O manto de Hécate
14 A magia... É extremamente perigosa.
Notas iniciais
Até mesmo a cortina deslizava deslumbrante naquelas profundezas. A sala era enorme, havia uma varanda, separada por uma cortina de conchas, Lucy estremeceu, desde que eles haviam entrado no palácio ela já podia sentir a aura do manto, e agora que entrou na sala, estava ainda maior, obviamente porque logo adiante estava uma cúpula, com um magnífico manto, Lucy paralisou, seus olhos roxos brilhavam de forma surpreendente. Ele era exatamente como Hannya havia visto. Perfeito. Havia nele uma aura tão forte que todos sentiam vontade usá-los. Na cabeça de Lucy palavras começaram a ecoar “O poder, é algo perigoso... Cuidado.”. Lucy então resolveu bloquear um pouco da sua atenção ao manto, ela sabia quem havia falado aquelas palavras, uma filha com certeza reconheceria a voz de sua mãe. Então, por entre as conchas da cortina da varanda apareceu ela, Parténope.
--- Ora, Ora... --- Disse ela batendo palmas e dando uma leve risada de escárnio.
Parténope era absolutamente a pessoa mais linda que os três já haviam visto, seus longos e ondulados cabelos ruivos como sangue cobriam seus seios, sua pele apenas de observar você já imaginava que era macia como veludo e sua boca, nariz, mãos, eram muito delicados, e seus olhos... Há... Eram dourados, como ouro. Sua calda era azul, mas haviam escamas prateadas que cintilavam. Como se pode dizer, ela era perfeita. Hannya percebeu que seu cabelo era vermelho como as rosas e os olhos dourados como o pó que caia em cima das rosas.
--- Parece que vocês conseguiram chegar ao meu palácio... --- Continuou ela encarando os três, um a um, seu olhar se prendeu por alguns segundos a mais em Nico, que percebeu que os tampões já não seriam eficazes com a presença daquela sereia. --- Oh querido, tire isso dos seus ouvidos, não vai fazer diferença comigo.
Involuntariamente Nico tirou os tampões, mesmo sem ouvir. Hannya percebeu que a situação a qualquer hora poderia se tornar muito perigosa.
--- Ah, mas, por favor, não me digam que vieram aqui para buscar o manto. --- Disse Parténope ironicamente.
Os três não falaram nada.
--- O que foi? Não vão falar nada?! Humpf... Esses deuses devem escolher melhor seus empregadinhos.
Da mesma forma ficaram calados, mas Hannya quebrou esse silêncio com uma simples pergunta.
--- Para que?
--- Como querida?
--- O manto, para que o quer?
Parténope deu uma leve risada.
--- Você deve ser a Hannya... Hm... Dê um passo á frente meu anjo.
Hannya deu um passo á frente, mas Nico segurou sua mão e a puxou para o lugar onde estava.
--- Que interessante... --- Comentou Parténope baixinho. --- É uma honra termos uma filha de Poseidon aqui, por sinal, muito bonita. Ah, eu já estive na flor da juventude... Humana...
A expressão de Parténope mudou, para como a de uma pessoa que se lembra de boas memórias, sua mente estava em outro lugar, então de repente, virou uma expressão amarga.
--- Vingança... Essa é a resposta pra sua pergunta.
--- Contra quem? --- Perguntou Hannya.
--- Afrodite. --- Interrompeu Lucy.
Parténope colocou sua atenção em Lucy.
--- Uma filha de Hécate... --- Disse ela. --- Sim, querida, você acertou.
--- Eh... Eu ainda não estou entendendo... --- Falou Hannya.
Parténope retornou sua atenção a Hannya, especificamente nas mãos entrelaçadas entre ela e Nico.
--- Eu já fui humana, como você. Tinha uma beleza inigualável... Mas, os deuses odeiam qualquer coisa que possam superá-los, eles são egoístas... Por causa da inveja de Afrodite... Eu fui transformada em sereia! Perdi tudo! Então, passei a desenvolver os encantamentos da paixão, amor, já que isso é a área dela.
--- Mas exatamente em quê você deseja se vingar? --- Perguntou Hannya.
--- Minha jovem, diga-me quais são os maiores amores de Afrodite?
--- Ares, Hefesto... --- Falou Nico em voz baixa.
--- Sim, sim. Com o manto meus poderes serão aumentados, serei capaz de conquistar até mesmo um deus. Mas posso não decidir parar por aí... Eu vou ter pelo menos dois deuses na palma da minha mão... Talvez eu ainda queira me divertir um pouco mais.
A cortina se abriu, quatro sereias entraram, todas eram muito lindas, mas nenhuma comparada á Parténope. Elas se posicionaram cada uma e um canto da sala.
--- Meninas, esses são os nossos “amiguinhos”. --- Disse Patérnope. --- Oh, trouxeram um presentinho pra vocês.
Patérnope não precisou nem se direcionar a Nico. Hannya segurou a mão dele mais forte, posicionou sua lança atravessada á frente dele, e até mesmo Lucy se aproximou mais.
--- Parece que alguma coisa tem prendido a mente dele por aqui... --- Cantarolou Parténope. --- Mas não vai demorar muito até que eu possa achar uma brecha. A situação após isso vai se tornar bastante, divertida. --- Ela abriu um sorriso ameaçador para Hannya.
--- O manto está te deixando cega... Ambiciosa. --- Gritou Lucy.
--- Não, exatamente o contrário, ele me fez abrir os olhos e enxergar o tamanho do poder que tenho em mãos.
--- Parténope, ele vai te deixar cada vez mais ambiciosa, ele vai te levar a loucura. --- Continuou Lucy.
--- Cale a boca! Eu não vou entregar o manto para vocês! E duvido que consigam pegar.
Lucy atirou uma esfera mágica na cúpula do manto, que se quebrou e os cacos flutuavam por todo lado.
--- Como ousa?! --- Disse Parténope enfurecida. --- Já que querem jogar, que comece a brincadeira... Mas quem vai ditar as regras serei eu.
Ela puxou o manto e colocou sobre si, ficou ainda mais magnífica ainda. Parténope fechou seus olhos, como se absorvesse o poder do manto. Agora só de olhar, já sentiam que ela estava muito mais poderosa. Ela se virou. Abriu um sorriso.
--- Nico Di Angelo. --- Falou compassadamente. --- Venha aqui meu querido.
Nico sentiu um impacto dentro de si, incapaz de conter, ele precisava ir até ela, mas algo ainda estava prendendo um fio de sua alma a realidade, por pouco tempo... De repente, tudo o que ele sabia é que deveria seguir as ordens da sereia. Ele soltou a mãe de Hannya, como se estivesse em um transe.
--- N-Nico! --- Disse Hannya assustada.
Ela o puxava, e Lucy fazia o mesmo. O desespero em Hannya tomava conta dela, ele empurrou Lucy, e segurou nos braços de Hannya que arderam, e começaram a flamejar não era um fogo comum, ele doía como fogo, mas era azul. Ela gritou e nesse momento foi quando sem querer o soltou e ele foi em direção a Parténope. Hannya foi atrás dele, mas duas sereias entraram em seu caminho e a puxaram pra trás, Lucy atingiu uma delas com um feitiço que fez a sereia se transformar em um peixinho. Hannya afastou a outra com sua lança, já na forma inteira de lâmina, seus olhos olhavam desesperadamente para Nico ao lado de Parténope, procurando algum sinal do verdadeiro Nico, mas quando olhava para Parténope sua expressão mudava para ódio.
--- Desista garota! Eu já tenho o controle sobre ele! Agora, vamos começar a brincadeira. ----Parténope virou o rosto de Nico para ela e olhou dentro dos olhos dele. --- Mate-a.
Hannya mesmo estando na água, cambaleou pra trás, aquilo foi o golpe final de Parténope. Nico então foi em direção á Hannya, que recuava cada vez mais. Parténope assistia a cena com um sorriso assustador.
--- Você tem várias escolhas... Pode mata-lo, e viver com o fardo de ter matado seu amigo, pode deixá-lo te matar, e assim provavelmente acabar com a missão, e com a vida dos três, ou pode tentar resistir até eles perderem o tempo deles em baixo d’água e morrerem.
Todas eram péssimas escolhas, Nico se aproximava, Hannya abriu seu escudo, ele sacou sua espada e investia contra ela, que defendia com o escudo ou com a lança, mas não tinha coragem de atacar, os olhos de Nico não tinham brilho, nele Hannya via o reflexo de tudo o que havia acontecido durante a missão, mas só ela conseguia se lembrar disso. O chão começou a tremer, o piso quebrou e algo começava a sair da cratera, esqueletos. Eles cercaram Hannya e se aproximavam, nessa hora ela lançou uma forte onda de água na direção de Nico e com sua lança quebrava os esqueletos, mas ainda sim continuavam a sair outros da cratera, até que Hannya já não conseguia se defender, a seguraram impedindo-a de fugir, ela se debatia, mas não conseguia se libertar. Nico se aproximou dela, ela então fechou os olhos e as águas ali se agitaram, e em questão de segundos o salão estourou o salão, tudo se transformou em monte de pedras, Hannya se machucou um pouco, mas a água fazia a dor se amenizar. No meio da poeira e dos pedregulhos, ainda meio tonta ela procurava por Lucy, onde ela estaria? E Nico? E pior, Parténope? Ela viu o vulto da Partérnope se levantando, e algumas sereias inconscientes. De repente sentiu algo a puxar pra trás e sentiu uma espada afiada em seu pescoço, era Nico. Ela ainda tinha tido esperanças de que ele pudesse ter saído do transe.
--- Lembre-se Nico. De mim, Hannya, da Lucy, do que passamos nessa missão. --- Dizia ela enquanto algumas lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. --- Lembre-se do Percy, Annabeth, do acampamento.
Parténope assistia aquela cena atentamente, um sorriso de forma psicopata abriu-se em seu rosto. Não, aquela não era somente Parténope, como Hécate havia dito á Lucy, “O poder é perigoso...”, principalmente usado por quem não consegue manter o controle. Só que por estar tão concentrada em Nico e Hannya ela esqueceu que havia mais uma, quando veio dar conta já era tarde de mais, sentiu alguém passar as mãos por volta do seu pescoço e desencaixar o feixe do manto. Lucy o tirou e criou uma barreira mágica para atrapalhar mais ainda Parténope, que quando se virou bateu com a cara na espécie de “vidro”.
Nico havia cambaleado para trás quando Lucy tirou o manto de Párténope, mas ainda sim continuava a segurar Hannya com a sua espada no pescoço. Hannya então se lembrou de uma das coisas mais importantes para Nico, algo que provavelmente iria fazer voltar para a realidade.
--- Bianca! Lembre-se dela, de Bianca Di Ângelo.
Esse nome, um simples nome fez as barreiras do encantamento sobre Nico se quebrarem. Seus olhos voltaram ao brilho de uma pessoa em sã consciência, mas tudo estava confuso, ele estava com uma espada no pescoço de... Hannya?! Imediatamente ele soltou a espada, Hannya paralisou, havia dado certo. Ela se virou pra ele, seu rosto ainda estava cheio de lágrimas, finalmente, de alívio.
--- Oh, Nico... --- Ela o abraçou.
Ele ainda estava chocado tentando entender o que havia acontecido, pois não se lembrava do que havia feito.
--- Mas... O que...
Como um flash de memória ele conseguia se lembrar de algumas coisas, eles entrando no salão encontrando Parténope, e então... “Mate-a”, ele havia cedido á vontade da sereia, era isso?! Ele não podia acreditar que havia feito essa burrice, e se ele realmente tivesse matado Hannya?! Só que seus pensamentos foram interrompidos por um grito, de raiva e ódio, Parténope já não era mais a bela e formosa sereia, ela havia se transformado, sua pele agora estava escamosa, presas e garras se formavam. Com um golpe ela quebrou a barreira feita por Lucy.
--- ACHA QUE PODE ME ENFRENTAR GAROTA?! --- Falou Parténope em um colapso de ira.
--- Hannya! --- Lucy gritou e jogou o manto para cima.
Hannya se virou e na hora ela entendeu o que Lucy queria, então fez uma corrente de água puxar o manto para ela, Parténope tentou pegar, mas Hannya o trouxe mais rápido, só que infelizmente Lucy ainda estava perto dela, Parténope avançou contra ela, ela desviava e lançava feitiços contra Pártenope, mas sua magia estava fraca, por causa do feitiço feito para e Nico respirarem debaixo d’água, as garras de Parténope arranharam o braço direito de Lucy, mas o ferimento foi um pouco profundo. Então ela ficou tonta, uma dor enorme vinha de seu braço e espalhava por todo seu corpo, só então percebeu que era veneno. Ela se ajoelhou por causa da dor.
--- Não! --- Gritou Hannya, e sem nem pensar colocou o manto. Ela sentiu uma forte sensação de poder sobre ela. --- Eu tenho poder aqui.
Ela com a força da água jogou Parténope sobre os escombros, Nico foi em direção á Lucy e á ajudou levantar, ela não tinha mais força, estava quase desmaiando, mas antes que pudesse desmaiar conseguiu falar.
--- Pare-a Nico... Ou ela não vai conseguir se controlar.
Enquanto isso Hannya se aproximava lentamente de Parténope que tentava se levantar.
--- Nunca mais se machuque algum amigo meu!
Parténope atacou Hannya, mas ela se defendeu com o escudo e investiu com sua lança já na forma de lâmina.
--- Será que sereias conseguem sobreviver fora da água? Você é forte o suficiente para suportar isso?
Parténope já olhou para Hannya horrorizada, não, ela não acreditava que ela ia fazer isso. Parténope então se sentiu caindo, ela estava antes nadando, mas agora, sentia a dor de uma queda no meio dos pedregulhos, Hannya havia separado a água e Parténope agora não havia para onde ir, rastejar era sua única opção, mas era inútil, Hannya poderia separar a água onde quisesse, ia ser perda de tempo.
--- Um peixe fora d’água... Humpf... --- Falou Hannya dando uma leve risada.
--- Por favor, pare! --- Pediu Parténope. --- Vocês podem ir! Eu desisto!
--- Depois de tudo o que fez?! --- Hannya apontou sua lâmina para Parténope, mas levantou para cima, onde Parténope estava o mar se abriu até a superfície, onde o sol conseguiu entrar. As garras e as presas de Parténope sumiram, ela começou a transpirar, sua respiração foi ficando mais pesada, Hannya abriu ainda mais o espaço sem água, a pele de Parténope começou a ficar ressecada e Hannya conjurou um feitiço que nem ela mesma sabia de onde o conhecia, o feitiço fazia o clima esquentar mais, até mesmo a água, mas onde o sol batia era mais quente, o que era pior para Parténope que já ficava sem ar, foi então que Hannya sentiu alguém desabotoar o manto e segurá-la por trás.
--- Acalme-se...
Era a voz de Nico. Um choque de realidade veio em Hannya, ela havia perdido o controle, e também as forças, pois usou um poder muito forte para quem não sabe controlar. Ela ficou tonta, mas não chegou a cair, pois Nico ainda á segurava, e nesse momento houve um choque na água, a brecha se fechou e Parténope ainda estava sem forças.
--- Vamos sair daqui... --- Disse Nico e depois soltou Hannya.
--- Como? --- Perguntou Hannya ainda fraca. --- E Lucy? Onde ela está?
Nico apontou para um canto onde Lucy estava ainda respirando, mas a dor ainda percorria sobre seu corpo, e nenhum deles sabiam até onde ela iria aguentar, seus olhos estavam fechados e ela estava encostada á um enorme pedregulho.
--- Vamos voltar pelas sombras, eu vou levar as duas.
--- Nico isso não vai te cansar muito?
--- Não é longe, e já estamos todos cansados.
Os dois foram até Lucy, Nico á segurou no colo, Hannya mesmo um pouco tonta ainda conseguia nadar, Nico abriu uma enorme sombra negra, os três entraram nela, saindo do lugar de onde tinham péssimas memórias.
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