O lobo e a raposa
10 Alegre despedida
Capítulo 10: Alegre despedida
O tempo se passou e agora que Kakashi havia acordado, tudo voltou ao normal. Se há algo que pode ser considerado ruim, é que a despedida também chegou.
***
O dia estava quente, pois era o meio do verão novamente. O sol estava forte, mas felizmente estávamos indo para a água, então isso não iria nos afetar muito.
— Mais rápido, mais rápido! — Pedi enquanto corria com duas pernas humanas, sendo seguido pelas quatro patas de Kakashi.
— O rio não vai fugir — Me lembrou, mas não diminuí meu entusiasmo e apenas ri, correndo na frente.
Hoje era o último dia em que estaria com Kakashi, o último dia dos trinta anos que havíamos combinado. Originalmente pensei que esse seria um dia triste, mas depois de mais alguns anos, a minha mentalidade era diferente.
Eu não podia morar com Kakashi a partir de agora, mas nada me impedia de vir visitá-lo no futuro. Claro, nada além dos perigos da floresta e seus habitantes, por isso treino o máximo que posso para me tornar mais forte, porque só assim posso ir e voltar nesse campo de batalha que chamávamos de floresta.
Quanto ao motivo pelo qual estou tão feliz, isso é porque Kakashi me disse que faria o que eu quisesse, apenas hoje. Primeiro pensei em pedir que ele deixasse eu acariciar seu pelo, algo pelo qual descobri ser quase viciado, mas sabia que ele não deixaria, então tive uma nova ideia! Pedi a ele que me deixasse lhe dar um banho, assim poderia usar de desculpa que estava lhe esfregando para poder tocar seu pelo! Sou um gênio!
— A água está boa, venha — chamei já com os pés na água, não me importando com a calça molhada.
— Seu sorriso está me dando arrepios, se controle — pediu com um tom de impotência, como um pai que não consegue controlar seu filho. Apenas sorri ainda mais e esperei enquanto ele caminhava para dentro da água e se sentava.
Assim que ele estava na água, pulei sobre ele e não escondi minhas intenções enquanto esfregava meu rosto em seu pelo e o abraçava pelo pescoço.
— Pare de me assediar!
— Estou apenas te abraçando — retruquei calmamente, já não me intimidando mais com seu tom sério.
— Em que planeta isso é chamado de abraço!? — rugiu, parecendo com raiva, enquanto usava sua pata dianteira esquerda para empurrar meu rosto e me afastar.
Sabia que ele estava apenas fingindo estar com raiva, porque a pata que me afastou não continha peso ou força, era apenas um empurrão de leve. Ri um pouco mais, porém, me afastei, não querendo que ele ficasse realmente com raiva e me fizesse perder essa oportunidade.
Pulei na água e comecei a jogar água nele, cantarolando uma melodia qualquer que não me lembrava onde havia ouvido e me concentrando em acariciar, não… quer dizer, esfregar todo o seu pelo.
— Não sei por que você gosta tanto do meu pelo. Até parece que não tem o seu — reclamou enquanto erguia uma de suas patas obedientemente, assim como eu havia pedido.
— É diferente. Seu pelo é muito mais macio e fofo que o meu — expliquei, mas ele apenas bufou e não falou nada, parecendo não ter aceitado minha explicação. Enquanto lhe esfregava, minhas mãos estavam longe de serem honestas.
— Eu, um demônio de mais de trezentos anos, estou sendo molestado abertamente por uma criança… Onde o mundo vai parar? — resmungava e eu apenas ria.
— Vamos, abaixe a cabeça — pedi e ele o fez, praticamente se deitando naquela parte mais rasa do rio.
Lavei toda a sua cabeça e não pude deixar de parar por alguns instantes quando toquei sua cicatriz sobre o olho, aquela cicatriz, que foi causada quando ele salvou minha vida.
— Eu sempre quis perguntar por que você é tão bom para mim, mas… não tenho certeza se vou gostar da resposta — comentei um pouco distraído.
— Você devia tomar mais cuidado com suas palavras, Naruto. Estou acostumado com seus pensamentos em voz alta, mas isso não será o mesmo para todos e alguns podem não lhe entender — avisou em tom sério, acenei em concordância e não continuei com esse assunto, caso contrário esse momento divertido viraria uma aula.
Vários minutos depois, não foi possível continuar prolongando aquele banho e o momento foi encerrado. Voltamos para a caverna e nos encaramos, enquanto adiava a minha partida a cada segundo que fosse possível. Por fim, já começava a escurecer e não podia demorar mais, pois, quanto mais escuro fosse, mais perigosa seria a floresta.
Assumi minha forma de raposa e caminhei até ele que estava meio sentado e meio deitado, me esfreguei em seu corpo e depois olhei para ele. Kakashi baixou sua cabeça o suficiente para que meus olhos ficassem na altura dos seus e observei aqueles dois olhos que estariam para sempre gravados em minha memória, seja o vermelho, como o sangue que deixava seus inimigos ou o amarelo dourado como um pequeno sol, caloroso, gentil e mortal.
— Vou vir te visitar, então não me esqueça.
— Sim — respondeu concisamente, não falando palavras desnecessárias. Sorri para o feroz lobo prateado que esteve em minha companhia por três décadas e enquanto ele estava distraído, lambi a parte lateral do seu focinho, como um beijo de despedida.
Quando fiz isso, Kakashi saltou para longe como se eu tivesse lhe queimado. O que foi muito engraçado e me fez rir muito enquanto eu rolava no chão por alguns segundos.
— Vá embora logo! — rugiu e voltou para a sua caverna. Observei sua retirada e quando não podia mais lhe ver, finalmente corri para longe.
Corri vários quilômetros, depois parei e olhei para trás. Obviamente não podia mais vê-lo ou a caverna, mas sentia como se ele me observasse. Sorri para o nada e voltei a correr, dessa vez não hesitando mais.
Fale com o autor