O início do fim de tudo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Você deve fugir
E se ficar
Vai morrer
Não queira ver
Atrás do manto nas sombras
Porque o uivo a noite não é a do lobo
Bato o pé no chão tentando suprimir meu nervosismo. Sacudo meus ombros duas vezes lentamente para trás e adoto uma postura ereta. Confiro se minha colt está bem presa no coldre e se minha M16 está carregada, embora já tivesse conferido umas vinte vezes a viagem toda.
O que me acalma é o ruído constante da hélice acima do helicóptero. Levanto a cabeça e encaro os olhos azuis do meu companheiro, buscando algum refúgio dentro daquele oceano cintilante de íris. Benjamim me lança um sorriso de canto. Retribuo o sorriso e respiro fundo, olhando pela janela para a cidade destruída recentemente pela guerra entre os rebeldes e o ditador. Há alguns meses, nós, os rebeldes, estamos tentando derrubar o sistema, travando uma guerra que está matando o país, pois esse é o único jeito de acabar com Trevor, o diabólico ditador que domina o país.
Babilônia, seu antigo reino, agora é a toca onde Trevor se esconde, sabendo que mais da metade da nação quer vê-lo morto. Isso não aconteceria se ele não tivesse posto em prática seus projetos insanos de usar humanos como cobaias para experimentos afim de achar a cura para o câncer, aids, tentar reparar síndromes e melhorar a resistência da saúde humana. Trevor havia prometido isso em suas eleições, mas não explicara como iria realizar esses procedimentos. Todavia, hoje sabemos, graças a um traidor de Trevor, que a sujeira do ditador vai muito além, desde experimentos absurdos a escravização de aldeias pequenas do interior. Soubemos até de um massacre ocorrido no país vizinho, o qual mantínhamos um bom convívio por décadas e que agora estão em contrito conosco.
Nossa facção rebelde, a Ataque Revolucionário, nos mandou, Benjamim e eu, em uma missão para terminar com o pesadelo da população, matando o ditador. E vou matar Trevor, nem que seja a última coisa que eu faça.
Vinte minutos depois, pousamos e seguimos o restante do caminho a pé. Quando chegamos a Babilônia, congelo. O que vejo é um mar de sangue ao redor do palácio central. Posso contar pelo menos duzentos corpos caídos no chão. Entre os mortos há mulheres, crianças e idosos. Todos seguravam cartazes de protesto, lutando por justiça. E posso presumir que Trevor é o autor dessa selvageria.
Caminhamos por entre os cadáveres, o silêncio assustador pairando no ar. Nenhum guarda protegendo o palácio. Tento não pisar em ninguém enquanto ando. Olho para Benjamin e ele sustenta meu olhar, tão aterrorizado quanto eu.
Sem querer, tropeço na mão de um homem com um furo nas costas. No segundo seguinte, o morto em quem tropecei agarra meu pé e me puxa para o chão. Caio por cima de outros corpos e sinto mãos envolvendo-me com força. Vejo os olhos totalmente brancos do homem em meu tornozelo e percebo que ele não é mais humano, entendendo que esse é mais um experimento de Trevor. Sinto uma mordida em meu pescoço, despedaçando minha carne e a última coisa que eu penso antes de morrer é que, depois do que eu vi nos olhos do cadáver, o país não tem mais salvação. É o fim de tudo.
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