Minha nova cidade

Uma pequena nuvem de chuva caia sobre Forks no momento em que chegamos. O acidente tinha acontecido a quinze dias. Após velório e enterro, Charlie fez tudo o que pôde para a papelada ser resolvida e para que eu ficasse realmente sobre a sua guarda até completar dezoito. Sue estava lá quando cheguei com meu tio e seu filho. Depois de conversar, na verdade eu quase não conseguia formar uma frase completa com mais do que duas ou três palavras. Só Deus sabe como eu ainda estou sofrendo, e os pesadelos que tenho com os gritos da minha família.

Seth me ajudou a subir as escadas, já que eu estava com aquela bota na perna direita. Me deixou sentada na cama, eu olhei cada micro detalhe daquele quarto, o quarto que deveria ter sido da minha prima Isabella que também era falecida devido a uma doença estranha.

— Vamos deixar ela descansar, Seth. – disse Charlie e mais parecia uma ordem. Charlie era atento aos menores detalhes, ele já havia percebido o clima entre nós dois e obviamente não gostou de nada, eles achavam que eu estava dormindo no carro e eu escutei toda a discussão entre eles cm Charlie enfatizando que Seth era doze anos mais velho que eu. Como se isso fizesse alguma diferença pra mim, ou como se ele fosse o primeiro cara mais velho.

Porém, eu não tinha a menor disposição para levar essa história a diante, não no momento.

— Claro, é bom mesmo. – Charlie saiu, Seth selou seus lábios na minha testa. – Eu vou pra reserva agora, eu moro lá. Mas, se precisar de qualquer coisa pode me ligar. – ele acariciou meu rosto. – Você não está sozinha. – repetiu o que vinha me dizendo desde o enterro.

Depois que eles saíram eu conseguia ouvir uma outra voz feminina e outra infantil na casa, deduzi que deveriam ser Leah e Harry, a filha e o neto de Sue. Eles me falaram sobre eles durante a nossa viagem.

Eu me deitei e puxei as cobertas da cama pra cima de mim, em outros tempos eu estaria curiosa para conhecer gente nova, nesse momento era o que eu menos queria.

Quando não conseguia mais ficar simplesmente deitada, com alguma dificuldade fui até a janela me sentando no puff que havia bem embaixo da mesma, olhando Sue brincando com o neto, melhor dizendo o ensinando a cuidar de suas flores.

Involuntário foram as lágrimas que rolaram pelo meu rosto quando um homem desconhecido com feições semelhantes às do menino chegar e o abraçar. Meu peito esmagou e me fez perder o ar, foi inevitável comparar com todas as vezes em que meu pai chegava em casa e ia logo brincar com Renan. O homem ainda com o menino nos braços olhou pra cima e seus olhos encontraram os meus.

(...)

Uma semana depois daquilo, Sue havia ido me deixar na porta da Forks High School, eu não podia dirigir e isso se seguiria por muitos outros meses graças a bota ortopédica horrorosa que eu estou usando.

— Se precisar de qualquer coisa, só ligar. – ela me disse. Sue era extremamente atenciosa comigo e eu tenho quase certeza que não era apenas devido ao meu estado de luto recente. Ela era sem sombras de dúvida uma mulher e tanto.

— Obrigada – respondi sem muito ânimo, descendo da minivan com cuidado, e andando bem lentamente seguindo as placas até a secretaria onde pegaria meu horário.

Com meu horário em mãos, e devidamente orientada pela senhora ruiva segui pelos corredores sem dar muita importância a todos os olhares que haviam encima de mim.

— Você deve ser Renesmee — uma garota alta, bem magra, pele ligeiramente morena, cabelos grandes e lisos, com olhos pequenos e escuros falava passando a andar lado a lado comigo. Ela tinha uma bolsa pendurada no ombro, e dois livros nas mãos. – Eu sou Claire Young – se apresentou – sou sobrinha da sua tia Sue, ela me falou sobre você e me pediu para te ajudar por hoje. Eu sinto muito pela sua família.

— Eu realmente não quero falar sobre a minha família com você- respondi áspera.

— Desculpe, essa não foi minha intenção. – disse ela. Continuou seguindo do meu lado em silêncio.

Minha primeira aula era de biologia, e a dela aparentemente também.

Havia um grupo na porta da sala, pareciam estar esperando dar o horário para poder entrar ali.

— Pessoal, essa é Renesmee Swan. Sobrinha de Charlie. – ela tratou de me apresentar. – Renesmee, esses são Lucien Wilson ,Vivian Parker e Cristine Mason.

O grupinho que claramente era liderado por Claire me recebeu muito bem, estavam dispostos a fazer com que eu me sentisse confortável com eles. Ao fim do dia eu tinha perdido a conta de quantas vezes tinha repetido o meu nome e a frase” estou bem, obrigada” já deveria estar saindo automaticamente da minha boca.

— Tia Sue me pediu para te levar pra casa. – Claire me dizia, passando seu braço livre pelo meu. – Harry e Leah estão lá hoje. Não sei se já conhece a Leah, mas se não é bom que saiba que se ela for grosseira com você não é nada pessoal, ela é assim com todo mundo principalmente com...- ela se calou, parecia perceber que ia falar demais.

— Com o que? – estimulei ela a falar.

— Principalmente com outras mulheres, ela é estranha. – deu de ombros como se fosse algo qualquer, mas havia algo mais nas entrelinhas que ela claramente não podia me contar. Não insistir, não conhecia Leah e a vida pessoal dela não era da minha conta mesmo.

Antes que chegássemos ao carro de Claire, ouvimos o som da buzina e ao olhar em direção ao som vimos Seth acenando.

— O que ele tá fazendo aqui?! – ela praguejou, parecia até ofendida com a presença dele ali. Como se estivesse realmente incomodada.

— Deve ter vindo me buscar – lhe respondi

— Sue disse pra você ir comigo – ela insisti, a voz mais fina.

— Eu acho que já sou bem grandinha pra decidir com quem vou ou não vou pra casa – respondi áspera. Caminhando até o carro de Seth e ignorando os protestos dela. Até então Claire me parecia ser uma boa pessoa, mas me assustou a forma como ela reagiu a presença de Seth.

Ele abriu a porta do volvo pra mim, depois voltou ao seu lugar de motorista. Olhei para a Claire, que ainda estava parada no meio do estacionamento e encarava Seth com muita fúria.

— O que ela tem contra você? — questionei intrigada com aquela reação.

— Nada com o que você tenha que se preocupar no momento. — respondeu um pouco nervosos. — Me conte, como foi sua aula hoje?

Eu não o beijei, ele também não tentou me beijar até o momento em que paramos em frente a casa de Charlie e Sue. Seth bateu no painel do carro com um pouco de violência.

— Seth, o que foi — não terminei a frase, ele me puxou para um beijo ávido, devido ao susto pelo ato repentino demorou a reagir e empurrar ele. — O que foi isso? Eu te disse que não estava com cabeça para me relacionar com ninguém agora, nem com você! — esbravejei, já abrindo a porta do carro, ele segura meu braço.

— Desculpe, agi por impulso. Não vai se repetir, prometo. Acho que só queria sentir o gosto da sua boca uma última vez. — parecia um lamento.