O lado escuro da lua
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Notas iniciais
O segundo pior dia da minha vida
Hoje eu acordei sem ânimo pra nada, em parte devido ao mal estar que eu tenho tido todas as manhas, aparentemente depois que descobrir estar gravida Raoni resolveu deixar claro que estava aqui dentro e me faz sentir todos os sintomas possíveis do primeiro trimestre de gravidez. Hoje eu chegava a 12° semana de gestação, o que queria dizer que eu já tinha chegado ao terceiro mês de gestação e o risco de perder esse bebê já tinha diminuído significativamente. Minha médica havia dito que eu teria mais apetite a partir de agora, quando os enjoos deveriam diminuir mas hoje não era esse dia, pois foi só sentir o cheiro do ovo para querer vomitar tudo o que não havia no meu estômago, já que eu ainda não tinha comido nada desde as nove da noite de ontem.
Mas, eu sabia que o grande motivo para estar tão mal não era pela gestação em si, o principal motivo era a data. Hoje, vinte e oito de junho completasse exatamente um ano desde o acidente. Um ano que minha vida ficou de cabeça para baixo.
Ainda de pijama, Jacob forçou um pouco até que eu conseguisse tomar ao menos o suco de laranja. Eu gostava de sucos, mas não me pareciam tão saborosos agora.
— Experimenta esse – Jake passou o próprio copo pra mim, o dele era de abacaxi. Fiz cara feia mas tomei um pequeno gole, estava bom.
— Gostei, coloca pra mim também Lena? – ela assentiu e despejou em um copo grande o restante do suco que havia ficado do liquidificador. Agradeci e tomei um pouco, o gosto não era o mesmo. – Esse não está tão bom. – reclamei.
— Mas é exatamente o mesmo suco amor. – Jake fala acariciando as minhas costas.
– Tem algo diferente. – choraminguei. Lena circulou o balcão vindo parar novamente ao meu lado e experimentou o meu suco.
— Está bom sim, bem docinho até. – ela murmurou, depois Jake e ela trocaram olhares e riram baixinho. – Da o seu pra ela Jacob – Lena meio que ordena.
De acordo com eles, era exatamente o mesmo suco, não havia nada de diferente. Porém, para o meu bebê o suco que estava no copo do meu marido era mais saboroso.
— Bebe tudinho, ok? – Jake me passava seu copo falando docemente.
Eu definitivamente não tinha o que reclamar, ele era o melhor companheiro que uma mulher poderia ter. O melhor marido sem dúvidas.
O dia estava relativamente quente para os padrões de Forks. Dentro do closet procurei por alguma calça jeans e todas as que encontrei já estava apertando um pouco a barriga e se eu os vestisse compraria uma briga com as pessoas que já aguardavam por mim para irmos até a igreja que Charlie frequentava, onde ele havia combinado com o pároco para a realização da missa de primeiro ano da minha família. Jake seria o primeiro a reclamar e possivelmente esconderia todos os meus jeans após isso. Larguei a quarta peça que tente vestir sobre a cama, quando minha porta foi aberta e por ela passaram Claire, Lena e Liz.
— Quer ajuda? – Liz foi a primeira a se pronunciar ao ver as calças encima da cama.
— Sim – respondi e ela usou sua velocidade para procurar algo confortável e bonito pra mim, saindo de lá com um vestido amarelo bem clarinho, de alças reguláveis que dispensava o uso do sutiã e isso era ótimo pois meus seios estavam bem doloridos.
Entrei na igreja de braços dados com Charlie, Sue estava do outro lado. Jake vinha logo atrás com Harry. Vários Quileutes estavam ali, e eu sabia que a maioria só estava ali para me proteger e não por que queriam vir a uma missa. Notei quando Liz chegou acompanhada de Seth e Phil e deu um pequeno aceno em direção a Jacob.
Bella havia me mandado mensagem antes de sairmos perguntando se eu estava realmente bem para ir a essa missa, pelo histórico de gravidez dela era normal que ela se preocupasse tanto com a minha mesmo que nos duas saibamos que não tem nada igual nesses dois casos.
Leah fechou a cara no momento em que viu Phil entrando na igreja, ela tinha desenvolvido uma espécie de aversão a palavra imprinting, e não aceitava de jeito nenhum a história de Phil que ela era a reencarnação de sua “esposa espiritual” como ele mesmo disse. Leah queria uma vida normal, e normalidade é a única coisa que ela nunca vai conseguir. Aliás, nem ela e nem eu.
Durante a missa, eu notei que uma pequena chuva começava a cair e ao olhar para trás na tentativa de ver se não tinha ficado vidro da minha picape aberto, com medo de molhar os bancos eu vi o ônix branco estacionado junto a minha picape. Não conhecia aquele carro.
Quando saímos, Jacob circulou minha cintura de forma protetora. Senti todos os seus músculos tencionando de repente, ergui meu rosto para olhar diretamente pra ele e tudo o que vi em seus olhos foi culpa.
— Me desculpa, por favor. – ele pediu amedrontado.
Foi aí que eu vi a loira descer do próprio veículo sem se importar com os pingos de chuva que caiam sobre ela, molhando toda a sua roupa. Minhas amigas se colocaram entre nós duas, Embry segurou com força o braço dela.
— Sai daqui, Grace! – ele ordenou.
— Me solta ou eu grito! – ela esbravejou o encarando e puxou o braço se livrando dele
Tudo acontecia meio que ao mesmo tempo.
— Vem, Nessie. — Claire segurou meu braço e me puxou em direção ao carro dela. Ela iria me tirar dali. – você também Lena.
— O que está havendo aqui? – Charlie fez a pergunta que eu queria fazer. – Jacob, por que essa mulher está aqui? – Charlie estreitava os olhos, maxilar travado.
— Grace, vai embora. Você já me prejudicou demais. Some da minha frente. – ele rosnou, Quil colocou a mão no ombro de Jacob e eu entendi esse gesto como um aviso silencioso para ele manter o controle.
— Não vou a lugar nenhum. Eu tenho total direito de estar onde o meu marido está! — as palavras dela me fizeram estancar no lugar. Claire já não conseguia me mover.
— Nessie, não dá ouvidos a ela. Você não pode ficar nervosa, pensa no Raoni – ela implorou, ainda tentando me levar embora.
— Cala a sua boca! — Leah gritou para Grace, empurrando a loira com brutalidade. – Some daqui!
— Nessie, você precisa acreditar em mim meu amor. Eu não sabia disso. Eu não queria isso. – Jake voltava sua atenção pra mim em desespero.
— Explica – eu consegui falar, mas não olhava mais para Jake e sim pra Grace. Leah novamente empurrou Grace querendo obrigar a loira a entrar no próprio carro. – Deixa ela falar, Leah. – foi a minha vez de gritar.
— Você não é a mulher de Jacob. – Grace falou por fim. – De acordo com esse documento – ela tirou uma certidão da bolsa e se esquivando de todos me entregou. – eu sou, o seu documento de casamento não é válido. Você não é a esposa dele, é apenas a amante.
— Deixa eu ver isso. – Charlie retirou rapidamente o documento da minha mão, eu já tinha lido o que queria ler. Era mesmo a certidão de casamento de Jacob e Grace.
— Renesmee, me escuta por favor. – as mãos de Jacob foram par ao meu rosto. – Vamos para casa, eu vou te explicar tudo, eu prometo.
— Tira suas mãos de mim! – gritei e o empurrei para longe. – Como você pode fazer isso comigo? Como pode mentir assim pra mim?
— Renesmee ele não sabia...- Leah tentou falar em defesa do amigo
— Não sabia ? Como alguém pode não saber que é casado?! – eu já chorava, mas me mantinha gritando.
— Nessie, vem comigo. – chamou Lena, me tirando do meio dos quileutes. – Charlie, ela pode ir pra sua casa?
— Com toda certeza.- meu tio respondeu – E você, não se aproxime dela, pois eu juro que não respondo por mim. – ele apontou para Jacob. – O mesmo vale pra você. – apontou para Grace – Vocês dois se merecem.
Jacob ainda tentou me segurar mas eu desviei, ouvi bem quando Liz pediu para que ele me deixasse acalmar primeiro. Para me deixar ir. Eu começava a sentir falta de ar, uma dor alucinante no peito e eu sabia bem o que era pois já havia sentido isso antes. E não podia sentir isso agora, não podia colocar em risco Raoni, mas não conseguia controlar minhas próprias emoções.
Eles me colocaram dentro do carro de Charlie. Sue e ele se mantinham em silêncio, eu podia ver na expressão do meu tio o ódio que ele estava sentindo.
Meu mundo desabou mais um vez. Antes de virar a esquina em direção a casa de Charlie eu olhei para trás e vi Jacob caído de joelhos no chão em desespero, sendo amparado por Embry e Quil.
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