O lado escuro da lua
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Os Cullen
Minha janela estava aberta, atendendo a um pedido que Jacob havia feito antes que eu voltasse para a cidade. Charlie havia me dado uma bronca daquelas por não ter avisado que iria ver a Claire após o colégio. Ele nem sonha que eu passei a tarde com Jacob. O jantar foi bem silencioso, Sue também não havia gostado de não saber onde eu estava. Com toda essa situação do Seth e dos Cullen, ela tinha medo de que o filho fizesse besteira só pra agradar a nova namorada.
Ouvi o baque mínimo no chão de madeira, mesmo esperando por ele eu tomei um susto. O visor do relógio mostrava ser mais de 1h da manhã.
— Achei que não viesse mais – disse enquanto ele retirava o tênis e se deitava ao meu lado, colando seu corpo no meu.
— Precisei esperar que Charlie fosse dormir. – confessa brincando com meu cabelo. – Eu amo esse seu cheiro, sabia?
— sei, sei. – me virei, colocando minha cabeça sobre seu peitoral. Ouvindo claramente seus batimentos alterados.
Porque eu me sentia tão bem com a presença dele? Minutos atrás eu estava transbordando nervosismo, e agora eu não conseguia pensar em mais nada, parecia que não haviam problemas a serem resolvidos.
— Dormir na sua cama é melhor que no chão. – sua frase me deixou confusa e antes que eu pudesse perguntar ele respondeu. – Quando a híbrida entrou aqui, aproveitando dos dons dela, não foi Seth que permaneceu no quarto. Ele ficou só até você dormir, depois eu fiquei.
— Não era um sonho. – deduzi – Você realmente esteve aqui. – acusei. Embora não conseguisse me lembrar sobre o que era a conversa deles.
— Essa semana eu vou precisar ficar em Seattle, não vou conseguir vir te ver.
— Sério? Logo agora? – choraminguei, projetando os lábios para frente.
— Eu não sou só o alfa, também sou empresário. Preciso gerenciar meus negócios. Já combinei com meus irmãos, vamos fazer revezamento, por conta dos nossos trabalhos humanos também para não sobrecarregar ninguém, mas você vai estar segura. Sempre terá alguém com você.
— Não precisa fazer isso, não é justo ficar mandando eles me protegerem. Eles já tem um ritmo complicado da própria vida.
— Eu não preciso mandar, eles fazem porque querem. Somos uma família, meu amor. Um está dentro da mente do outro, sabemos exatamente o que cada um sente, e no caso do imprinting...É a única coisa imutável em nossas vidas, o sofrimento pela perca é enorme, na próxima reunião do conselho eu vou te levar e você vai ouvir as nossas histórias, você vai entender que se existe algo sagrado para a matilha, é o imprinting de um lobo.
— Por isso a Cullen te enfrenta. – deduzi
— É, infelizmente. Mas não só por isso, o clã dela é um dos maiores, eu já os vi em batalha, são fortes, unidos, e bem treinados com exceção da vidente e da mama-vampi. Ela sabe que se algo acontecer com ela, a família se vingaria.
— Você acha mesmo que eu não devo confiar? O Seth, ele é da minha família também, ele é quase seu irmão.
— Eu faria, não, eu faço tudo por você. Não existe limites ou obstáculos que eu não esteja afim de superar por você. Com ele é do mesmo jeito e só por isso eu não confio.
Fechei meus olhos, ouvindo o som do coração dele, sentindo sua mão subir e descer pelo meu braço. Não devo ter demorado muito para dormir, e em algum momento da madrugada o senti saindo da cama e os lábios quentes dele tocando minha testa. Estava com tanto sono que se quer abri meus olhos par até certeza que ele havia ido embora.
A contra gosto, abri meus olhos assim que a claridade trazida pelos poucos raios de sol invadissem meu quarto. Conseguia sentir o cheiro amadeirado dele no meu lençol, o que raios estava acontecendo comigo?
Noite uma pulseira com um pingente em formato de lobo entalhado em madeira encima da minha penteadeira, com um bilhete logo embaixo.
Espero que goste, use para se lembrar de mim durante a semana.
~~☆~~
Quando cheguei a escola, quase não havia ninguém ali. Me sentei em uma das mesas da parte de fora do prédio, aguardando que mais pessoas chegassem. Depois que a Claire saiu daqui, ficou ainda mais chato estudar aqui. Mas eu teria que aguentar firme até o fim do ensino médio agora.
— Oi – olhei para a esquerda apenas para confirmar quem falava comigo, Vivian ostentava um sorriso brilhante no rosto. – Me pediram para te entregar isso. – ela esticou um envelope vermelho pra mim.
— Quem?
— Não sei. Eu devia ter perguntado o nome, não era?
— Com certeza, mas é só um envelope...- murmurei abrindo o envelope e tirando outro papel de dentro.
Não somos seus inimigos, só queremos conversar.
Amassei o bilhete em minha mão, olhando a minha volta tentando identificar algum sinal de que havia alguém aqui. Foi quando vi a figura por baixo de um sobretudo bege e um lenço na cabeça. Ela também tinha óculos escuros grandes, embora não houvesse raios de Sol tocando o chão, seja lá quem deles estava embaixo de tanto tecido não queria ser reconhecida.
— Renesmee – a voz suave, quase angelical me chamou. Ela retirou os olhos, revelando os olhos de um estranho tom de castanho dourado. Vivian estava visivelmente encantada com a garota de cabelos pretos a minha frente. – Eu sou Alice, vim te buscar.
— Não vou a lugar nenhum com você. – respondi áspera, já recolhendo minha mochila afim de entrar no prédio, sabia que ela não podia ficar muito tempo por aqui, ou seria reconhecida.
— Já combinamos tudo com Charlie. – parei, aquilo me soou como um aviso ou alerta sobre Charlie – Não se preocupe, estará em casa no almoço.
— Eu aviso que você teve problemas pra resolver- disse Vivian, se mostrando prestativa, tentando agradar alguém que facilmente tiraria sua vida.
Resolvi ir com ela, sendo sincera eu sabia que ela podia me arrastar com ela se quisesse sem que ninguém percebesse o que havia acontecido. Vi Seth sentado no banco do motorista do Mercedes, a Cullen entrou no banco de trás e eu me sentei na frente ao lado de Seth.
— O que eu fiz pra você Seth? O que Charlie fez pra você? – questionei com a voz embargada – Sofreu imprinting e agora eu sou descartável? Jacob me contou, ele disse que eu deveria ser protegida, que você deveria me proteger também...- ele não me deixou terminar de falar.
— Ninguém vai te machucar ou machucar a Charlie, Alice disse o nome dele so pra te convencer a vir logo, eu posso ter saído da matilha mas nunca faria nada contra um dos meus. Você, Emily, Rachel, Kim, Claire são intocáveis pra mim também.
A vampira se mantinha em silêncio. Se projetou pra frente e sua mão fria tocou meu ombro me fazendo quase saltar do banco.
— Desculpe – ela pediu. Se eu não soubesse quem ela era, diria que era alguém inofensiva.- Seu cheiro é muito atrativo, talvez Jasper tenha problemas. Vou ficar atenta a isso.
— Fique perto de mim, vai ser mais fácil pro Jasper dessa forma. – Seth disse quando parou o carro e abriu a porta. Ele estendeu a mão pra mim. – Confia em mim, ninguém vai fazer mal a você.
Sai do carro, admirando a bela mansão onde aquele clã estava instalado, no meio da floresta. Seth passou o braço pelo meu ombro e então notou a pulseira que eu usava.
— Finalmente se acertaram. – ele sorriu de lado. Pela primeira vez desde que eu o conheci seu sorriso não mexeu comigo. – Ótimo, fica mais fácil agora, ele vai parar para ouvir você.
— Por favor, não deixa que eu seja a refeição. – pedi suplicante. Forçava meus pés a se moverem.
Eu estava cara a cara com oito vampiros, na casa deles.
— Bem vinda ao nosso lar, Renesmee – disse o vampiro loiro mais velho. Eu me encolhi mais próximo a Seth. Em minha mente eu pedia, implorava para que algum dos lobos percebessem que eu não estava na escola.
— Eles não vão notar, Liz é eficaz não só em esconder o próprio rastro mas também ela pode confundir. Nesse momento eles devem estar te procurando no meio da floresta, bem longe daqui – me disse aquele que estava ao lado daquela que um dia foi a minha prima.
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