Dias se passaram desde a última vez que Lee Gon e Jung Tae-eul se viram. A distância entre eles parecia maior do que apenas mundos paralelos. Cada dia sem notícias de Lee Gon fazia o coração de Tae-eul apertar um pouco mais, como se o ar ao seu redor ficasse mais denso e difícil de respirar. A detetive, mesmo imersa em suas investigações, não conseguia tirar Lee Gon de sua mente. As noites eram longas, solitárias, e os pensamentos sobre o imperador se misturavam com a frustração de não encontrar pistas que ligassem seus mundos.

Do outro lado, Lee Gon, mesmo ocupado com as responsabilidades de seu reino, sentia um vazio profundo. Ele tentou se concentrar em suas obrigações, mas a lembrança de Tae-eul, sua presença, seu sorriso, sua força, estava gravada em sua mente. Quando se despediram, havia uma promessa não dita, uma esperança silenciosa de que se reencontrariam. No entanto, a incerteza do futuro pairava como uma sombra sobre eles. Cada minuto longe de Tae-eul era uma batalha contra o desejo de atravessar a porta entre os mundos e segurá-la novamente em seus braços.

Uma noite, enquanto revisava alguns documentos sobre um caso na academia de seu pai, Tae-eul sentiu uma inquietação incomum. A noite estava mais silenciosa do que o normal, como se o próprio ar estivesse segurando a respiração. Ela, distraída pelos pensamentos sobre Lee Gon, decidiu levantar-se para pegar uma garrafa de água. Ao abrir a geladeira, a frieza do metal pareceu arrepiar sua pele, trazendo consigo uma sensação de desconforto. Assim que deu alguns goles, sentiu uma tontura repentina. Sua visão começou a embaçar, as paredes ao seu redor pareciam distorcer-se, e o chão sob seus pés pareceu ceder. Tae-eul tentou se apoiar na mesa próxima, mas a escuridão rapidamente tomou conta dela. O som de vidro quebrando foi a última coisa que ouviu antes de tudo se apagar.

Quando acordou, Tae-eul se viu em um lugar estranho, um galpão escuro e sujo, que exalava um cheiro metálico e mofado. As luzes fracas balançavam no teto, criando sombras que dançavam nas paredes. O desconforto inicial se transformou em pânico ao perceber que estava algemada e com os pés amarrados a uma cadeira de metal enferrujada. A dor intensa em seus pulsos e tornozelos a trouxe à realidade da situação. O medo a dominava, mas Tae-eul não era do tipo que se entregava. Tentou se soltar com todas as forças, mas as algemas eram incrivelmente resistentes. O coração batia forte em seu peito enquanto olhava ao redor, tentando entender onde estava.

Do lado de fora, através de uma fresta na parede, ela conseguia ver vultos de homens reunidos ao redor de uma fogueira, suas vozes abafadas pelo som constante e tranquilizador do fogo crepitando. Cada segundo que passava parecia uma eternidade, e a adrenalina pulsava em suas veias.

De repente, Tae-eul percebeu um par de olhos pequenos e curiosos observando-a através de um buraco na parede do galpão. Era uma criança, seus olhos cheios de medo e curiosidade. Tae-eul sabia que aquela poderia ser sua única chance de escapar. Com um gesto discreto e urgente, ela sinalizou para que a criança se aproximasse. O menino, hesitante, observava o ambiente ao redor, como se pesasse as consequências de sua decisão. Finalmente, vendo o desespero silencioso no olhar de Tae-eul, ele decidiu agir. Com passos leves, quase inaudíveis, ele entrou no galpão. Cada movimento seu era cuidadoso, como se o ar ao seu redor fosse feito de vidro. O menino encontrou a chave das algemas em uma mesa próxima e as abriu com mãos trêmulas.

— Obrigada, sussurrou Tae-eul, massageando os pulsos doloridos enquanto se levantava da cadeira com dificuldade.

— Vamos sair daqui.

Antes que pudessem se mover, o barulho das algemas caindo no chão alertou os homens do lado de fora do galpão. O medo percorreu o corpo de Tae-eul como um choque elétrico, mas ao mesmo tempo, acendeu uma chama de determinação. Mesmo fraca e ainda tonta, ela se preparou para lutar. Os homens se aproximaram correndo, seus passos ecoando como trovões no chão de concreto. Tae-eul sentiu a adrenalina tomar conta de seu corpo, cada músculo pronto para a ação.

O primeiro homem entrou no galpão, sua expressão feroz. Tae-eul, em um movimento rápido e preciso, o desarmou com uma chave de braço, girando o corpo dele no ar e o lançando contra o chão. O impacto foi seco e poderoso, deixando-o atordoado.

Outro homem avançou, mas Tae-eul estava preparada. Esquivando-se do soco que ele desferiu, ela contra-atacou com um jab certeiro em seu queixo, seguido de um chute lateral que o atingiu no estômago, dobrando-o ao meio. Ela podia sentir a tensão no ar, cada movimento tinha que ser calculado. O menino, assustado, observava tudo de perto, seus olhos arregalados de medo e admiração.

— Corra! Gritou Tae-eul, vendo a oportunidade para o menino escapar.

— Encontre um lugar seguro!

A criança, obedecendo ao comando, desapareceu rapidamente por uma porta lateral, suas passadas leves como de um gato. Tae-eul, por sua vez, continuou a luta. Mais um dos homens a atacou por trás, mas ela, rápida, abaixou-se, evitando o golpe e girou seu corpo em um chute alto que o atingiu diretamente no rosto, fazendo-o cambalear para trás. Outro agressor se aproximou, mas desta vez ela agarrou uma barra de ferro caída no chão e, com um golpe poderoso, acertou-o no estômago, deixando-o sem ar e caindo de joelhos.

Com todos os homens caídos ao seu redor, Tae-eul respirava pesadamente, a adrenalina ainda correndo em suas veias. Sua mente estava em alerta, mas seu corpo começava a sentir o cansaço da luta. Ela vasculhou rapidamente os bolsos de um dos homens desmaiados e encontrou a chave de um carro e uma arma. Sem perder tempo, ela correu para fora do galpão, sentindo o ar fresco bater em seu rosto, um alívio temporário. O carro estava estacionado perto da entrada. Com mãos trêmulas, ela destravou o veículo e entrou, sentindo o coração ainda batendo forte. Ela sabia que precisava sair dali o mais rápido possível, antes que mais alguém viesse atrás dela.