Maynard caminhou rapidamente após aquilo. O fato é que ele não tinha nem prestado atenção suficiente na moça, nunca teve um relacionamento amoroso, só se preocupava com seus trabalhos, muito mais agora que não estava obtendo êxito.

Sem qualquer ideia do que iria fazer, acabou desistindo novamente. Ficava frustrado com facilidade.

Passou esbarrando em todas as pessoas que vinham em seu caminho.Voltou para seu minúsculo prédio, que tinha uma aparência horrível, parecia ter sido tirado de um filme de terror. A parede estava descascando e a cor que um dia fora cinza, hoje estava cinza escuro, meio preto. Quase derrubou a porta quando passou por ela, pois as dobradiças estavam muito fracas em fator do tempo e dele próprio, que a batia com frequência.

Subiu as escadas que rangiam, batendo os pés com tanta força que os cupins caiam no chão ao passar.

Em seu apartamento havia papéis rasgados, tinta por toda a parte, embalagens de comida congelada e telas inacabadas. Agora dava para notar o porquê dele não receber mulheres em sua residência.

A única vez na qual apaixonou-se, fora quando estava numa exposição de Da Vinci e ficara fascinado por uma moça que o olhava fixamente. Ela era linda, com seus olhos e cabelos castanhos escuros e a doce forma como parecia sorrir para ele.

Maynard se apaixonara por Monalisa. E fora nesse dia que começara sua obsessão.Voltava todos os dias no mesmo museu para admirar a bela pintura, tentava copiar os mínimos traços do pintor, o que de certa forma destruíra sua cultura, seu estilo. Uma vez quase foi flagrado ao tentar roubar a peça do museu. E quando finalmente se dera conta de que havia perdido toda sua individualidade, já era tarde. Desde então seus bloqueios criativos se tornavam cada vez mais frequentes.