O lado escuro de Piltover
15 Feridas da alma e a decadência de um Lobo
Notas iniciais

O publico se levantou e saldaram os recém casados que apenas sorriam um para o outro. Mas a parti do momento que a xerife virou se para encarar o publico seu sorriso se esvaio, o momento seguinte pareceu um eternidade e era como se ela estivesse sozinha naquela igreja. Seus olhos se deparam com a delinquente ofegante na porta da igreja, seus olhos se prenderam naquele par de joias de um azul tão claro quanto o céu ele transmitia confusão, decepção, frustração e principalmente magoa. Caitlyn abaixou a cabeça não queria encara la, olhou novamente naquela direção e a viu descendo as escadas da catedral. Queria gritar, queria correr a sensação que ela sumiria para sempre da sua vida só aumentava conforme a outra se afastava. Novamente ela voltou a realidade podendo escutar o publico aplaudir novamente.
Vi caminhava pela calçada da igreja indo em direção a grande praça, alguns reportes a abordaram mas ela apenas ignorou e continuou andando quando Ezreal apareceu vindo em sua direção. O explorador parou na frente dela ofegante.
–Vi? — Ele perguntou enquanto observava aquela expressão indescritível no rosto de sua amiga.
–Obrigado por tudo Ez, mas a Caitlyn já tomou a decisão dela — A delinquente voltou a andar.
–Como assim? Vai desistir? — O explorador começou acompanhar seus passos.
–Já era Ez eles já se casaram, foi mal ter feito você perde a cerimonia.
–Eu vou ficar com você agora.
–Prefiro ficar sozinha agora, vai aproveitar a festa o casal conta com você la.
–E deixar você nesse momento? Nunca — Ezreal a encava com firmeza, a delinquente parou e o encarou.
–Por favor Ez, só nesse momento eu quero ficar sozinha. Vai la e curte a festa por mim ok?
–Tem certeza?
–Sim, obrigado — A delinquente afastou se do amigo.
Vi caminhava devagar até a linha do metro, por sorte não demorou muito para o seu trem chegar. O sistema de transporte publico era excelente e todos os passageiros sempre faziam suas viagens de uma maneira confortável. Vi chegou em sua estação, preferiu pegar aquele transporte porque a estação era longe do condomínio onde ficava a casa de Cailtlyn. Ela caminhava observando o céu já que ainda estava claro, sua mente vagueava entre os rostos borrados que passava por ela. Foi quando de relance entre aqueles rostos borrados Vi notou uma mexa branca passar, imediatamente ela virou em direção de onde tinha visto aquilo mas tinha sumido. Por alguma razão ela lembrou de borboletas brancas, pra sua sorte havia uma adega no caminho. A delinquente comprou três garrafas de vodka e continuou seu percurso até chegar a casa, soltou os cães que correram todo jardim em volta depois iniciaram uma brincadeira de perseguição próximo a piscina. Vi adentrou o recinto e se jogou no sofá pegando uma das garrafas enquanto ligava a televisão.
Ela assistia a um filme qual quer enquanto virava sem piedade a garrafa de vodka. O recipiente estava quase vazio e o álcool começava a fazer efeito em seu corpo, ela olhava para tv aquele filme a estava irritando. Passou a mão no rosto subindo para o cabelo, estava sem paciência, num movimento de fúria jogou com força a garrafa quase vazia no chão. Tinha voltado a realidade, Caitlyn se casou e não seria a bebida que a faria esquecer daquilo, pegou uma almofado colocou no rosto e gritou com toda a força que tinha. Olhou para o liquido transparente que se espalhava pelo tapete e os cacos da garrafa, levantou com as mãos nos cabelos andando de uma lado para o outro. Num ato de raiva começou a socar a parede com toda sua fúria ignorando a dor que sentia, parou, olhou a parede rachada por um momento.
–VOCÊ MENTIU PRA MIM — Cerrou os dentes e desferiu mais golpes contra a parede — CAITLYN SUA TRAIDORA! — Seus punhos sangravam mas ela continuou batendo.
Pegou um das garrafas de vodka que estava cheia. Foi até seu quarto colocou sua jaqueta pegou a chave de sua moto e foi até a varanda. Praticamente virou a garrafa de uma vez só, o liquido descia queimando por sua garganta mas aquilo não a incomodava pois a dor que sentia em seu peito era ainda maior. Ela jogou a garrafa vazia no chão e saiu na sua moto, acelerou sua moto como nunca varando entre os carros sem nenhum receio de morrer. Queria sentir a adrenalina, por mais que tenta se focar na estrada sua visão estava embaçada e ela estava tonta por causa da bebida, milhares de pensamentos sobre a xerife tomavam conta de sua mente. Ela não conseguia se concentrar por causa da dor implacável que sentia em sua alma, queria correr, queria esquecer, queria apenas sumir... queria Caitlyn ao seu lado. Lembrava dos momentos que passou com ela, quando a beijou enquanto a neve caia e como ela se entregara para si depois daquilo. Seus olhos marejaram de água e aquela dor se tornava mais aguda a cada pensamento, sentia sua alma ser engolida por uma escuridão familiar. Sentiu mais uma vez aquele sentimento de perca, o mesmo que tomou conta de si quando perdeu sua irmã. A escuridão a engolia, seus olhos marejados de lagrimas, seus pensamentos em Caitlyn e o álcool que tomava conta do seu corpo fizeram ela não notar que estava na contra mão e indo em direção a um carro, a colisão foi inevitável. Vi apenas apagou e em sua mente vieram algumas imagens da sua infância.
Vi acordou um pouco tonta, olhou para o ambiente ao seu redor. Estava num quarto de hospital. Começou a fitar o teto sua cabeça doía muito, provavelmente ressaca, respirou fundo e depois suspirou. Fez uma grande merda ontem poderia ter morrido, zangou se com seus pensamentos e levantou. Mesmo sentindo uma leve dor e tontura arrancou a o tubo que estava em seu braço ligado ao soro, levantou se procurou por algum lugar onde poderia estar suas roupas quando a enfermeira entrou no quarto.
–Senhorita não pode sair da cama ainda — A enfermeira foi até a delinquente e tocou em seu braço.
–Eu to bem — Vi falou num to agressivo desvencilhando se de forma brusca da mão da mulher, que ficou assustou com a atitude repentina da paciente — Cade minhas roupas?
–Senhorita por favor, volte para a cama — A mulher fez um apelo, estava com muito medo da delinquente.
–Vai pra cama Vi, você ainda esta se recuperando — James entrou no quarto acompanhado Tay.
–Com autorização ou não eu vou sair — A delinquente encarava o homem magro com firmeza — Agora cade as minhas roupas?
–Por que você esta assim Vi? — Tay perguntou.
–Só me da as minhas roupas e pronto, eu quero ir embora. Não percebeu que eu to bem? — A punk continuou num tom agressivo, percebeu que intimidou sua amiga — Não me entenda mal Tay, mas eu vou embora.
–Deixe ao menos os médico fazerem um checkup em você — James se mantinha serio.
–Ok — Vi aceitou — Mas ele aprovando ou não eu vou embora.
O médico fez o checkup em Vi, foi constatado que ela sofreu apenas alguns arranhões e que já estava bem, todos ficaram surpreso por ela ter saído praticamente ilesa do acidente. Ela saiu do hospital acompanhada dos seus dois parceiros, no carro se manteve em silencio até lembrou de sua moto.
–Onde esta minha moto? — Vi perguntou.
–Apreendida no patio da policia, aparentemente a senhorita estava dirigindo embriagada e em altíssima velocidade — James falou enquanto dirigia.
–Por que fez isso Vi? Podia ter morrido — Tay olhou para a sua amiga que estava sentada no banco traseiro.
–Vamos pro patio então eu irei busca la — A delinquente ignorou os argumentos dos dois.
–Sabe que pode perde a carteira? — James continuava serio.
–Olha sei que to errado, mas por favor só me leva pra porcaria do patio — Vi tentou controlar a voz, mas era visível seu estresse e raiva.
–Tudo bem, dessa vez deixaremos passar. Mas por favor não faça isso novamente — James cedeu a ela.
Eles foram até o patio da policia, Vi foi diretamente para o lugar onde ficava as motos. Pelo fato da dupla investigativa estar com ela os policiais que fazem a guarda do local evitaram o protocolo de sempre, a delinquente pegou sua moto por sorte ela apenas estava com a pintura arranhada e com alguns amações na lataria. Ela pegou um capacete qual quer e saiu, conversou por um momento com James e Tay alegando que era capaz de ir embora sozinha, por mais que os dois fossem contra acabaram concordando deixando assim a delinquente partir.
Vi não voltou para a casa de Caitlyn, ficar la não era mais uma opção. Agora que era um membro oficial da corporação já estava recebendo seu próprio salario e todos os benefícios que um policia tem, podia muito bem se sustentar. Aproveitou o dia de folga para rodar pela cidade em busca de um apartamento ou kitnet que pudesse ficar. Por sorte ela achou uma kit com uma varandinha onde os cães poderiam ficar, fechado negocio agora iria buscar por alguns moveis básicos poderia conseguir isso em seu antigo apartamento. Era fim de tarde quanto ela finalmente terminou de fazer sua pequena mudança, quando estava em seu antigo bairro algumas pessoas ainda a olharam torto incrédulos pelo fato dela estar la. Ela voltou para a casa de Caitlyn pra buscar os cães e sua gata, estava aguardando o táxi chegar enquanto observava o estrago que tinha feito na parede da sala e as manchas de sangue dos seus punhos, ela foi até a varanda pegou a garrafa vazia do chão e colocou junto com a outra que ainda estava inteira. O táxi chegou e ela partiu daquela casa.
A delinquente foi para a delegacia no horário de sempre, mas dessa vez evitou a sala da xerife mesmo sabendo que ela estava vazia. Vi foi direto para a sala onde ficava tatâmi, trocou de roupa e começou seu ataques contra o saco de boxe. Tay e James a ficaram observando a distancia, os movimentos de Vi estavam mais agressivos que o normal como se ela estivesse em outro mundo.
–Senhorita Vi — Tay chamou despertando a de seu frenesi.
–A eai — A delinquente mantinha um expressão de ameaça em seu rosto.
–Temos uma boa noticia para você, hoje começaremos a trabalhar na rua. Então anime se — James sorria ignorando aquele olhar ameaçador da outra.
–Serio? Finalmente to louca pra quebrar a cara de um — Vi disse com um sorriso maldoso.
–Olha la o que vai fazer em — Tay a repreendeu — Nosso trabalho é prender e trazer para a delegacia.
–Relaxa eu vou tentar me comporta — A punk mantinha aquele sorriso no rosto, o lobo ia sair para a caça.
–Então vai se trocar, estaremos te esperando na viatura. Você tem dez minutos! — James deu ordem para que ela se apressa se.
Vi trocou de roupa e foi para o estacionamento onde Tay e James a aguardavam. Eles saíram em patrulha, atenderam pequena ocorrências como desentendimentos familiar mas nada de grave até agora. Quando finalmente receberam receberão um chamado de um assalto a domicilio que deu errado, a vitima estava rendida pelo assaltante. A policia cercou o local e seguiram seu padrão de negociação, a delinquente estava cansada daquele bla bla bla de sempre era obvio que não iria funcionar, mas Tay deu ordens para que ela não fazer nada imprudente. Não demorou para o silencio tomar conta do local, alguns segundos depois pode se ser escutado um grito. Imediatamente a delinquente invadiu a casa sobre gritos de protesto, encontrou a mulher caída no chão chorando.
–Cade ele? — Vi perguntou.
–Fugiu pelos fundos — A mulher falava entre soluços . A delinquente correu para as portas do fundo.
–Vi espere! — Tay e James saíram correndo atrás dela.
A delinquente continuou em disparada, conseguiu avistar o assaltante subindo o muro. Ela fez o mesmo acabou que dando num beco, ela perseguia o homem de forma implacável o outro para atrasar sua inimiga derrubou algumas latas de lixo para atrapalhar mas era inútil tenta parar aquele trator. Ele descarregou a arma contra ela mas todos os tiros foram defendidos pelas manoplas, ela estava cada vez mais próximo dele e em um ato de desespero o homem jogou a própria arma contra seu oponente. Vi o alcançou derrubando o.
–A meu amigo, hoje é seu dia de azar porque você me pego de péssimo humor — A punk sorria, ela socou o peito dele com pouca força já que usava as manoplas. Mas aquilo foi o suficiente para ele cuspir sangue. A delinquente retirou as manoplas e começou a desferir socos contra o bandido que já estava atordoado no chão gemendo de dor.
–Vi chega! — James a puxou tirando a de cima do homem
–Eu quero trabalha sozinha a parti de agora — A delinquente encarava seus parceiros de forma feroz.
–Desculpe Vi mas temos ordens de ficarmos juntos — Tay negou o pedido.
–Olha não me levem a mal, mas se eu trabalhar sozinha conseguirei usar melhor minhas habilidades. Por favor entendam isso — A punk falou de forma mais calma.
–Muito bem Vi, só que quando a xerife volta terá que se vira com ela — James falava serio.
–James não podemos faze isso! — Tay olhava incrédula para ele.
–Não se preocupe Tay. Você vai ficar sozinha até a xerife volta — James abriu um sorriso bobo pra delinquente.
–Eu irei fazer esses criminosos implorarem pela mãe — Vi sorria enquanto falava.
Ela começou a fazer a patrulha sozinha, Vi estava como queria com sua moto na rua livre para brigar sem ter que se preocupa com a policia. Realmente estava fazendo um trabalho fantástico e o numero de crimes estavam ficando extremamente reduzidos na área que ela patrulhava, o único problema era que a maioria dos criminosos davam entrada no hospital praticamente desmaiados por causa das pancadas que recebiam. A cada crime que Vi presenciava era mais uma vitima para descontar toda a raiva que sentia, quando seu turno acabava ela voltava para casa ligava a tv e ficava assistindo enquanto se embriagava. Se a bebida não fosse o suficiente para aplacar aquela dor ela ia atrás de drogas, só que a maconha já não era o suficiente então ela voltou a usar cocaína e quando não se sentia satisfeita partia para a heroina.
Era de madrugada ela levantou se do sofá e correu para o banheiro, vomitou o gim que tinha misturada com a vodka. Ela ficou um tempo sentada ao lado do vaso sanitário, de repente lembrou se que a xerife estava com certeza estava dormindo abraçada com aquele monte de merda que era o mauricinho riquinho ou pior podiam estar transando nesse exato momento. A raiva tomou conta do seu ser ela levantou se e foi até a mesinha que estava cheia de garrafas de todos os tipos de bebidas e drogas. Pegou a injeção de heroina, encostou se no sofá amarrou a borracha no braço e aplicou a droga na veia. Vi sentiu pequenos tremores no corpo tentou se controlar mas era inútil, caiu no chão e começou a babar enquanto seu corpo inteiro tremia de forma violenta acabou que vomitando mais sentia seu coração querer sair pela boca, a sensação de morte tomava conta do seu corpo. Estava tendo uma overdose.
Caitlyn e Jayce foram muito bem recebidos na delegacia, tinham chegado no dia anterior e foram direto para sua nova casa. A xerife sentou se em sua poltrona como tinha sentido saudades da sua sala, passou pelo menos duas horas e ela achou estranho a delinquente não ter aparecido. A dupla inseparável entrou na sala, Tay e James sentaram nas cadeiras em frente a xerife que mantinham um amplo sorriso no rosto.
–Então relatórios senhores — Caitlyn falou animada.
–Nossa ex criminosa esta se saindo muito bem trabalhando nas ruas — Tay retribuiu o sorriso — O numero de crimes reduziram drasticamente na área que ela patrulha.
–Só que temos três pequenos problemas — James tomou a palavra — Ela insistiu em patrulhar sozinha, os criminosos que são pegos por ela dão entrada no hospital gravemente feridos e ela ainda não chegou hoje.
–Como assim? — O sorriso no rosto de Caitlyn se desfez.
–Bom é a primeira vez que ela falta xerife — Tay tento amenizar a situação da amiga.
–Vi trabalha muito bem contra o crime xerife, mas nos últimos tempos ela tem estado muito agressiva — James mantinha o olhar firme com o da xerife.
–Xerife ela sofreu um acidente de moto a alguns dias atrás, mas não aconteceu nada demais — Tay mencionou o pequeno ocorrido.
–Eu irei falar com ela, tem algo de muito errado — Caitlyn respondeu pensativa encerrando o assunto.
No final do expediente Caitlyn falou para Jayce que tinha algumas coisas para pegar em sua antiga casa e que iria da uma passadinha por la. Chegou em sua casa, ficou surpresa por não ver nem a moto da delinquente nem os cães no quintal. Seu coração se apertou, ela entrou na casa.
–Inu? — Caitlyn chamou a gata que costuma esperar na porta sempre que ela volta do trabalho, mas nada dela — Vi — Também não houve nenhuma resposta.
A xerife olhou para a parede com marcas de punhos e sangue. Caitlyn deduziu que a delinquente em um ataque de fúria bateu na parede até seus punhos sangrarem, depois avistou as garrafas de vodka duas encima do sofá um intocada e a outra vazia, no tapete os cacos do que seria a terceira garrafa.Vi devia estar desesperada quando tentou interromper seu casamento, sera que tinha cometido um erro ao se casar com Jayce? Seu peito doía tanto, mas certamente estava sendo mais dolorido para ela. Tinha ferido um lobo, e agora ele estava a solta machucado em algum lugar da grande metrópoles.
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