O inevitável
1 Capítulo 1
Desde pequena, sofro por condições financeiras e de saúde. Meu pai fugiu quando eu tinha 5 meses, não consigo nem me lembrar do rosto dele. Minha mãe queimou todas suas fotos, e sempre me dizia que foi o melhor eu ser uma produção independente. Não sei se meu pai nos abandonou pelo motivo de eu ter a doença grave, ou por não poder suportar a ideia de nos ver sofrendo por conta de dinheiro. Mas ter a minha mãe, é como ter uma família completa. Ela me ama, ela me incentiva a cada dia, achar razões para acreditar no amor e querer viver.
Rosi: Filha, amanhã você começa as aulas no colégio público em que te matriculei. 1º ano, vai começar a pegar pesado, estude e se dedique o máximo que puder.
Pra ser sincera, não curto muito estar na escola. Gosto de estudar, e sou bonita. Mas pela minha condição financeira, isso impede que eu seja alguém sociável. Só que pra ser alguém no futuro, vou dar meu máximo.
Lorena: Claro, mãe. Obrigada por ter se dado ao esforço de me matricular. Vou dar meu máximo, e juro pra senhora que vou te dar muito orgulho. – me aproximei dela e dei um abraço – Eu te amo, mãe.
Rosi: Meu orgulho, eu te amo. – e saiu do abraço –
Decidi que não perderia mais tempo, fui imediatamente arrumar meu material, minha roupa para o dia seguinte e aproveitei para tomar um bom banho. Passei para dar um boa noite para minha mãe, e fui me deitar. Logo adormeci.
Não demorou muito para amanhecer, e a luz do sol invadir o quarto. Apressei para me arrumar. Quando pronta, nem quis tomar café da manhã. Estava muito ansiosa para conhecer meus professores, as matérias que teria que estudar. Logo avistei a casa vizinha, ah. A casa que foi ocupada por um casal com 2 filhos e 1 filha. Deixei de prestar atenção naquela casa e andei nas pressas. Cheguei no colégio, procurei informações de onde seria minha sala. Ninguém quis me responder, não sei se pelo motivo de ser desconhecida ou de não estar utilizando roupas de acordo como todo mundo.
xXx: Perdida, nova vizinha? – um garoto me perguntou –
Lorena: Hã... Só queria saber onde é minha sala. Me desculpe, quem é você? – perguntei estranhando –
xXx: Ah, desculpa. Que falta de educação a minha. Meu nome é Rafael. E o seu, garota linda?
Lorena: Lorena. – fiquei completamente sem graça –
Rafael: Ah, sim. Em que sala você caiu?
Lorena: 1ºB.
Rafael: Que coincidência. Mesma sala que eu. Vamos que eu te acompanho.
Acompanhei ele sem dizer uma palavra, talvez porque estivesse sem graça. Agradeci em um sussurro a ele, e fui me sentar em alguma cadeira perto dos professores. As aulas foram legais, os professores eram bastante competentes, e a maioria das coisas que explicavam, conseguia me identificar. Logo bateu o sinal para o intervalo, fui a última a sair. Vi muitos alunos na fila da cantina, mas preferi comer a merenda da escola, já que a situação estava apertada em casa. Ouvi risos e deboches sobre minha pessoa, mas resolvi ignorar. Assim que terminei de comer, o Rafael se aproximou de mim.
Rafael: Quer um pedaço do meu lanche?
Lorena: Não, obrigada. Já estou satisfeita. – dei um risinho –
Rafael: Então já que você é minha vizinha, gostaria que eu te acompanhasse até em casa?
Lorena: Não seria uma má ideia. – o sinal tocou, e me afastei dele, fui direto pra sala –
As 2 últimas aulas passaram voando. Acabou as aulas e eu estava com um frio na barriga. Que bobagem, até pareço uma criança de 4 anos esperando o transporte para o primeiro dia de aula. Logo o Rafael apareceu, acompanhado de 1 garoto e 1 garota.
Rafael: Esses são meus irmãos. Felipe e a Barbara. – apenas acenei timidamente –
Seguimos caminho até em casa. Durante o caminho, eles faziam algumas palhaçadas, riam, gritavam, me perguntavam coisas. Me mantive quieta na maioria do tempo, até que a Barbara me convidou para almoçar na casa dela. Disse que não, e inventei uma desculpa esfarrapada. Mas a verdade é que não me sinto à vontade na casa de alguém que nem conheço direito. Prefiro comer o almoço que minha mãe deixa pronto no micro-ondas. Um almoço simples, mas feito com muito carinho. E sem contar que sou acostumada a comer de colher. Garfo e faca pra mim, prefiro manter distância. Vergonha de fazer feio. – risos –
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