O idiota mais que perfeito
36 Capítulo XXXVII
Notas iniciais
Era sábado de manhã, e logo cedo acordei para uma caminhada.
Tomei um bom banho quente e servi-me de um bom café da manhã. Algo me dizia que o dia seria difícil.
Ainda não tinha passeado por aquela cidade desde que cheguei, e queria aproveitar o frio, nem que seja correndo!
Vesti-me adequadamente e desci para calçada alongando-me. Não havia muita neve e estava perfeito para uma corrida. Andei por alguns minutos para aquecer-me e comecei a correr. Era cedo e tinha um casal em minha frente correndo feliz. Ele era coreano e ela tinha alguns traços asiáticos. Eles pararam para beber água e dividiram a mesma garrafa. “São namorados”, pensei.
Logo trocaram um beijo rápido e consegui ver o rosto de ambos. Jimin e Melissa.
A raiva subiu-me à cabeça, sentia-me traído pelos dois. Poxa, eles não era amigos?
Não Yoongi, você que foi o trouxa da história se martirizando por ter supostamente traído e humilhado ela quando na verdade eram eles os culpados.
— Então eu me culpei por todo esse ano quando na verdade vocês que me traíram? – Eu falava um pouco alto demais.
— Yoongi? O que faz aqui? – Perguntou Jimin. Melissa não esboçava espanto.
— Pensava que a rua era pública, assim, acho que não vi seu nome escrito nela para eu não poder utilizá-la.
— Mas é um ignorante mesmo! Vamos Jimin, não quero estragar o nosso dia. – Ela pegou sua mão e entrelaçou na dela.
— Melissa sua...
— Vai, completa a frase e você é um cara morto! – Jimin vociferou.
— Puta? É isso que você ia falar? – Ela fala seca.
— E não é isso que você é? Admita que me traiu.
— Que eu saiba puta é a cobra que você cria... Não sei por qual milagre ela não te enforcou. Que eu saiba não devo satisfações da minha vida pessoal a um estranho como você!
— Estranho? Acho que quase fizemos sexo casual há um tempo... Não sabia que tinha ficado com uma qualquer!
— Olha só, um vadio tentando me xingar. Vamos Jimin, não quero estragar o resto do nosso dia!
— E você, mantenha-se distante dela, ou vai se ver comigo! – Ele falou calmamente.
— Vai corno conformado! – Eu chutava as lixeiras.
Droga, droga, droga! Era por essa mulher que eu queria largar tudo? Como eu pude acreditar no idiota do Jimin, como pude ser tão burro?
Peguei um taxi e falei para ele ir andando sem rumo enquanto eu escolhia o destino. De início ele não queria muito, mas depois que mostrei meu cartão ele assentiu e foi em frente.
Novamente eu estava machucado e acabado, triste e cheio de dúvidas. Doía vê-la com outro, nos braços de outro, beijando outro a não ser eu! Ela foi minha, somente minha! Trocamos juras de amor, carícias e compartilhamos segredos, mas mesmo me entregando por inteiro eu perdi, a vida me tomou e eu estou aqui novamente infeliz comigo mesmo.
A dor era insuportável e lágrimas brotavam e rolavam por meu rosto molhando minhas roupas. Aquela dor ultrapassava o coração e se alojava em minha alma. Essa antiga cicatriz abriu-se e fez um ferimento maior do que já tinha. Eu juro que estou tentado a morte, acho que só assim eu ficaria aliviado.
FLASHBACK ON
— Yoongi? – Lágrimas corriam por meu rosto. – Meu amor, o que aconteceu?! – Ela envolvia meu rosto em suas mãos.
— Mel, me ajuda...
— Calma, me conta o que houve!
— Você me ama de verdade?
Eu precisava ouvir sua resposta.
— Sim eu amo, com todo meu coração. Por quê?
— Você fugiria comigo se fosse necessário? – Me sentia triste e humilhado. Doía-me mostrar esse lado frágil para minha baixinha. Nessa altura ela já chorava junto.
— Sim, eu fugiria. Por favor, me fale o que houve.
— Não foi nada. Por favor, esqueça isso. – Sequei minhas lágrimas
— Com certeza isso foi algo. Me diga.
— Não deixe ninguém nos separar, não acredite em mais ninguém a não ser em mim. Você sabe que eu te amo como nunca amei ninguém.
— Eu não vou deixar.
Pausei um pouco.
— A Hae, meu pai quer forçar-me a noivar com ela.
Falei de olhos fechados e sem respirar.
— Sabia que tinha dedo dessa vagabunda no meio. Como assim forçar?
— Ele quer fazer fusão entre sua empresa e a da megera da mãe dela, e quer me usar para isso.
Ela me abraçou.
— Se for necessário, eu vou até o fim do mundo com você, não vamos deixar o nosso amor se abater por um bando de idiotas!
— Baixinha... – Eu a beijei com ânsia, amor e ternura, com a bela paisagem para deixar o momento mais romântico.
— Te amo! – Ela disse baixinho.
— Te amo mais!
FLASHBACK OFF
Parecia ser sincera aquela frase. Senti meu coração quebrar perante a lembrança. Uma bela lembrança. Ela afirmou nunca me deixar e sempre confiar em mim, mas me traiu e todas aquelas doces lembranças viraram partes amargas em minha vida, até o dia em que o Jimin supostamente revelou a verdade. Esse dia meu coração se alegrou. Ela não tinha me traído, era tudo um plano sujo feito pela Hae. Era assim que eu pensava até hoje.
Dei um rumo àquela viagem de taxi: A ponte de Manhattan.
Essa seria minha única solução e chance. Um pouco de coragem cairia bem agora.
Paguei o motorista que me olhava um pouco preocupado, mas, sem dizer nenhuma palavra foi-se embora. Tudo o que eu queria agora era que um desconhecido me desse atenção, carinho e conforto. Gostaria de me sentir importante, nem que seja por um minuto.
Lá estava eu e a ponte, aproximei-me da borda para “olhar” a paisagem.
Senti o vento bater violentamente em meu rosto, mas evitava que meus olhos marejassem. Olhei para baixo para ver a altura e se tamanha queda poderia matar. Conclui que morreria afogado: Afogado em dor, ódio e pela quantidade de água que estaria encobrindo-me.
Sorri perante a liberdade. Um sorriso triste. Depois disso estaria livre dessa droga de mundo.
Preparo para minha façanha. Eu estava com frio e assustado, mas outros sentimentos me aqueciam e me davam coragem. O medo predominava-me: Vê-la após isso seria impossível e se realmente existe vida após a morte, aposto que não me lembraria das boas lembranças que ela me proporcionou.
Fecho os olhos e abro os braços, ajeito-me e junto minhas forças para meu ultimo impulso.
Sinto meu corpo no ar, sinto-me livre dessa merda toda. Agora já é tarde, não há volta. Adeus Melissa...
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