O lobo e a raposa
6 O que está acontecendo?
Notas iniciais
Capítulo 06: O que está acontecendo?
Apenas três meses se passaram e os ferimentos de Kakashi já haviam se curado muito, não se pareciam em nada com os que eram antes, se eu mesmo não fosse aquele que o tratava, não acreditaria.
Eu estava acostumado com uma recuperação rápida, mas quando era comigo mesmo, e não com outros.
— Sua recuperação é incrível — Não pude deixar de comentar, enquanto passava o remédio nas feridas que já estavam quase criando cicatrizes.
— Não seria tão incrível sem você — retrucou e não disse mais nada, pois não sabia o que lhe dizer. Era verdade que meu sangue teve uma grande influência, mas eu sabia que se não fosse por sua forte capacidade de regeneração, não seria tão rápido quanto agora.
— Seu ferimento parece bom. Como está se sentindo?
— Sem problemas — Voltou a responder e sorri discretamente. Kakashi tinha preguiça em falar, mas com o passar do tempo podia ouvir sua voz cada vez mais, principalmente se eu fizesse uma pergunta.
Por mais que ele não gostasse de falar, quase sempre respondia minhas perguntas. Por algum motivo achava isso muito divertido… Ou sorria porque estava feliz?
Caminhei até a água e limpei minhas mãos e o potinho de madeira, depois segui em direção à saída da caverna para não lhe perturbar. Mas antes que eu pudesse deixar por completo aquele lugar, ouvi sua voz:
— Qual é o problema com suas orelhas e caudas? — questionou de repente, me surpreendendo. Não só o fato dele estar me perguntando algo era surpreendente, mas também o conteúdo da pergunta: orelhas e caudas?
Ergui minhas mãos e tentei tocar minhas orelhas na lateral da cabeça, mas não as encontrei. Confuso, ergui mais minhas mãos e senti ambas as orelhas de raposa no topo da cabeça. Em seguida olhei para trás e vi as nove caudas que balançavam no ar.
— O que está acontecendo? — Também perguntei, sem saber o que fazer nessa situação inusitada.
— Quantos anos você tem? Me fez mais uma pergunta e ao ouvi-la, me senti um pouco envergonhado e olhei para ele enquanto respondia:
— Mais de cinquenta…
Ele não disse nada e apenas me encarou seriamente. Pensei que tivesse lhe irritado, mas sua voz continuou calma:
— Pode ser mais específico?
— Eu… não sei exatamente o dia e o ano em que nasci, então não posso calcular a minha idade. Só sei que tenho mais de cinquenta, porque esse é o tanto que contei — expliquei honestamente.
— Não sei muito sobre as Kitsunes, mas todas as raposas passam pelo ano da adaptação. Normalmente é quando é alcançada a idade de sessenta anos — Me disse sobre algo que não sabia.
Ao perceber que ele não parecia bravo ou irritado e que ainda explicava calmamente, resolvi aproveitar aquela oportunidade para conversar e, ao mesmo tempo, saber um pouco mais sobre mim mesmo.
— O que é o ano da adaptação? E o que acontece nele? — questionei me sentando e colocando minhas caudas sobre o colo para que pudesse alisá-las e arrumar meus pelos rebeldes.
— O ano da adaptação é o limite da infância e a entrada para a juventude. Todos os demônios passam por isso, o que muda de um demônio para outro é o nome dessa passagem, o ano e o que acontece nesse período. No caso das Kitsunes, Sua adaptação afetará sua transformação. Se tornar meio fera é um sintoma — Me explicou.
Pensei com cuidado nas suas palavras e depois perguntei um pouco hesitante:
— Isso… Então tenho sessenta anos? Ou essa meia transformação pode ser outra coisa?
— Você pode tentar se transformar na sua forma animal. Se você conseguir, não é a adaptação — sugeriu e concordei com um balançar de cabeça.
Me concentrei e tentei a transformação, mas não consegui. Também não consegui retrair minhas orelhas e caudas, então devia ser o tal ano da adaptação.
— Quanto tempo vou ficar assim?
— Não sei — respondeu, fechou seus olhos e virou a cabeça. Aquela era a ação que dizia que aquela conversa estava encerrada. Suspirei profundamente pelo tempo passar tão rápido enquanto conversamos e depois sai da caverna.
Era o meio da tarde e logo escureceu. Normalmente isso não significaria nada, mas nessa noite choveu e sem a proteção dos meus pelos, ficou muito frio. Mesmo que tivesse minhas caudas, a temperatura ainda era muito baixa e devido à chuva e meu corpo molhado, parecia muito pior.
O corpo humano era mais fraco, mesmo que fosse o meu, não se comparava com minha forma animal. Depois de algumas horas na chuva e no frio, comecei a me sentir tonto e havia uma luta de frio e calor em meu corpo.
Ao anoitecer, troquei o remédio pela última vez naquele dia e depois…
E depois não me lembro do que aconteceu. Estava mais quente e não sentia frio. Quando acordei e abri meus olhos, estava rodeado de pelos, mas não eram os meus.
Diferente dos meus pelos laranjas e os vermelhos da ponta da cauda, esses eram… prateados…
— Você acordou? — Uma voz que estava quase sempre calma, tinha um toque de irritação e antes que eu pudesse entender por completo a situação, o pelo prateado sobre mim se mexeu e algo me atingiu, jogando-me para fora da caverna.
Rolei algumas vezes no chão e depois parei de bunda, o que me trouxe uma grande dor nas nádegas. E em alguns segundos, três pensamentos passaram pela minha mente.
Primeiro: A terra está seca, já parou de chover?
Segundo: Não é a primeira vez que deixo a caverna desse jeito. Deja vu?
Terceiro: ...
Por que diabos eu estava deitado em Kakashi!?
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