O manipulador

1 O início da catástrofe


Notas iniciais
Neste capítulo, vocês conhecerão o personagem principal, Marcelo Vancevir e a família Vancevir.

Era uma manhã de sábado. Uma daquelas manhãs que você tem vontade de sair e aproveitar a vida. Eu saía de novo para meu trabalho temporário de professor particular na casa do Thiago, irmão do amigo do meu irmão. Ele tem 13 anos e está indo muito mal na escola. Mas também, pudera, vive jogando aqueles jogos de vídeo game violento... e quem sou eu para falar? Eu também jogo, mas tenho minhas responsabilidades. Enfim, a história não é sobre ele, continuem lendo.

Tenho 17 anos. Meu nome é Marcelo. Naquele mesmo dia era o dia do meu pagamento. Eu ia receber R$150,00, e já fazia 5 meses que eu ensinava para terceiros. Um aluno por mês. E eu precisava de R$ 800,00 para poder comprar os livros necessários para estudar e tentar uma vaga na faculdade. Eu ainda contava com 50 reais que ia receber de mesada do meu pai.

Minha família, os Vancevir, é uma família típica, classe média, composta por mim, Marcelo Vancevir, meu irmão Hugo Vancevir, e meus pais, Isaías Vancevir e Maria Fátima Vancevir. Meu pai ganha, em média, 2 salários mínimos como sub-chefe de um pequeno restaurante na esquina. Minha mãe no momento está desempregada. Nós vivemos em um apartamento de 2 quartos, herança de meu avô. Única coisa que ele deixou para o único filho. Meu irmão tem 15 anos e não está nem aí para os estudos. Estou vendo que o título de doutor da família será meu.

Eu acabava de sair da casa do Thiago direto para minha casa. Feliz. Eu finalmente tinha terminado de juntar meu dinheiro. O martelinho para quebrar o porquinho estava praticamente na mão. Cheguei em casa, mais que correndo para guardar o dinheiro. O meu sonho estava de tornando realidade.

Naquele dia, fui jantar com minha família nos fundos do restaurante onde meu pai trabalha e o assunto foi apenas isso: eu já estava com o dinheiro quase completo para comprar meus livros. Nós fomos jantar no restaurante exatamente porque o gás da minha casa havia acabado, impossibilitando o meu pai de preparar a comida para a gente em casa. Mas a gente também não podia ficar jantando lá, o chefe do meu pai não sabe.

Quando íamos para casa, meu pai me chamou no restaurante e me deu uma nota de R$ 50,00 que ele iria usar para comprar o gás no dia seguinte. Eu fiquei super feliz, mas depois devolvi. Expliquei para ele que não podia aceitar o dinheiro, e ele falou que iria dar um jeito. Ele insistiu para que eu ficasse com o dinheiro. Mas, afinal, por que ele queria que eu ficasse com o dinheiro? Então que ele me explicou tudo: ele ia largar o emprego. Aquele dinheiro era o último que ele havia recebido. E, se bem que ele não havia explicado que a gente iria jantar ou almoçar no restaurante. Eu estava em choque. Não sabia se aceitava ou não o dinheiro. Diante do meu pai, fiquei em dúvida.

Não aceitei o dinheiro, mas também não podia mais contar a mesada de meu pai. Foi aí que eu pensei: "O que eu posso fazer?". Afinal, eu tinha R$750,00 em casa. Por sorte, as contas do mês já estavam pagas, mas e mês que vêm? Será que meu pai arranjaria emprego? Já não sabia o que fazer...

Notas finais
Próximo capítulo: Um problema chamado Túlio.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.