Notas iniciais
Hello! Estou postando os capítulos semana sim e semana não, porque ando atarefada ao ponto de perder a criatividade. Então, para não escrever capítulos ruins, estou indo com calma. Perdoe a tortura ou a falta de consideração, mas juro que estou fazendo o melhor que posso. Alguns sacrifícios terão que ser feitos (;3;) — Ei! Largue esta macumba que eu preciso ser feliz e ficar viva até terminar a fic, poxa!

— Meu querido, o que houve com o seu rosto?

O garotinho mirrado quis enfiar a cara no prato de tanta vergonha que sentia ao ser zelado por uma mulher que tinha conhecido há tão pouco. Ele, que tinha preparado o jantar pela primeira vez em sua vida, que tinha chorado por horas enquanto não havia ninguém na casa, agora tentava não voltar a chorar. E não chorar era mais difícil do que parecia.

Amanda Funk não era de preparar o jantar, geralmente ela comprava a comida de algum restaurante próximo ou agendava uma mesa em algum lugar. Então, com a chegada do pequeno Willy Desamparado Wonka, ela conheceu o que era aquela ação tão tradicional e familiar. A inserção da rotina de cozinhar aconteceu logo no primeiro dia em que o garotinho se refugiou na casa da mulher e ele se pôs a fazer o jantar. Foi uma iguaria estranha, com feijão misturado com chocolate e arroz com caramelo. Tudo bem que o menino era apaixonado por doce, que ele estava se sentindo livre, mas ela teria que ensinar ele a controlar os impulsos ou os dois morreriam em poucas semanas (acredite ou não, era irrecusável um pedido de Willy Wonka, quando ele queria que experimentassem algo que ele cozinhou, mas não queria dizer que era algo bom ou tragável). Até o fim de semana terminar,o primeiro fim de semana que Willy estava naquela casa, ela se dedicou a ensinar Willy a preparar o básico de um jantar.

— Não se preocupe com isto. — O garotinho enfiou uma garfada de comida na boca. — A comida está esfriando. Não ficará palatável se esfriar.

Nos dois primeiros dias ele aprendeu a cozinhar com maestria, mas agora, em uma bela segunda-feira morna, ele surpreendia Amanda com o prato delicioso (ou como ele disse, palatável) que copiou de uma revista.

Estava na essência daquele garoto, ser o melhor na cozinha.

— Temos que limpar as feridas, pequeno Wilky.

—Willy — ele corrigiu.

Foi a primeira vez que Willy cozinhou, mas aquele dia também foi a primeira vez que ele foi para a escola sem o aparelho odontológico que pesava sobre sua cabeça. Foi a primeira vez que ele foi para a escola sendo um órfão de mãe e de pai.

Contudo, naquela segunda feira, naquela trágica segunda, também pontuou a favor da reclusão que Willy Wonka, o chocolateiro mais fantástico do mundo, viria a viver.

O pequeno Willy, agora tão livre, não era forte para brigas, nem mesmo gostava delas. Mas entrou em uma, teve que entrar.

— Não guarde a ferida, meu garoto. Elas inflamam, sabia? Nos matam lentamente.

Amanda Funk não era uma mulher maternal, contudo quando sentou-se ao lado de seu agregado e analisou as feridas, ela entendeu o que era o amor maternal. Entendeu que não é necessário uma ligação sanguínea para ter alguém como sua família.

O rostinho de Willy Wonka ardeu quando as lágrimas escorreram dos olhos até as feridas que tinha.

— Eles disseram que nem retirando aquele capacete horrível, me amariam. — Que os pais dele não o amava — Que meu pai se cansou de mim assim como minha mãe. Que eu era uma escória. — Ele soluçava tanto, que qualquer um teria o coração partido. — Eu nem sei o que é uma escória, mas senti que não era bom e bati neles. É tão covarde! Tinham quatro deles. Ficaram revezando para dois me segurar e dois me bater. Eu não quero viver neste mundo! Não quero!

Na mente do pequeno, ainda ecoava as risadas agudas, o som da pele dos agressores contra a pele do agredido, as conversas mescladas com riso. A covardia ainda o abraçava junto com a tristeza e as dores físicas e mentais.

"Não poupem o rosto." Um garotinho à esquerda, um garoto mais alto que o pequeno Willy, mais forte e mais velho, comentou. Eles estavam só começando a brincadeira. "Não, deixem o rosto para mim. Vou deixar mais feio do que quanto ele usava aquele capacete de alienígena!" Ele ria tanto. "Ninguém vai notar a diferença. Talvez até fique melhor do que agora e do que antes."

— Meu pequeno Willian, as crianças também são cruéis, sabe. — Amanda afagou os fios finos e castanhos do pequeno.

— Ele tem razão. Meu pai não me ama e minha mamãe não devia me amar.

Amanda quis rir para amenizar a situação.

Mas quem conseguia rir daquilo?

Ela mesma lembrava de como foi difícil ser educada em uma escola tradicional, quando sua mãe era estrangeira. O sangue mestiço a jogou em um mar de zombarias que podiam fortificá-la ou destruí-la.

"Mas professora, como posso ter certeza que ela sabe de algo, se é só meio como nós?"

— William, lhe para mim. — Amanda também chorava.

As vezes, quando um coração experiente conhece um que está passando pelo mesmo que ele um dia passou, permite-se o luxo de chorar junto com o que, agora, está ferido. Isto também é uma forma de amar. É um pouco de amor e um pouco de compaixão.

— Antes de qualquer coisa, quero que se lembre que seu pai também é um ser humano.

...

Naquele ano, Willy Wonka não voltou para a escola. Nem mesmo no ano seguinte ou em qualquer outro. Pela manhã ele passou a ter aulas particulares com amigos de Amanda Funk, amigos da faculdade, que passavam por lá, deixavam alguns textos e exercícios e tiravam as dúvidas. Pela tarde, quando ela voltava da faculdade, os dois iam para a cozinha e começavam a inventar tudo o que suas cacholas permitiam.

Amanda Funk acolheu Willy em sua casa, deixou que ele vivesse por lá sem cobrar nada.

W.W

— William! — A porta bateu fazendo os vidros da parede tremer. — William, veja!

Funk saiu correndo pela casa, abrindo as portas que encontrava e chamando pelo agregado. Ela estava eufórica, com o rosto avermelhado pelo sol que brilhava lá fora, a barra do vestido florido esvoaçando enquanto corria.

— Ah, menino, ai está você! — O, agora, jovem Wonka não tirou os olhos da panela que borbulhava. — Olha esta notícia, que incrível!

O termômetro subia os graus da panela, deixando o futuro chocolateiro em alerta.

— Estava no jornal, uma amiga da faculdade que me deu. — Amanda se aproximou. — Haverá uma competição na Europa, França, eu acho, que vai nomear o maior e mais incrível chocolateiro do mundo!

Willy retirou a panela do fogo e despejou o conteúdo sobre um creme branco. Ele estava, como sempre, testando novas receitas, novas sobremesas. O cheiro adocicado estava vazando para as casas vizinhas e um trio de velhinhas já comentavam que sentiam-se como vizinhas de uma fábrica de doces quando aquele perfume chegava até suas casinhas.

— Amanda, céus! — O jovem assustou-se quando levantou a cabeça e se deparou com a dona da casa. — Quando chegou?

— Odeio quando você entra neste seu mundinho, William. — Ela bateu com o indicador sobre a cabeça do mais novo. — O que está fazendo?

— Estava pensando em uma torta de creme com cobertura de chocolate. Mas seria bom se o creme mudasse de sabor, achei tão sem graça. — Ele coçou o queixo, deixando um rastro de chocolate derretido. — O que falava?

A mulher estendeu o jornal aberto. Um sorriso maravilhoso e radiante sendo coberto pelo papel velho.

— Uma competição, William! Uma competição!

O mais novo puxou o jornal e leu a notícia. Chocolateiros de todo o mundo poderiam participar, mas não só chocolateiros como qualquer confeiteiro, cozinheiro ou amador. Era uma competição que cobraria habilidade natural, conhecimento acadêmico e uma boa parcela de talento.

— Parece um pouco desonesto, permitir que qualquer um participe, mas deixando claro que a primeira prova, a de teste, é fazer um bolo rose velvet.

— Concordo. — A mulher passou o dedo na panela que o mais novo tinha usado. — Esta cobertura está incrível, pequeno.

Willy continuou lendo a notícia.

Em algumas das provas, poderiam levar as receitas pessoais, como no caso do primeiro bolo, mas não poderiam levar mais do que um ingrediente de escolha pessoal. Outras vezes, teriam que caçar a receita, brigar pelos ingredientes e ainda provar que sabiam improvisar. Teria uma prova em que tudo seria questão de sorte.

“Os responsáveis já nos adiantaram que pretendem fazer uma prova onde os participantes ganharão os ingredientes básicos, em medidas calculadas, mas terão que brigar pela essência da receita e ainda fazer tudo de cabeça. Aí está a prova de que se precisa de conhecimentos culinários e um bom punhado de talento.”

— As inscrições são bem caras, Amanda. — Wonka afastou os olhos do jornal. — E também as passagens ficam por conta dos participantes, assim como a hospedagem e a forma de sustento. Céus, isto é desleal e impossível de participar!

— Relaxe, Wilby, eu já nos inscrevi.

— Willy. — Corrigiu o mais novo. — Como assim?

A mulher lambia uma colher besuntada com a mistura que outrora o garoto tinha preparado.

— Usei parte de minhas economias. Você me devolve depois, caso ganhe.

Wonka olhou-a desconfiado. Sabia que Amanda não trabalhava, que era filha de um alemão com uma brasileira, que estava pronta para se formar em gastronomia. Mas ainda assim, sentia que ela escondia mais coisas do que aparentava.

— Oras, não me olhe assim, William. — Ela sorriu. — Desde criança vivi minha vida vencendo apostas. Elas me mantêm assim, bem estruturada para me arriscar pelo mundo e com o mundo.

— E o que te faz arriscar em mim? — Quando mais novo, Wonka era direto. Quando mais velho, ele seria incisivo, direto, sem permitir que ninguém fugisse de suas perguntas, mas tão escorregadio quanto um sabonete molhado. — Por que você investe tanto em mim, Amanda?

A loira suspirou e olhou para a panela dentro da pia. Ela também não sabia o que tinha levado-a até aquele ponto. O que William Wonka tinha para que ela o protegesse, desse educação, um lar.

— Você é incrível, Willy. Você, quando cozinha, chega na perfeição sem errar o passo e cair na ruína. Ninguém consegue ser assim sempre, mas você… — Ela olhou-o.

Os olhos pálidos derretendo sob os castanhos dele. Willy Wonka, desde muito cedo, era capaz de fazer o que ninguém mais era.

— A perfeição beira a ruína, mas você sempre é perfeito. Até quando erra, William, sai algo incrível. Eu não posso deixar que algo assim se perca, não é?

Então, Willy pensou, ele era apenas uma joia rara que Amanda tomou para si. Algo que tinham jogado fora sem saber o valor. Era apenas um objeto para fazer com que os holofotes se voltassem a ela.

Notas finais
Ficha técnica (até o momento) de Amanda Funk: — Pai alemão; — Mãe brasileira; — Foi criada na Alemanha; — Acolhe Willy Wonka e lhe ensina muitas coisas sobre culinária; — Estuda gastronomia, mas é apenas um hobby. — Alta, loira e de olhos azuis claros quase brancos. — Sagitariana (eca) Frase preferida: A perfeição beira a ruína. Defeito: Não é boa com nomes e nunca acerta apelidos. Curiosidade: Só consegue chamar Charlie Bucket de "pequeno". —-- E assim, meus caros, nos vemos em breve para a continuação do passado de Willy Wonka. OBS: Tenho problemas com pessoas de Sagitário, então deixei Amanda como Sagitariana.