O iReal

1 O cemitério


Quando estava caminhando em um dia chuvoso, parei por um momento pois precisava pensar.Uma coisa devo explicar(toda vez que meu cérebro fica sobrecarregado isso acontece, paraliso uns segundos pra retomar o que estava fazendo, chamo de Pif(a paralisação do cérebro). Me deparo com uma poça de chuva e olho meu reflexo através dela, não vejo o que realmente gostaria, estou notavelmente abalada, usando farrapos e cabelos desgrenhados...

Sigo na mesma calçada de sempre a minha direita há um cemitério, lindo por sinal, talvez mórbido dizer isto, porem sempre o observo. Andei poucas vezes por lá, umas três vezes talvez no enterro de dois conhecidos e de uma parente.

Sempre que passo de ônibus na frente do cemitério observo todas as pessoas tristes no portão principal, vejo as flores que são vendidas para colocar no túmulo dos ente queridos e todas aquelas estátuas maravilhosas, anjos belos com suas asas imponentes.

Foi nesse "belo" ambiente que tudo começou...Quando resolvi deixar a insegurança de lado e ir andar pelo cemitério sozinha não quis chamar ninguém já que as pessoas não entenderiam o porque do meu fascínio afinal a maioria das pessoas preferem nunca pisar em um.

Peguei uma mochila, coloquei uma câmera dentro, meu celular um papel e uma caneta. Segui a pé pois aproveitaria mais o caminho, arvores seguidas de poeira, caminhões passando pela pista e neste dia nada de pessoas na calçada.Gosto muito da natureza e ao chegar próximo do cemitério fui apreciando umas mudas que haviam no caminho passando a mão entre elas enquanto caminhava, no entanto entrou um espinho em meu dedo, a primeira coisa que fiz foi dar um grito mas aquele preso na garganta, imediatamente coloquei o dedo na boca e chupei o sangue.Um vento frio soprou na rua, me fazendo ficar arrepiada.

Segui meu caminho e ao chegar no portão do cemitério ele estava trancado, não entendi, porque ele sempre ficava aberto, pelo menos às três da tarde deveria estar. Dei a volta, para achar os outros possíveis portões já que ele é um dos maiores cemitérios. Achei o segundo portão fechado o que me espantou novamente, estava prestes a desistir de minha curiosidade, voltei pelo mesmo caminho passando pelo portão numero um, e quando cheguei próximo, o cadeado que havia estava aberto com a corrente um pouco caída. Entrei e respirei bem fundo, o motivo era porque tinham muitas arvores lá dentro parecia uma floresta com vários caminhos a serem seguidos.Olhei para trás e pensei em como o cadeado havia sido aberto, não quis pensar muito no assunto. Peguei minha câmera e fui tirando fotos ao longo do caminho, fotos de alguns túmulos diferentes, e fotos principalmente das estátuas de anjos com aquelas asas abertas.

Já estava ficando tarde, quando senti um pouco de fome, e lembrei que tinha um biscoito guardado a tempos em minha mochila, resolvi sentar no gramado perto da arvore mais bonita e comer, após comer todo o biscoito, peguei o papel que tinha trago e comecei a tentar desenhar os portões , a arvore bonita e me dei conta que a minha frente havia uma lapide diferente, ela estava meio entreaberta e ao seu lado haviam dois anjos magníficos, como se fossem dois guardiões ou algo assim pareciam olhar para todos, de forma que se você andasse para qualquer lugar elas estariam olhando para você, bati uma foto e voltei a desenhar.

Quando me dei conta, eu havia tirado um cochilo, tinha acabado deitando em cima das minhas coisas ao pé da bela arvore, levantei lentamente não acreditando no que havia feito, ainda estava sentada, olhei e vi que havia anoitecido, o desespero começou a tomar conta de mim, ouvi corujas, o ambiente ficou frio e eu estava me tremendo, ouvi um barulho engoli outro grito e continuei tentando enxergar o que era, e depois não vi mais nada.

Meu quarto. Sim estou em meu quarto.Não consigo entender e nem quero acreditar em como cheguei em casa. Estou bem, olho para todos os lados e vejo que está tudo como sempre esteve, mas lembro-me da minha mochila, levanto da cama e ela está no chão, com meus desenhos, o pacote de biscoito e a câmera. Olho para o relógio e vejo são seis horas da manhã, como pode? Lembro-me que estava escuro quando acordei no cemitério, e então apaguei, devia ser seis horas da noite ou mais. Como consegui dormir por doze horas? Procuro buscar em minha memória, qualquer coisa, imagem, sensação antes de apagar e vir parar aqui. Não consigo lembrar de ninguém, nenhum rosto que possa ter me levado para casa. Lembro-me do frio que estava sentindo, do barulho...

Mexo na mochila, pego a câmera, vou para o computador e a conecto. Surgem as fotos que tirei, vou passando uma a uma. O inicio do cemitério, os vários caminhos, algumas tumbas especificas que me chamaram atenção, e ela, a arvore bonita em que adormeci. Percebi que as fotos tiradas próximas a ela começaram a ficar mais escurecidas, continua a passar, em busca de algo que tenha passado despercebido, e então me deparo com aquilo. Ah meus deus o que era exatamente aquilo?

Paro a imagem e aperto o zoom, está escuro, são aquelas duas estátuas de anjos com as asas abertas, só que elas estão viradas para câmera, não isso é impossível, aquela não era a posição delas, não mesmo, se eu mostrar esta foto para alguém, nem vão notar que se moveram, pois eu sim vi a posição em que elas estavam, como? O pior não é isso, e sim a imagem ao fundo, que fica entre as estátuas, naquela tumba que parecia ser protegida, e que me deu calafrios. Tinha um vulto, parecia uma pessoa como qualquer outra, pelo menos tinha a forma de um, e estava olhando em minha direção, olhando para a câmera, se pudesse resumi-la seria em um completo breu.

Comecei a andar de um lado para outro no quarto, fui até a cozinha pegar um copo d’água e coloquei açúcar, precisava me acalmar.
Meus pais viajavam muito durante muito tempo. No começo isso me deixava chateada, mas agora, já faz tanto tempo, e eles nunca me explicaram como é a vida no trabalho deles, dizem
– Não temos tempo para explicar coisas fúteis, vá estudar Sofia; ou diziam
–Eu te amo, saiba, o tempo é precioso.
Como se isso fosse realmente significar alguma coisa para mim.

Notas finais
Erros de portugues? Favor comentar, e muito obrigado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.