Será que era isso mesmo que estava acontecendo? Eu estava me dando bem com o idiota! Pelo menos por agora.

Acho que eu acabei assustando ele. Talvez.

Não estava pronta para contar nada para ninguém, e com certeza não seria o Yoongi o primeiro a saber.

Esses eram os pensamentos que eu estava tendo quinta de manhã, enquanto caminhava lentamente para a escola. Estava tão distraída que às vezes esbarrava em algo ou alguém, não sei por qual milagre não fiquei com um galo na testa com o encontro fenomenal que tive com uma placa!

Finalmente cheguei lá, passei pelo jardim e fui diretamente a um dos pavilhões que minha sala ficava. Dirigi-me a sala cinco onde ficava o 2º B. Entrei.

Meus colegas de sala me olhavam com curiosidade, acho que estavam querendo saber o que tinha acontecido comigo.

Peguei o rumo ao meu lugar no final da sala, e fui surpreendida por alguém me abraçando por trás. Min Jae.

— Oi amiga! Que bom ver você e em ótimo estado. – Ela me abraçava apertado. – Então sobre o que eu queria falar com você na ligação passada, mas por algum motivo você interrompeu, o Suga estava querendo seu numero de telefone. Ele estava esquisito, eu insisti em não dar, mas ele fez charme com aquele rostinho fofo dele e simplesmente não resisti. Desculpa.

— Tudo bem! – Falei soltando uma risada. – ele foi lá em casa ontem, ficamos conversando um pouquinho.

Ela ia falar algo, mas viu o garoto na porta e sussurrou um “Conversamos mais tarde” e saiu correndo.

Dirigi-me ao meu lugar, e finalmente sentei. Ele fez o mesmo.

— Olha só quem se lembrou de que tinha que estudar. Oi bravinha!

— Oi idiota. – Soltei um sorriso forçado.

Ele se aproximou de mim, e falou baixinho.

— Sabia que você fica fofa quando chora? Me arrependo de não ter tirado foto!

— Pau torto nunca se endireita. Eu aqui pensando que você seria solidário. Já riu da minha desgraça? Ótimo, agora finge que não estou aqui.

Coloquei meus fones para ver se ele entendia que eu não estava com ânimo.

Logo, uma secretária chegou na sala. Seu nome era Kim Dae Hee se não me falhava a memória.

— Turma, hoje vocês terão dois horários vagos. Seu professor de coreano teve que ir a um compromisso que surgiu de ultima hora, então por esses dois horários estarei liberando vocês para área de lazer.

A área de lazer tinha um jardim muito bonito, uma quadra de futebol que se transformava em vôlei e outra de basquete que virava uma quadra de tênis.

Os alunos comemoraram. Eu simplesmente quis ficar na sala, lendo um livro, escutando música.

O Yoongi estava perto da porta e a Min Jae veio em minha direção quase gritando se eu não iria sair.

— Não amiga, quero ficar um pouco sozinha, ainda tenho medo de sair no sol e meu nariz sangrar. – Menti, era necessário. Talvez.

— Tudo bem... – Ela saiu com a cabeça abaixada.

Coloquei meus fones e escolhi uma de minhas músicas, estava planejando terminar de ler meu livro naqueles dois horários vagos, até que o idiota sentou-se em sua cadeira.

— O que é que você tá ouvindo aí baixinha? – Ele retirou um dos meus fones. – Legal, mas um pouco triste não acha?

Soltei um suspiro, e comecei encará-lo sem dizer uma palavra.

— Que foi baixinha? – Ele agora retirou meu fone do celular e plugou no dele. – Você precisa de umas músicas mais animadas. – Ele selecionou Cheer Up do Twice. Então, ele escuta Twice?

— Posso saber o que você está fazendo? E o que quer?

— O que estou fazendo é tentando te tirar desse clima triste, e o que eu quero é ver você sorrindo, nem que seja me dando patadas. – Acho que ele ainda se sente culpado pelo acontecido. – Eu ainda me sinto culpado por aquele dia no parque de diversões.

— Olha Yoongi, já te falei que a culpa não é sua, por isso não se sinta na obrigação de tentar melhorar o meu humor porque não vai dar certo.

— Em parte eu tenho culpa. Se eu não tivesse te beijado você não teria se lembrado desse tal de Jefferson. – Ele me olhava sério. – O que esse desgraçado fez para você? Deixa só eu ver a fuça desse cara para eu ensinar para ele que ninguém meche com minha baixinha, só eu posso tirá-la do sério. – Ele realmente queria me ver sorrindo, e conseguiu.

— Para, idiota. – Estava gargalhando. – Primeiramente não sou nada sua, e segundamente, não enche.

— Essa é a bravinha que eu conheço. – De uma hora para outra, lágrimas brotavam eu meu rosto, mais uma vez ele estava confuso. Deve estar pensando: essa mina muda de humor tão facilmente quanto respira.

— Sabe... O Jefferson não é daqui. Ele mora em outro país, o país onde eu morava. – Ele me escutava atentamente. Eu só podia estar louca. – Ele era meu na... – Fui interrompida.

— Oh, então você está ai? Te procurei pela escola. – Uma garota bonita se aproximava e o abraçou por trás beijando sua bochecha.

— Eun Hae, o que está fazendo aqui? – Nossa que atirada.

— Senti saudades amor, mas e você o que está fazendo com essa sem graça?

— Eun Hae.. – Ele ia falar algo, mas o interrompi.

— Com licença, não quero atrapalhar o casal.

— Mel, não vai...

— Para você é Melissa, Suga.

— Ah, deixa essa sem graça ir!

Como eu dei um vacilo desse? Eu ia contar a verdade para aquele galinha? Mel se acalma, não se atreva a confiar naquele tipo de garoto.

Fui em direção ao banheiro, e lá me tranquei. E mais uma vez chorei um rio de lágrimas. Droga de lembranças, droga de passado.