregar isso.

Ela estendeu para mim um pedaço de pergaminho. Eu o peguei e li.

“Lílian, por favor, venha a minha sala. Preciso que você analise alguns documentos para mim, acredito que eles estejam bem errados.”

Eu era muito azarada mesmo. Poxa Merlim o que eu te fiz? Dirigi-me ao elevador mais próximo e fui até o nível dois. Era inevitável o encontro com ele. Que merda.

Chegando lá eu sai do elevador e fui até a sala de Albus. Ele havia terminado o curso de auror há alguns meses e cuidava do arquivamento de casos e outras burocracias, tipo transferência de aurores.

Assim que me aproximei da sala, ouvi vozes. Entrei na sala e ele estava lá conversando com um Albus bem carrancudo.

–Me chamou irmão?

–Lílian, creio que não é uma boa hora.

Eu levantei a mão em sinal de que estava tudo bem.

–Bom Sr. Robins, depois terminamos nossa conversa. Sua sala é a 23. –Mesmo odiando Natanael, ele foi profissional.

–Obrigado.

Natanael levantou e ao passar por mim me lançou um olhar de arrependimento, eu fechei meu rosto a qualquer reação. Ao sair ele fechou a porta e eu desabei na cadeira, Albus correu até mim e me abraçou.

–Você esta bem maninha?

–O máximo possível.

–Desculpa, eu tentei evitar que ele viesse. Mas não consegui, me perdoa.

–A culpa não é sua. Bom você me trouxe aqui por causa de alguns documentos. Vamos vê-los?

Ele sorriu e puxou uma pasta com papéis e me entregou. Eu analisei os documentos e achei o erro. Apenas algumas despesas não digitadas.

Despedi-me de Albus e sai. Assim que sai esbarrei em James.

–Ei, ei esta distraída mana?

–Ei, oi Jay. O que está fazendo aqui? Achei que estivesse treinando com o Puddlemere United.

–Eu estava, mas papai me chamou aqui por causa de um problema com os documentos de regularização do time.

–Mas isso não deveria ser feito no nível sete?

–Sim, mas por algum motivo veio parar aqui.

–Estranho.

Jay ficou sério de repente.

–O que ele faz aqui? –Ele falou entre dentes e com uma cara de poucos amigos.

Não precisei me virar para saber a quem ele se referia.

–Ele foi transferido da Alemanha para cá.

–Ele não pode ficar aqui. Não com você aqui.

–James, olha para mim. Esta tudo bem. Eu estou bem.

–Certeza?

Confirmei com a cabeça e sorri delicadamente.

–Então tudo bem, tenho que ir um portal me espera. Cuide-se Lilizinha. –Ele me deu um beijo na testa e sumiu pelo corredor.

Eu também trabalhava no nível dois, mesmo nível que o Quartel General do Aurores. Trabalhava com assistência aos aurores, era eu quem geralmente interrogava mulheres e crianças, devido à faculdade de psicologia que eu cursava. Claro também trabalhava com alguns assuntos burocráticos como Albus.

**

A tarde se arrastou mais dois casos vieram parar na minha mesa. E mais documentos me ocuparam na tarde. Ao final do expediente meu irmão parou na porta da minha sala.

–E aí você e Lorcan vão para onde hoje à noite?

–Acho que ele vai me levar em um restaurante português. Depois vamos assistir a um filme.

–Quem diria um ano em maninha, juntos há um ano.

–Parece tão pouco tempo. –Eu me entristeci de repente.

Albus entrou e me abraçou.

–Ei não fica assim.

–Como não posso ficar assim Al? Eu vivo uma mentira, não posso continuar assim eu não o amo, e isso dói em mim. Jamais serei capaz de amá-lo, eu amo Natanael e amarei para sempre. E ele sabe disso, mas continua tentando, ele não pode levar um relacionamento nas costas Al. Isso o esgota, eu sinto.

–E agora com o retorno de Natanael vai piorar tudo. –Ele completou.

–Eu preciso dar um basta nisso.

Pov. Natanael

Aprendi desde pequeno que ouvir atrás da porta era errado. Mas eu não podia evitar. Assim que eu ouvi o Potter falar aquilo eu tinha que escutar até o final.

Eu descobri que ela estava namorando com Lorcan Scamander, quando vim visitar minha mãe, ela me contou que ela estava infeliz, e que agora talvez fosse ser minimamente feliz.

Afinal ela era infeliz em seu namoro também. Eu não era o único a sofrer esses últimos três anos. Eu queria poder contar o que realmente aconteceu naquela noite. Queria que ela soubesse a história toda. Mas eu não podia, não porque não queria, mas porque eu realmente não podia.

–Vamos, essa noite vai ser turbulenta e quanto antes acabar melhor. –Albus falou.

Eu me apressei e me escondi atrás de uns arquivos. Esperei eles passarem.

–É feio espionar os outros sabia?

Aquela voz, como eu odiava aquela voz. Virei-me e vi Nancy atrás de mim sorrindo feito um felino.

–Você já não me infernizou o suficiente? –Perguntei a ela.

–Não faço isso só por sua causa.

Eu avancei para ela, só que eu me esqueci de que ela era apenas uma sombra. Ela não estava ali realmente, minhas mãos atravessaram ela.

–Sabe é triste, amantes que não podem ficar juntos. Só que não para mim.

Eu abaixei a cabeça. E as lágrimas escorreram pelo rosto.

–Ora não fique assim. Você sabe como acabar com isso.

–Sua vadia.

–É só me matar.

–Cale-se.

–Mas assim ela também morrerá.

–Vá embora. –Eu gritei.

Ela começou a rir e sumiu.

Eu fui para meu apartamento e desabei no sofá. Eu deixei as lágrimas escorrerem livremente.

Eu queria contar para ela. Contar que ela estava ligada magicamente com Nancy, mas se eu contasse Nancy enfiaria uma faca em seu coração, causando assim a morte dela.

Aquilo era minha culpa, Nancy estava apaixonada por mim. Só que eu sempre fui apaixonado por Lílian. Quando ela descobriu ficou furiosa, ela enlouqueceu e estudou todo o tipo de Arte das Trevas para criar um elo entre ela e Lily. O que aconteceu na formatura veio à tona como um balde de água fria.

“Eu estava caminhando pelos jardins querendo arejar minha cabeça, ainda não sabia o que fazer. Ir para a Alemanha ou ficar aqui com Lílian.

Uma figura sombria com um longo vestido vermelho vinha em minha direção. Nancy. Ela estava sorrindo para mim.

–Nat que bom te encontrar aqui. Tenho algo muito legal para te mostrar.

–Agora não é uma boa hora Nancy.

Ela se aproximou de mim com um biquinho.

–Mas você tem que ver.

Ela me estendeu o braço dela e uma marca negra repousava ali. Eu conhecia aquela marca, era a marca de um elo.

–O que você fez? –Perguntei exaltado.

–Eu me liguei com a sua vadiazinha. –Ela passou um dedo pela marca. -Você sabe o que isso significa não é?

–Por que você fez isso?

–Pra você aprender que é a mim que você pertence não a ela. Você é meu Natanael. E se eu não posso ter você, ela também não terá.

–O que você quer?

Ela sorriu e se aproximou passando a mão em meu peito.

–Que você termine com ela e se não terminar ou ousar contar eu enfio uma faca no meu coração e ela também morre. Então quando ela chegar você vai falar exatamente isso...”.

Expulsei o resto da cena da minha mente. Eu tinha que achar uma maneira de acabar com isso.

Notas finais
Bom o próximo talvez seja o último, mas não se abalem. Logo eu aparece com uma fic nova. Entrei no meu perfil tenho outras fics postadas. ^^