O meio entre o começo e o fim
4 Quatro
Notas iniciais
Poncho
…A ti que me diste tu vida, tu amor y tu espacio. A ti que cargaste en tu vientre dolor y cansancio…
A igreja estava linda, absurdamente linda, lotada com os membros das duas famílias e amigos, até a imprensa, aguardando do lado de fora estava ali, para ver o casamento de Ana Paula e Lucas Augusto, Tysha, Neni e Anahí pareciam manteigas derretidas, pela forma que choravam.
Anahí começou a se emocionar ao ver Valentina entrando, tão pequenina com Henry que era o cúmulo de educado e calmo, ele sorria e guiava Vale, que estranhando aquele momento de ser o centro das atenções, mas a primeira pessoa conhecida ela abriu o sorriso.
A entrada da noiva foi impressionante, só se ouvia a macha nupcial, e todos estavam em completo silêncio para dar o destaque da noiva. Ana Pau estava linda, sendo levada ao altar a pedido dela por Jorge D'Alessio, que estava emocionado.
A cerimônia seguiu e chegou o momento de Vale entregar as alianças, Henry ajudou ela ir até o altar, e entregou as alianças sorrindo para a prima e dando uma olhada para a mãe e o pai que a olhavam de um lado do altar. Depois voltou para Henry que a esperava, e voltaram para o lugar deles, pude ver Henry da uma olhava para onde os pais estavam sentados, e ver Maite piscar e Mane sorrir para ele.
Depois de sorrir com a cena eu olhei para o meu lado esquerdo, Christian, Rafael seu namorado segurava Fercho que dormia, estava crescendo bem tinha feito 5 anos mês passado, quem diria que Christian teria um filho. E movi minha cabeça para ver meu lado direito, Dulce e Dominique viam o momento do “Sim, eu aceito.” Encantadas, e olhei depois para Juan olhava distraído para a Igreja, acho que ele nunca tinha visto uma tão grande.
“Eu vos declaro marido e mulher.”
Se dependesse de mim. Seriamos Dulce e eu logo num casamento a escutar essa frase famosa e significativa.
:- My life O o O o O o O. – Eu e Christian cantamos e dançávamos juntos, arrancando risadas dos que estavam no nosso redor.
Todos já estávamos se divertindo na festa do casamento, já teve a valsa, os noivos cumprimentaram os convidados e agora é só alegria. As crianças estavam soltas brincando por ali, Dominique apresentou Juan para Santiago, que juntos com Vitor Hugo e Érica estavam brincando.
Valentina era uma das mais felizes, estava na pista dançando ali com a gente, já estava com outro vestido mais leve e mais solto, enquanto Jorge e Christopher eram os Dj’s da festa, Anahí estava com a filha.
Rafael, Dulce, Mane e Maite estavam num quanto conversando, enquanto eu e Christian dançávamos.
:- OooooooooOOoo. – Eu e Christian cantamos Viva la vida que começava se tocada remixada. E a pista de dança começou a ficar pequena por que as pessoas vieram dançar, no meio da pequena multidão, Guillermo passou dançando e me fazendo rir.
Logo a vi aparecer na minha frente, cantando a música e dançando comigo, para mim. Sorrimos por que era um dia feliz.
:- Hei casal. – Ela se aproximou da gente dançando feliz. – Eu andei conversando com Dulce sabe Poncho, e ontem eu tomei uma decisão importante. – ela falava alto para que escutássemos.
:- Qual foi Anahí?
:- Ontem eu pedi Christopher em casamento. – ela falou arrancando a surpresa minha e de Dulce. Juro que podia imaginar Anahí ajoelhada na frente de Christopher com um anel na mão. E ri por conta disso.
:- Any felicidades. – Dulce desejou.
:- Obrigada. Ele topou sabem como ele é louco, aceitar um casamento comigo? – ela fez uma cara de que absurdo. – Anyway, não queremos algo grande, queremos algo íntimo e mais simbólico que agrade nós dois. Então decidimos nos casar em Cancun, na praia. E quem sabe para onde a vida nos levará, não é, Dulce? Quem sabe vocês poderiam aproveitar o momento e casar também. Enfim, é uma sugestão, agora deixa eu ir que Valentina está dançando com o perigoso do Christian.
Ela falou tudo que quis e foi embora, em certas coisas Anahí, não muda.
:- Se casar na praia? – Olhei para ela também sugerindo, apesar dela não ter me falado sim, com as todas as letras, vez ou outra nos pegávamos imaginando como seria nosso casamento.
:- Seria lindo, no mínimo. – ela comentou me abraçando pelo pescoço. -Dominique me falou que Juan está muito feliz, está se divertindo muito. – ela se moveu me levando junto na sua dança e falando para que eu escutasse. – Ela me contou que sugeriu algo para ele.
:- Algo o que? – Eu perguntei colocando minhas mãos na cintura dela, enquanto dançávamos.
:- Trocar o nome. – ela riu. – Marco Antônio, combinava mais com ele.
Marco Antônio? Era um bonito nome. E Dulce me olhou e entendi que faltava pouco, muito pouco para ela se decidir. E seria uma boa decisão, ela estava tão apegada a Juan, ou melhor, Marco Antônio quanto eu. E depois que ela me pediu um tempo para pensar sobre o assunto, no tempo dela, eu dei. Por que não adiantava forçar a barra com ela.
Eu a pressionei muito e sabia disso, agora a deixei livre para conhecer, Marco e se apaixonar por ele assim como eu.
...
Dulce
Finalmente eu pensei, terminando de apagar as luzes da cozinha. Finalmente eu deitaria e descansaria depois de tanto tempo em pé e com salto me sustentando o dia e a noite de festa inteira.
Casamento de Ana Pau, foi muito bom como há muito tempo não ia em um. Mas, agora era hora de descanso, Poncho foi dormir antes de mim. As crianças subiram primeiro, e eu estava na cozinha.
Tinha subido e já estava indo na direção do meu quarto quando ouvi uns ruídos estranho, e fui verificar que barulho era aquele. Estava ficando preocupada, depois os barulhos estavam mais nítidos, e pior vinham do quarto de Dominique.
Abri a porta apresada, e vi que Dominique dormia tranquila em sua cama, e depois abaixei meu olhar vendo ele ainda fazer os ruídos. Me aproximei dele, que se contorcia e tinha a testa e a roupa banhada de suor.
:- Juan! Juan! Acorda, Juan! – Eu passei minhas mãos pelo seu rosto, e ele começou a se contorcer me deixando mais aflita. Como eu lhe chamando não dava resultado, eu me ajoelhei e puxei seu corpo contra o meu, lhe abraçando.
:- Mamá, mamá ayúdame. – ele pedia e por mais que eu o chamasse ele não acordava do pesadelo, apertei ele nos meus braços.
:- Calma, calma tranquilo. – Apertei contra meu corpo, e passei as mãos em suas costas, estava nervosa tinha que me acalmar também para passar segurança para ele.
E consegui me acalmar, e de um jeito que eu pude comecei a sussurrar alguma canção de ninar para ele que se acalmou. Fazendo meu coração abaixar a adrenalina novamente pelo medo que passei.
:- Mamá? – Ele abriu os olhos em par de vez, e se assustou ao me ver ali, abraçando ele, que estava todo suado. – Dulce?
:- Calma. – Eu passei a mão na sua testa. – Está tudo bem, você só teve um pesadelo, acabou. Já passou. – eu sorri para confortá-lo.
E ele engoliu saliva, parecendo se familiarizar com o lugar, com o quarto de Dominique que dormia tranquila e estava alheira a situação embaraçosa, afinal não escutava nada.
:- Sente melhor agora?
:- Sim.
:- Quer me contar do pesadelo para se sentir melhor?
:- Não me lembro, eu sonhei com minha família, estávamos felizes numa festa lá em El Salvador, e de repente escutamos tiros e bombas, começamos a procurar abrigo e a correr, mi mamá, me dizia para correr muito para não ser pego. E os perdi todos. – Ele chorava disparando toda a história do seu pesadelo, e eu o puxei para meus braços para abraçá-lo.
:- Você não está sozinho, Juan, estamos com você agora. – Lhe disse, acariciando suas costas. – Eu queria ter poderes para fazer você esquecer todo o mal, pelo qual você passou, mas eu não tenho.
Ele ia deixando de chorar, me cortava o coração vê-lo assim, tão diferente do menino que sorria na festa brincando com as outras crianças.
:- Senhora? – Ele se afastou do meu abraço.
:- Dulce!
:- Dulce, — ele repetiu, enquanto limpava as lágrimas que escorregavam de seus olhos azuis. – desculpe o trabalho que eu estou dando.
:- Não diga besteiras, Juan. – Passei a mão no seu rosto. – Todos têm pesadelos em algum momento da vida, é normal.
Ele mesmo assim abaixou a cabeça sentido.
:- E ainda chorei, eu não devia chorar. – ele falou de cabeça abaixada.
:- Outra bobagem. – Eu coloque a mão no seu queixo e o subi para ele me olhar. – Você chorou por que teve medo, porque teve angústia, não foi feio nem nada do tipo, você foi honesto com você mesmo e assumiu seus sentimentos. Continue assim, assuma os seus mais diversos sentimentos Juan, independente de qual for, isso não te fará menos homem. Te fará um homem melhor. – eu sorri para ele.
:- Me disseram uma vez que homens não choram. – ele me contou, me encarando, ele tinha um poder de hipnotizar as pessoas eu sentia uma vontade cuida-lo sem fim, não por sentir pena, mas por ter me apaixonado por ele como pessoa em tão poucos dias.
:- É mentira, todos somos humanos, todos nós choramos.
:- Todos?
:- Sim. Até Poncho.
:- Poncho chora? – ele arregalou os olhos, imaginando Poncho chorar.
:- Sim, eu já vi muitas vezes e nem por isso você acha que ele é um homem inferior que os outros acha?
Ele negou com a cabeça rapidamente e logo um brilho surgiu nos seus olhos ao falar de Poncho.
:- Claro que não, Poncho é o melhor homem do mundo, é melhor que o super homem, ele é o pai que eu nunca tive. – comentou me fazendo sorrir, por sua admiração por Poncho. E estranhei quando ele mudou de expressão ficando envergonhado.
:- Me desculpe, Dulce.
:- Outra vez, com desculpas, Juan. Por que dessa vez? – perguntei curiosa.
:- Por ter te chamado de mãe. Eu não devia, me desculpe eu estava sonhando e quando acordei, você estava aqui. Não quero que pense que estou forçando a barra... — ele saiu novamente disparando em falar e eu o calei com meu dedo.
:- Xiu. – tirei meu dedo. – Eu te desculpo se eu puder passar a te chamar de agora em diante de filho. – ele arregalou os olhos. – Sim, Juan, eu vou aceitar o pedido de Poncho e vamos adotá-lo.
Ele ainda ficou um tempo me olhando desacreditado, ou talvez tão surpreso com o que eu disse, e quando voltou a se mexer foram apenas suas expressões de seu rosto que foi se contraindo, e os olhos começaram a derramar lágrimas, uma atrás da outra e ele praticamente pulou no meu colo, me abraçando apertado. Eu sorri, me emocionando também, tinha certeza que agora suas lágrimas eram de felicidade.
Eu também envolvi meus braços no seu corpo magro, aquele menino de doze anos, seria meu filho. E nesse abraço eu tive a certeza que eu fui uma tola, por não ter conhecido ele antes, por ter discutido com Poncho, por principalmente duvidar do meu amor de mãe, eu tinha medo de não saber lidar com um menino como Juan que sofreu tanto tinha medo de não saber sarar as feridas dele quando sangrassem, mas hoje eu tive a certeza, eu o amava como filho e saberia cuida-lo como a melhor mãe do mundo.
E quem chorava nos meus braços de alegria era meu menino. Meu Marco Antônio.
: __ :
Fale com o autor