O medo de Willy Wonka.
18 Epílogo
Notas iniciais
Charlie Bucket era o garoto mais sortudo do mundo e ele sabia bem disto. Não importava quantas aventuras vivesse em vida, se houvesse certo chocolateiro ao seu lado, tudo estaria perfeito. Naquele momento, uma semana depois de Amanda Funk quase ter tido a fábrica, o herdeiro relaxava ao som da cachoeira de chocolate. O corpo estava estirado sobre a grama verdinha e fofa, as mãos formando um travesseiro para que a cabeça não afundasse na terra.
A fábrica fluía como se nada tivesse acontecido. Jornais do mundo todo chegaram pelos correios com menções ou colunas inteiras sobre a participação da Wonka's Candy na festa de Veruca Salt, mas ninguém sabia sobre a quase transferência de titularidade da fábrica. Os Umpa Lumpas ensaiavam músicas para a próxima festa e Willy corria do herdeiro, algo que Charlie já esperava que fosse acontecer. Willy, quando sentia vergonha de algo, podia ser visto, mas não alcançado. O chocolateiro ainda não sabia lidar com as falhas humanas que ele apresentava, não sabia lidar com alguma vergonha que ele tenha passado.
O herdeiro abriu os olhos pouco depois de sentir Willy sentando ao seu lado. O cheiro de amendoim sempre denunciava a presença do tutor, principalmente quando ele se aproximava acanhado, sorrateiro, tão silencioso quanto uma pluma caindo ao chão.
– Boa tarde, Willy. — Disse Charlie, assim que sentiu o tutor se acomodar ao lado dele.
O chocolateiro limpou a ponta dos sapatos, ainda acanhado, mas ciente de que teria que encarar o pupilo fosse agora ou fosse mais tarde.
– Desculpe. – Quase era possível escutar a pressão na cabeça de Willy Wonka.
Charlie sentou-se sobre a grama, ficando paralelo com o amado tutor.
– Deixe disto. — Empurrou Willy com os ombros.
– Não é só por Amanda...
– Só me promete uma coisa? — o chocolateiro olhou para o pupilo que o cortava.
Charlie não queria pedidos de desculpas, pois sabia que era mais uma tortura ao chocolateiro que não sabia lidar com falhas.
– Qualquer coisa. – Sussurrou Willy.
– Willy, se algo não te agradar, pode me falar. Não guarde tudo para você. — Willy arrancou uma folha de grama. O cheiro de menta se ergueu no mesmo momento. Aquele cheiro, casando com a voz rouca de seu pupilo, era o calmante que precisava. — Eu não quero ser só um sócio. Quero ser seu amigo, sua família.
– Por favor, estrelinha. — Willy abanou a mão como se pudesse afastar aquelas palavras. — Você está acima disto.
– E por que não me contou que Amanda estava te enlouquecendo?
– Você poderia se machucar. Ela poderia te machucar e não parecia disposta a desistir.
Charlie mordeu os lábios, pensando se deveria contar tudo o que tinha vivenciado com a loira, se contaria sobre as histórias que ela tinha contado. Talvez isto não fizesse bem ao chocolateiro, talvez isto o inflasse para seguir em frente.
– Ela tentou me tirar de você, mas achei que tinha deixado bem claro que gosto da fábrica, mas não te troco por nada. — O herdeiro cruzou as pernas. — Se você não fosse um cabeça dura de cabelo engraçado, teríamos passado por isto numa boa.
Willy sabia que tinha culpa, mas não gostou de escutar isto tão descaradamente.
– Desculpe se eu estava pensando em você e na fábrica antes de pensar em mim!
E Charlie sabia que aquilo fomentaria a raiva do tutor.
– Desculpa, Willy. — Charlie cortou-o mais uma vez.
Os olhos castanhos de Willy caçaram os de Charlie. Aquela quebra de ritmo não estava nos planos dele. Aquele pedido de desculpas não estava se encaixando em nada.
Charlie capturou a mão do amado.
– Eu fico falando que você não me fala nada, mas não me faço de exemplo. Achei que tinha deixado claro que te amo. — Beijou-a. — Mas nunca disse isto diretamente.
– Charlie...
O rosto branco de Willy estava avermelhado. Ele sabia dos sentimentos que Charlie tinha, mas nunca escutou algo tão claro e sem margem para erros.
E a facilidade que Charlie tinha para falar sobre seus sentimentos era, sem dúvidas, o motivo principal por Willy amar o garoto.
– Eu te amo, Willy Wonka.
Ah, como uma simples frase tinha tanta força para arrancar todo e qualquer problema na vida de alguém?
– Eu também te amo, estrelinha.
Willy sabia que a vida, sem dúvida alguma, não poderia ser mais doce.
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