O lobo a levou

7 Capítulo 7 - Aposta


Notas iniciais
Oiii, depois de muito tempo, venho atualizar vocês com um novo capítulo dessa história. Espero que gostem!!

Branca encarava de forma fixa seu reflexo na maça que tinha entre a palma das mãos. Já fazia dias que a Associação dos Caçadores estavam instalados em seu vilarejos, montando sua pequena sede -que nada mais era que uma cabana mais alta que as outras- no meio do vilarejo. Branca ainda tinha a imagem perfeita de Killian, usando o uniforme deles e agindo como um. Ainda não dava para acreditar, se Killian era um lobo, uma fera que supostamente seria caçada por eles, então por que estaria ali? Infiltrado? Um traidor? Hipnotizado?
Ela não sabia, mas também não teve tempo de o procurar ou questionar, Killian sempre estava acompanhado junto de um ou dois outros caçadores. E ele sempre era quem parecia estar no comando, não um refém ou algo do tipo. Por que? Por que Killan estava junto a eles? Não fazia nenhum sentido para ela, por mais que tentasse compreender ou criar hipóteses, nem seus sonhos ou imaginações mais malucas e distantes eram o suficiente para criar uma resposta convincente.
— Se não vai comer isso, então dá licença.
Branca teve a grande e redonda maça vermelha arrancada de suas mãos por Arthur, que logo deu uma grande mordida satisfatória na fruta.
— Imbecil. — Branca murmurou, mal-humorada e levantando-se do pequeno caixote de madeira, limpando a barra da saia.
Branca estava escondida em um pequeno beco atrás de uma das lojas de pão, onde podia sentir o cheiro de uma nova fornalha sendo assada, naquela manhã em específico, desde que saíra de sua casa Arthur não desgrudava dela, a chamando para subirem nos telhados ou explorarem algo como o porão de uma loja abandonada. Arthur, mesmo sendo um ano mais velho, ainda tinha a cabeça de uma criança. Em outros dias, Branca até teria hesitado e argumentando que eles já estavam velhos para isso, mas logo cederia. Mas naquele dia, não. Branca estava de péssimo humor e sem cabeça para aquilo. Sua mente estava cheia de dúvidas sobre Killian, a Associação e sua avó. Cada coisa vinha como um tiro em sua direção, uma nova peça que entrava para seu quebra-cabeça, mas não se encaixa, mesmo quando parecia ter ligação. O que mais lhe estressava era não poder falar com aquilo com ninguém, apenas guardar para si, enchendo até explodir. Nem mesmo Killian, mesmo que ela conseguisse uma pequena brecha para falar com ele, sabia que não seria fácil arrancar todas as respostas que queria dele.
— Aí estão vocês. — Branca olhou para a saída do beco, observando uma garota com cachos dourados e lindos olhos redondos os encarando.
Era Marie, uma garota um ano mais nova que Branca e que havia se mudado há cerca de dois anos atrás para o vilarejo. Ela era extremamente doce e animada, filha de uma alfaiate e uma costureira, sempre tinha roupas lindas. Haviam boatos de que seus país já fizeram os mais belos vestidos de duquesas e baronesas, e até mesmo os ternos de diversos condes. Mas como ditos antes, eram apenas boatos e só isso. Os finos raios solares que escapavam entre as nuvens ressaltavam o dourados dos fios de cabelo da garota, enquanto ela sorria com um ar de curiosidade para os dois.
— Vamos brincar de pique-esconde?
— Estava tentando convencer a Branca, mas- Arthur não teve tempo de terminar a frase, observando Branca sair do beco em aborrecimento.
— Não estou a fim. — Ela virou a avenida do beco e caminhou pela rua de pedras feita acima, a capa vermelha sendo esvoaçada pelo vento.
O aviso não serviu para nada, visto que em poucos segundos Arthur e Marie estavam lado a lado da morena, a instigando a os seguir para o centro da praça e brincar um pouco. Além de seu humor péssimo, Branca não queria brincar porque sabia que Arthur sempre adivinha os esconderijos de todos. Ele era esperto e sorrateiro, sempre encontrava todos quando era sua vez de procurar, mas quando chegava a hora de se esconder, demoravam horas para o encontrar, isso é, se conseguissem.
Branca suspirou cansadamente, tentando ignorar o que eles diziam. Mas os dois se calaram quando dois caçadores passaram por eles. Um homem e uma mulher. Branca os olhou de canto percebendo os olhares sérios estampados em seus rostos e os passos rígidos que davam, pelas identificações de bronze, tinham um posição inferiores referente a Marcus ou Carmelia. Marie apertou firmemente o pulso de Branca, extravasando um pouco de seu medo.
— Eles são assustadores. — A loira disse, olhando brevemente para trás e voltando a encarar o chão a sua frente, levemente apavorada com a ideia que os caçadores notassem seu olhar sobre eles e se incomodassem.
— A aura deles fede. — Arthur concluiu, assumindo um tom sério. Mas o garoto logo aliviou com um sorriso quando notou o olhar curioso de Branca sobre si. — Quero dizer, eu sou bom em saber o que as pessoas sentem. Esses caras estão sempre sérios e com uma péssima aura em volta. Raiva. Estresse. Cansaço. Tensão. Sério, são só coisas negativas e deprimentes.
— Imagino que seja pelo trabalho, ou quantidade de coisas que já tenham visto em vida. — Branca concluiu calmamente. Killian não tinha o mesmo olhar, mas era verdade que vez ou outra, ele parecia cansado ou entediado.
Agora no vilarejo se tornava mais comum ver os caçadores andando de um lado para o outro, ora patrulhando ou levando e trazendo coisas para a construção da sede, isso é quando não saíam para a compra em vilarejos vizinhos.


Sem perceber bem, Branca notou que inconscientemente os dois pilantras haviam a guiado até a praça central, onde mais três ou quatro pessoas de suas idades estavam amontoadas, junto a Desmond que estava com a mesma expressão de Branca, de alguém que não queria estar ali e fora forçado. A morena revirou os olhos e deu um cascudo no ombro de Arthur, caminhando impacientemente até o chafariz e sentando-se em uma das bordas, logo se arrependendo pelo frio que sentiu nas nádegas, mesmo com a camisola e a capa. Ela apoiou o cotovelo no joelho e observou todos conversarem sobre o que fazer. Branca não estava a fim de brincar, mas também não queria voltar para casa, visto que ficara confinada lá por cerca de dois meses depois de se encontrar com Killian na floresta e antes da chegada dos caçadores. Sendo assim, a estúpida brincadeira era a melhor opção.
Após longos minutos e Arthur quase ter arranjado briga com outro garoto do grupo, eles finalmente haviam decidido que Arthur contaria e outros se esconderiam. Branca levantou-se do chafariz quando todos os outros saíram correndo em disparada para cada canto do vilarejo, enquanto Arthur se apoiava na parede de uma das cabanas ali.
— 1... 2... 3...
Branca não correu, ela caminhou pacificamente em volta da loja de sapatos em que o ruivo estava apoiado e contando, então contornou uma ou duas avenidas depois e se apoiou contra uma parede. Ela não estava com vontade de sequer se esforçar em encontrar um bom esconderijo, só queria apenas alguns minutos para ficar sozinha e organizar seus pensamentos. Arthur provavelmente começaria procurando pelos lugares mais pertos e óbvios, então sairia em disparada para achar um por um, como dito, ele conhecia aquele vilarejo como a palma de sua mão. Sabia cada buraco, beco, canto e até baú que havia ali.
Era possível que Killian fosse um lobo e um caçador ao mesmo tempo? Por que ele estava na alcateia? Por que ele estava na Associação? Qual era seu verdadeiro lado e quem ele estava traindo? Por que ele não contou para ela antes sobre a organização ou... sobre tudo?! Branca não entendia mais nada, sua cabeça doía e sentia um profunda e incontrolável vontade de chorar, seus olhos ardiam e seu nariz também. Estava confusa, com ódio e com tristeza. Nem mais sequer podia saber se confiaria em Killian, se ele tinha feito algo com sua avó. Não podia ser coincidência no mesmo dia que ele a mostrou o atalho, sua avó teria desaparecido e em sua casa tinha manchas de patas de lobos. Não fazia nem sentido ela em primeiro lugar tentar fazer amizade ou confiar nele, era um assassino. Mas ele também tinha a ajudado antes. Droga, droga. Branca não sabia mais no que pensar ou acreditar.
— Ehr... Com licença?
Branca levantou o olhar, assustada. Mas era apenas uma garota que aparentemente tinha sua idade. Tinha a pele parda e lindos olhos azul-claro, o cabelo preto preso em um coque. Branca limpou o nariz que fungava, dando passagem para a garota que segurava uma sacola de pães quentinhos.
— Você está bem? — A jovem perguntou. Sua voz era doce e calma, mas extremamente tranquilizadora. Por algum motivo, parte da angústia de Branca diminui ao escutar sua voz.
— Sim, eu só...
Então ela notou o sobretudo preto da garota, junto a uma linda e polida identificação feita de prata em seu peito. Branca ficou surpresa diante do doce sorriso que a garota lhe deu, totalmente inocente e com os olhos piscando em curiosidade diante de sua frase incompleta. Então até mesmo uma pessoa com um rosto e aura tão angelical podia ser uma caçadora. Totalmente diferente da postura e imagem que Branca tinha de Carmelia. Vai entender...
A garota enfiou a mão na sacola e puxou um brioche redondo e quentinho. Com hesitação, Branca o segurou, ainda sem entender bem.
— Pode comer, é gostoso.
— Ah, sim. Eu sei. — Branca concluiu. — Eu moro aqui.
A garota arregalou um poucos os olhos.
— Ah sim, como sou esquecida.


A jovem garota puxou outro brioche e o mordeu em curiosidade, parecendo extremamente satisfeita. Ela era como uma criança inocente em um mundo de trevas e escuridão, totalmente rodeado pela sua própria pureza e visão do mundo. Ela não poderia ser uma novata na Associação, visto que já fora ensinado para os moradores do vilarejo que as identificações em seus peitos diziam suas posições. Os novatos não tinham identificações próprias, estavam ainda em treinamento e portando apenas usavam um fita de seda costurada no peito dos uniformes. Os simples soldados ou que faziam patrulha tinham identificação de bronze. Os generais, superiores e capitães usavam identificações de prata. Já os totais superiores e oficiais, os que tinham poder na Associação usavam identificação de ouro. As identificações eram ganhadas baseadas em seus esforços ou competência. Porém Branca ainda não tinha visto nenhum Ouro no vilarejo, apenas os Bronze ou Prata.
Branca mordiscou o brioche, apenas para sentir a maciez do pão e o leve vapor que aqueceu seus lábios. A garota mais baixa sorriu sem exibir os dentes. Branca pensou um pouco, a jovem ainda a acompanhando na refeição em sem dizer sequer uma palavra. Após dois ou mais segundos de silêncio, Branca finalmente se pronunciou.
— Aquele caçador de olhos azuis. — Ela disse, pensando na melhor forma em como descrever Killian, sem deixar evidente que o conhecia. Seria extremamente suspeito, por mais inocente que aquela garota parecesse.
— Olhos azuis? — A garota pensou. — Temos muitos. Como eu.
— Ele tem cabelo com uma cor mogmo, meio marrom e vinho. Acho que... ele é um Prata.
Branca desviou o olhar para os lados, pensando escutar passos sobre a neve, poderia ser Arthur. Branca não escutou o que a jovem murmurou, antes de repetir em um som mais alto.
— Refere-se a Killian?
— Então esse é o nome dele! — Branca fingiu surpresa, apenas para a jovem garota sorrir outra vez.
— Eu não sei muito sobre ele porque quase nunca o via dentro dos quartéis da Associação. Mas ele é muito bonito e atraente, não é? Também é meio calado.
— É... acho que sim. Não sei.
Ela não prestou atenção no que a mais baixa dizia sobre o templo nublado, ela apenas estava remoendo a parte sobre Killian não viver muito no quartel. Então era por isso que ele sempre estava na floresta? Mas ele dizia que pertencia a uma matilha, ou algo assim, certo? Killian vivia em uma matilha E na associação? Como era possível viver nos dois? Ser um lobo e um caçador ao mesmo tempo? Ele deveria estar traindo um dos lados e sendo um espião, só podia ser isso. Não havia outra explicação plausível para aquilo senão---
— Volte para seu posto.
Branca deu um sobressalto, assustando-se com a presença de Carmelia ali, com os olhos fincados na garota morena e um tom de voz firme e ríspido. A garota mais baixa apenas assentiu com a cabeça, correndo entre os corredores entre as vilas e lojas e desaparecendo da visão de Branca. Ela pensou que Carmelia iria falar algo, mas a loira apenas a encarou fixamente por alguns segundos e então deu de costas, seguindo o caminho oposto da outra caçadora. Branca escutou passos apressados vindo, ela sabia que era Arthur. Realmente não estava com vontade de brincar, mas também não queria escutar Arthur se vangloriando.
Branca atravessou pelo menos uma outra rua e enfiou-se em um corredor entre duas lojas, escondendo-se atrás de alguns caixotes e colada na parede. Demorou apenas alguns minutos para ela perceber Arthur passando por entre as lojas, olhando brevemente o beco e indo para outra rua. Branca estava pronta para sair de seu esconderijo e ir ao chafariz para salvar-se do jogo, mas sentiu uma fisgada em seu pescoço. Uma breve brisa batendo contra os fios em sua nuca a fez a levar a mão a boca e abafar um gritinho, olhando para trás.


Killian estava ali, usando um sobretudo preto feito de couro e botas até os joelhos. Ele tinha os braços atrás das costas e um olhar entediado, mas abriu um sorrisinho quando notou o espanto da garota, o encarando.
— O que pensa que está fazendo? — A morena perguntou, esfregando compulsivamente sua nuca.
— Você parecia um pequeno cervo encurralado. — Ele disse, pensativo. — Pensei se tinha o mesmo cheiro que um.
— Cuidado, posso te atacar com os chifres.

Ela disse, levantando-se e observando as parte do beco, sem nenhum sinal de Arthur e seguiu rua acima na direção oposta que ele veio. Apenas quando Branca achou outro esconderijo no fundo de uma loja de sapatos, percebeu que o ruivo a seguira e posicionou-se ao seu lado. Ela piscou diversas vezes, indignada.
— Me seguir como um cachorrinho parece um péssimo hábito seu. Não estamos mais na floresta, lobo.
— Eu também estou brincando.
Ela o encarou, agora indignada E curiosa.
— Como assim...
— O seu amigo... como era seu nome? Arthur. Arthur me encontrou e me convidou para brincar.
— Não seja bobo, Arthur não gosta de você da Associação e-
Ela calou a boca imediatamente, percebendo que havia entrado justo na discussão mais delicada, pelo menos para ela. Killian também não disse nada, apenas ajoelhando-se e apoiando o antebraço em um dos joelhos, totalmente atento. Branca acomodou-se contra a parede, apoiada e observando se Arthur viria. Ela estava pensando no argumento que daria, caso o amigo a pegasse junto a um dos caçadores.
— E você. Gosta da Associação? — Killian perguntou, cortando o silêncio.
— Vocês parecem como pessoas sem vida. Parecem sempre tensos e desconfiados de tudo, e os que não, tem olhares vazios. Parecem apenas dispostos a cumprir regras e--
— Não é muito diferente da matilha, sabe. — Killian murmurou, exibindo um meio sorriso.
Sentindo que a conversa não poderia ficar pior do que já estava, Branca resolveu derrubar sua questão mais crucial. A que mais a atormentava e fazia pensar o pior de Killian.
— Como pode você ser um lobo e um caçador ao mesmo tempo? Está traindo um dos lados? A Associação ou a Alcateia? Ou é um espião?
As palavras de Branca soavam rápidas, desesperadoras. Ela queria saber o que se passava com Killian, o que aconteceu com sua avó e mais importante... a Fera. O que era tudo aquilo que girava em volta daquele maldito vilarejo e floresta. Desaparecimentos. Associação. Fera. Branca há pouco tempo atrás achava aquele lugar o mais entediante do mundo, mas agora, um aura rodava ali. Algo intenso havia tomado conta daquele cenário.
Killian pareceu completamente atento no que ela dizia, mas apenas contorceu os lábios, suspirando.
— Você realmente tem muitas questões em sua cabeça. — Sua cabeça se levantou, exatamente como um lobo atento. — Abaixe-se.
Killian a empurrou ainda mais contra a parede e colocou seu peito contra o nariz dela, ambos segurando a respiração e escondidos por trás de uma pilha de lenha. Branca ouviu passos sobre a neve, então percebeu que se tratava de Arthur rondando por ali, encarando beco por beco. Branca o empurrou levemente.
— Não tem necessidade de tudo isso por uma brincadeira estúpida.
— Você age demais como uma adulta, apesar de tão nova.
— O quê disse?
Ele a calou com o dedo superior, escutando passos adentrando no beco, cada vez mais próximos de seus esconderijos. Normalmente Branca não ligaria para brincadeiras estúpidas de pique-esconde, mas tudo mudou quando Killian se aproximou de seu ouvido e sussurrou.
— Se vencermos no pega-pega, te contarei tudo que quer saber.
Branca notou aquele sorriso travesso nos lábios dele, exatamente como um predador que brincava ironicamente com a presa, a testando. Mas uma adrenalina a atingiu, e sua curiosidade e ânsia por respostas estava maior do que nunca. Prendeu a respiração o máximo que podia e não moveu nem um músculo, quase nem piscou. Os passos se aproximaram mais alguns centímetros, com o coração da garota acelerando. Mas então, pararam e deram meia volta, partindo para o próximo beco.
Perfeito! Se Arthur fosse para mais longe, ela poderia percorrer o mesmo caminho que veio e chegar com facilidade até a pracinha. Ela olhou por cima da pilha de lenha acumulada, verificando se o ruivo ainda não espreitava por ali, e quando teve certeza daquilo, saiu do beco sendo acompanhada de Killian, fizeram o contorno pelas lojas e ruas. Os aldeões a encaravam, mas não do jeito que sempre fizeram, admirado por sua beleza, não. Eles a encaravam por estar acompanhada de um dos membros da Associação, todos dali tinham respeito ou medo por eles. Isso os que não os odiavam. Eram intimidadores demais, mesmo que o vilarejo inteiro soubesse que precisavam deles para sobreviver contra A fera.
Branca fez o retorno e passou pelo beco que havia encontrado a garota de antes, avistando em poucos segundos o chafariz no meio da aldeia. Sorriu, pensando que facilmente ganharia aquilo. Haviam apenas três pessoas ali, as que haviam sido encontradas por Arthur ou haviam conseguido se salvar. Branca não esperou por nenhum aviso e saiu em disparada, as pontas das botas quase tropeçando pelos blocos de pedra que formavam o chão. Ela olhou para trás, querendo mostrar para Killain que venceriam. Mas ele não corria junto a ela, apenas estava encostado em uma das paredes da loja e com os braços cruzados, a encarando com um maravilhoso sorriso, mais irônico do que qualquer outro.
Por que ele não estava a ajudando ou correndo? Iam vencer, ele teria que a responder tudo, como prometido.
Bom, que seja. Ela iria ganhar sozinha!
Arremessou o corpo contra a borda do chafariz e sentiu a ponta dos dedos tatearem a estrutura dura e gélida, sorrindo e arfando.
— Salva!
Ela sorriu, mesmo que com um pouco de falta de ar. Mas nenhum dos jovens ali pareciam eufórico, pelo contrário, a encaravam como se fosse uma idiota. Um garoto com boina a encarou, suspirando.
— Do que está falando? Você foi a primeira a ser encontrada.
— Como? — O sorriso desmanchou em seus lábios no mesmo segundo.
Uma garotinha loira tomou a posição, com o mesmo olhar descrente.
— Arthur te encontrou em um beco conversando com uma mulher da Associação. Acho que você não escutou quando ele chamou seu nome.
O rosto de Branca empalideceu e sua boca se abriu e fechou diversas vezes, mas não disse nada, apenas engolindo o vento. Imediatamente virou a cabeça em direção a Killian, que estava com um sorriso ainda mais aberto e exibindo os dentes levemente afiados e perfeitamente brancos, como flocos de neve.
Ele sabia... aquele maldito lobo com uma maldita ótima audição sabia que ela já havia sido pega, e mesmo assim havia brincando com ela. Branca sentiu raiva como nunca em sua vida, sentiu vontade de gritar e se jogar contra ele, de o amaldiçoar e dizer como estava farta daquele maldito lobo. Mas não fez nada. Apenas ficou ali, paralisada e o encarando com uma fúria que deveria estar desmoldando todo sua expressão.
Killian apenas deu de ombros, virando-se de costas e voltando a caminhar pelas ruas, enquanto os aldeões saiam de seu caminho, como se realmente houvesse o lobo no lugar de um rapaz. O olhavam com medo, angústia. Era a impressão que os caçadores passavam, que se você não fosse um deles, deveria manter-se afastados, dar passagem.
Branca o observou partir com certa raiva. Não fora dessa vez, mas Branca não cairia novamente e de uma forma tão tola nos truques dele. Teria aquelas respostas, ganhando ou não no jogo que ele tramava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.