O lado escuro da lua
11 10
Bella, vampira
Naquela noite, Jacob me contou tudo o que eu precisava saber sobre ele e o seu povo. Naquela noite, logo após Charlie dormir, Jacob desceu até a cozinha e do armário onde meu tio guardava alguns remédios ele retirou dois comprimidos que logo surtiram efeito e me fizeram dormir.
Antes de apagar por completo, senti a mão dele acariciando meu rosto, sussurrando algo em uma outra língua desconhecida pra mim. Pisquei varias vezes antes de me deixar ser levada pela escuridão da minha mente.
— Kwop kilawtley , Nessie.
Nos dias que se seguiram, eu não sabia o que dizer a Claire que tentava o tempo inteiro saber como eu estava, eu havia entendido que eles estavam preocupados comigo, preocupados que eu acabasse cruzando o caminho de outro vampiro. Eu havia entendido que os lobos de Lá Push existiam para proteger a vida humana, mas, eu não sabia ainda se estava disposta a continuar tendo eles na minha vida. Eu não queria uma vida sobrenatural, eu quero uma vida humana, comum como todas as outras. Eu queria completar logo dezoito anos e ter acesso ao pouco que meus pais me deixaram e sumir de Forks, de preferência pata a cidade mais ensolarada do planeta, já que agora eu sei que os vampiros evitam esses lugares.
Eu sabia que ela ( Claire) era apenas uma humana, mesmo assim estava com medo até dela. Minha primeira e única amiga nesse cidade fazia parte de um mundo que eu nunca achei que fosse possível, nem nos meus piores pesadelos. Era horrível demais saber que humanos fazem mal uns aos outros, então imagine descobrir que você pode se deparar com coisa pior a qualquer momento?!
Quando o recesso do final do ano veio, eu pedi permissão a Charlie para ir ficar uns dias em Denver, na casa de Debbie e ele permitiu. Passei uma semana por lá, esfriando a cabeça e visitando também os túmulos da minha família. Não tive coragem de ir até a minha antiga casa, que continuava fechada e exatamente como estava no dia do acidente.
Voltei para Forks no dia cinco de Janeiro, era uma terça feira e eu já havia perdido dois dias de aula.
— Tenho uma surpresa para você quando chegarmos em casa, agora que retirou a bota e já pode dirigir. Espero que goste do seu novo carro.- Charlie estacionou a viatura em frente a sua casa e pude ver o veículo azul parado em frente a garagem.
Fiquei empolgada com a picape F150 estacionada ali, tinha acabado de sair do lava jato, a pintura brilhava. Dei uma volta ao redor, conferindo tudo.
— Eu amei, mas não precisava. Deve ter sido caro – ele deu uma risadinha sem graça, coçando a cabeça.
— Sendo sincero, nem tanto. O antigo dono estava muito afim de se livrar dela.
— De quem era? – questionei enquanto entrava na cabine e olhava por dentro a cabine dupla.
— Jacob Black, ele disse que só estava ocupando espaço na garagem dele em Seattle e me ofereceu.
Meu sorriso se desfez. Um carro desses não era tão barato, e novo igual estava...Isso mais me parecia uma tentativa do alfa e empresário Black de se aproximar.
— Claire também insistiu para que eu comprasse, disse que você iria amar o presente.
— Eu amei, Charlie. Obrigada de verdade. – eu não ia recusar um presente daqueles, até porque Charlie estava sendo sincero em sua tentativa de me agradar.
Depois de terminar de organizar minhas roupas novamente, eu me deitei na cama e procurei pelo número da Claire para passar mensagem, perguntando se tinha alguma novidade na escola e me surpreendi com sua resposta.
Oi, Renesmee. Eu não sei como andam as coisas na FHS, fui transferida de volta pra reserva.- sem acreditar no que lia eu respondi ela
Transferida, por qual motivo? – apertei enviar, dois minutos depois recebo a resposta
O motivo de eu ter ido pra FHS foi por ter começado a namorar com Quil, que trabalhava na escola da reserva. Mas com a Cullen na cidade, ele pediu demissão e mandou que eu voltasse. Não é seguro.
Explicou na mensagem e então me lembrei que ela confrontou a professora de química no primeiro dia da mesma.
Ela é um deles?— perguntei, mas já sabia a resposta.
Sim. Venha pra cá, quero conversar com você.
Chego em vinte minutos.
Vou avisar ao Jared e ao Collin, eles vão fazer sua segurança na estrada. Não assuste se os vê no caminho.
Desci, pegando meu blazer e as chaves do meu carro novo. Sue era a única que estava na casa ano momento e me viu enquanto vestia o blazer pra sair.
— Já vai sair?
— Vou na reserva ver a Claire.
— Tenha cuidado, as estradas estão perigosas nos últimos dias. – ela fez o alerta, tive dúvidas se ela sabia quem era o filho e quem a filha tinha sido. – Eu sei que você também já sabe.
— O Charlie também sabe?
— Não. E é melhor assim.
— Claro, eu entendo
Quando estava a uns dez minutos da reserva eu avistei Seth a beira da estrada, ele usava só uma bermuda e parecia mesmo estar me esperando. Depois que eu soube da verdade, ele nunca mais se aproximou novamente de mim. Estacionei no acostamento, bem a frente dele.
— Oi gatinha – o sorriso que eu amava estava lá, mas ele estava diferente. Tinha alguma coisa diferente no seu olhar. – Eu estava mesmo esperando por você. Pode me dar uma carona ?
— Claro. – ele deu a volta pela frente da picape, e se sentou no banco do passageiro. – Como você está? – pergunto tentando romper o silêncio dentro da cabine.
— Eu vou bem, como foi em Denver?
— Foi bom. Eu visitei minha família.
— Ahh, se sentiu bem com isso? – eu assenti – Sinal que está superando.
— Sinto falta deles todos os dias, Seth. Nunca vou superar isso. – o corrigi.
— Eu precisava te devolver isso – ele me mostrou um envelope em suas mãos, abriu e tirou de lá a foto da minha família. – Sua prima tinha pego emprestado e me pediu para te devolver.
— Prima, qual prima?
— Elizabeth – ele semicerrou os olhos, chegando a conclusão óbvia – Droga! Você já falou com Jacob depois que voltou?
— Seja mais claro, Seth. Eu cheguei a três horas e não falei com ninguém além de Charlie, Sue, Claire e você agora.
— Vamos por partes. Você precisa saber agora que Bella não está realmente morta. Quer dizer, tecnicamente ela está mas ainda circula entre os vivos, como se fosse um de nós.
— Minha prima é uma ... – deduzi – Os Cullen são...- não conseguia falar a palavra vampiro em voz alta.
— Sim, isso mesmo.
— Eu achei que vocês fossem inimigos naturais deles.
— Nos temos um acordo, um acordo que ficou mais forte agora. Eles não precisam ser exatamente inimigos, até porque eles não se alimentam de sangue humano. – estávamos quase na ponte quando ele colocou a foto no porta luvas. – Eu vou descer aqui.
— Estamos bem perto, eu posso te levar pra sua casa.
— Bem que eu queria, mas eu briguei com Sam e Jacob, eles não me expulsaram mas o clima não é dos melhores para um lobo que deu as costas a sua própria matilha.
— Como assim? – parei o carro
— Não conta por Jake, mas hoje a noite eu vou te levar pra ver a Bella e a Liz, você vai entender melhor. Elas não vão te fazer mal, eu te dou a minha palavra. Só não conta a ninguém, se não eles não vão permitir. Jacob é capaz de sequestrar você só pra não te deixar chegar perto delas.
— Eu não quero encontrar com nenhuma vampira- falei assustada, e então vi Quil e Jacob saindo de dentro da floresta com olhares nada amigáveis lançado a Seth.
— Eu já estou indo embora- ele se apressou a dizer.
— Não precisa ir, Seth. Esse é o seu lar também.- disse Jacob, como um apelo. Sua expressão ficando mais suave
— Você sabe que não, Jake. Meu lar é onde ela é bem vinda.
— Ela é uma vampira, você acha que vamos colocar nossa família, nossas mulheres em risco por ela? – Quil questionou. – Entendemos seu lado, Seth, você também precisa entender o nosso.
— Passo pra te buscar – Seth fala olhando pra mim.
— Não vai mesmo, não vai colocar ela em risco- Jacob foi grosseiro e feroz, suas mãos fechadas em punho. Uma carranca voltou a se formar em seu rosto– Nem pense em ir pra lugar nenhum com ele – ele fala como se estivesse me dando uma ordem.
— Você não manda em mim! – esbravejei, não porque estivesse afim de ir com Seth, mas por estar com raiva da maneira como ele falou.
Seth se afastou, saiu do meu campo de visão e dois segundos depois eu ouvia o som do uivo.
— Avise aos outros para reforçarem nas divisas. Não deixem que Bella ou qualquer um deles entre aqui novamente, se entrar, já sabem o que fazer.
— E quanto a Elizabeth? – Quil quis saber.
— Ela não, não toquem nela a não ser que ela dê motivos pra isso. Ou vamos acabar matando nosso irmão também.
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