O guerreiro e o Heroi
1 Um guerreiro e um grande mal entendido
Notas iniciais
Faltava um mês para a formatura e todos estavam eufóricos. Alguns tinham problemas com as notas, outros necessitavam de horas extras curriculares, e alguns apenas aguardavam o momento final para se tornar oficialmente um super-herói. Acontece que a antiga turma 1-A estava mesmo atrasada devido a todos os problemas que eles tiveram ao longo da graduação para heróis no ensino médio.
Dessa forma, eles eram os estudantes mais velhos e em idade para já estarem em agências, porém, ainda eram estagiários.
Aos dezenove anos, Midoriya possuía muitas ofertas de trabalho e pensava se aceitaria o convite do atual número um, Hawks. Esse, que elevou seu posto como super-herói do ranking de heróis, após seus feitos perante a queda da Liga dos Vilões.
Izuku deixou o quarto e encontrou alguns colegas na sala. Bakugo ajudava Kirishima com a revisão para a prova de recuperação, enquanto Mina tinha as pernas esticadas no outro sofá, ignorando o livro aberto ao seu lado.
— Eu vou comprar o almoço, vocês querem algo? — Ele perguntou.
— Ah! Eu quero sim, vou pegar o dinheiro. — Mina falou, levantando-se rapidamente do sofá.
— Eu só vou comer depois de entender essa conta. — Kirishima comentou, olhando confuso para o caderno.
— Idiota, você precisa se alimentar em vez de ficar fazendo essas caretas. — Bakugo resmungou, enquanto cruzava os braços. Kirishima olhou para ele e sorriu, tentando aproximar-se para um beijo.
Midoriya saiu da sala, envergonhado pela aproximação dos dois. Seu coração batia acelerado cada vez que os via interagirem daquela forma. Sentia ciúmes, é verdade, achando que já havia superado seus sentimento. Contudo, era visível que havia uma faísca ou outra que despertava seu coração.
Ele suspirou, não queria ser mal interpretado por seus sentimentos. Queria que os dois amigos fossem felizes, e era isso que estava trabalhando em seu coração. Logo depois recebeu o dinheiro de Mina para sair e comprar o almoço. Quando abriu a porta, um clarão o cegou, fazendo-o se afastar e cobrir os olhos. Midoriya não pode fazer muitas coisa, apenas ouviu os amigos gritarem para se protegerem e uma risada estranha preencher o ambiente. Ao abrir os olhos, ele viu um espectro gaseificado em tom azul flutuar no ar. Bakugou, Kirishima e Mina haviam sumido e no chão encontrava-se alguém com uma espécie de capacete em forma de caveira de animal. Ele tinha cabelos loiros e não vestia camisa, apenas uma capa vermelha, calça de couro e botas de pele, havia colares em seu pescoço com dentes pontudos pendurados e outros acessórios em seus braços, além de uma pintura corporal... Olhando mais de perto Midoriya pode ver melhor a tatuagem em seu braço. Parecia um guerreiro de histórias fantásticas.
Midoriya abaixou-se, virando o rosto do rapaz.
— Kacchan? — Perguntou, após notar a semelhança entre os dois, ainda que esse se vestisse de forma peculiar.
O espectro em forma de gás ainda flutuava, enquanto Katsuki abria os olhos, confuso com o que acontecia. Ele se levantou e começou a lutar com a forma flutuante. Depois, correu para fora do prédio.
Izuku imediatamente o seguiu pelo campus da U.A. encontrando-se com Aizawa no caminho. Ele resumiu rapidamente o que havia acontecido, mas não tinha tempo que precisava encontrar Katsuki. Pedindo para o professor procurar Kishirima e Mina.
— Kacchan! Kacchan! — Gritou em desespero, procurando-o, até que se deparou novamente com aquele espectro de tom azul. — Quem é você? O que fez com Kirishima e Mina?
Midoriya não entendia o que aquele gás dizia, era um idioma que ele sequer sabia a origem. Correu na direção da forma flutuante, mas o perdeu de vista. O jovem herói suspirou, sem compreender o que acontecia. Olhou ao seu redor e sentiu o vento mexer seus cabelos, havia algo errado.
Ao piscar os olhos e se virar ele sentiu uma lâmina encostar em seu rosto. Mas a expressão fria de Katsuki se desfez e ele aproximou-se de Midoriya, erguendo sua mão na direção do rosto dele. Izuku fechou os olhos com força, mas ao sentir os dedos de Kacchan tocar sua pele, ele abriu os olhos e encarou a expressão curiosa do amigo de infância.
— Deku. — Katsuki falou, ainda muito perto de Midoriya, deixando-o constrangido ao tocarem a ponta dos narizes. A sensação era de que ele estava emocionado em vê-lo. Mas aquilo não fazia nenhum sentido.
— Sim, sou eu, Deku. — Ele respondeu, mas tudo o que Bakugou falou em seguida Midoriya não entendeu, parecia o mesmo idioma que aquele espectro azul falava. — O que aconteceu com você?
— Deku... — O movimento seguinte pegou Midoriya de surpresa. Ele arregalou os olhos quando Bakugou o beijou nos lábios, as mãos o abraçaram com força ao redor da cintura, enquanto o beijo se aprofundava. A língua resvalava em seus lábios, antes de entrar por sua boca de forma exigente e desejosa. Era o primeiro beijo de Midoriya e ele ficou sem ar, afastando Bakugou com as duas mãos sobre seu peito.
— Não faça isso, o que o Kirishima vai pensar.
— Kirishima? — Bakugou perguntou, olhando ao redor. — Kirishima?
— Sim, o que está acontecendo com você? — Midoriya sentia-se mal por ter gostado do beijo. Sentia-se péssimo por desejar beijá-lo novamente. Era uma pessoa com boas intenções, mas seu coração estava pilhado de emoção com o beijo trocado. Afinal, não era um anjo sempre, era um ser humano com defeitos como outro qualquer. Mas precisava fazer a coisa certa naquele momento. — Vamos! Vamos voltar, precisamos encontrar os outros.
— Deku... — Ele segurou a mão de Midoriya com força e depois olhou sério para o céu, falando mais alguma coisa que Izuku não compreendeu.
Sometimes I feel a little mad
Às vezes eu fico um pouco nervoso
But, don't you know that no one alive can always be an angel
Mas você deveria saber que não há um único ser vivo que consiga ser sempre um santo.
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