O ingrediente que faltava
3 Capítulo Dois
Notas iniciais
POV Sam
Assim que voltei novamente ao meu posto, recomecei de onde havia parado na receita.
Mas dessa vez sem nenhuma interrupção.
O que foi bom de certa forma.
Pois conseguir me concentrar ao máximo no que fazia.
Ao fundo soava uma música calma do fundo do meu Peraphone.
Assim que a massa ficou pronto coloquei no forno para assar.
Apoiei meus braços na grande mesa que preparava á maioria dos pratos do cardápio.
Um som agudo preencheu o local e não era a música.
Forno apitava, havia programado para avisar e não passar mais do que o ponto recomendado.
E assim passei a maior parte do dia.
Preparando cada vez mais bolos, doces, tortas.
Para algumas pessoas pode achar um completo tédio ficar "enfurnada" por muito tempo em um lugar só.
Mas não eu.
E tem duas possíveis respostas para isso.
Primeiro:: Amo tanto o que faço que não me importa o lugar. E ás vezes é até melhor ficar sozinha, porque com um aglomerado número de pessoas perto falando, rindo, conversando pode atrapalhar meu desempenho.
Segundo:: Não sou normal.
Quer dizer no meu ponto de vista não existe um ser humano normal.
Digo, inteiramente.
Todos tem o seu lado mais louco dentro de si.
E querendo ou não deixa amostra de vez em quando.
Até porque ás pessoas tendem a falar muito dessa palavra "normal".
Mas define normal?
O que seria?
Naturalmente que cada um tem o seu modo de achar o que seria.
E dessa forma com opiniões diferentes á cerca disso, acabaria num debate interminável, pois ninguém concordaria com a definição um do outro.
Como previa ás cinco da tarde, que era o horário do famoso chá das cinco ou chá da tarde, o movimento aumento consideravelmente.
Ou seja o movimento na cozinha também.
Porque fazia diferentes pratos.
E foi assim até o horário de fechar ás nove horas.
Eu era a encarregada de fechar o estabelecimento, pois fui a última a sair, mas normalmente é a pessoa que fica no caixa.
Assim que pus os pés fora da doceria, pude inspirar o ar de Seattle.
O tempo estava frio.
O vento gelado voltava contra mim me fazendo tremer.
Puxei meu sobretudo mais ainda sobre o corpo para tentar aquecer o quanto podia.
Chamei um táxi que para minha sorte não demorou a aparecer.
Informei o endereço para o taxista que seguiu a viagem.
O táxi parou em frente a um prédio alto de um bege pouco desgastante.
Paguei e me desejou boa noite, o que lhe também desejei.
Entrei no prédio, pegando o elevador quando parou no térreo.
No elevador estava mais quente no que na rua, obviamente.
Parei em frente de uma porta pegando um molho de chave.
Assim que entrei pude sentir o ar aconchegante que sempre me confortava.
O segundo lugar que mais gostava além da minha cozinha particular na Cake.In, era sem duvidas meu apartamento. Minha casa.
Caminhei pelo corredor chegando em meu quarto onde deixei minha bolsa em cima da cama.
Caminhei para o banheiro tirando em seguida meu sapato e me despindo.
Precisava de um bom banho urgente.
Entrei no box e liguei o chuveiro.
Assim que a água entrou em contato com a minha pele me senti relaxar.
A água era o calmante perfeito para mim.
Tirava toda minha tensão ou preocupação que tinha.
Permaneci longos segundos embaixo d'água relaxando e tirando qualquer negatividade presente em mim.
Assim que me senti melhor, decidi por dar fim ao banho.
Me enrolei na toalha e sequei meu cabelo com outra toalha, deixando para secar depois naturalmente.
Descalça refiz o caminho do quarto.
Vesti minha camisola de flanela que me esquentava e fazia lembrar minha infância.
Na cozinha preparei bacons e ovos, e tomei um suco de laranja.
Me sentei numa cadeira de balanço(meu xodó) que havia perto da sacada.
Pelo vidro fechado da sacada podia ver a rua completamente deserta por conta do tempo.
Podia imaginar que a maioria das pessoas estariam em suas casas no lugar mais perto do aquecedor tomando um bom vinho ou com aconchegados se mantendo aquecidos junto de seus namorados, maridos.
Suspirei.
De certo estou aquecida, tomando meu chocolate quente, receita de família.
É como dizem::
"Ninguém quer ser feliz sozinho".
E não seria eu á diferente perante esse fato.
Ás vezes me pergunto::
O que deu errado afinal?
Cumpri com sucesso minha meta para ser bem sucedida em minha profissão.
Mas será que não dediquei tanto na minha profissão e acabei esquecendo ou colocando de lado á questão do amor?
Ao que indica sim.
Se me arrependo?
Nem um pouco.
Pois por um meio ser sou metade feliz é por conta da escolha que fiz.
Mas acho que posso ter exagerado talvez um pouco.
Não sei bem responde com certeza essa pergunta.
Mas a outra parte de mim sabe e culpa um pouco essa dedicação toda que tive.
Essa minha outra parte é solitária.
E anseia por viver uma linda história de amor como nos contos de fadas.
Mas creio que seja tarde para isso.
Será que é mesmo?
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