O jogo do deus

15 Um final recheado de cookies


Notas iniciais
"Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam? Tantos. Não ser um desses, é a tua missão." - Richard Bach

– E ai pessoal, olhe quem está de volta! — disse Ralf, que já havia recuperado suas forças — não precisam mais sentir a minha falta.

Quando viram que o grupo estava de volta todos correram para se abraçar, e o momento de reencontro durou até que Ralf estranhou a falta de Louyse, afinal, já era para ela estar de volta.

– Há uma coisa que você precisa saber sobre a Lou, Ralf — disse Fred, que notou o olhar preocupado de Ralf e também já desconfiava de seus sentimentos pela garota — no caminho para cá, como estava descalça, ela acabou pisando em uma espécie de espinho venenoso, e infelizmente, e eu não sei como curá-la, ainda mais que os sintomas que ela está revelando não são nada bons. Eu sinto muito mesmo cara, eu realmente queria poder fazer algo.

– Onde está ela Fred? Onde você a deixou? — disse Ralf, que ficara mais branco do que já era — Me mostre agora! — disse já entrando em pânico.

– Está bem, só se acalme — disse ele ficando com medo do amigo — venha comigo.

Quando Ralf viu Lousye, deitada em um canto da caverna, com uma cor roxa esverdeada na pele, cheia de ferimentos parecidos com bolhas de sangue, ele pode jurar que ia desmaiar ali mesmo naquela mesma hora. O que havia acontecido com aquela linda garota da pele morena e olhar travesso que ele adorava? O que acontecera com toda aquela energia e alegria que ela sempre transmitia à ele apenas com um sorriso? Ele não sabia. E tudo aquilo deixou-o em estado de choque. Ele realmente entendeu o que Andrew sentira ao ver Mellanie morta no chão. Ele não sabia o que pensar ou falar.

– Não! — gritou aos prantos Katherine, que pelo visto já havia ficado sabendo da história toda — eu não vou deixar que isso aconteça, não dessa vez — falou ela como se pudesse fazer algo.

Então ela correu e se ajoelhou ao lado de Louyse, abraçou-a, e se pôs a chorar. Fre Ralf queria se juntar a ela, mas não teve coragem. Então ele sentou em outro canto, e chorou sozinho. Ele realmente não entendia o que era o amor.


–---------------------------------------–--------X---------------------–----------------------


– Vamos gente, temos que ir logo — ordenou Kaya — se quisermos que Lou tenha alguma chance de viver temos que levá-la logo para a Casa Grande, e eu também estou cansada de ficar aqui, eu quero deitar na minha cama de uma vez.

E eles partiram. Ralf carregou Louyse no seu colo por todo o percurso, mesmo que aquilo fosse difícil, era uma chance de ele ficar ao seu lado. Fred levava Summer, que estava sedada por alguma coisa que Jake havia metido goela abaixo. O resto caminhava tranquilamente, felizes por estarem voltando, mas com a consciência pesada por tudo que tinha acontecido.

Quando conseguiram avistar o fim da floresta, os chalés e a Casa Grande, o humor de todos melhorou rapidamente, Lilie, Alice e Alicia saíram correndo para chamar reforços e avisar que estavam de volta.

– Você é lenta demais Alicia! — gritou Alice dando risada para a garota que estava logo atrás — vamos, mexa-se !

Chegando na Casa Grande Lilie vê uma garota que pelo o que ela lembrava era do chalé de Atena.

– Olá, você teria alguns cookies para me dar? — disse Lilie começando a rir.

– Vocês estão de volta! — disse a garota de Atena, parecendo alegre demais — Vamos para o refeitório, vou chamar o resto dos campistas — e ela saiu correndo.

As garotas esperaram o resto do grupo chegar até a frente da Casa Grande e então seguiram todos para o refeitório, a não ser Ralf e Jake, que correram em direção ao Chalé 7 em busca de ajuda. Quando todos os campistas estavam instalados em suas mesas, que já haviam sido concertadas juntamente com o resto do refeitório graças aos projetos do pessoal de Atena, a mão de obra dos filhos de Hefesto e a organização dos campistas de Afrodite, todos sentiram um tremor vindo do subsolo e um cheiro de uvas fresquinhas pelo ar. Ele tinha voltado, com toda a certeza para pegar sua adaga e dar no pé, mesmo que Kaya tivesse jurado para ela mesma que iria cravá-la naquela cara rechonchuda de Dioníso.

Ele aparece na parte mais alta do refeitório e começa a falar — olá meus queridos campistas, sentiram saudades? — houve mais de um resmungo vindo dos semideuses — Enfim, vamos ao que interessa, pelo que fiquei sabendo conseguiram minha preciosa adaga de volta não é mesmo?

– Sim, ela está comigo — disse Kaya num tom alto que fez sua voz ecoar pelo refeitório.

– O que está esperando então, entregue-a para mim de uma vez!

– Antes, cumpra a sua parte do trato, tire a coloração roxa da pele dos campistas, e é claro, nossos cookies.

– Está bem, está bem — disse Dioníso estalando os dedos fazendo a cor dos meio-sangues voltar ao normal e aparecer grandes tigelas de cookies em todas as mesas — feliz agora? Bem,não me importa, apenas me dê a adaga.

Kaya andou até Dioníso mas antes de entregar a arma, parou — espere, você deve estar querendo uma explicação para o que aconteceu?

– Não eu não quero, agora me entregue a adaga Kesley.

– Eu creio — falou Kaya ignorando o comentário de Dioníso — que você deve tomar mais cuidado com o tipo de semideuses que o senhor acolhe aqui no acampamento, pois o roubo de sua adaga foi comandado por ela! — disse apontando para Summer, o que ninguém tinha percebido que estava amordaçada no fundo do refeitório — E com a ajuda de Jano, que graças a sua competência na segurança do acampamento, já havia sequestrado dois campistas e os mantinha presos e sob suas ordens — disse ela referindo-se a Sophie e o outro garoto — e também, graças a sua competência em conseguir ser roubado por um mero deus menor, nós perdemos uma campista, Mellanie Carver do chalé de Íris, está morta — ela esperou todos refletirem suas palavras, como ela gostava disso — e temo que se o pessoal de Apolo não conseguir curar Louyse, também perderemos ela. E mais uma coisa caro Sr. D., pense duas vezes antes de por as nossas vidas em risco por uma bobagem — disse Kaya se sentindo triunfante. E antes de se virar e voltar para o lugar, ela ergueu a adaga de modo que ficasse a altura dos olhos, e então a jogou no chão de mármore do refeitório provocando um alto tilintar.

Caminhando de volta ao seu lugar, Kaya foi aplaudida pelos outros campistas, que não se importavam com o que Dioníso pensaria sobre eles estarem aplaudindo sua humilhação. Dioníso não respondeu, apenas se abaixou, juntou a adaga, ficou de cabeça baixa e sumiu em uma grande nuvem de fumaça roxa. Eles haviam ganhado o jogo do deus.

– Uau Kaya, eu realmente pensei que ele iria te fatiar ali mesmo — disse Alice.

– Por um momento também pensei nisso — respondeu ela sorrindo — mas eu tinha que por tudo aquilo pra fora. E como está a Lou? Está melhor?

– Não sabemos ainda, Jake, Ralf e Katherine estão no chalé de Apolo com ela — respondeu Fred.

– Vocês não acham que deveríamos ir lá? — perguntou Lilie.

Mas antes que alguém pudesse responder, eles enxergaram quatro vultos se aproximando do refeitório vindos dos chalés, como era noite eles não conseguiram identificar quem era até estarem iluminados pela luz das tochas que crepitavam nas colunas do refeitório. Eram eles, Ralf, Jake, Katherine, e Louyse. Ela sobrevivera, e o grupo de resgate, que sentaram na mesma mesa aquela noite, não esperaram eles chegarem e já começaram o alvoroço, gritaram, bateram palmas, e correram em direção ao quarteto para abraçá-los.

– Nunca, mas nunca mais mesmo, tente morrer outra vez entendido? — disse Alice para Louyse arrancando um riso da garota.

– Isso ai, não nós mate de preocupação de novo — disse Katherine abraçando-a, e com isso, todos deram um abraço em grupo que mais parecia um bolo humano.

– Onde está Andrew? — perguntou Ralf notando a falta do amigo.

– Está lá sentado de olho na Summer — disse Alicia.

– Falando nisso, o que faremos com ela? — perguntou Fred.

– Eu andei falando com um garoto quem a mãe é diretora de um reformatório — disse Kaya — ele disse que consegue uma vaga para ela por quanto tempo for necessário, Achei uma boa ideia mandá-la para lá, um carro deve de chegar daqui uma hora para levar ela.

– Boa ideia, agora, o que acham da ideia de se empanturrar de cookies em frente de uma bela fogueira? — disse Katherine sorrindo.

– Ta aí uma ótima ideia — respondeu Ralf — um pouco de paz não faz mal a ninguém — disse ele estendendo sua mão para segurar a de Louyse.


–-----------------------------–----------------X---------------–------------------------------

Com Summer entregue ao cara do reformatório os campistas foram para a tradicional fogueira se deliciarem com seus cookies das mais diversas coberturas e sabores.

– Isso sim é vida boa — disse Lilie sentada bem perto da fogueira para suas amigas fazendo-as rir.

Tudo era motivo de riso naquele momento, até Andrew já havia melhorado de humor, ainda sentia falta de Mellanie, mas com o apoio de todos ele estava se sentindo mais seguro aos poucos. Estava até conversando animadamente com Sophie, a garota nova, talvez dali um tempo até surgisse um novo romance, ninguém sabe. Katherine e Fred mesmo não tendo revelado o que sentiam um outro já deixavam transparecer a felicidade de estarem um ao lado do outro, comendo cookies e dando risada. Jake gabava-se para seus irmãos sobre como ele tinha sido útil na missão.

Ralf observava tudo isso, toda aquela alegria, aqueles sorrisos, todo aquele sentimento de esperança que surgia nos olhos de cada um, a superação dos momentos ruim, a aceitação. Ele observava tudo isso de longe, sentado em banco mais afastado do tumulto. E então, ele olhou para baixo, para o rosto angelical de Louyse que durmia tranquilamente em seu colo. E ele viu, ele realmente entendeu no que se resumia o amor.

Notas finais
Agradeço a você que leu toda a história e gostou, seus cookies serão sempre deliciosos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!