O herdeiro de Hera
18 Ganhamos presentes do deus da velocidade.
Notas iniciais
DAVID
– ZEUS! – Gritou um homem entrando bravamente pela porta do salão dos deuses no Olimpo. Coberto por um manto preto que parecia puxar minha alma para ele como um imã.
– Hades, meu irmão, o que faz aqui? – Perguntou Zeus, com a mesma aparência de quando apareceu no acampamento Meio-Sangue dias atrás.
– Não se faça de sínico, “irmão”! – Hades falou, fazendo movimento de aspas com os dedos. – Seu filho, Klonos, matou Nico!
– Hahaha! – Zeus soltou uma gargalhada estrondosa, como o barulho dos trovões. – Você está com raiva, irmão?
– Raiva? Eu estou furioso, seu monstrinho, criado sabe-se lá porque, matou o meu filho, ele o decapitou, sem motivo algum!
– Meu querido irmão, por favor... – Ironizou Zeus. – Heróis morrem todos os dias.
– É? O que você faria se um de meus filhos matasse sua preciosa Thalia? – Perguntou Hades, mais parecendo uma ameaça. – Você não a transformou em árvore quando um ciclope quase a matou?
– Você não se atreveria! – Gritou Zeus se levantando bruscamente de seu trono prateado.
– Vai ter guerra, hahaha! – Riu um dos deuses, um com cabelos ruivos e porte físico bem elevado, vestido como um motoqueiro.
– Silêncio, Ares! – Falou Zeus sem tirar os olhos de Hades.
– Seu filho matou o meu mais competente, já não bastara Bianca? – Hades pareceu entristecido. – Ou você aprisiona Klonos no fundo do Tártaro, ou eu aprisiono você!
– Acorda David. – Falou Zeus olhando diretamente para mim.
O que? Pensei. Então comecei a sentir empurrões em meu braço. Abri meus olhos de relance e percebi que aquilo tinha sido um sonho, ouvi Sophia chamando meu nome.
– David, acorda. Chegamos a Washington. – Disse ela, então beijou meu rosto.
Logo despertei. Descemos do ônibus e andamos até uma lanchonete, sentamos e começamos a conversar.
– Alguém tem alguma ideia de como achar Hermes? – Perguntei.
– Soube que ele tem uma espécie de correio que envia carta para os deuses. Fica próximo ao prédio do capitólio. – Disse Mandy.
– Acha que se encontrarmos ele, dará alguma pista sobre minha mãe? – Perguntou Sophia, apreensiva.
– É provável. Os deuses tem a fama de ajudar a quem os ajuda. Salvamos Lucy, parece ser um bom motivo para ele nos dar informações.
– Temos que nos apressar, precisamos ir ao Olimpo o mais rápido possível. – Eu falei, até me espantei com a seriedade em minha voz.
– Por quê? – Perguntou Mandy. – Tem alguma coisa a ver com o que você falava enquanto dormia? – Ela deu uma risadinha.
– Eu falei...? Que seja. Foi como uma visão, iguais as de Amber. – Imaginei se estaria tudo bem com minha irmãzinha. – Hades está ou irá declarar guerra contra Zeus por conta da morte de Nico.
– Se é assim, devemos nos apressar e encontrar o serviço de correios de Hermes.
Saímos da lanchonete e ao andar alguns quarteirões encontramos um posto de correios, na fachada dizia “Serviço de encomendas”, mas conforme fomos nos aproximando, as palavras mudaram, o logotipo tomou a forma de um tênis All-star com asas de anjo e o nome mudou para “Serviço de entregas – HERMES”.
– O senhor gostaria de enviar essa carta para Thoth? Isso dá 150 dracmas. – Disse o balconista. O homem velho entregou as moedas ao balconista que estava vestindo uma bermuda bege e uma blusa social azul com o logotipo de tênis alado. – Obrigado.
– Com licença. – Disse Mandy. – Estamos procurando por Hermes.
– É claro que estão. Deixem me adivinhar... David, Amanda e Sophia. – O balconista disse apontando para cada um de nós.
– O senhor é Hermes? – Perguntei.
– Sim, sim, rapaz. Isso me torna seu tio e da adorável mocinha aqui. – Hermes tocou o queixo de Mandy com o dedo. – Sophia... É um prazer conhece-la, embora devo dizer que os casamentos de todo o mundo estão se desequilibrando graças ao desaparecimento de sua mãe.
– Isso não é min-.
– Sua culpa? Óbvio que não. – Hermes interrompeu Sophia. – Venham crianças, me sigam.
Hermes adentrou no seu estabelecimento, passando por uma porta. O seguimos como ele dissera, e nos deparamos com um galpão gigantesco, com esteiras levando caixas em todas as direções.
– Lindo, não é? – Disse ele abrindo os braços, parecendo orgulhoso. – Estamos com planos de expandir no final do bimestre. – Oh, obrigado. – Agradeceu ele quando uma mulher — Sua secretária, talvez. — o entregou seu caduceu, um bastão com duas cobras de prata enroladas a ele.
– Uh... Ssssophia. – As cobras começaram a se mover, as duas falaram em uníssono. – Ouvimos muito falar de você. – Disse a cobra verde com seu sotaque prologando o “C”.
– Silêncio, Martha. – Repreendeu Hermes. – Por que vocês dois não fazem um favor e procuram no Demi-Google a ultima localização de Hera, por gentileza? – Hermes devolveu o caduceu para sua secretária que piscou para mim. Senti Sophia dando uma cotovelada em meu braço, Mandy riu.
– Então o senhor viu mesmo minha mãe? – Perguntou Sophia parecendo ansiosa. – Acha que... Suas cobras conseguem localiza-la?
– Oh, criança... Se fosse tão simples localizar um deus, meu pai não teria a mandado nessa missão. George e Martha podem achar onde ela foi vista pela ultima vez por semideuses em missões como você ou até mesmo deuses menores caminhando por aí. – Sophia pareceu envergonhada. – Mas acho que tenho duas ou três coisinhas que podem ajuda-los. – Hermes pegou uma caixa de sapatos que deslizava sobre uma das esteiras. – Um dos meus pares favoritos. Acredito que precisaram disso com todos esses... Perigos que vocês enfrentam. – Virou-se para Sophia, parou por um tempo como se estivesse pensando, relembrando acontecimentos, então entregou a caixa para Mandy.
Mandy abriu e viu um par de tênis com asas de anjo, como os do logotipo. Então o deus recitou a palavra Maia, tocando um dos tênis e as asas começaram a se mover. Hermes segurou o tênis no ar e repetiu a palavra, as asas pararam e ele repôs o tênis na caixa.
– Para David... Vejamos... – Ele tocou o próprio queixo, pensando em meu “presente”. George e Martha apareceram flutuando ao lado de Hermes.
– Ela foi vista em Seattle, a Oeste daqui. – Disse Martha enfatizando os “S” da frase.
– Já sei! – Disse Hermes.
O deus virou-se e pegou uma... Uma bússola? Como isso vai me ajudar? Pensei. Ele me entregou a bússola e diferentemente das comuns, essa não apontava para o Norte, mas sim para o Oeste.
– Bem... Digamos que seu pai não era o Deus do Senso de direção quando se tornou o deus do sol. Obrigado, Martha.
– Não tem por onde. – Sorriu a cobra... Eu acho que aquilo era um sorriso.
– Ah... Obrigado George, também seria legal. – Ironizou a cobra vermelha.
– Claro. Obrigado George. – Respondeu Hermes.
– Obrigado, ahn... Tio. – Eu disse meio constrangido por chamar um deus dessa forma.
– E para você, Sophia... Vejamos... – Hermes estalou os dedos e então uma garrafa térmica surgiu em suas mãos. – Vocês não tem ideia do quanto foi difícil de achar essa garrafa depois que o irmão de Percy Jackson a derrubou no Atlântico.
Hermes entregou a garrafa para Sophia com cuidado.
– Ao abrir essa tampa você liberará os ventos dos quatro cantos do mundo. Se você abrir com cuidado pode auxiliar no seu voo. – Sophia quase abriu a garrafa antes que Hermes gritasse. – NÃO, AQUI NÃO!
Hermes agarrou a garrafa e a tampou de volta rapidamente.
– Você quer matar todos nós?
– De... Desculpe. – Falou Sophia envergonhada.
– Esses presentes são uma forma de agradecimento por tirarem Lucy do Covil dos Comedores de Lótus, obrigado a todos e principalmente a Amanda que encontrou minha filha e comunicou a Quíron. Lamento pelo... Ocorrido com o filho de meu tio, Hades.
– Obrigado. – Disse Sophia apressada. – Temos que ir. Seattle, não é? A bússola de David ajudará. Obrigado por tudo, senhor.
– Não precisam agradecer. – Hermes estalou os dedos mais uma vez e fomos teleportados para fora de sua agência de correios.
Batemos contra o chão da calçada e caímos sentados. Tirei a bússola do bolso e então o cursor começou a rodar loucamente.
– Esse troço parece estar quebrado. – Virei-me para a agência de correios, mas ela não era mais a mesma, era como se tivéssemos sido transportados para outro local de Washington, não víamos mais o Prédio do Capitólio, haviam prédios gigantescos com telões mostrando propagandas da Coca-Cola.
– Estamos em Nova Iorque! – Gritou Mandy. – Hermes nos mandou para Nova Iorque! Eu juro que vou dar um soco naquele nariz empinado se conseguirmos salvar Hera.
– “Se” não... “Quando”. – Falou Sophia determinada a salvar sua mãe. – Já que estamos aqui, vamos dar uma passada no Acampamento, não é tão longe de Nova Iorque.
– Boa ideia, podemos conversar com Quíron sobre nossa missão, talvez ele possa nos ajudar a chegar mais rápido em Seattle depois do que Hermes fez. – Repondeu Mandy furiosa.
Pegamos um táxi até Long Island e paramos em frente à trilha que levava direto ao acampamento. Pagamos a corrida e fomos caminhando rapidamente para evitar nos encontrarmos com algum monstro indesejado... O que com toda sorte que tínhamos, não funcionou.
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