O judeu

8 O Demônio


Notas iniciais
Não desisti da fic ok pessoal? Eu apenas estou sem tempo, mas vou conclui-la prometo. Desculpem a demora! Desculpa, desculpa! Bjs vamos lá...

–Mentira! – Reneé exclamou assombrada – Pelo amor de Deus me diga que isso é mentira minha filha...

–Não mãe, não é. Eu realmente me apaixonei por um judeu... Eu o amo com todas as forças do meu ser.

–Como isso foi acontecer? – Minha mãe começou a chorar desesperadamente – O que fiz para merecer isso meu Senhor? O que eu fiz?

–Mãe... A senhora prometeu...

–Não vou contar nada a ninguém, nunca! – Ela me encarou com os olhos repleto de lágrimas – Se seu pai souber ele te mata... Não permitirei que uma desgraça dessas aconteça conosco.

–Mãe...

–Nós vamos dar um jeito – Ela limpou as lágrimas com as costas da mão trêmula – Você pode voltar à Berlim... Fique com Rosalie até que essa loucura passe.

Foi a minha vez de encará-la estupefata.

–A senhora enlouqueceu? Eu não vou a lugar nenhum, não sem o Edward! O amor não é uma doença que simplesmente “passa”, mãe.

–E o que pretende fazer? Continuar com essa insanidade Isabella?

–Vou ficar com ele, mesmo que tenhamos que morrer por causa disso.

–E nós? Você não pensa na sua família?

–Que família? – Resfoleguei atordoada – Charlie é um monstro e Natalie me odeia! Eu só tenho a senhora e o Oliver... Mas, vocês podem sobreviver sem mim.

–Você está fora de si... Não posso aceitar isso... Não posso!

Tomei as mãos dela nas minhas na esperança de que o contato físico atenuasse seu desespero.

–Eu o amo, mãe – Declarei olhando-a no fundo dos olhos – Amo de todo o meu coração...

–Mas, ele é um judeu... – Ela sussurrou derramando ainda mais lágrimas.

–E é humano... Ele escreve poesias e tem o sorriso mais lindo do universo... Ele consegue ajudar os companheiros mesmo estando tão fraco quanto eles e, quando estou com ele me sinto a pessoa mais feliz desse mundo. A senhora não consegue entender isso?

–Isabella... Minha filha – Ela me puxou para um abraço – Eu te amo tanto... Tanto... Não consigo imaginá-la morta, por favor, não se envolva com ele...

–Tarde demais... Eu já estou envolvida e nada nem ninguém poderá mudar isso.

Naquela noite tive pesadelos horríveis com a minha morte e de Edward. Meu cérebro conseguiu projetar infinitas formas de sermos assassinados. Acordei no meio da madrugada, ofegante e trêmula. Sentei-me na cama e tentei controlar minha respiração descompassada, parecia que meus pulmões iam explodir a qualquer momento. Meu coração batia acelerado e o suor fazia as minhas roupas grudarem no corpo. Eu estava com tanto medo! Desejei profundamente que Oliver estivesse dormindo comigo, pois a solidão em meu quarto escuro parecia um monstro horripilante prestes a me atacar. Afastei as cobertas e voltei a me deitar abraçando os joelhos. Imediatamente meus pensamentos vagaram até Edward... O meu judeu que naquele instante deveria estar tentando dormir em seu desconfortável beliche de madeira, sendo imprensado por vários corpos fétidos e enfermos. Fechei os olhos com força e exalei um gemido sofrido quando o choro desesperado tomou conta de mim, me fazendo estremecer dos pés à cabeça. Eu queria salvá-lo... Queria leva-lo para longe de Auschwitz, para longe da Polônia... Para longe de Hitler.

Acredito que o cansaço foi o que me fez adormecer. Na manhã seguinte despertei com os sacolejos de minha mãe e sua voz baixa e contida chamando o meu nome.

–Isabella acorde...

–Oi mãe... – Sussurrei meio grogue me sentando na cama e bocejando longamente.

–Seu pai quer que tomemos café juntos.

–O que? Por quê?

–Você sabe que ele gosta de ter a família sempre reunida – Ela disse com um sorrisinho. Nem parecia a mulher cheia de mágoa e raiva da noite anterior. Não importava o que acontecesse, Reneé sempre seria a mulher submissa que abaixava a cabeça para tudo o que o marido dissesse.

Foi impossível não me enfurecer.

–Sério mãe? Você ainda quer ficar perto daquele monstro?

–Não fale uma coisa dessas – Exclamou me dando um tapa no braço – Não é porque está com raiva dele que pode ficar ofendendo! Ele ainda é o seu pai!

–O meu pai morreu para mim no dia em que deixo aquele maldito soldado me surrar!

Reneé suspirou profundamente e então assentiu.

–Certo. Fique com raiva, faça o que quiser... Mas, se você pretende continuar com essa sua loucura sugiro que pense muito bem antes de declarar guerra ao seu pai. Lembre-se de que ele pode proibir sua entrada naquele campo!

As palavras de Reneé surtiram em mim o mesmo efeito de um soco no estômago. Aquela era a mais pura verdade... Eu estava definitivamente nas mãos de Charlie.

–Vou me vestir e já desço para o café – Anunciei levantando-me da cama e indo para o banheiro.

–É o melhor que você faz – Minha mãe concluiu e suspirou aliviada.

Arrumei-me o mais depressa que pude. Vesti roupas bonitas e me perfumei bastante, pois iria a Auschwitz após a refeição. Já não me aguentava mais de saudades de Edward. Com um sorriso espontâneo no rosto por saber que em breve o veria, desci os degraus da escada e me encaminhei para a sala de jantar. Infelizmente meu sorriso morreu e deu lugar a uma careta quando vi James sentado à mesa com minha “família”.

–Bom dia – Ele me cumprimentou levantando-se depressa a fim de fazer-me uma saudação. Não o respondi.

Fechei a cara e sentei-me ao lado de Oliver, bem distante dele.

–Onde estão os seus modos Isabella? – Charlie perguntou num tom irritadiço.

–Devem estar perdidos junto aos judeus nojentos na enfermaria que ela trabalha – Natalie disse encarando-me com deboche.

Respirei fundo e usei todo o meu autocontrole para não enfiar meu garfo na garganta dela.

–Vai recuperá-los quando se casar e voltar para Berlim – Charlie concluiu voltando a dar atenção ao café da manhã.

Eu sabia que era inútil discutir com ele e continuar insistindo que não me casaria com James nem que me matassem. O melhor a fazer era ignorar a tudo e a todos enquanto pensava num jeito de fugir com Edward para longe daquele inferno. Comi um pouco da massa doce de trigo que Miriam havia preparado e bebi um pouco de leite fresco, era mais do que suficiente. Estava na hora de ir ver o meu judeu.

–Vou trabalhar – Anunciei levantando-me da mesa.

Para o meu espanto Charlie não protestou. Continuou bebendo o café e lendo uns papéis tranquilamente, como se eu simplesmente não tivesse falado nada.

–Quer que eu a acompanhe? – James perguntou fazendo menção de se levantar também, mas eu o cortei imediatamente.

–Não. Quero ir sozinha, não preciso de mais cães de guarda no meu pé. Termine a sua comida e, por favor, se engasgue com ela e morra.

Sai de lá antes que pudesse ser atingida pela fúria que com certeza acometeu Charlie naquele momento. Passei depressa pela cozinha e coloquei dois pães doces e duas maçãs na minha bolsa para levar para Edward. Pedi ao motorista que levasse ao campo, não tinha muito tempo a perder.

Fiquei sozinha na enfermaria por quase toda a manhã. Nenhum ferido apareceu para ser tratado e tampouco vi Edward. Eu já estava ficando preocupada.

–Hei você! – Chamei um dos soldados que passava ali perto. Tinha acabado de ter uma ideia.

–Sim, senhorita?

–Pode me acompanhar num passeio pelo campo?

–O que? Como assim?

–Quero andar um pouco. Está muito quente na enfermaria e preciso pegar um pouco de ar. Não tenho coragem de vagar sozinha por ai... Você sabe...

–Sei... E nem deveria também. Esse porcos podem parecer mortos-vivos, mas sabe-se lá o que se passa na cabeça deles. Podem tentar algo contra a senhorita.

Tive que usar toda a minha arte de encenação para não xingá-lo e dizer que o porco era ele. Ao contrario disso coloquei o sorriso mais encantador nos lábios e voltei a falar.

–Vai me acompanhar ou não?

–Claro. Será um prazer. Mas, não podemos andar por qualquer lugar.

–Sim, eu sei.

Começamos a caminhar aos arredores da enfermaria. Não havia nada de agradável para olhar, muito pelo contrário. Todas aquelas cercas, pessoas magras e desnutridas trabalhando quase desfalecendo e os odores das fumaças negras que saiam das chaminés quase me deixavam louca. Meu verdadeiro desejo era sair correndo dali para o mais longe possível. Era um local horrível demais para se estar. O meu plano era andar pelo campo à procura de Edward, entretanto o soldado não me deixava sair daquele perímetro e assim minha busca estava sendo totalmente inútil. O desespero começava a me assolar.

–Vamos voltar – Falei com a voz embargada, tentando expulsar da minha mente a ideia de que aquele cheiro de carne queimada não era do corpo de Edward.

Permaneci sentada na maca por alguns minutos, chorando baixinho e pedindo a Deus que o meu judeu estivesse bem. Só de imaginá-lo morto o meu corpo inteiro doía como se estivesse sendo esfaqueado, eletrocutado e espancando, tudo ao mesmo tempo.

–Bella...

A voz dele soou em meus ouvidos como a melodia de uma música cantada por anjos.

–Edward... – Sussurrei pulando da maca e me lançando em seus braços sem me importar sem alguém nos via.

–Acalme-se – Ele afagou meu cabelo. Eu tremia inteira.

–Pensei que... Pensei que...

–Eu sei... Eu sei meu amor, mas estou aqui e estou bem.

Ele me afastou minimamente segurando-me pelos ombros para que o encarasse. Edward estava com uma aparência mudada, mais limpo e com uma roupa diferente do habitual traje listrado dos prisioneiros.

–O que... O que houve?

–Fui escolhido para o Sonderkommando.

–Eu não sei o que isso significa... É algum grupo especial?

–Sim. Mais ou menos. Eles escolhem entre os prisioneiros mais fortes o pessoal para trabalhar nos serviços que não estão a fim de fazer... Tipo enterrar cadáveres.

Arrepiei-me inteira só por ouvi-lo falar uma coisa daquelas. Quanta maldade meu Deus!

–Você está bem?

–Na medida do possível. Não é o serviço mais esplendido do mundo enterrar os próprios companheiros, nem limpar as câmaras de gás... Mas, pelo menos temos um tratamento “especial” tomamos mais banho, dormimos e comemos melhor.

–Oh meu amor – Acariciei seu belo rosto – Isso é ótimo.

–De certa forma sim – Ele deu de ombros.

Edward estava muito estranho. Seu olhar sempre tão lindo e vívido parecia ter morrido e escurecido.

–O que está acontecendo? Conta pra mim...

–Não, Bella. Vamos apenas aproveitar e...

–Me conte Edward – Falei num tom sério. Novamente me desesperando.

–Certo... Acho que nenhum de nós pensou que teríamos um final de conto de fadas – Ele sorriu tristemente – Bom, a minha nova função tem lá seus benefícios, mas há um preço a se pagar...

–Preço? Que preço?

–Nenhum Sonderkommando sobrevive mais de dois meses... Às vezes chega a três, mas a maioria é exterminado antes disso.

–O que? Como assim?

–Acredite você ou não os outros prisioneiros tem mais chances de viver do que nós. Podem ir escapando das câmaras por meses e meses, mas o nosso pessoal não. Os nazistas nos exterminam assim que acham que está na hora de renovar o grupo... E eles fazem muito isso.

–Oh meu Deus... Não Edward... Não...

Eu o abracei e comecei a chorar.

–Fica calma... Pense apenas no tempo que já passamos juntos...

–Eu vou tirar você daqui... Vou dar um jeito...

–Bella...

–Vou dar um jeito – O encarei – Eu prometo.

Edward assentiu e me beijou com carinho. Todo o mundo parecia deixar de existir quando os lábios dele tocavam os meus...

–Que merda é essa aqui?

Afastei-me dele num pulo ao ouvir aquela voz tão conhecida. Olhei para a porta e estremeci até os ossos ao encarar aqueles olhos satânicos que nos perscrutava com o mais puro horror. Não pude falar nada devido ao choque e quando voltei a mim já era tarde...

–Bella? Quem era? – Edward perguntou – Parece que você viu um demônio!

–Aquela pessoa é muito pior do que qualquer demônio... É pior até que o próprio diabo...

–Quem é Bella?

–Minha irmã Natalie – Sussurrei chorando desesperada – Eu preciso ir atrás dela antes que ela encontre Charlie e assine a nossa sentença de morte...

Notas finais
A fic acaba no próximo capitulo... O que acharam? Beijos!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.