Notas iniciais
Oie amorecos!!!!!! Quem tá feliz levanta a mão!!!!! õ/ Gente, confesso que corri pra finalizar o capítulo 13, porque eu queria muuuuito postar o 12 hoje de qualquer jeito! Motivo?! Hoje é meu aniversário de 3 meses no Nyah! *solta confete e joga purpurina* Mais uma coisa: esse capítulo é dedicado ao Bernardo que fez uma recomendação linda, linda, linda!!!! Me deixou emocionada, lisonjeada, nas nuvens!!!! Obrigada, querido conterrâneo. Você fez uma autora feliz! Um beijo grande! Chega de enrolação, vamos pra mais um capítulo quentinho! Espero que gostem! Boa leitura!

O casal passou boa parte da noite numa conversa animada, mirabolando planos e mais planos para a casa nova que iriam comprar o mais breve possível; fazendo planejamentos a respeito do filho, pensando em que escola iria estudar, que esportes iria praticar e atividades extracurriculares ele iria fazer, que universidade ele iria frequentar... Até que o cansaço os abateu e finalmente dormiram ali mesmo.

– Amor, fecha a janela... Tá batendo sol aqui. – resmungou Carlos mais dormindo que acordado. Sem ter resposta alguma, insistiu. – Amor... – esticou o braço batendo a mão no outro lado da cama, mas o colchão estava vazio. Abriu os olhos recordando que havia dormido na praia e virou a cabeça para confirmar o que o tato lhe dizia, o marido realmente não estava na cama. Sentou-se e olhou em volta, acreditando que ele poderia estar tomando banho de mar, mas nenhum sinal do publicitário. Notou o celular ao seu lado na cama e o pegou para olhar as horas, 9h25. Mas o que lhe chamou atenção primeiro foi o bilhete eletrônico escrito no bloco de notas exibido na tela: “Não demoro, volto logo. Me espera. Qualquer coisa me liga. Te amo. Tonny.”

Suas roupas estavam dobradas próximo aos pés da cama. Pegou a cueca vestiu e foi tomar banho de mar. Viu um casal passar e acabou se perguntando se mais alguém havia caminhado por ali e o tinha visto dormindo. Provavelmente sim.

Enquanto ainda estava na água avistou o marido vindo, ainda estava bem longe. Embora para qualquer pessoa fosse apenas um tracinho em movimento, Carlos reconheceria aquele corpo e aquele jeito de andar em qualquer lugar do mundo.

– Acordado há muito tempo? – Tonny deixava os pés serem molhados pelas ondas que morriam na beira do mar, enquanto observava o marido sair da água indo ao seu encontro, visualizando a cueca branca, que agora ensopada, ficara transparente. Nas mãos o publicitário tinha uma cesta e uma sacola; ele já estava de roupa trocada, vestia uma bermuda acima do joelho de cor clara, uma camiseta regata coral e calçava sandálias havaianas.

– Há uns 15 a 20 minutos, eu acho. – passou os braços em volta da cintura de Tonny, sem se preocupar com o fato de estar molhando-o no abraço, e por fim o beijou nos lábios.

– Bom dia!

– Bom dia!

– Onde você estava?

– No hotel. Fiz massagem com o Juanito, troquei de roupa e peguei uma muda pra você – levantou levemente a mão com a sacola — e comprei uma cesta de café da manhã pra gente comer aqui. – ergueu dessa vez a cesta.

Carlos já tinha parado de ouvir o resto quando escutou as palavras “massagem” e “Juanito” na mesma sentença. Seu rosto mostrava incredulidade.

– Você está brincando, não é?

– O que? Sobre a massagem? Claro que não. Eu acordei bem cedo e fui ao hotel pra buscar o café da manhã pra gente, quando eu estava na recepção fazendo o pedido, aquela massagista de ontem, a Carol, se lembrou de mim e falou que tinha um horário com ele vagando naquele momento se eu quisesse. Segundo ela, por ser domingo, quase ninguém costuma pegar aquele horário mais cedo. Eu não podia ir embora sem fazer uma das melhores massagens de Cancun, então aceitei. Eu sabia que se você acordasse e eu demorasse, você me ligaria. Como você não me ligou eu fiquei tranquilo. Deu tempo de fazer tudo. – falou naturalmente, sorrindo no final.

– Eu pensei que você tinha desistido dessa palhaçada depois de ontem! Eu vou embora de Cancun sem fazer massagem com o Juanito e isso não vai me causar nenhum trauma!

– Em primeiro lugar, – o interrompeu – era você que não queria que eu fizesse, eu nunca disse que não iria fazer se tivesse oportunidade. E em segundo lugar, você não vai desta vez, porque quando você veio da primeira vez você fez!

– Quem te disse isso?

– O próprio Juanito.

– Como assim? Ainda não entendi...

– Como você deve saber, já que esteve com ele, Juanito é uma pessoa muito aberta. Adora conversar... E como fala aquele rapaz, não é?! Pois bem... Ele estava lá falando das pessoas famosas que já estiveram na mesa de massagem dele, e não é que ele falou o seu nome?!

“Dedo duro, filho da mãe!”, pensou Carlos.

– Ou seja, quer dizer que você fez a massagem na minha ausência durante aquela viagem de negócios, não me falou nada a respeito e ainda tentou impedir que eu fizesse também... Aconteceu alguma coisa entre vocês que eu não estou sabendo, não é? Bem que ele ficou animadinho demais falando de você...

– Você está maluco?! De onde você tirou essa ideia absurda??!! Pode parar com isso agora! É melhor encerrar o assunto Juanito. Agora nós estamos quites. Podemos nos gabar, dizer que já fizemos a massagem e não precisamos voltar nunca mais lá, tá bem assim?

– Por mim, tudo bem. – sorriu – Você continua sendo meu massagista oficial e exclusivo.

A verdade é que a história de Tonny era mentira. Pelo menos parte dela. Sobre ele ter feito a massagem e como foi convidado pela moça chamada Carol era verdade. Era verdade também que Juanito adorava conversar com os clientes. Mas o rapaz não falou de gente famosa coisa nenhuma, muito menos citou o nome de Carlos. O publicitário inventou aquilo tudo pra desviar o assunto. Ele não queria prolongar a conversa sobre ter feito a massagem e correr o risco de virar mais uma briga desnecessária.

Quem contou pra ele que Carlos já tinha estado com Juanito foi Tom, durante uma breve conversa por mensagem de texto, quando o publicitário se queixou sobre o que o marido tinha feito para impedi-lo, impossibilitando-o de fazer uma das coisas que o amigo havia indicado. O dono-de casa ficara sabendo do fato meses atrás pelo marido Mazo – que também estava em Cancun na tal viagem de negócios – e não hesitou em contar a verdade ao melhor amigo, por considerar hipocrisia a atitude do executivo.

Tonny sabia que Carlos morria de medo que ele tivesse alguma desconfiança sobre a sua fidelidade, por isso usou a mentira como estratégia para acabar com a conversa.

É isso aí. Assunto encerrado. Essa tática sempre funciona. Funcionou até no dia que Ethan cortou a mão. Não seria diferente agora.”, pensou Tonny satisfeito, relembrando da briga do dia seguinte ao acidente do irmão, quando se pronunciou “ofendido e conformado” com a hipotética traição do marido, desfazendo o clima pesado presente na ocasião, para logo em seguida fazer as pazes.

– Então, podemos sentar pra comer agora? Eu estou morrendo de fome... – Carlos acenou positivamente com a cabeça – Mas antes você vai trocar de roupa. Pode tirar essa cueca transparente desse jeito, que eu não quero o que é meu sendo exibido. Trouxe uma sunga, uma camiseta, uma bermuda e uma sandália pra você.

– Meu herói! – selou os lábios de Tonny com um beijo.

– Tá bom... Sei.

Na cesta de café da manhã havia pão de forma integral, manteiga, queijo, blanquet de peru, geleia, pêssego e a abacaxi em calda, croissant, patê, pão francês, chá e suco de caixinha. Depois de trocar de roupa, Carlos se juntou ao marido para tomar o café da manhã. Ficaram por ali até o começo da tarde, quando retornaram para o hotel e almoçaram. Depois seguiram para a última programação do fim de semana: nadar com os golfinhos. Tonny era o mais animado e parecia uma criança de tão feliz, ele tinha verdadeira paixão por aquela espécie de animal marinho. Quando terminaram já era final da tarde, hora de arrumar as coisas e voltar pra casa. Como o tempo foi pouco, compraram lembrancinhas nas lojas do aeroporto.

O voo de volta foi tranquilo. Sem grandes surpresas. Claro que o casal, que tinha uma libido imensa, não perdeu a oportunidade de fazer sexo na aeronave novamente. Tanto quanto duas vezes, uma vez em cada cabine que ocupavam. Depois do que aconteceu na ida, Tonny quis evitar o banheiro desta vez e foi alvo das brincadeiras e provocações do marido por isso.

Diferente do caos que costumava ser aquela casa pela manhã, especialmente nas segundas-feiras, tudo estava na mais perfeita ordem. O café da manhã já estava pronto, Dan já estava arrumado para a escola sentando à mesa tomando café, Mazo terminava de se arrumar e Nana ainda estava dormindo.

– Olha, não se acostuma com esse clima calmo porque nem sempre é assim, aliás, quase nunca é assim. Hoje é um acaso. Se fosse sempre assim, certamente eu não precisaria da sua ajuda. – Tom falava para a secretaria do lar que tinha acabado de contratar, depois de duas semanas cansativas de entrevistas com as candidatas à vaga.

Rose tinha uma estatura baixa e pele clara, era acima do peso e tinha cabelos pretos na altura dos ombros, que era meio desbotado por alguma tintura mais antiga. Carregava sempre uma expressão calma e doce, parecia ser boa com crianças. Tinha 44 anos. Tom realmente havia simpatizado com a mulher e ela tinha ótimas referências. Aquele era o primeiro dia de trabalho dela.

– Hoje eu consegui acordar mais cedo e preparar o café logo. Pra falar a verdade eu não dormi direito. Nana teve uma crise de rinite alérgica e não dormiu nem deixou ninguém dormir. Por isso que ela ainda está na cama até essa hora, caso contrário ela estaria pra cima e pra baixo, pintando, bordando e riscando tudo, literalmente. Como eu já te disse, meus filhos são levados como qualquer criança, eles gostam muito de brincar e correr como qualquer criança saudável. Eles não dão trabalho pra comer. Não costumam estranhar também. Acho que sobre eles que é importante você saber, é que Nana tem um gênio mais forte, geralmente quando ela quer uma coisa ela quer, faz birra, chora. Mas aqui a gente não deixa ela fazer o que quer. Se for algo que ela não pode, deixa ela chorar que alguma hora ela para. O Dan é muito tranquilo nesse sentido. Ele não dá trabalho nenhum. Só pra se vestir. Ele quer ficar só de cueca o tempo todo. Atualmente praticamente só o meu marido consegue fazer ele colocar uma roupa, não faço ideia como. Foi o pai dele que arrumou ele hoje, por isso ele já está pronto. Mas como Mazo não está aqui sempre, a gente precisa tirar isso dele.

– Tudo bem, ‘seu’ Tom. – respondeu a moça.

–Por favor, apenas Tom. – a mulher assentiu – Bem, esse é um dia atípico porque eu vou precisar sair agora de manhã. Vou ao aeroporto buscar um casal de amigos. Mas geralmente eu estou em casa nesse horário, já que eu não trabalho na rua. Normalmente é a hora que eu aproveito pra deixar as coisas em ordem, porque eu fico só com a Nana e o Dan vai pra escola. Sei que eu deveria ficar com você pra te ensinar mais sobre a rotina da casa, mas eu realmente preciso sair. Eu já tinha me comprometido como isso, mas eu não pretendo demorar. Você vai ficar com a Nana. Ela já te viu no dia da entrevista, mas como ela viu muita gente, não sei se ela vai lembrar. Com eu disse ela não costuma estranhar, mas pode ser que isso aconteça se ela acordar e não ver mais ninguém conhecido por perto. Mas eu acho que ela vai demorar de acordar, além de não ter dormido a noite toda, o remédio antialérgico dá sono. Se ela acordar e chorar, você me liga que eu falo com ela no telefone, pode ser que funcione. Enquanto ela tiver dormindo você pode aproveitar pra colocar a cozinha em ordem.

– Claro. Pode deixar, senhor... Desculpe, Tom.

– Você se lembra do meu marido, não é? – Indagou o dono-de-casa com a chegada de Mazo à cozinha com uma cara que denunciava a noite mal dormida.

– Claro, lembro sim. Como vai senhor?

– Bem, obrigado. – respondeu o executivo – Espero que você também. Seja bem vinda. – sentou-se.

– Obrigada.

Mazo beijou Tom. O dono-de-casa reparou que Rose agiu com naturalidade diante da cena e considerou aquilo positivo.

– Poxa amor, a sua cara tá horrível... Você não deveria ter ficado acordado comigo a noite toda, devia ter dormido. Agora vai trabalhar desse jeito, cansado e com sono.

– Como eu ia conseguir dormir sabendo que a nossa princesinha não estava bem? Ela estava toda entupida, tadinha, mal conseguia respirar e toda chorosa... Não se preocupe, a cara é pior do que o estado real. Eu estou bem, acredite.

– Definitivamente eu sou um homem de sorte. Meu preto, você é mesmo um marido e um pai incrível... – Mazo sorriu.

– Concordo com você!

– ...E convencido!

– Sem graça. – Tom riu da resposta dele.

– Vamos, mocinho?! – chamou o filho – Vamos, chega de enrolar com esse bolo ou você vai se atrasar para a escola. E eu vou me atrasar também pra pegar o tio Tonny e o tio Carlos. Vamos!

– Calma, papá! – respondeu o pequeno com as mãos sujas de bolo que amassava no prato. A nova babá, mostrando eficiência, tratou de limpa-lo.

– Calma, nada... Vamos, não temos tempo. – pegou a mochila do pequeno – Tchau, amor, até mais tarde. – deu um selinho no marido, deixando-o à mesa tomando café.

– Até. – sorriu.

Diante do trânsito, por pouco Thomas não se atrasou.

– Nooooossa!!!! Vocês estão com as caras ótimas!!! Parecem até que ficaram mais jovens e mais bonitos.

Carlos e Anthony estavam já devidamente arrumados para ir direto para o trabalho, usavam óculos escuros, estavam realmente lindos.

Tom tinha ido busca-los justamente porque os dois tinham que trabalhar naquele dia. Deixaria cada um nos seus respectivos escritórios, depois levaria as malas para o apartamento do casal. Um pedido do melhor amigo que ele nunca negaria.

– Nada que um fim de semana maravilhoso em Cancun não possa fazer. – Tonny abraçou o amigo – Como estão as coisas por aqui?

–Tudo na mais perfeita ordem. – sorriu – Gostei do bronze, Carlos! – o executivo ficou meio sem jeito pelo elogio.

– É... O clima de lá é realmente muito bom. – disse meio sem saber o que responder – Obrigado por vir nos buscar.

– Não foi incômodo algum.

Carlos foi o primeiro a ficar. Agora eram apenas os melhores amigos no carro, pelos próximos 20 minutos. Tempo em que Tonny tentou resumir como tinha sido a viagem, mas sem revelar a decisão que tomara.

– Amigo, só vou deixar suas malas mais tarde, tudo bem? Hoje é o primeiro dia da moça que contratamos e eu deixei a Nana sozinha com ela. Tenho que correr pra casa. – disse estacionando o carro na frente da agência de publicidade.

– Claro! Não tem problema nenhum, não tem pressa. Enquanto estiverem com você, estarão guardadas. Obrigado por tudo. Nos vemos depois?

– Lógico! Quero saber dos detalhes! Sei que tem mais coisas que você ainda não me contou sobre essa viagem. O clima entre vocês tá diferente, com certeza tem coisa aí. – se abraçaram.

– Te conto depois.

– Sabia!!!!

– Tchau.

Tom correu pra casa o máximo que pôde, estava preocupado. “Como eu pude deixar minha filha sozinha com aquela estranha no primeiro dia dela na nossa casa? Onde eu estava com a cabeça?! Mas eu não tinha o que fazer... Eu tinha planejado trazer a Nana comigo, mas ela estava dormindo, não dormiu de noite. Não tinha como adivinhar que isso ia acontecer”, pensava nervoso o dono-de-casa enquanto dirigia de volta. Ligou pra casa para se tranquilizar, mas o telefone chamou e ninguém atendeu. Começou a ficar cada vez mais nervoso e preocupado. Com a pressa de sair, havia se esquecido de pedir o número do celular da mulher que agora estava sozinha com sua filha caçula. Ligava insistentemente, e a cada chamada não atendida a culpa o corroía ainda mais por dentro. “Se acontecer alguma coisa com minha filha eu nunca vou me perdoar. Mazo nunca vai me perdoar por eu ter colocado a nossa filha em risco”, Tom estava quase chorando de angustia.

Quando finalmente chegou, parou o carro de qualquer jeito e correu pra dentro de casa rezando, implorando pra todas as forças do universo que a filha estivesse lá e estivesse bem.

– Então, a princesa Tiana que também tinha virado uma sapinha junto com o príncipe, descobriu que o amor podia fazê-los se tronar humanos novamente... – Rose assustou-se com a aparição barulhenta do novo patrão – Aconteceu alguma coisa, Tom? – reparou na cara de assustado dele.

Tom tentava recuperar o ar que parecia ter fugido dos seus pulmões há muito pela preocupação. Seu coração finalmente começou a acalmar quando viu a mulher sentada no chão do quarto de Nana, com a menina no colo que brincava uma boneca da princesa Tiana, personagem do filme “A princesa e o sapo”.

– Papá!!! – Nana deu um grito e correu em direção ao pai, abraçando suas pernas, que se inclinou e a pegou no colo.

– Oi, meu amor!!!! – abraçou a filha forte, aspirando seu cheiro, deixando que o aroma o acalmasse – Você estava com saudade do seu papá? – a garota balançou freneticamente a cabeça em sinal afirmativo – Eu também estava com saudade de você! Muita mesmo!

– Papai??? – perguntou a menina que estava acostumada a ver todos no café da manhã antes de ficar sozinha com um dos pais.

– O papai já foi trabalhar, filha. E o seu irmão já foi pra escola... Mais tarde eles vão voltar, tá bom?! Mas eles deixaram um monte de beijos assim pra você... – atacou com beijos o pescoço da criança, que gargalhava e se jogava pra trás tentando fugir das cócegas.

– Não, papá! – a menina gritou em meio à risada, fazendo Tom parar e abraça-la de novo.

– Não aconteceu nada, Rose... Está tudo bem. – finalmente respondeu a pergunta da babá – Estava só preocupado. Você não me ligou, pensei que a Nana pudesse ter acordado e estar chorando... Eu liguei pra cá e ninguém atendia...

– Eu sinto muito. O senhor disse que eu podia ligar se ela estranhasse, mas ela chorou apenas quando acordou há alguns minutos atrás, começamos a brincar e ela ficou bem. Não achei que tivesse necessidade. E quanto ao telefone, o senhor me perdoe, mas eu não ouvi tocar. Sinto muito, mesmo.

– Tudo bem, não precisa ficar nervosa. Eu que não estou acostumado a deixar ela com ninguém e fiquei preocupado, está tudo bem. Já vi que vocês duas se deram bem.

– Ela é um doce de criança... Agora que ela está mais tranquila, eu vou dar banho e trocar a roupinha dela.

– Tudo bem... Eu vou ver qual é o problema com o telefone. Vai lá, filha, que a Rose vai te dar um bainho pra você ficar cheirosinha...

– Não... – disse dengosa e agarrou o braço do pai – “Qué” o papá!

– Muito bem, vamos fazer isso direito... Nana, essa é a Rose. Fala oi pra ela... Fala “oi, Rose”!

– Oi, Rose. – a menina repetiu.

– Oi, Nana. – respondeu a mulher.

– A Rose vai ajudar o papá a cuidar de você, do seu irmão e da casa. Então ela vai fazer comidinha pra você, vai te dar bainho, vai contar historinha pra você, igual a como ela estava fazendo agora, vai brincar, vai te colocar pra dormir...

– “Dumi”, não! – balançou a cabeça desvairadamente. Tom e Rose riram do jeito engraçado da menina.

– Dormir também, mocinha, quando for a hora. Mas agora você acabou de acordar... Por isso nós vamos tirar esse pijaminha, tomar um banho bem gostoso e trocar de roupa. Certo?

– Certo.

Tom sentou a filha no trocador. Enquanto Rose tirava a roupa da criança, ele pegava tudo que era necessário e mostrava onde ficava cada coisa. Ensinou como a filha gostava do banho, indicando a temperatura da água, deixou a nova ajudante dando banho na menina, e em seguida foi verificar os possíveis motivos de ela não ter atendido ao telefone.

O dono-de-casa descobriu que o telefone sem fio que ficava na sala não estava na base, mas em cima do sofá descarregado. Certamente ele mesmo havia deixado ali, depois de falar com o serviço de home care durante a noite por causa da crise da filha. Mazo havia desligado o aparelho do quarto do casal de madrugada, quando conseguiram finalmente colocar Nana na cama, para evitar incômodos. E o telefone que ficava preso na parede da cozinha tocava baixo, realmente não era possível ouvir do quarto da criança. Tom finalmente tranquilizou-se completamente, tudo tinha uma explicação.

– Você precisava ser tão ansioso assim? A gente mal chegou de viagem. Poderíamos fazer isso qualquer outro dia. Eu estou morto de cansaço. – Tonny se queixava com o marido.

O casal estava no L’Amour aguardando suas mães. Carlos havia marcado o jantar no mesmo dia que chegaram de Cancun. Tonny até tentou convencer o executivo a deixar para o dia seguinte, mas o marido acabou o vencendo pelo cansaço e pela insistência. Cancelou com o que tinha marcado com Tom para devolver as malas, deixando para o dia seguinte.

– Isso não é o tipo de coisa que se pode esperar! Não vamos demorar, prometo. – o executivo era um misto de ansiedade e animação.

– Rá! Duvido! Quero ver nossas mães deixarem passar batido a notícia que serão avós!

– Shhhh! Fala baixo que elas estão vindo.

– Mãe! Glória! Vocês estão lindas! – levantou para cumprimenta-las.

– Vocês que estão maravilhosos! Olha só como nossos filhos estão belos, Glória. Essa viagem definitivamente fez muito bem a vocês! – respondeu Elisa.

– Com certeza! Estão incríveis! Olha essa cor... – passou as mãos pelas faces do filho e em seguida o beijou.

– Uau! Esse restaurante é muito chique mesmo, não é?! – disse a mãe de Tonny olhando o ambiente – Deve ser mesmo muito importante o motivo desse jantar. Eu estou curiosa! Carlos, você ficou fazendo muito mistério...

– Então...

– Não fica enrolando! Conta agora! Também estou em cólicas. – Glória apontou o dedo para o filho, tentando parecer ameaçadora.

– Mas eu ainda nem disse nada! Se você me interromper não posso falar! – riu Carlos – Então como eu estava dizendo, o motivo de chama-las aqui é sim muito importante, querida sogra. Essa viagem foi mais do que um fim de semana de diversão pra mim e pro Tonny. Nós tomamos uma decisão muito importante que queremos compartilhar primeiramente com vocês. – esticou as mãos segurando as do marido a sua frente – O Tonny e eu decidimos que está na hora de termos um filho. Vocês vão ser avós!

– Oh, meu Deus! Eu não acredito! Isso é uma notícia maravilhosa!!! – Elisa exclamou com as mãos na boca. Era possível ver a felicidade nos olhos da mulher quando abraçou Tonny – Parabéns, meu filho!!! Vocês merecem! Eu estou muito, muito, muito, muito feliz mesmo por vocês! – disse com os olhos marejados.

– Obrigado, mãe!

– Mãe?! Mãe! Você está bem? – Carlos tentava captar algum sinal da mãe que parecia paralisada depois de ouvir a notícia – Mãe, você ouviu o que eu disse? Você vai ser avó.

Como resposta Glória caiu no choro escondendo o rosto entre as mãos.

– Mãe! Você não está feliz pela gente?

Glória balançou a cabeça negativamente e tentou controlar o pranto deslizando as mãos pelas bochechas. – Não é isso meu filho. É justamente o contrário. Eu estou extremamente feliz! – fungou – Por tanto tempo fomos apenas eu e você, nós passamos por tantas coisas... Depois o Tonny apareceu na sua vida e a gente virou parte da família dele e eles da nossa. Agora vocês terão um filho, um ser que simboliza a união das duas famílias. Isso é maravilhoso! A família vai aumentar! – sorriu em meio ao choro, todos sorriram com ela – Só não acho justo o que estão fazendo comigo... Eu sou muito jovem para ser avó! – fingiu indignação fazendo todos rirem.

– Dos males o menor, pelo menos você vai ser a avó mais sexy do mundo! – Tonny beijou a sogra.

– E eu? Vou ser a avó mais o que? – indagou Elisa.

– Você vai ser a avó mais ciumenta e coruja do universo! – O publicitário apertou a mãe como pôde e a beijou, fazendo os outros rirem.

– Eu mal posso esperar pra conhecer o meu neto! Eu vou mimar ele muito! Aliás, vocês já decidiram se querem um menino ou uma menina?

– Nós não conversamos sobre isso, mas sempre ficou muito implícito o nosso desejo por um menino, né amor?! – respondeu Tonny.

– Sim! Definitivamente um menino. Mas podemos pensar em uma menina pra depois...

– Meu bem, uma coisa de cada vez, por favor. – a resposta de Tonny fez Elisa e Glória rirem – Oh! Aviso para as duas! Não vou educar meu filho para as senhoras deseducar fazendo vontades o tempo todo à criança.

– Meu amor, isso é impossível! Essa é a nossa função! Portanto, conforme-se. Apenas façam o trabalho de vocês e deixe a gente fazer o nosso. – respondeu Elisa.

– Ai, meu Deus! Isso vai ser pior do que eu pensava... – Tonny se fez de desolado, fazendo os demais rirem.

Neste momento o garçom chega trazendo o champanhe, que Carlos pediu enquanto a conversa se desenrolava, e serve os quatro.

– Um brinde às mais novas avós!

– Ao nosso neto, à família que vocês estão formando e à nossa família que vai aumentar. – disse Glória.

– E que ele venha o quanto antes e traga muitas alegrias para nós! – completou Elisa.

– Assim seja! – o casal disse quase em uníssono.

– Esse é um motivo muito importante para brindar, precisaremos de outra garrafa como esta. – disse Glória.

– O que foi que eu disse?! – Tonny encarou o marido.

– Relaxa. É um dia só e o motivo é nobre!

– Ok. Eu sei... – sorriu.

– Quando pretende contar aos seus irmãos que eles serão titios? – indagou Elisa.

– Ai, mãe! Bom você tocar neste assunto... Eu ia mesmo te pedir pra você não comentar nada sobre isso com Ethan. – Tonny falava baixo para o marido não ouvir o nome do cunhado e correr o risco de estragar o clima – Nada mesmo. Deixa que eu conto pra ele, tá bom? Mas não é só pra não contar, é pra não deixa escapar nada, por favor. Você sempre acaba deixando escapar alguma coisa. Deixa escapar só com a Jessie, que eu sei que você não aguenta! Mas o Ethan, não! Deixa comigo, ok?! – olhou firme para Elisa reafirmando as palavras.

– Ok, ok! Eu já entendi. Não vou falar nada, nem pra Jessie. Vou deixar você contar aos dois.

– Ótimo! – piscou para a mãe.

Depois de compartilhada a notícia, finalmente jantaram e beberam celebrando o passo importante do casal.

Dois dias depois, Tonny escolheu o mesmo local para compartilhar a notícia com o irmão. Não queria correr o risco de a mãe dar com a língua nos dentes. Coisa que certamente aconteceria se ele demorasse demais.

Os irmãos riam alto de alguma brincadeira particular dos dois, alguma coisa ligada à infância deles.

– Tá! Você já me enrolou, me enrolou, me enrolou... Já falou sobre tudo, já fez graça, só não disse qual é o motivo desse convite pra jantar, assim do nada, no meio da semana. – Ethan pressionou o irmão. Ambos terminavam de comer o prato principal.

– Ok. – Tonny respirou fundo e ruidosamente. “Não vai ter uma hora boa”, pensou – Eu queria te contar... Eu queria dizer que...

– Fala logo!

– Bom... É que... Eu e o Carlos decidimos ter um filho.

Imediatamente Ethan começou a gargalhar sem parar. Ria de chorar, de sentir faltar o ar.

– Qual é a graça? – Tonny perguntou ofendido.

– A sua piada, realmente muito engraçada. Tá bom, já chega. Já parou a hora da brincadeira, Tonny. Agora fala a verdade... Pra que você me trouxe aqui? – perguntou se recompondo e secando a lágrima do rosto.

– Não é piada, Ethan! Eu estou falando sério! Nós vamos adotar uma criança. Nós queremos ser pais.

– Você não pode estar falando sério! Você perdeu o resto de sanidade que você tinha, é isso? – estreitou os olhos para o irmão – Onde você está com a cabeça? O que você pensa que está fazendo, Anthony???!!! – Ethan estava exaltado.

– Eu estou formando uma família! A minha família!

– Rá! É pra rir mesmo, né?! Formando uma família? Com aquele homem? É com aquele homem doente, nojento e asqueroso que você quer formar uma família?!

– Ethan!!! É do meu marido que você está falando!!!

– Exatamente. E eu não falaria dessa forma sobre nenhum outro ser humano! E eu jamais me referiria aos animais desse jeito, eles merecem respeito.

– Ethan!!!

– Ethan, o que?! Só estou falando a verdade. Eu sei que eu disse que não iria me meter nunca mais na sua vida conjugal e nem ia emitir opinião alguma, mas neste momento eu sou obrigado a dizer: essa é a PIOR decisão que você já tomou na sua vida! Pior até do que se casar com ele. Você deu a ele tudo que ele precisava pra te manter no lugar que ele acha que você deve estar e permanecer: debaixo dos pés dele! Desiste dessa ideia, Tonny! Para o seu bem!

– Eu não vou desistir de nada, Ethan! A decisão já está tomada. É isso que eu quero! Eu sei o que o é melhor pra mim.

– Sabe mesmo?! Tem certeza? Eu duvido muito disso... A nossa mãe já sabe dessa sandice?!

– Sabe! E quer saber? Ela tá muito feliz porque vai ser avó! Na verdade todos estão felizes por mim. Por que você não pode ficar também?

– Porque EU sei que aquele homem que você chama de marido na verdade não vale nada! Quem é que já sabe disso?

– Nossa mãe, a Glória...

– Essa te idolatra porque você é o único ser humano no universo que aguentaria o filho dela por tanto tempo. – Ethan recebeu o olhar atravessado de Tonny.

– ...Jessie e Tom.

– Ah! E eu sou o idiota! O último a ficar sabendo! Se você pudesse, eu nem ficaria sabendo, não é?!

– Como você pode dizer isso?! Claro que as nossas mães ficaram sabendo primeiro. Mas foi só um acaso, Ethan. O Tom esteve lá em casa ontem pra deixar minhas malas e me pressionou; ele desconfiava de algo e você sabe como ele é, não descansa até arrancar a verdade de mim. E pra Jessie eu contei por telefone, pouco antes de você chegar aqui. Você é meu irmão! Eu te amo, você sabe disso!

– Sou seu irmão? Tem certeza disso? Me ama, mas o seu maridinho é muito mais importante, não é isso?

– Como você pode falar uma coisa dessas?

– Como eu posso falar uma coisa dessas? A pergunta é como VOCÊ pôde deixar aquele homem com aquele ciúme doentio acabar com a relação que nós tínhamos?! Sabe, Anthony... Eu já tive um irmão um dia. Alguém com quem eu podia contar, em quem eu confiava e podia dividir os meu meus medos. Alguém que confiava em MIM, que me pedia conselhos, que se importava com o que eu pensava, que era meu companheiro e me fazia companhia. Um irmão que estava sempre por perto, que eu realmente podia contar. Mas ele morreu. Morreu no dia que adotou o sobrenome “Gutierrez” – fez uma cara de nojo –; e o homem que deu o sobre nome a ele fez questão de martelar prego por prego do caixão, só pra garantir que ele nunca mais fosse aberto.

– Ethan! Não fale desse jeito! Você sabe o quanto dói e me magoa ouvir isso de você?

– Não mais do que eu sinto todos os esses ANOS, com essa distância que foi posta entre a gente... Mas não se preocupe. Eu não vou atrapalhar a sua “família feliz”. Eu quero estar bem LONGE pra não testemunhar aquele homem enterrar o que ainda sobrou de você.

– Então você ai se manter longe de mim... Você vai renegar o renegar o seu sobrinho também? É isso?!

– Eu nunca faria uma coisa dessas e você sabe disso! Eu vou amar meu sobrinho, eu tenho certeza! ELE vai poder contar comigo sempre que quiser... E eu tenho certeza que ele vai precisar de mim, afinal de contas, a criança não tem culpa nenhuma de ter o AZAR de ter um pai como aquele lá...

– ETHAN!!! Pare com isso, por favor!

– Pra mim já deu! Você definitivamente conseguiu acabar com todo o meu bom humor pelo resto dos meus dias de vida... Boa noite pra você também. – Levantou da mesa jogando o guardanapo que tinha no colo em cima da mesa.

– Ethan, volta aqui! A gente ainda não terminou... Ethan! – tentou o publicitário, para apenas ver o irmão ir embora sem sequer olhar pra trás. – Merda!!!!! – deu um soco na mesa de frustração.

Anthony abriu a porta de casa completamente abatido, o rosto inchado denunciava o quanto havia chorado no caminho. Carlos se preocupou em ver o marido naquela condição, perguntou o que houve, mas ele não quis responder. Depois de tentar fazê-lo falar algumas vezes, o executivo decidiu respeitar o silêncio de Tonny, já que a insistência parecia piorar sua tristeza; sabia onde ele tinha ido e deduzia que ele havia brigado com o irmão.

Carlos levou o marido ao banheiro e deu banho de chuveiro, onde Tonny chorou mais um tanto. Depois de tira-lo da água, o secou e o vestiu como se fosse uma criança, e, por fim, colocou-o na cama e deitou junto com ele. Tonny estava arrasado.

Deitado junto ao peito do marido, o publicitário deixou que toda sua dor saísse em forma de lágrimas, soluços e urros de dor. “Perdi meu irmão de vez”, era tudo o que Tonny pensava, e isso dilacerava seu peito. Uma dor que não podia descrever, que era quase insuportável, chegava a ser física. Sentia o abraço, o carinho do toque e os beijos que o marido lhe dava na testa e na face e ouvia o “vai ficar tudo bem” que sussurrava no seu ouvido vez ou outra tentando conforta-lo, mas nada parecia ser suficiente para aplacar o sofrimento que sentia. Imaginava que seria difícil dar aquela notícia, mas nunca pensou que fosse passar por aquilo, uma imposição que considerava tão arbitrária: a família que começava a formar em detrimento da relação dos dois. Com isso, acabara de perder uma das pessoas que mais amava no mundo.

Notas finais
Rapaz, tá vendo aí?! Besta é quem pensa que Tonny é besta... Tipo eu! Quer dizer que eu tive vontade de matar ele de porrada por causa daquela história de perdoar a traição assim fácil no dia do acidente de Ethan, com aquele papo de “da próxima vez que for passar a noite com alguém blá blá blá”, e era tudo cena pra quebrar a marra do marido e acabar com a briga! Quando eu digo... Quem menos anda, voa! Agora eu vou te contar, viu?! Essa do Ethan eu não esperava... Eu fiquei bem triste com isso. Será que precisava mesmo isso tudo?! Bom, vejo vocês nos reviews!!! Beijokas!!!! Ah! Eu voltei pra deseja a todxs um ótimo natal na companhia de seus familiares!!! Que seja um natal de muita harmonia, paz e congraçamento!!!