O lobo e a raposa
31 Extras - Parte 01
Capítulo 31: Extras — Parte 01
*** Não seja impaciente ***
Kakashi estava sentado na beira da cama e me observava com um olhar interrogativo, como se perguntasse: "Qual é o problema?"
A reunião com meus amigos havia acabado há apenas alguns minutos e na mesa da cozinha ainda havia os pratos sujos do jantar e a bagunça de cartas do divertido jogo que Sakura propôs. Mas, ao invés de limpar a cozinha, arrastei meu companheiro para o quarto sem dizer nada e o fiz se sentar na cama, desencadeando suas dúvidas.
Mas como deveria dizer isso? Ir direto ao assunto e dizer para fazermos sexo? Perguntar se ele quer acasalar comigo? Ou talvez fosse melhor fazer alguma ação que desse a entende o que eu queria? Essa última opção parecia um pouco melhor, ao menos não me deixaria muito envergonhado.
Me aproximei alguns passos, passei meus braços por seus ombros e me sentei em seu colo, ficando e frente para ele após apoiar um joelho de cada lado do seu corpo. Em seguida inclinei minha cabeça para mais perto dele e toquei meus lábios nos seus, sendo retribuído imediatamente. Kakashi abraçou minha cintura com um braço e usou a outra mão para segurar ao lado de meu pescoço, controlando a profundidade do beijo.
Alguns minutos se passaram e ele tomou a iniciativa de se afastar, usando suas duas mãos para segurar meu rosto e beijando-o em diferentes locais. Na testa, sobre as pálpebras, na bochecha, ao lado do pescoço, na orelha, na ponta no nariz e no canto dos lábios. Porém, seus lábios não voltaram aos meus, como uma provocação lentamente prazerosa.
— Diga o que quer — pediu em um sussurro. Kakashi era muito inteligente e me conhecia bem, ele sabia claramente o que eu queria, mas ainda queria que eu dissesse isso por mim mesmo. Parece que usar apenas ações no lugar de palavras, não funcionará. Peguei o lubrificante em meu casaco, um presente que Sasuke havia me trazido hoje e ofereci a ele, sentindo meu rosto arder, mas ainda seguindo seu pedido e dizendo diretamente:
— Quero fazer.
Ao ouvir minhas palavras, ele sorriu, um sorriso malicioso e divertido. Por um momento pensei que ele fosse continuar a me provocar e me pedir para dizer com mais detalhes, mas felizmente isso foi apenas uma impressão minha e ele não pediu mais nada. Ele não disse mais nada e não exigiu mais nada, apenas voltando a me beijar com uma urgência que nunca havia sentido antes.
O lubrificante desapareceu de minhas mãos e meu corpo foi movido para a cama. Senti minhas costas em contato com o colchão e seu corpo acima do meu, tão próximo quanto era permitido. Seus lábios não deixaram os meus, mas suas mãos correram desimpedidas por meu corpo, ignorando as roupas e tocando diretamente a pele.
Era difícil respirar, não pelo beijo, mas por não conseguir controlar todas aquelas sensações. Ofeguei entre um beijo e outro, às vezes movendo meu corpo e outras vezes usando minhas mãos para agarrar suas costas, como se estivesse em busca de algo, mas não tinha certeza do que era.
Meu casaco foi aberto, assim como o zíper de minhas calças, mas as peças de roupa ainda permaneciam em meu corpo e isso parecia desconfortável. Estava pensando no que podia fazer, quando sua risada soou baixa e magnética.
— Não seja impaciente — pediu e fiquei com vergonha por ter meus pensamentos revelados tão facilmente. Para afastar a vergonha, voltei a beijá-lo para me distrair e deixei de lado meus pensamentos, me entregando aos seus toques, carícias e beijos.
Os minutos passaram pouco a pouco e se tornaram horas, enquanto os beijos se tornaram investidas ferozes em meu corpo. Minha vergonha se tornou prazer e todas as palavras se tornaram gemidos. Um novo tipo de intimidade surgiu e ainda assim era tão normal como se já tivéssemos feito isso dezenas de vezes. Seja o movimento dos corpos, a quantidade de força e até mesmo as posições, tudo era muito natural, assim como esse relacionamento começou: a nossa aproximação de conhecidos para amigos, de amigos para companheiros e de companheiros para amantes de toda a vida.
*** Apenas lendo um livro de curiosidades ***
Estávamos no meio do jantar e ainda não conseguia entender o que estava acontecendo com aqueles dois. Já fazia três dias que estávamos de visita na mansão do clã Haruka e para a nossa surpresa, Sakumo também estava aqui. Nesse tempo eles pareciam bem e, ao mesmo tempo, não pareciam.
Sentado ao lado de Linda, olhei para meu companheiro que estava do outro lado e sentado com seu pai, erguendo a sobrancelha em uma pergunta muda, mas interrogativa.
Estava lhe perguntando se ele havia descoberto algo. Kakashi viu minha expressão e balançou levemente a cabeça para os lados, respondendo que não descobriu nada.
Continuei comendo e observei os dois mais velhos, percebendo que embora eles não se olhassem ou falassem um com o outro, aquela sensação de harmonia que senti antes, parecia mais forte.
Voltei a olhar para Kakashi e sorri maliciosamente, olhando para os dois e depois para ele novamente. Meu sorriso claramente dizia: "Acho que eles estão juntos".
Dessa vez, Kakashi ficou surpreso ao ver minha expressão e depois de entender o que eu queria dizer, olhou para seus pais com um olhar um pouco estranho e depois ergueu as sobrancelhas e olhou para mim com dúvidas. Era como se dissesse: "Será?"
Sorri ainda mais e acenei com a cabeça, mostrando que realmente achava isso. Depois de alguns segundos, pensei em algo e sorri ainda mais, chamando a atenção dele. Kakashi me olhou e seu olhar era obviamente interrogativo. Continuei sorrindo e após erguer a mão de modo disfarçado, bloqueei a lateral do rosto e movi os lábios para lhe dizer sem som:
"Acho que você pode ter um irmão ou irmã mais nova no futuro."
Assim que terminei, Kakashi fez uma expressão estranha e um pouco sombria. Não sabia no que ele estava pensando, mas ri muito e dessa vez ri alto.
— Que tipo de jogo vocês dois estão jogando com essas trocas de sinais? — questionou Sakumo curioso, mas desconversei e não disse nada. Mais tarde, após a refeição se encerrar, os dois disseram que tinham algo a nos dizer e depois de irmos para a sala, eles confessaram que estão juntos novamente. Eles pareciam nervosos, mas nós já tínhamos suspeitas e aceitamos bem, Kakashi também ficou feliz por eles e disse que esperava que eles pudessem ser felizes.
Mais tarde deixei a família de três conversar um pouco sozinha e voltei para o quarto. Esse era o quarto dele aqui e praticamente se tornou nosso, então eu não tinha mais as restrições de antes.
No dia seguinte Kakashi iria sair e ficar alguns dias fora, então fui até a estante de livros e dei uma olhada para ver se achava algo interessante para ler nos próximos dias. Enquanto procurava, vi um livro com uma capa toda laranja e senti que ele era familiar. Depois de pensar um pouco sobre isso, lembrei que Kakashi leu esse livro por muito tempo durante o período em que viajamos de Konoha para cá. Se eu me lembrava corretamente, parecia ser um livro de curiosidades…
Peguei o livro e o abri, vendo o conteúdo dentro e congelando no lugar devido à surpresa, porém, foram apenas alguns segundos. Já fazia vários anos que iniciei minha vida sexual e não era mais tão tímido quanto antes, então quando vi todas aquelas ilustrações sobre posturas para o sexo, dicas para inovar nas relações e outros conteúdos relacionados a esse assunto, fiquei apenas um pouco envergonhado e mais curioso. Depois de vários minutos, aprendi muito.
— O que você está lendo? — A voz de Kakashi soou após o som da porta do quarto se abrindo.
— Nada de mais… Apenas lendo um livro de curiosidades — respondi maliciosamente e me virei, mostrando a ele o livro, vendo Kakashi mostrar um leve traço de constrangimento. Claro, não é que ele sentisse vergonha de ler esse tipo de livro, mas eu havia descoberto sua mentira e ele não esperava isso.
— Você não deveria mentir — acusei, mas ainda sorri, nem um pouco bravo.
Ele sorriu divertido e ergueu ambas as mãos em rendição. Aquela ação tão conhecida dizia: "Vá em frente e diga o quer"
— Você faz o almoço e o jantar pelo próximo ano — disse diretamente.
— Um ano? Isso não é muito?
— Devo aumentar para dois? — perguntei ainda sorrindo.
— … Um ano parece bom — Enfim se comprometeu.
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