O jogo das sombras
1 Capitulo 1 - Olhos que veem demais
AVISO: Os personagens do universo Naruto pertencem a Masashi Kishimoto. Esta é uma obra de fã, sem fins lucrativos.
A chuva caía incessante, como se o céu lavasse os pecados que se acumulavam naquele esconderijo esquecido do mundo. Cada gota estalava contra as pedras negras, criando uma melodia fria que embalava os monstros ali reunidos.
Ela chegou sem aviso, silenciosa como um segredo bem guardado. Um manto escuro cobria seu corpo esguio, mas não escondia a presença que impunha respeito e inquietação. Quando seus pés tocaram o chão molhado, era como se o ambiente contivesse a respiração.
Pain observava de cima, os olhos impassíveis. Ele não precisava falar — sua autoridade pesava mais do que palavras. Mas mesmo ele, dono dos Seis Caminhos, sentiu algo diferente. Algo... desequilibrado.
A figura encapuzada ergueu o rosto. E então os viu.
Os olhos.
Não era um mero Rinnegan — havia algo a mais. As espirais profundas giravam para dentro, com um brilho prateado e silencioso que fazia até os mais confiantes vacilarem. Aqueles olhos pareciam observar passado, mentira e intenção, tudo ao mesmo tempo.
Os cabelos negros escorriam por seus ombros, longos, lisos, com reflexos azulados à luz fraca do esconderijo. Sua pele era alva, quase pálida, como quem vive mais nas sombras do que sob o sol. No lóbulo da orelha, um pequeno brinco em forma de lua minguante reluzia discretamente — símbolo de sabedoria, ou aviso silencioso.
— Você não foi chamada — disse Pain, com firmeza.
— Eu nunca esperei um convite. — A voz dela era baixa, precisa, cortante. Como se cada palavra tivesse sido escolhida com cálculo cirúrgico.
Tobi apareceu no canto da sala, a máscara laranja iluminada pelo reflexo da água.
— Ela é ousada — murmurou com um tom brincalhão, mas havia algo tenso por trás da sua leveza.
— Ousadia e propósito andam juntos — respondeu ela, sem virar o rosto.
Zetsu emergiu da parede como uma sombra viva, os olhos semicerrados, analisando-a com interesse. O lado branco sorria. O lado negro permanecia em silêncio.
— E qual é o teu propósito, garota? — perguntou Zetsu, curioso.
— Você quer destruir? Obedecer? Trair?
Ela sorriu. Pela primeira vez.
— Quero ver o que se esconde quando o poder pensa que não está a ser observado.
Um silêncio desconfortável caiu sobre os presentes. Até mesmo Pain hesitou. Aquela resposta não era comum. Não era... segura.
Ela deu um passo adiante, os pés firmes, o olhar inabalável.
— O meu nome é Natsume Enma — disse, com naturalidade. — E eu vim jogar.
Pain não respondeu. Tobi desapareceu tão rápido quanto surgiu. Zetsu recuou, mas manteve os olhos nela, intrigado.
Ela foi deixada ali. Ninguém a impediu de entrar. Ninguém a convidou a sair.
No mundo da Akatsuki, o perigo nem sempre entra gritando.
Às vezes... chega em silêncio, com olhos que veem demais.
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