A nossa noite

Quando eu sair do banheiro, já encontrei Sarah e Claire dormindo, eu tinha sido a última a utilizar o banheiro daquele quarto. Liz passava um hidratante no corpo com cheiro de algodão e lavanda. Uma das coisas que eu gostava em pertencer ao mundo sobrenatural agora era a vantagem de sentir todas as essências, era bom conseguir identificar todos os cheiros bons que o mundo tinha.

— Achei que a sua pele fosse naturalmente hidratada. – comentei, secando meus fios com a toalha, inventei de lavar para tirar o spray fixador e agora teria que esperar meu cabelo secar para poder dormir.

— E é, mas eu amo esses hidratantes que Alice compra pra mim. Esses ela trouxe de Paris. Quer experimentar? Deixa a pele super macia também.

— Claro. – estendi a mão e ela me entregou o frasco, depois contaminou a passar o produto nas pernas. – Sua família, eles não parecem tão preocupados com o fato de você sair com aqueles que seriam seus inimigos.

— Meus pais – ela olhou para Claire e Sarah, para ter certeza que elas estavam dormindo. – Todos eles, tinham medo que eu não fosse durar muito devido ao meu rápido crescimento. Eles me colocaram praticamente em uma bolha, quase não conversava com ninguém se não da família. Quando parei de crescer, aos sete anos eles começaram a me permitir mais coisas, até que aos dez eu fugi de casa após brigar com minha mãe. Eles passaram dois anos sem notícias minhas. Para mim, passou bem rápido, eu nem vi o tempo passar enquanto mantinha meu cheiro camuflado e conhecia o mundo sozinha. – Seu olhar ficou vago — Mas para eles, foi como a morte. Eu nunca pensei que minha ausência fosse machucar tanto eles. Quando resolvi voltar, eles estavam diferentes, nenhum deles eram como eu havia guardado na lembrança. Eu os destruí, todos eles. Depois disso, eu prometi nunca mais sumir, desde que eles me deixassem livre para tomar minhas próprias decisões. Quando Alice viu...quando Alice viu que você mataria Charlie e Sue, foi minha a ideia de vir até aqui. Eles não concordavam, mas sabiam que eu faria eles querendo ou não, minha mãe queria vir sozinha. Eu não deixei. Era arriscado demais que ela contasse a verdade ao Charlie. Ele está bem, ele sente falta da filha mas está bem. E melhor pra ele assim. Eles não me deixaram vir com vocês, eles só não tem como impedir.

— Eu posso imaginar como eles se sentiram sem noticias suas. – lamentei, encarando meus pés.- Eu vou tomar uma água.

— Vai lá, eu vou dormir. Eu e Seth temos planos para o nosso domingo que não incluem vocês ou esses humanos.

Segui para a cozinha, tomando cuidado para não fazer barulho, já eram umas duas da manhã, todos estavam dormindo ou pelo menos eu achava que estavam Esbarrei com Jacob tomando um pouco de água também.

— Oi gata – ele falou de modo um tanto sensual.

-Sede também? -.indaguei, pegando o copo que ele tinha acabado de encher e tomando um pouco.

— Na verdade, só não consigo dormir com você tão perto e tão longe ao mesmo tempo.- Jake enlaçou minha cintura, grudando nossos corpos. – Vem dormir comigo? Os outros já estão dormindo mesmo, nem vão perceber.

— Nem todos, Liz tá bem acordada.- indiquei

— Vai dormir, Liz! – ele grunhiu, sabendo bem que ela escutaria.

— Já estava indo mesmo. – ela respondeu e eu ainda ficava besta como era fácil ouvi mesmo ela estando longe.

— Só se você me prometer uma coisa antes.

— Eu prometo tudo o que você quiser, meu amor. Tudo.

— Não se aproxima mais da Grace. Eu quero que bloquei o número dela do seu celular. Quero que bloquei de todos os apps que você tiver. Não quero que volte a falar com ela. Se é verdade o que disse, se não teve culpa com relação às fotos, então ela está disposta a tudo pra voltar com você.

— Meu celular está disponível para que você mesma faça essas alterações, pode fazer o que quiser. Não me importo. Também não tenho nenhum interesse mais em manter uma amizade com ela.

— Então, vamos. Eu durmo com você. – Jacob passou seus braços pelas minhas costas e pernas e me pegou no colo.- — Eu posso andar ainda – reclamei

— Só quero garantir que não vai errar o caminho.

Assim que entramos em seu quarto, ele me colocou delicadamente ao lado da cama, eu desamarrei o robe, deixando minha camisola de cetim azul amostra. Ele mordeu o lábio inferior com força, fechando os olhos também.

— O que houve ? – questionei

— Estou tentando me convencer que você só vai dormir comigo. Porque você tinha que vestir isso hoje? O que aconteceu com seus pijamas de algodão?

— Claire retirou todos da minha mochila, deixou só esse e outro. Talvez eu deva voltar pro outro quarto – mal deu tempo de terminar a minha frase e ele avançou em minha direção com certa brutalidade me ergueu do chão, me fazendo abraçar sua cintura com minhas pernas.

Senti algo frio nas minhas costas, enquanto ele me beijava cheio de luxuria e então me dei conta que ele havia me colado a parede. Eu estava presa entre algo frio e algo muito, muito quente. Foi impossível não fazer um pouco de barulho quanto senti nossos corpos se tocando.

— Jake, eu...eu...- tentei falar mas era quase impossível até respirar daquele forma.

— Eu sei meu amor, eu sei. – ele falou, pelo seu tom deixava transparecer o tamanho da sua concentração. Me colocou no chão, ofegante.- Vem, vamos dormir. – ele segurou minhas mãos as beijando. – Vou me comportar, ao menos vou tentar. Amanhã você compra um pijama de algodão, porque vai dormir comigo todos os dias, como antes de brigarmos.

Apenas me deitar com ele nunca foi tão difícil, ficamos de colchinha por algum tempo, sentindo a respiração pesada dele e o batimento irregular de seu coração. Virei-me de frente para ele e foi minha a iniciativa de retomar os beijos. Eu estava nervosa, ele sabia disso e sabia o motivo. Ele passou a me acariciar, por baixo da babydool, sua mão quente escorregava por todo meu corpo com maestria, um misto de sensações me tomou até que tudo o que eu sentia era desejo por ele.

— Nessie, não precisamos fazer isso agora. Você não é obrigada a nada. – falou me fitando, sua mão apalpava meus glúteos. – Vamos só dormir.

— Não Jake. Eu quero.- ele passou a lingua pelos lábios, voltando a tocar sua boca na minha. Só que agora ele me puxou pra cima dele, me posicionando em cima do seu quadril.

— Tem certeza? – assenti. Ele sorriu maliciosamente, jogando meu cabelo para trás. – Não vai se arrepender.

O nervosismo ia se esvaindo, a medida que Jacob provocava sensações novas. Ele estava fazendo de tudo para que eu tivesse a melhor experiência e estava se saindo muito bem. Me sentia nas nuvens.

— Olha pra mim Nessie. Quero que olhe nos meus olhos enquanto te faço minha. Só minha.

Fiz o que ele pediu, em seus olhos eu vi desejo, prazer e muito amor. Ele cobriu minha boca com a dele evitando assim que eu fizesse algum barulho enquanto um desconforto se iniciava.

— Você é minha, só minha agora. – falou com a cabeça escondida na curva do meu pescoço, seu quadril fez mais um movimento e eu senti uma dor fina — Eu te amo tanto, minha mulher. — Falou com orgulho

— Eu te amo, Jacob.

Seu corpo exausto deixou o meu , pegou a embalagem que havia soltado a poucos minutos na cama e caminhou para o banheiro. Eu me mantive ali, com um sorriso bobo nos lábios, corpo suado e em êxtase. Retornando um pouco depois, deitando-se ao meu lado.

— Eu acho que deveria me vestir. – sussurrei, ele apertou ainda mais meu corpo contra o dele.

— Não, quero que fique assim. Ninguém vai entrar aqui. Eu quero te sentir mais assim. – beijou meu pescoço- Você é tão perfeita. Eu te machuquei?

— Não. Foi perfeito.

— Quero que saiba que depois disso, vai ficar mil vezes pior ficar longe de você.

— Só depende de você, Jake. Me entreguei a você porque te amo, por que confio em você. Não quebre essa confiança.

— Jamais.