O laço inquebrável
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero muito que gostem, pois escrevi com muito carinho!
Ele se lembrava daqueles momentos todos os dias, como se houvesse acabado de acontecer. Quando o outro se colocou à sua frente para levar o golpe em seu lugar. Quando a espada atravessou a barriga de Megumi, causando um ferimento grave, Sukuna urrou de puro ódio e acabou com o responsável por isso apenas usando suas mãos.
Carregou seu amado no colo, em desespero, correndo para um médico o mais rápido possível.
“Você ficará bem, eu vou te salvar, eu vou!” dizia ele.
Chegou ao médico, enfim, que disse que faria o possível, mas que o caso do homem de cabelos longos e negros era muito grave. Resumidamente, não lhe deu esperanças. Pediu para que Sukuna deitasse Megumi no futon.
“Preciso que vá para outro cômodo, Sr. Ryomen…”
“Não! Eu não vou deixar o Megumi!” ele disse com a voz alterada.
“D-doutor, deixe-o ficar…” Megumi pediu, com esforço para falar.
“Tudo bem, mas não interfira nos procedimentos, por favor, Sr. Ryomen.”
Enquanto o médico tentava tratar daquela ferida, Megumi grunhia de dor, mas Sukuna segurava sua mão, não saindo um minuto de perto dele.
“Por que, Megumi, por que fez aquilo? Eu podia aguentar o golpe!”
“Sukuna…” dizia Megumi com a voz muito fraca. “Eu não me arrependo, meu amor.” e com esforço tocou seu rosto.
O médico tentou fazer tudo que podia, mas a vida de Megumi já estava se esvaindo, e o próprio sabia disso. Sukuna não podia aceitar.
“Megumi, por favor, não vá embora! Você é minha bênção!” ele implorava, agora encostando a cabeça na de seu amado.
“Querido… Obrigado por tudo… Não me arrependo de nada que fiz por você, Sukuna…” os olhos de Megumi estavam se fechando.
“Não! Pare de falar como se você fosse morrer!”
“Me dê um beijo, por favor…” ele pediu, a voz mal saía de seus lábios agora.
Sukuna de prontidão o fez, selando seus lábios num beijo terno e desesperado ao mesmo tempo, só parou quando sentiu a mão de Megumi deslizando de seu rosto e indo para o futon. Sukuna agora olhou para seu esposo, com olhos fechados e um leve sorriso nos lábios.
“Megumi…?” disse ele, agora dando uma leve mexida em seu esposo. “Ei… Megumi…” o desespero tomava conta da sua voz cada vez mais.
Sukuna colocou seu ouvido no peito dele para tentar ouvir e sentir seu coração batendo.
Nada.
“Megumi, por favor! Não faça isso comigo, Megumi!!”
Megumi não respondia, naquela vida nunca mais responderia.
“MEGUMI!” disse agora segurando o outro homem em seus braços, afundando seu rosto no corpo desfalecido dele.
As lágrimas não podiam mais ficar contidas, nem os soluços, nem os gritos. A dor que Sukuna sentia era muito pior do que qualquer golpe de espada. Era no fundo da alma, um dano irreparável. Ele acabara de perder a única pessoa com quem se importou e amou, a única pessoa que ele queria por perto.
O homem que tocou na sua alma com a dele.
Ficou um bom tempo segurando o corpo de Megumi, o médico ia dizer algo, mas viu que Sukuna não sairia dali tão cedo. Preferiu deixar com que Sukuna lidasse com seu luto, não ousava interferir em nenhuma ação daquele homem.
A partir daquele momento, Sukuna se tornou um homem amargo, sem vida. Nada mais importava, ele apenas mandava e desmandava em seus subordinados de forma robótica, e boa parte do tempo estava bebendo e isolado em seu quarto. Só se movia para trabalhar. Tudo para ele perdeu o sentido, a cor.
E viveu desta forma até o fim de seus dias.
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Tokyo, duzentos anos depois.
Estava a caminho da universidade quando resolveu parar em um café ali perto, pois estava com tanta pressa que não havia comido ainda.
“Dizem que servem um café da manhã decente aqui, vamos ver, huh?” disse a si mesmo antes de adentrar o local.
Se acomodou em uma das mesas enquanto olhava para seu celular, havia corrido à toa e agora teria que gastar um dinheiro para não ficar de barriga vazia. Não demorou para que uma moça o atendesse e perguntasse o que ele gostaria de beber e comer.
Sukuna foi simples: torradas e um café preto.
A moça anotou seu pedido e pediu para que Sukuna aguardasse. Ele assim o fez, se distraindo enquanto respondia algumas mensagens de seus colegas de curso. Todos eram tão sem graça, na verdade Sukuna pensava isso sobre quase tudo. Só se sentia um pouco melhor quando praticava artes marciais, mas era algo momentâneo.
Sempre sentiu um incômodo, como se alguma coisa lhe faltasse. Era estranho, pois Sukuna não tinha uma vida financeiramente difícil, e estava dentro dos padrões de beleza, então conseguir sair com alguém não era um desafio. Além disso, havia entrado em uma boa universidade e no curso que queria. Ele tentava ao máximo se distrair, porque quando ficava ocioso, uma melancolia o atingia. Às vezes nem quando distraído conseguia afastar isso dele.
Estava submerso nestes pensamentos quando ouviu a garçonete dizer algo, mas não para ele, e sim para outra pessoa.
“Ei, Megumi, você pode levar o pedido da mesa 5?” ela perguntou.
Quando Sukuna escutou este nome, algo dentro de si se remexeu, e ele não sabia explicar exatamente o porquê. E em seguida isso ficou mais forte quando a pessoa respondeu.
“Claro, vou levar agora mesmo.” uma voz masculina disse.
Megumi era um nome feminino, mas por alguma razão Sukuna não estranhou que um homem o possuísse, era como se aquilo lhe fosse muito familiar. No mesmo momento, ele olhou para a fonte daquela voz, e o que sentiu foi familiar e estranho ao mesmo tempo, pois nunca havia se sentido desta forma antes em toda sua vida.
O que viu foi um homem de cabelos negros, pontudos e um pouco curvados. Tinha olhos verdes e um rosto delicado. Aparentava estar na casa dos vinte anos. Ele se aproximava de Sukuna com uma bandeja, que continha seu pedido. Sukuna nem lembrava-se que estava com fome neste momento.
“Bom dia senhor. Aqui está seu pedido.” ele sorriu cortês e colocou o prato e a xícara na frente de Sukuna, que sequer olhou para eles. “Espero que goste.”
“Obrigado, er… Megumi, certo? Ouvi te chamarem por este nome.” disse ele, ainda encarando o rapaz.
Megumi se sentiu um pouco constrangido, mas seguiu agindo profissionalmente.
“Sim senhor, me chamo Megumi.” ele respondeu. “Gostaria de pedir mais alguma coisa?”
“Não, obrigado… Vim para experimentar por enquanto.” ele comentou, tentando de alguma forma puxar assunto.
E não entendia do porque estar fazendo isso, Sukuna nunca foi do tipo exatamente simpático, mas queria poder conversar mais com aquele rapaz. Nunca havia sentido essa vontade com outras pessoas.
“A propósito, me chamo Sukuna, prazer.” ele disse.
“Oh, o prazer é meu.” Megumi respondeu. “E espero que tenha uma opinião positiva sobre nosso café.”
Neste momento, a moça chamou por Megumi mais uma vez, que se despediu e desejou um bom dia para Sukuna, e foi ajudar a colega. Sukuna ficou frustrado, queria ter falado um pouco mais com Megumi. Tomou seu café e pagou a conta, e infelizmente não viu mais Megumi, pois ele estava no andar de cima e não queria parecer estranho indo até lá.
Depois desse dia, algo mudou dentro de Sukuna, era como se aquela melancolia estivesse passando, de certa forma, e era impossível não associar isso com aquele homem do café. Sukuna precisava vê-lo novamente, mas os dias corridos não permitiram que ele parasse no por lá, e quando foi de tarde, Megumi não estava. Pelo visto ele só trabalhava no período da manhã e não vinha aos finais de semana. Devia estar estagiando naquele local.
Certo dia, Sukuna precisou ir ao mercado para comprar alguns suprimentos para o jantar. Morava sozinho desde que se mudou para cidade grande, depois que passou na faculdade. Fazer compras era um saco.
Mas felizmente, naquele dia, não foi.
Inevitavelmente sorriu quando encontrou um certo rapaz de cabelos espetados na seção de legumes, escolhendo com cuidado o que levaria. Se aproximou e notou como ele parecia sério.
“Megumi?” Sukuna chamou, e o rapaz logo virou-se.
“Oh, senhor Sukuna! Boa tarde.” cumprimentou com polidez, mas pareceu surpreso ao mesmo tempo.
“Ei, não precisa me chamar de senhor por aqui, não está trabalhando agora.” Sukuna disse bem humorado. “Não esperava te encontrar aqui. E faz tempo que não te vejo no café.”
“Oh, sim, também não esperava, que mundo pequeno! E sobre o café, como é um estágio, só fico por lá de manhã.” exatamente como Sukuna pensou.
“Entendo! E que curso você faz?”
“Estou estudando medicina veterinária, gosto muito de animais.” disse Megumi. Sukuna sorriu. "E você, cursa o quê?”
"Direito. É puxado, mas desde sempre soube o que queria.” disse um pouquinho convencido.
“Que legal! Eu também sempre tive certeza sobre meu curso, eu gosto muito de cuidar dos animais.” e ele sorriu sereno nesse momento.
Sukuna sentiu seu coração saltar. Nunca em toda sua vida isso aconteceu. Achou aquele sorriso bonito demais.
Ficaram conversando até chegarem na fila para pagar pelas compras. Sukuna soube que Megumi estudava na mesma universidade que ele, mas no período noturno. Por isso nunca havia visto o rapaz, o que era frustrante.
Mas sempre que tinha chance, passava no café que Megumi trabalhava e conseguia conversar um pouquinho com ele.
Sukuna estava realmente interessado em Megumi. Mal sabia ele que Megumi também se sentia estranho, de uma forma boa, quando estava perto de Sukuna. Desde que o viu sentado na mesa do café pela primeira vez. Sempre foi um homem recluso e também sentia que algo o chamava, que algo estava em falta, que também foi desaparecendo quando conheceu o homem de cabelos rosados.
Estranhamente, sentia-se à vontade com um homem que conheceu a tão pouco tempo.
Não demorou para que passassem seus números de celular um para o outro. E começaram a conversar quase todos os dias, até que marcassem um encontro. E deste encontro, o primeiro beijo.
Para os dois, este beijo os fez sentir como se aquele não fosse o primeiro. Sentiam que se conheciam, mas nunca haviam se visto antes. Era algo realmente estranho, mas bom.
A conexão deles era profunda, e aparentemente muito antiga.
E a certeza disso veio quando tiveram sua primeira vez juntos.
Quando Megumi tirou a camisa, Sukuna viu algo. Uma marca de nascença, semelhante a perfuração de uma espada, em sua barriga. Seu coração pesou por algum motivo e suas feições ficaram sérias, Megumi se preocupou.
“Sukuna, tá tudo bem?”
“É que… Sua marca… Você nunca me falou sobre ela.”
“Ah, tenho desde que nasci… Me sinto estranho sempre quando olho para ela, por isso evito…” e por algum motivo, Sukuna sabia que não eram por motivos estéticos.
“Entendo… Eu posso tocar nela?” ele perguntou de forma séria.
Megumi parou por um instante, mas fez que sim com a cabeça.
“Pode.”
E Sukuna o fez. Não soube dizer o que sentiu, nem ele e nem Megumi. Mas uma enorme tristeza tomou conta de ambos. Chegava a doer.
E então vieram — como uma enorme e inesperada onda — todas as lembranças de sua vida passada. Sukuna tremeu, conseguia ver como um filme. Megumi, que tinha cabelos longos, fora atingido por uma espada e morreu bem na sua frente.
“Sukuna?” Megumi agora estava muito preocupado.
Sukuna estava chorando. As lágrimas eram incontroláveis e nem o próprio notou que caíam livremente. Tocou seu rosto, ainda em choque pelo que lembrou-se. Olhou para Megumi fixamente.
“É você.” ele disse, tocando o rosto do amado.
“O quê?” o rapaz estava muito confuso.
“Minha bênção, é você…” ele continuou dizendo, agora colocando as duas mãos no rosto delicado do outro. “Você voltou pra mim.”
Megumi estava confuso até escutar Sukuna chamá-lo de “minha bênção”. Um click se fez em sua cabeça, e logo ele também foi atingido por todas as lembranças de sua vida passada. Como ele havia se jogado na frente de Sukuna para receber o golpe.
E como ele havia morrido, sendo o beijo de Sukuna a última coisa que sentiu antes de partir daquela vida.
“Sukuna... Sukuna!” ele disse ao sair do transe, se jogando nos braços do maior. “É você! Eu te encontrei de novo!”
Eles se abraçaram forte enquanto as lágrimas corriam soltas de seus olhos. Trocaram muitos beijos, riam e choravam de alegria. Sukuna beijou seu rosto inteiro, sentiu seu cheiro, abraçou-o mais ainda, e Megumi retribuiu isso. Estavam para explodir de tanta felicidade e alívio. Finalmente estavam juntos novamente, agora em épocas de paz, tudo ia ficar bem.
E assim, fizeram amor pela primeira vez, agora compreendendo perfeitamente o significado de tudo que estavam sentido. Suas almas estavam novamente juntas, em sincronia perfeita. Durante o ato lembravam-se de como acontecia na vida passada também, e isso os emocionou mais uma vez.
Não sentiram nenhuma vergonha, se entregaram completamente um ao outro.
Depois disso, começaram a namorar firme. Durante os tempos da faculdade, guardaram dinheiro para ter um cantinho só para eles, e quando se formaram, marcaram o casamento.
Foi o dia mais mágico de suas vidas. E a lua de mel foi tão intensa quanto fora na vida passada, ou até melhor, agora que estavam se reencontrando depois de tanto tempo separados.
Adotaram dois lindos (e enormes) cachorros, um preto e um branco. E poucos anos depois, Megumi e Sukuna tentavam ter um filho, já que Megumi podia fazer isso, por ser um homem trans. Não demorou para finalmente conseguirem e Megumi estar esperando um filho. Agora estavam com uma linda família finalmente formada, coisa que não haviam conseguido no passado.
Em um dia, Megumi estava tranquilo em sua varanda, lendo um bom livro, até Sukuna chegar, junto dos grandes cachorros, para ficar perto de Megumi e o filho que estava esperando.
Megumi encostou a cabeça no ombro do marido, e Sukuna colocou a mão na barriga, já enorme, de Megumi. Os cachorros fizeram o mesmo, mas com os focinhos, cheirando o homem, que sorriu.
“Eles parecem já gostar do nosso filho.” Megumi comentou.
“Claro que gostam, será o irmãozinho deles.” Sukuna respondeu, agora usando a mão livre para fazer cafuné na cabeça do marido.
“Ele logo irá nascer, mal posso esperar para vê-lo, amor.”
“Não só você.”
Megumi olhou para ele agora, sorrindo e com uma expressão muito serena.
“Sukuna, eu estou tão feliz por ter te reencontrado."
O homem de cabelos rosados respondeu com um beijo.
“Eu te amo, minha bênção.”
E mais uma vez se beijaram, até que os cachorros pularam nos dois. De início se assustaram e Sukuna deu uma bronca, porque se preocupou com Megumi e o bebê. Mas não demorou para que dessem risada da situação e começassem a brincar com os cachorros cheios de energia.
Sukuna e Megumi finalmente puderam ficar juntos e felizes.
E sempre ficariam juntos, não importando a era ou as situações.
Como sempre foi.
E sempre será.
Notas finais
Qualquer errinho podem me avisar, ok?
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