Notas iniciais
Oieee capitulo novinho espero que gostem, desculpem a demora. Beijos e boa leitura.

PS: AINDA NÃO ESTÁ BETADO, PORTANTO PERDOEM OS ERRINHOS ^^

Não sei como consegui chegar em casa. Provavelmente havia sido no piloto automático. Desde que estive com Edward não consegui me concentrar em nada que não fosse ele. Por todo aquele tempo estive perto do meu poeta... Tão perto e não sabia. Talvez isso explicasse a ligação que eu sentia com aquele judeu desde o nosso primeiro contato. Eu precisava urgentemente voltar a vê-lo e de alguma forma ajudá-lo.

Quando cheguei em casa não vi ninguém nem mesmo Oliver que sempre costumava me recepcionar. Cansada e ainda extasiada pela recente descoberta me encaminhei para as escadas a fim de ir para meu quarto, mas estaquei quando ouvi um grito. Quem poderia ser? Minha mãe? Natalie? Com o coração aos saltos comecei a subir depressa, mas parei no último degrau quando Natalie e Miriam surgiram na à minha frente. Minha irmã perturbada estava puxando nossa empregada – para não dizer escrava – Pelo braço de forma violenta.

-Que droga é essa, Natalie? – Gritei totalmente horrorizada com a cena.

-Essa imunda quebrou um dos meus perfumes favoritos! – Respondeu Natalie sacudindo-a. Apesar da grande diferença de idade Natalie parecia muito maior e mais robusta que Miriam, já que a empregada havia sido subetida às péssimas condições de vida do campo de concentração.

-Todo o escândalo por causa de um perfume? Não acredito nisso! Solte-a agora

-Foi um acidente senhorita... Eu juro que foi um acidente.

-Cala a boca – Natalie a silenciou com um tapa na cara – Você vai pagar por isso!

-Já chega – Vociferei segurando o braço de minha irmã insana quando ela fez menção de voltar a bater em Miriam.

-Me solta...

E então aconteceu rápido demais. Acho que Natalie tentou se livrar da minha mão e puxou o braço de volta, isso fez com que eu me desequilibrasse e caísse rolando escada abaixo.

Horas depois lá estava eu deitada em minha cama com uma perna engessada. Felizmente eu não batera a cabeça nem me machucara mais gravemente. Apenas torcer o tornozelo em uma queda tão alta era no mínimo um milagre. Entretanto o incidente me forçou a ficar afastada do trabalho por uma semana e sem dúvidas haviam sido os piores dias da minha vida. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos e todos os segundos eu me perguntava como Edward estava, tinha medo do que podia ter acontecido ... De ele ter ido parar numa das câmaras de gás ou ficado doente... E o pior de tudo é que eu não podia perguntar sobre isso a ninguém, portanto tive apenas que em silêncio esperar meu tornozelo melhorar.

[...]

-Ainda não está bom – O médico disse ao me examinar.

-Sério? Não acredito... Ja faz quase duas semanas...

-Foi uma queda e tanto, Isabella. A luxação foi muito feia, isso requer tempo para sarar.

-Mas, eu não tenho tempo! Eu preciso voltar para o trabalho. Não tem como o senhor receitar um remédio mais forte?

Ele balançou a cabeça negativamente.

-Sinto muito. Enquanto ainda estiver machucado você deverá repousar.

-Doutor – Olhei-o sumplicante – Eu realmente preciso voltar à Aushwitz... Por favor, diga ao meu pai que já posso trabalhar...

-Está me pedindo para mentir?

-Estou desesperada... Se não fosse importante eu não estaria implorando... Por favor, eu prometo ter cuidado, apenas... Apenas diga a ele que posso trabalhar.

-O que há lá de tão importante para deixá-la tão atordoada?

-O senhor não entenderia... Por favor, apenas faça isso por mim.

O doutor Angelo era um senhor de meia idade, e diferentemente de outros nazistas ele não me parecia assustador. Por isso tive confiaça suficiente em lhe fazer um pedido tão ousado.

-Isabella... – Ele me encarou por um momento, mas por fim suspirou e sorriu – Tudo bem. Mas, me prometa que resolverá logo o que tem para resolver e voltará ao repouso, certo?

-Prometo – Respondi sorrindo-lhe de orelha a orelha.

-E nada de estravagâncias, muito cuidado.

-Pode deixar.

Ele juntou todos os objetos que usara em mim e guardou dentro de sua bolsa de couro preta.

-Bom, vou indo então. Tenha uma boa noite, senhorita.

-Boa noite para o senhor também e muito obrigada, de coração.

Ele apenas assentiu e sorriu calorosamente. Então saiu do quarto.

Fiquei sozinha por algumas horas pensando na vida e desejando que Charlie acreditasse no médico. Somente quando meu estômago roncou que me lembrei que não havia comido nada o dia inteiro e o mais estranho era minha mãe não ter aparecido com nenhuma refeição... Tampouco ter ido me ver quando o médico se fora. Uma coisa era certa: Eu precisava comer, e como parecia que minha mãe se esquecera de mim, Miriam provavelmente estivesse ocupada, Oliver fosse muito pequeno para preparar algo e Natalie parecer não ter peso algum na consciência para se preocupar comigo resolvi que eu mesma tinha que me virar.

Levantei-me da cama e fiz uma careta de dor ao pisar no chão, não era nada muito forte, mas era incômodo. Eu precisa encontrar uma forma de disfarçar o desconforto se quisesse voltar para Aushwitz.

Enquanto passava pelo corredor ouvi um choro baixo, parei de andar abruptamente tentando descobrir de onde vinha. Segui o som e acabei parando em frente ao quarto dos meus pais. Preocupada tentei abrir a porta mas estava trancada.

-Mãe? – Chamei batendo na porta — Mãe? É você?

-Oi, Bella – Ela respondeu ainda lá dentro.

-Aconteceu alguma coisa?

-Não. Está tudo bem, pode ir descansar.

-Tem certeza?

-Sim, tenho.

Pensei em insistir, mas lembrei-me da forma grosseira como ela me tratara quando tentei sondá-la da última vez. Resolvi que era melhor deixar para lá. Voltei a caminhar lentamente pensando no martire que seria descer as escadas.

- Bella?

Ouvi a voz de Reneé atrás de mim e olhei para trás. Ela caminhava em minha direção, quando se aproximou notei que seu rosto estava vermelho e inchado, sem dúvidas ela estava chorando.

-Oi mãe.

-O que está fazendo fora da cama?

-Eu vou pegar algo para comer.

-Oh meu Deus – Reneé bateu na testa – Esqueci completamente de levar comida para você! Que péssima mãe que eu sou... Droga, droga.

Ela voltou a chorar.

-Hei – Segurei sua mão – Acalme-se, mãe. Está tudo bem, o médico disse que já melhorei, não tem com o que se preocupar.

-Mas, você ainda deve estar fraca de tanto remédio e eu... Eu sequer fui ver como estava se sentindo...

-Mãe- Ergui seu rosto para que me olhasse nos olhos – Não está chorando por isso, sei que não. Por favor, me conte o que está acontecendo... Há dias vejo a senhora chorando pelos cantos, carregando uma tristeza profunda. Divida esse fardo comigo, seja lá o que for, me conte o que está acontecendo, mãe.

-Não posso...

-Claro que pode. Eu sou sua filha...Me conta.

-Não – Num instante ela se recompôs, enxugou as lágrimas e endireitou o corpo – Está tudo bem, são só coisas minhas... Não se preocupe, vá se deitar que eu vou lá embaixo pegar algo para você comer.

-Eu mesma pego, mãe.

-Nem pensar. Já a deixei de lado por muito tempo hoje. Vá – Ela me deu um empurrãozinho de leve.

-Tudo bem – Respirei aliviada, meu tornozelo doía pra caramba.

Voltei para o quarto e me deitei imediatamente. Bem que o médico dissera que o machucado ainda não estava bom... Mas, eu precisa voltar à Aushwitz, aquela preocupação com o meu poeta estava acabando comigo. Mais tarde quando eu estava devidamente alimentada e enquanto o sono não chegava eu pensava em mil e uma forma de explicar a Edward que eu o amava muito antes de conhecê-lo.

[...]

Pensei que depois de conhecer o campo de concentração de Aushwitz-Birkenau, ele não poderia piorar... Mas, eu estava enganada. Parecia que os dias em que me ausentei os nazistas trabalharam dobrado para transformar aquele lugar numa terrivel fábrica de morte. Como eu queria não ter de pisar lá nunca mais... Esse era um dos meus maiores desejos. Entretanto eu tinha um motivo muito forte para voltar e fazer vista grossa a todas as atrocidades que ali eu presenciava. Convencer Charlie a me deixar voltar a trabalhar havia sido uma árdua tarefa, para variar nós brigamos novamente, mas no final ele acabou cedendo.

Meu tornozelo ainda doía bastante, mas eu sabia disfarçar muito bem, não era uma dorzinha que me faria ficar mais um dia sem ver o meu poeta. A primeira parte da missão estava concluida; Eu já estava em Aushwitz, agora só faltava dar um jeito de encontrar-me com Edward e essa era a parte mais difícil.

Fui para a enfermaria, mas não estava com a mínima vontade de trabalhar. Ninguém apareceu durante quase todo o dia, será que ninguém havia se machucado ou Charlie havia mexido os pauzinhos para que ninguém fosse “me dar trabalho”? Eu torcia para que fosse a primeira opção.

Desanimada sentei-me na maca e respirei fundo sentindo uma imensa vontade de chorar. Meu peito doía com a falta de notícias... Como eu poderia encontrá-lo no meio de tantos judeus sem a ajuda de ninguém? Como eu podia aliviar meu coração com a certeza de que ele estava bem?

-Senhorita Isabella?

Ouvir uma voz me chamar tão inesperadamente me deu um susto danado. Olhei para a porta rapidamente e quando vi um soldado lá parado me coloquei de pé num pulo. Isso provocou uma dor lascinante no meu tornozelo.

-Aii – Reclamei me abaixando e esfregando o local dolorido.

-A senhorita está bem? – Ele perguntou sem saber se podia se aproximar ou não. Nenhum soldado naquele campo de concentração tinha coragem de chegar perto de mim depois do fatídico dia em que me surraram.

-Estou – Respondi me recompondo – O que deseja?

-Temos um problema em um dos dormitórios, um prisioneiro se machucou bastante e como ele é muito bom no que faz na fábrica não gostaríamos de perder a mão de obra.

-Ah claro – Sorri irônica – A mão de obra... Mas pela vida dele vocês estão pouco se lixando, não é?

-Não cabe a mim discutir questões políticas com a senhorita.

Suspirei com raiva.

-Tudo bem.

-Procurei pelo doutor Mengele, mas ele não está no campo. A única pessoa com conhecimentos médicos presente que pode ajudar é a senhorita.

-Certo. Mas, porque não o trouxeram.

-Ele se feriu na perna.

Franzi a testa.

-E não podiam carregá-lo até aqui?

O soldado fez uma careta.

-Entendi – Balancei a cabeça – Vocês tem nojo.

-Claro que sim, eles mal tomam banho e ele ainda defecou na própria roupa por causa da dor.

-Meu Deus, então vamos depressa. Me diga exatamente o estado dele para eu saber o que levar.

Conforme o soldado me explicava a situação do paciente eu ia catando os itens que teria que usar. Eu não era nenhuma especialista, mas tinha uma ótima noção de primeiros socorros. Quando terminei de arrumar tudo que eu usaria, acompanhei o soldado rumo ao dormitório que ficava do outro lado do campo.

Nem todo o treinamento do mundo me prepararia para a cena que eu estava prestes a presenciar. Assim que pisei os pés no dormitório senti vontade de sair correndo. Não era nojo, muito menos desprezo... Era pavor... Pavor pelas condições de vida que meu pai e seus demais serviçais eram capazes de submeter aquelas pobres pessoas.

-Tem certeza que aguenta fazer o serviço? – O soldado perguntou com um tom de ironia na voz, provavelmente pensando que minha hesitação em avançar era nojo, eu podia apostar que ele estava pensando “Por acaso não estava me dando um sermão ainda a pouco?”.

Foi nesse momento que reuni toda a minha força, ergui a cabeça e adentrei ainda mais no lugar. Tentei bloquear da minha mente as imagens que se formavam diante dos meus olhos: Camas de madeira sem colchão, lençol ou qualquer outro adereço, baldes de ferro usados para dispensar as necessidades fisiologicas, sujeira por todo lado e o mal cheiro saindo de todos os cantos. As pessoas também estavam um caos, alguns tão magros e desnutridos que apareciam até os ossos. Senti meus olhos se enchendo de lágrimas, mas não chorei... Eu seria forte, por eles eu seria forte.

-É esse ai – O soldado disse apontando uma das camas com a arma, eu nem havia notado que ele a tirara do coldre.

Assenti e me aproximei da cama. O homem ferido estava sujo, suado e mal cheiroso. O ferimento em sua perna estava profundo, sem dúvida precisaria de vários pontos. Ele não era velho, apensar da aparência cansada e desgastada. Quando me aproximei ele estava de olhos fechados, mas assim que sentiu minha presença ele os abrira e olhara para mim, seus olhos carregados da maior tristeza que eu já vira na vida.

-Olá – Cumprimentei-o engolindo o choro – Eu sou Isabella, trabalho na enfermaria e vim cuidar do seu ferimento.

Uma lágrima correu de seu olho.

-Você por acaso tem alguma droga forte o suficiente para me matar?

Aquilo me pegou de surpresa... Fiquei tão chocada que perdi a voz, mas um pedido daquele não era de se espantar, nas condições em que eles viviam até eu desejaria morrer.

-Não seja frouxo, George.

Ouvir a voz dele atrás de mim foi um susto ainda maior, meu coração saltou forte no peito. Lentamente fui virando a cabeça. Edward estava parado de braços cruzados olhando-me fixamente com seus lindos e profundos olhos verdes. Eu sempre havia amado meu poeta, de uma forma louca que ninguém entendia eu sabia que ele era o homem da minha vida e agora que tinha nome, rosto e voz meus sentimentos pareciam ter se intensificado.

-O-Olá – Cumprimentei-o com a voz sussurrada, o choque inicial sendo substituido pelo alívio em vê-lo vivo e saudável.

-Oi – Ele respondeu e sorriu ternamente.

-Senhorita – A voz gélida do soldado tirou-me da bolha em que Edward e eu estávamos envolvidos – Termine logo com o serviço, não pode permanecer aqui por muito mais tempo.

-Certo, mas o ferimento irá infeccionar se ele não estiver limpo.

-E o que sugere?

-Depois que eu suturá-lo leve-o para a enfermaria, lá tem um pequeno banheiro.

-Eu não vou carregá-lo! Tampouco banhá-lo, esqueça!

Respirei fundo e iniciei o trabalho, cuidaria disso depois. Confesso que o odor era mesmo incômodo, mas o que me incomodava mais era o olhar envergonhado do pobre coitado, senti muita pena dele por isso. Enquanto eu cuidava do ferimento tentei passa-lhe confiança, pois nada daquilo era culpa dele.

Quando terminei o serviço notei que vários judeus haviam se aglomerado ali perto e observavam-me. Pareciam admirados e essa era a melhor parte do meu trabalho.

-Agora você precisa ser devidamente higienizado, soldado, leve-o.

O soldado soltou uma risada e me encarou.

-Nem a pau.

-Eu estou mandando.

-Com todo respeito, a senhorita não manda em nada aqui.

-Por acaso não sabe quem é o meu pai?

-Sei muito bem e sei também que ele não aprovaria isso.

Senti a raiva me corroendo. O soldado nunca o levaria isso era fato.

-Eu posso levá-lo – Edward se ofereceu – Se me for permitido.

-Você tem permissão – Falei incisiva, encarando bem o soldado que deu de ombros.

-Certo.

Edward gentilmente me afastou para poder pegar George. O leve contado de sua mão em meu ombro me causou a sensação de um choque elétrico.

Observe-o pegar o amigo nos braços sem o mínimo de receio e sem muito esforço também, o que me chamou atenção.

-A senhorita vai na frente? – Ele perguntou a mim.

-Sim, claro.

Novamente atravessamos o campo e entramos na pequena enfermaria, como o espaço era quase mínimo o soldado ficou do lado de fora. Edward levou George para o banheiro e o ajudou a se lavar. Enquanto isso fui buscar uniformes limpos. Quando voltei Edward estava parado na porta do banheiro, provavelmente esperando a roupa.

-Aqui está – Falei entregando-lhe um uniforme.

-Obrigado.

Ele voltou para dentro e ficou alguns minutos.

-Pronto – Disse ao sair – Ele está limpo.

-Vou pedir ao soldado para levá-lo de volta, acho que você também precisará de um banho, certo?

-Seria muito bom.

-Muito bem.

Foi muito dificil convencer o soldado, mas no fim consegui. Certamente ele relataria tudo ao meu pai e eu levaria uma bronca, mas sinceramente não ligava nem um pouco.

Enquanto esperava Edward tomar banho fiquei massageando meu tornozelo que parecia estar inchando bastante... Droga se meu pai percebesse aquilo...

-Está machucada?

Edward perguntou parado perto da porta, eu nem havia notado quando ele saira.

-Cai da escada.

-Nossa... Mas, você está bem?

-Sim – Suspirei – Vou ficar...

Foi então que notei a mão dele enrolada em um pedaço de pano, o que era aquilo?

-Você está ferido também? – Perguntei apontando a mão.

-Ah isso – Ele a escondeu atrás do corpo – Não é nada.

-Me deixa dar uma olhada.

-Não precisa, é sério.

-Eu insisto.

Ele balançou a cabeça e se aproximou sentando ao meu lado na maca. Desenrolei o pedaço de pano de sua mão e me deparei com um corte profundo.

-Nossa, como se machucou?

-No mesmo lugar que o George... A fábrica é um lugar perigoso.

-E você ainda conseguiu carregá-lo.

-Não dói tanto assim... Só não entendo porque quase não sangra.

-Cortes profundos não costumam sangrar muito. Vou suturar.

Novamente peguei os curativos e comecei a tratar do corte.

-Eu juro que dessa vez não fiz de propósito para vê-la... Não que eu não quisesse vê-la – Completou – É só que... Foi mesmo uma acidente.

Sorri e balancei a cabeça.

-Por que não veio à enfermaria antes?

-Eu não sabia que tinha voltado a funcionar... Ficou fechada por quase duas semanas... Não sei se é prentensão minha, mas eu... eu pensei que talvez você tivesse desistido por causa do nosso quase beijo.

Errei um dos pontos e atingi uma área erra, Edwad deu um suspiro baixo.

-Desculpe... Eu...Não, não foi por isso. É que eu machuquei o tornozelo e.. e não pude vir.

-Fico feliz que tenha sido esse o motivo, não que eu goste de vê-la machucada, mas eu me odiaria se fosse o culpado por afastá-la.

Senti meu rosto corando e minhas mãos estavam trêmulas, ainda bem que faltava pouco para terminar a sutura.

-Fiquei preocupada com você – Falei quase num sussurro.

-Jura?

-Sim... Temi que o pior tivesse acontecido.

-Ainda não chegou o meu dia. Tive muita sorte por enquanto.

-Terminei – Larguei os instrumentos depressa em cima da mesa e respirei fundo... Meu coração batia tão rápido que eu podia ouvi-lo.

-Está tudo bem? – Ele perguntou atrás de mim.

-Sim... Estou bem...

-Se eu te deixei nervosa por falar do beijo... Eu, eu realmente sinto muito por aquilo...

-Quer parar de ficar pedindo desculpas – Falei ofegante voltando a encará-lo – Sou tão repugnante assim?

Edwad me olhava de olhos arregalados.

-Claro que não... Muito pelo contrário, pensei que colocar minhas mãos imundas em você que era repugnante!

-E por que seria?

-Por que sou um judeu e você é filha do comandante – Respondeu como se dissesse o óbvio.

-Mas isso não me iguala a ele! Eu não vejo vocês como imundos! Principalmente depois do que vi hoje... Ver você carregar seu companheiro, mesmo todo sujo daquele jeito me fez admirá-lo!

Eu respirava ofegante tremendo dos pés à cabeça. Edward se levantou da maca e se aproximou de mim. Estávamos tão perto que eu podia sentir o calor que emanava do seu corpo.

-Você é tão linda – Ele disse e tocou meu rosto com a ponta dos dedos – Tão linda e boa quanto um anjo... Às vezes penso que você não é real.

Toquei a mão dele que me acariciava.

-Eu sou real... Sinta... – Desci a mão dele pelo meu rosto, passando pelo pescoço e parando em um seio.

Não sei de onde tirei tanta ousadia, talvez fosse dos infinitos sonhos que eu tivera com o meu poeta, mas a verdade é que amei cada segundo. Ao contrário do que pensei, Edward não retirou a mão e nem pareceu assustado com o ato, pelo contrário... Parecia que os olhos dele refletiam o desejo que eu mesma sentia. Suavemente ele passou a acariciar-me, fechei os olhos e soltei um gemido baixo.

-Meu coração está batendo tão rápido – Falei extasiada.

-O meu também... – Ele sussurrou e se inclinou em minha direção.

Ainda com os olhos fechados senti os lábios dele tocar os meus, tão suaves e macios como da última vez e para evitar que ele escapasse de novo, enlacei os braços envolta de seu pescoço e abri um pouco a boca para intensificar o beijo... E ele atendeu meu pedido mudo. Seus lábios passaram a se mover com os meus, sua lingua quente se encontrou com a minha, acariciando-a com carinho e ansiedade. Meu primeiro beijo estava sendo muito além do que eu havia sonhado... Era perfeito. Apesar de mal conhecê-lo eu sabia que nossas almas se identificavam, talvez fosse o que chamavam de “almas gêmeas”, eu não sabia dizer... Tudo que eu sabia era que cada terminação nervosa do meu corpo ansiava por ele...

-Isabella – Ele sussurrou em meio ao beijo – Isso é real?

-Sim – Sussurrei de volta – Muito real... Não acredito que estou nos seus braços.

Nos beijamos por tanto tempo que ao nos separarmos o ar me faltava.

-Eu preciso ir – Ele disse encostando a testa na minha – Se não me engano seu turno já está no fim e eu não quero prejudicá-la com seu pai.

-Podemos nos encontrar amanhã?

-Claro... Sempre que desejar.

-Cuide-se – Falei acariciando seu rosto – Fique vivo.. Não importa o que tenha que fazer para isso.

-Prometo.

Ele me beijou mais uma vez.

-Até amanhã, Isabella.

-Até amanhã, Edward.

Quando ele se foi tive de me apoiar na maca para não cair...

Edward e eu passamos a nos encontrar às escondidas e nas raras ocasiões em que ficávamos sozinhos, nos perdiamos um no outro, apreciando cada segundo do nosso encontro, , tudo era tão perfeito que mais parecia um sonho... Um sonho que estava prestes a ser destruído...

[...]

Era mais um dia comum na minha vida – agora bem mais colorida – na Polônia. Eu estava voltando de Aushwitz, havia perdido a hora por causa do encontro com Edward e já me preparava para a bronca que ia levar de Charlie, estava ficando cada vez mais dificil manter nosso relacionamento às escondidas.

Entrei em casa depressa e corri para o quarto. Tomei um banho rápido, me aprontei e desci para o jantar. Charlie estava acabando de chegar no momento em que eu descia as escadas, acompanhado por James, para minha infelicidade.

-Boa noite pai, James– Cumprimentei-os sorridente, nada poderia estragar minha felicidade.

-Boa noite – Responderam juntos.

-Mamãe e os meninos já estão na sala de jantar, vamos?

-Sim, vamos.

Eles me acompanharam até a sala. Reneé e Natalie estavam arrumando a mesa, Oliver estava sentado.

-Boa noite senhora Swan – James cumprimentou-a.

-Boa noite – Ela lhe respondeu apática, como sempre estava se comportando ultimamente.

Sentamo-nos todos à mesa e nos servimos da comida deliciosa que Miriam preparara.

-Você parece muito contente, Isabella – Charlie comentou olhando-me fixamente.

Dei de ombros tentando parecer indiferente.

-Não acho.

James então pigarreou e trocou um olhar esquisito com Charlie. Meu pai assentiu e me encarou, eu não estava gostando nada daquilo.

-Isabella, tenho algo importante para falar com você.

Imediatamente larguei o garfo e parei de comer. Meu pressentimento dizia que algo muito ruim estava prestes a acontecer.

-E o que é?- Perguntei temerosa.

-Pensei bastante e concluí que você já está passando da idade de se casar.

Engasguei com minha própria saliva. Tomei um gole d’agua sentindo a garganta sufocar.

-Continuando... Pensei muito e vi que James seria o marido ideal para você.

-O QUÊ? — Gritei sentindo o coração parar por uns segundos.

-Isso mesmo. Vamos acertar tudo e vocês se casarão em breve.

-De jeito nenhum – Me coloquei de pé num pulo.

-Fique sentadinha bem ai, eu não terminei de falar!

-Não tem o que falar! O senhor não pode me forçar a casar com ele!

-Não só posso como vou – Charlie encarou-me no fundo dos olhos – Tenho notado suas atitudes rebeldes, as pequenas revoluções que causa em Aushwitz... Isso é falta do que fazer. Precisa ter um marido, filhos e uma casa para cuidar e ocupar a mente.

-Que pensamento de homem das cavernas é esse?

-Me respeite menina!

-Eu não vou casar com James – Falei entre dentes – Nem morta!

-Você vai... Ah se vai! Se não me obedecer e se casar com ele quem pagará por isso será sua doce e amável amiga Rosalie!

-O que? Como assim?

Charlie falava tudo com tanta calma que era assombroso... Como ele podia ser tão frio?

-Sua amiga ama muito um certo rapaz não é?

-Como você sabe disso?

-Não interessa. A questão é que se você não me obedecer farei com que o soldadinho que ela ama vá para o front, bem na linha de frente e seja morto! Você será a responsável por isso se não aceitar o acordo!

-Não... Você não pode fazer isso!

-Quer pagar para ver?

Charlie era capaz... Claro que era. Apelei para minha mãe, buscando sua intervenção, mas ela como submissa que era apenas abaixou os olhos, tentei então com James que observava tudo em silêncio.

-Você concorda com isso? – Perguntei a ele – Quer mesmo ter uma esposa à base de ameaças?

Ele deu de ombros.

-Eu amo você há muito tempo, Bella. Quero tê-la de qualquer forma.

-Isso não é amor! Isso é despeito! Você quer que eu seja sua apenas para satisfazer seu maldito ego!

-Você está enganada. Eu realmente a amo.

-Mentiro! Maldito! Isso não vai acontecer... Não vai! – Olhei para Charlie com toda a raiva que estava sentindo – Eu te odeio! Odeio!

Corri para o meu quarto e me joguei na cama chorando desesperadamente... Aquilo só podia ser um pesadelo.

-Querida – Minha mãe chamou sentando-se ao meu lado – Acalme-se.

-Isso não é justo, mãe... Não é justo. Como eu posso escolher entre casar com James ou mandar o amor da Rose para a morte? Isso é cruel!

-Eu sei... Eu sei! Seu pai é mesmo um monstro.

Aquilo realmente era de espantar qualquer um. Sentei-me na cama depressa e olhei minha mãe com assombro.

-O que a senhora disse?

-Isso mesmo – Ela respondeu já chorando – Seu pai é um monstro.

-Mãe – Segurei as mãos dela – Isso tem algo a ver com seu comportamento de ultimamente?

Reneé assentiu e começou a chorar violentamente.

-Me conta mãe, desabafe comigo.

-Não posso, não posso.

-Pode sim, olha pra mim – Ergui seu rosto – Vamos fazer uma coisa, a senhora me conta o seu segredo e eu conto o meu.

-Você tem um segredo filha?

Assenti.

-Tudo bem...

Ela chorou mais um pouco.

-Bella, há algum tempo eu soube que seu pai tinha uma amante – Ela soluçou – E quando eu descobri ele... Ele a matou!

-O que?

-Sim... Ele é um monstro, um monstro. Agora conte-me o seu, o que perturba você meu amor...

-Mãe esse é o maior segredo da minha vida...

-Pode confiar em mim, eu juro que vou levá-lo para o túmulo.

Olhei nos olhos de Reneé e senti que podia confiar nela.

-Mãe, eu estou apaixonada por um judeu.

Notas finais
O que acharam? Digam-me

Bjks até o proximo o/