O leão

1 Capítulo 1


Em algum lugar, em um deserto aleatório. Existia um leão.

Ele não tinha ambições materiais.

O que ele gostava mesmo era de sentir o que a vida tinha de melhor para oferecer.

Um de seus tesouros, era o sol que nascia todas as manhãs.

O leão estufava seu peito e rugia.

Alguns seres passavam por ali, mas nenhum entendia o porquê do leão rugir todas as manhãs. Apenas o admiravam.

O leão ao perceber que estava sendo observado, balançava sua juba e se mostrava poderoso.

Muitos seres também tinham sua beleza, porém tinham um certo receio de se aproximar. Afinal, ele ainda era um predador.

O leão tinha muitos amigos também. Ele acreditava que todos compartilhavam de sua magnânima companhia.

Alguns o invejavam.

Outros o admiravam.

O leão adorava que seus amigos admirassem o nascer do sol com ele. E tentava compartilhar isso com os mesmos. Mas algo lhe dizia que eles não conseguiam sentir o mesmo que ele as vezes.

O som. O vento. O calor. Tudo o fascinava, mas o melhor era compartilhar aquilo.

Então ele decidiu abandonar seu posto de rei e guarda do sol, para achar alguém que sentisse o mesmo que ele.

Ele procurou por muito tempo. Assistiu incontáveis nascer e por dos sois ao redor do mundo. Mas os seres que ele encontrou pelo caminho ainda não entendiam sua paixão.

As vezes ele ficava tão bravo que machucava alguém. As vezes tão deprimido que machucava ainda mais forte.

E assim seus dias de viagem passaram tão rápido que ele se sentiu cansado. Ainda gostava que o admirassem, mas se não sentiam o que ele sentia, de nada valia o júbilo.

Até que um dia assistindo mais um nascer do sol, ele encontrou um velho urso que também observava o mesmo esplendor no horizonte.

O leão que antes estava deitado e desanimado, levantou num só pulo, exibiu sua juba grandiosa e rugiu para o sol.

O céu se moveu, o chão tremeu, os pássaros fugiram. Mas o urso nem se moveu. Apenas continuou fitando o espetáculo.

Muito confuso e até mesmo irritado, o leão rugiu ainda mais alto. Mas nada tirou a concentração do urso.

— kham... (tossiu o leão)

— sim? Respondeu o urso.

— tudo bem com você? Percebi que admirava o mesmo que eu. Parece que você tem a mesma afeição ao que é sublime. Divagou o leão.

— ah sim, você fala da formiga?

— que formiga? Perguntou o leão assustando.

Quando percebeu, uma pequena formiga andava um pouco a frente dos dois.

Ela carregava algo cem vezes maior que ela. Se esforçava e se arrastava para carregar o objeto.

O leão ficou sem ter o que falar. De repente diante do magnífico sol, uma pequena criatura demonstrava algo realmente interessante e valoroso.

— nossa... Que incrível esse pequeno ser. Disse o leão. Ele é tão pequeno e demonstra uma força que se assemelha a mim...

Antes mesmo do leão terminar, o urso ja tinha levantado e seguido seu caminho sem nem dar atenção.

O leão ficou irritadíssimo e não rugiu. Mas sua insatisfação foi tanta que bateu a pata forte no chão enquanto observava a partida do urso.

— droga de formiga, o que ela tem de mais especial que eu?

Sem ao menos perceber, tinha esmagado a pequena criatura com sua enorme pata.

Passou semanas deprimido. Se sentiu um inútil, um monstro.

Ja preparando sua volta, agora repleta de aprendizado, o leão se espreguiçou. Mas de repente vislumbrou o ser mais lindo que ja vira em sua vida.

Era uma ave que desfrutava das mais belas cores. Ela estava ao lado de um açude bebendo água.

O leão logo se livrou de sua tristeza e rugiu alto balançando sua juba. Saiu correndo e assustou um grupo de javalis que também bebiam água. E começou a andar e desfilar.

A ave ficou estupefata diante de tanta grandeza e se aproximou.

Ambos viram no outro a si mesmos. Uma semana depois, finalmente, o leão tinha encontrado alguém que o entendesse.

Mas um dia, ao nascer do sol, o leão fez seu grande rugido. Mas a ave não prestou atenção. Estava conversando com outro de sua espécie e exibindo suas penas. Isso irritou o leão profundamente e ele saltou sobre um animal que passava por ali e o despedaçou para se exibir.

A ave ficou aterrorizada e foi embora voando dali o mais rápido que pode. Ali perto o urso observava a cena.

— é rapaz, parece que você não vai se encontrar tão cedo. Caçoou o urso.

— como ousa? O que sabe sobre mim?

— sei que você não sabe realmente o que é.

— claro que sei. Sou a criatura mais majestosa desse lugar!

— não, você é o mais arrogante.

Nesse momento o leão partiu para cima do urso. Mas o mesmo não se moveu. Ficou relaxado em seu lugar.

— não tens medo?

— não. Medo de que?

— de mim, oras! E rugiu bem alto.

— pare de fazer tanto barulho. Apenas entenda. Sua procura não Esta em outros seres, está em você mesmo. Vou te dar um presente. Amanhã voce terá uma surpresa.

o leão ficou parado enraivecido. E o urso se foi.

A noite caiu e o leão dormiu.

No dia seguinte o leão acordou e uma coisa aconteceu. Não era mais um leão, agora era um enorme dragao.

O leão, que agora era dragao, saltou e voou pelo ceu. Soltou fogo e rugiu ainda mais alto do que conseguia. Estava satisfeito, agora era magnânimo e esplêndido. Todos os seres da terra o temiam.

Naquele mesmo instante ele observou ao Horizonte outro dragao que o observava. Era uma fêmea belíssima.

Foi paixão a primeira vista. E dias e dias se passaram e o fervor prevalecia.

Os dragões sobrevoavam o céu e observavam o nascer do sol.

Mas um dia ouve um desentendimento e ambos queriam provar quem era mais poderoso. Queimaram a terra em seu combate e mataram quem estava próximo. Até que a dragao femea caiu morta.

O leão, que agora não queria mais ser dragao, procurou o urso pela terra. Até que o achou em um lago, pescando.

Sem rodeios bateu suas asas e chamou a atenção do urso.

— Porque eu não consigo achar alguém?

— ora, você que me responda. E obrigado por assustar os peixes.

— eu sou incrível. Mas eu preciso ser isso com alguém.

— pra mim você é alguém que necessita de atenção. Um tapado.

— me transforme em uma fênix, urso bruxo! Isso que eu sou, renascerei e farei certo dessa vez.

— seu desejo é uma ordem. Respondeu o urso.

Como um relâmpago o grandioso dragão foi ao chão e adormeceu.

Quando acordou teve uma surpresa. Não era mais dragão, tão pouco leão. Agora era um texugo.

O susto foi tão grande que ele caiu desmaiado.

Quando acordou, estava de noite e alguns lobos o cheiravam.

— ta fedendo, deve ta podre.

— é tão fofo, sera que da para comer? O outro disse babando.

O texugo levantou num salto e rugiu. Mas o máximo que saiu foi um guinchado.

Os lobos caíram na risada.

— então ta vivo? Então vamos jantar.

— o texugo correu o mais rápido que pode. Mas suas patinhas não eram nada. Ele Sentiu que era seu fim.

Localizou uma árvore e a escalou. Por pouco não ficou sem a cauda numa mordida.

Os lobos ficaram de guarda durante dias ali.

O. Pequeno texugo que ja fora leão e dragão, Agora era indefeso.

Avistou a ave bonita no céu e clamou por. Socorro. Mas agora ela não se importava com um texugo. Era demasiado pequeno e inútil comparado a sua beleza.

A criaturinha percebeu que naquelas alturas, outras coisas eram mais importantes que a beleza. Como a sua vida, mas alguns seres não entendiam isso. Como Um dia ele não foi capaz de entender.

Ainda em cima da árvore, Avistou na ponta do galho uma mamãe pássaro e seus filhotes. Ela estava tentando ensina los a voar. Ate que um filhote mais aventureiro pulou do ninho, sua mãe para salva lo tropeçou e não se recuperou a tempo para voar. Consecutivamente caiu no chão.

O texugo sem nem pensar correu para salva la dos lobos. Ali nada mais importava, apenas salvar aquela vida.

Quando chegou perto do pássaro e viu que ele havia morrido, olhou para os lados preparado para fugir. Mas ali os lobos não estavam mais.

Os meses se passaram e ele cuidou dos filhotes ate que eles estivessem aptos a voarem e fazerem seus próprios ninhos.

Nesses dias se lembrou de quando cuidou de seu velho pai. Um leão sábio que o amara muito. Passou todo ensinamento aos filhotes, ensinou os a voar da forma que pode e foi muito feliz.

Ele pensou

"Percebi então que não precisava mais de alguém ou tão pouco do sol. Ate tinha esquecido de ensinar os filhotes a admirar me.

No dia da despedida, o texugo muito triste e ainda sim contente pelo seu feito, ja nem lembrava que fora leão ou dragão, nem mesmo texugo, agora era um pássaro que não sabia voar.

Então achou o urso tentando roubar mel de uma comeia.

— bom dia senhor urso. O que faz por aqui? perguntou o texugo.

O urso embaraçado escorregou e caiu no chão, levantando num pulo.

— dia... É, apenas aproveitando alguns prazeres. Sabe como é.

— sei sim.

— e você, como tem sido sua vida?

— não sei bem descrever. Mas acho que tenho muito o que aprender. Disse o texugo satisfeito.

— hmm. Isso é ótimo. Bem, ja está pronto para virar leão de volta?

— acho que não preciso mais disso.

— oh, sério?

— prefiro essa forma. O por do sol fica ainda maior.

— compreendo. Bem... Então acho que meu trabalho está feito. Aceita um pouco de mel?

— não, ultimamente prefiro minhocas.

Ambos riram e passaram a tarde tentando achar deliciosas minhocas para a janta.

Muitas histórias contam a lenda do texugo encantador de pássaros e enganador de lobos. Mas os seres realmente se lembram do leão que rugia todas as manhãs. Porém, não sentiam falta do mesmo.

Dizem que o texugo viveu até que as grandes árvores tivessem caído e novas se levantado. Ele nunca achou alguém que compartilhasse do seu nascer do sol. Mas contava aos jovens pássaros suas histórias, que por sua vez viajavam pelo mundo repercutindo-as .

Um dia ele achou uma texuga, que um dia tinha sido serpente, antes de ser uma águia. E com ela teve filhotes. Se foram felizes eu não sei. Mas as vezes gostavam de sentar na árvore mais alta e observar estrelas e cometas.

Fim.

Ah... O urso? Agora é abelha, antes mesmo de ser... Mágico.

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