Veronika não conseguia dormir de jeito nenhum. Parecia que algo atrapalhava seus sonhos, seus olhos, sua mente. Sua imaginação não parava de pensar. No quê, em quem, nos perguntamos.

Nele.

Naquele que a deixou nesse estado, desse jeito estranho e esquisito, no qual não se reconhecia e sabia que as outras pessoas também não. Porque ela tinha que ter ido sozinha para casa naquele dia?

Aquele garoto idiota veio de skate contra ela, a derrubando logo em seguida e caindo de queixo no asfalto, se machucando todo. Ela logo ia reclamar, perguntando o porquê daquele maluco não olhar para os lados enquanto andava naquela merda. Mas o olhou e viu sangue, pingando de seu cotovelo. O que ela poderia ter feito? Nada, pois tinha desmaiado logo em seguida. Acordou (segundos, minutos, horas, dias, meses?) depois, com uma luz forte no rosto e uma dor de cabeça fulminante, se perguntando onde estava. Tentou se levantar e algo a colocou de volta para a cama.

– Não, moça, se você levantar agora pode desmaiar novamente. E não queremos isso, não é?

Era o garoto idiota. Mas ela não lembrava de que ele era tão... Persuasivo assim. Ela piscou e olhou direto para os outros olhos que a encaravam com tamanha intensidade. Olhos esverdeados e um pouco pequenos, cheios de uma curiosidade visível. Rosto que parecia familiar, mas tinha certeza que se lembraria de alguém assim. Um rosto meio que oval, com o nariz médio, que não chegava a ser grande nem pequeno, parecia ser do tamanho perfeito para um nariz não ser um feio. Lábios cheios, com um convite ambíguo.

– Ahn... Moça? — ele perguntou, parecendo confuso, mas se divertindo com isso. Ela tinha que responder algo, se não, pareceria uma louca.

– Ahn... Ai, minha cabeça. O que aconteceu?... — Ela realmente estava confusa. Se lembrava das coisas com alguns flashes, mas tudo parecia distorcido.

Ele sorriu de uma maneira encantadora, que a fez se sentir um pouco mais tonta do que já estava.

– Eu estava andando de skate e não vi você. Você apareceu do nada e caiu na minha frente. Bati em você, e peço mil desculpas por isso. Geralmente eu consigo ver as pessoas antes de cair em cima delas. Aí você caiu, eu caí e ralei o cotovelo meio feio. Saiu muito sangue. Você levantou, furiosa, mas quando viu o sangue, desmaiou.

Ela começava a se lembrar das coisas com mais clareza agora, e a vergonha estava chegando também.

Ora desmaiar por causa de sangue — ela pensava, irritada consigo mesma — que coisa mais ridícula.

– Me desculpe, ok? Eu realmente não te vi. — ele parecia realmente preocupado que ela estivesse com raiva.

– Tudo bem... Tudo bem, eu que sou ridiculamente fraca com sangue. Só cuidado por onde anda da próxima vez. — ela olhou para seu braço, agora enfaixado com vários curativos. — Teve que dar ponto?

– Dois. Acho que não vou esquecer de hoje tão fácil.

Ela enrubesceu e não sabia dizer o motivo, exatamente.

– É, nem eu... — Pigarreou, levantando da maca e tentando se sentar. Se sentiu muito tonta logo em seguida, e ele levantou na mesma hora, a ajudando a se equilibrar.

– Calma, moça. — ele riu um pouco, a olhando — Não temos pressa de sair daqui. Mas afinal... Qual o seu nome, menina do lenço verde?

– Veronika. — ela respondeu, praticamente começando um sorriso — e isto — ela apontou para a longa echarpe verde de algodão — é uma Echarpe. E você, menino do skate, qual é o seu nome?

– Diego — ele sorriu de volta para o início do sorriso da garota — e isto é um lenço.