O lobo e a raposa

12 Ele parece triste


Notas iniciais
Não estou me sentindo muito bem hoje e tive que recorrer ao hospital. Ainda não estou completamente bem e vou descansar nos próximos dias, por isso, não postarei por dois ou três dias.

Capítulo 12: Ele parece triste


(Narração do ponto de vista de Kakashi.)


O tempo parecia demorar a passar quando estava sozinho, mas também passava rápido quando estava preocupado.

Assim como a pequena raposa havia dito, esperei pela sua visita, mas um ano se passou e ele ainda não havia vindo. Não estava ansioso para vê-lo, mas preocupado que viesse depois que os Namikaze tivessem se estabelecido. Naquele ano que se passou, o meu clã já havia ido embora, então a floresta estava sem um "rei" e não demoraria muito para que alguém assumisse essa posição.

Se eles viessem cedo, Naruto poderia encontrá-los ao entrar na floresta. Se eles viessem tarde e alguém já tivesse ocupado o lugar de rei, haveria uma briga e seria igualmente perigoso para ele vir até aqui. Depois de pensar muito nessas duas questões, decidi que o mais seguro era eu ir encontrá-lo, antes que ele viesse a mim.

Com essa decisão em mente, não atrasei minha partida e naquela noite deixei a floresta. Durante o caminho, modifiquei meu corpo e o encolhi para que pudesse me mover com mais facilidade na cidade e depois que deixei a floresta, usando as sombras dos prédios e casas para esconder minha presença e figura.

A cidade de Konoha era grande e havia milhares de pessoas, era a cidade mais próxima entre as muitas pequenas vilas, também havia muita tecnologia como câmeras de segurança, então me movimentar era muito mais difícil do que antigamente, mas para um demônio experiente como eu, difícil e impossível eram muito diferentes. Segui seu cheiro e a presença de sua aura por quase uma hora até encontrar o lugar onde ele estava.

Era um prédio simples e antigo, com alguns quartos vagos, poucos moradores e muito silêncio. Senti a presença dele em um dos quartos do último andar, então pulei para cima do prédio vizinho e usei a altura semelhante dos dois prédios para poder ver por sua janela, finalmente encontrando-o. Usei minha boa visão para lhe ver de longe, mas por algum motivo, não parecia ser o suficiente.

A janela estava aberta, então contive toda a minha aura e saltei por ela, passando de um prédio para outro como se fosse uma brisa de vento e pousando suavemente em seu quarto após atravessar a janela de madeira. Lá dentro, usei a claridade da lua que entrava pela janela e observei com detalhes a criança que dormia todo atravessado na cama, babando em seu travesseiro e que parecia estar descansando bem.

— … Kakashi — sussurrou de repente a meu corpo congelou no lugar. Pensei que tivesse sido pego e por um momento senti um pouco de vergonha por estar lhe espiando no meio da noite, mas logo essa vergonha desapareceu quando lembrei que embora estivesse invadindo, não estava fazendo nada desonesto, inapropriado ou perigoso. Depois de me acalmar, percebi que ele ainda estava dormindo e que o nome foi dito, muito provavelmente por um sonho.

Suspirei aliviado, sem saber se o alívio era por ele estar dormindo e não saber que eu estava ali ou se era por finalmente tê-lo visto e saber que estava bem. Fiquei apenas alguns minutos e depois saí, esperando que o dia aparecesse e lhe acompanhando de longe para saber como ele estava vivendo atualmente.

Com a claridade do dia, assumi minha forma humana e minha aura demoníaca automaticamente gerou minhas roupas, assim como a de todos os demônios. Eu usava calça e camisa preta de mangas compridas, uma roupa comum e que passava despercebida. Mas devido ao meu cabelo branco e o olho vermelho, minha aparência em si não era muito comum, então me mantive nas sombras e não me aproximei muito, seja dele ou de outras pessoas.

O vi acordar cedo, comer e sair com uma mochila. Após caminhar por meia hora, ele chegou a uma escola e entrou nela. Durante seu tempo lá dentro, percebi que ele não era muito popular e não se misturava muito, mas felizmente não era excluído e tinha dois ou três amigos com quem podia conversar.

Depois do almoço na escola, ele foi direto para um restaurante e lá trabalhou na cozinha lavando pratos, recolhendo o lixo e às vezes auxiliando os cozinheiros. No final do dia ganhou algumas notas de dinheiro e na volta para casa passou em um mercado e comprou comida. De modo geral, uma vida muito comum e para a minha satisfação, muito segura.

Lhe acompanhei por três dias e durante esse tempo, ele seguiu o mesmo padrão. Sua vida era calma e eu podia ver que ele estava bem fisicamente, pois até havia crescido um pouco nesse ano e agora parecia ter quinze ou dezesseis anos. Mas também podia ver que ele não estava realmente feliz, pois com exceção de alguns sorrisos enquanto estava na companhia dos amigos, durante o tempo restante ele estava sempre sério e havia um toque de tristeza em suas sobrancelhas. Não se parecia em nada com a raposinha alegra que tinha sempre um sorriso em seus lábios.

No quarto dia, enquanto eu ainda pensava na questão da mudança de Naruto e o observava correr no pátio da escola com os demais alunos. Uma mudança ocorreu, mas não com ele, e sim comigo. Eu o observava dentre as árvores que haviam perto da escola e de repente alguém me atacou.

Apesar da surpresa, me esquivei facilmente, porque o inimigo não era muito experiente. Depois que desviei e me afastei alguns passos, um adolescente de cabelos pretos saiu de trás da árvore onde eu estava e ficamos frente a frente. Ao vê-lo, o reconheci imediatamente. Não é que ele fosse alguém que eu conhecia, mas que havia lhe visto muito nos últimos dias, pois esse era um colega de classe de Naruto e um de seus poucos amigos.

Olhando mais de perto, finalmente notei um pequeno traço de energia demoníaca, entendendo que ele não era um humano. Quanto ao motivo de não ter visto antes, era porque era uma energia muito pequena e só poderia ser vista se eu procurasse deliberadamente por ela, o que não havia feito antes. Essa energia dizia que ele não era muito forte, que era muito bom em esconder sua presença ou que sua energia foi selada.

— Quem é você? E por que está seguindo Naruto? — O adolescente me questionou com raiva e me deixou surpreso pelo seu ato de proteção. Ou seria possessão?

— Esse demônio que me atacou não é muito educado. Você deveria se apresentar antes de exigir a identificação de outros — respondi relaxadamente. De qualquer modo, sendo um demônio que vive entre os humanos, ele não deveria ser difícil de se conversar. Como eu esperava, depois de um pouco de silêncio, ele mudou sua abordagem.

— Sasuke Uchiha.

— Uchiha? Do clã de mensageiros? — perguntei surpreso.

— Sim. Agora é sua vez.

— Kakashi Hatake, ex líder do clã — Me apresentei e ele franziu suas sobrancelhas.

— Soube que o clã Hatake saiu das redondezas de Konoha — falou, achando estranho minha presença ali.

— É por isso que sou um ex líder — disse honestamente e ele parou de fazer perguntas e me encarou por um tempo, era como se quisesse ver se eu estava dizendo a verdade ou mentindo.

— Por que está seguindo Naruto? — perguntou depois de um novo silêncio.

— Somos conhecidos. Eu não o vejo há um ano e resolvi vim ver como ele estava, apenas isso — Não menti.

— Se você o conhece, porque o vigia de longe ao invés de se aproximar e lhe cumprimentar?

— Tenho meus motivos — Não disse mais.

— Vai continuar seguindo-o?

— Mais alguns dias e depois irei embora ou falarei com ele — respondi e dessa vez ele pareceu satisfeito e não fez mais perguntas, se virando e voltando para a escola.

Embora não gostasse de ser questionado dessa maneira, mas ficava feliz que houvesse alguém preocupado com a segurança de Naruto. Ter um amigo que pode cuidar da segurança dele, me deixava mais confortável em partir. Então decidi que após vê-lo ir para casa naquela noite, iria voltar para a floresta, mas não esperava ver algo depois que ele saiu do trabalho no final da tarde.

Notas finais
Para aqueles que não querem esperar pelas atualizações, você pode ler essa história diretamente pelo meu blog, onde todos os capítulos já foram postados. Katake0.wordpress.com