O guerreiro e o Heroi
31 O herói e o guerreiro e o final
Notas iniciais
Já era manhã, mas as grossas cortinas ainda cobriam as janelas, impedindo que a claridade do sol iluminasse o quarto. Logo cedo, o calor já era notável e Deku levou um tempo para se acostumar. Bravan não havia outra estação, senão o verão. Era incrível como as temperauras mudavam de acordo com o local em que você estava. Conheceu a capital de Aarghus, e lá havia um meio termo entre primavera e outono. Eles chamavam de eikinóccio, uma estação que só existia naquele mundo, pelo visto. Ao qual levava-se pelo menos seis meses para mudar. Dessa forma, o tempo naquele mundo era diferente e Deku sentia-se como se um dia levasse uma eternidade para terminar.
Não era desagradável, já que existia tantas possibilidades e lugares para conhecer.
Contudo, as vezes ele apenas queria ficar na cama, relaxando, e fugindo do calor do lado de fora. O castelo do Clã dos dragões era feito com as rochas da montanha, essas rochas isolavam o calor e então dentro do castelo a temperatura era amena.
Por isso, Deku estava se sentindo muito a vontade na cama de casal, sendo abraçado por Katsuki. O calor não o incomodava, e os beijos em seu pescoço dava forças em continuar deitado.
Ele riu, ao receber uma mordida na orelha.
— Você tem que trabalhar hoje? — Perguntou, com uma manha sem igual, gemendo em seguida com uma mordida mais forte em seu ombro.
— O rei pode esperar. — Katsuki disse, enquanto sua mão alisava o corpo de Deku, acariciando o abdome.
— Eu não quero ser pivô de uma guerra. — Sentiu um arrepio pelo corpo, enquanto a língua de Katsuki brincava em seu ouvido, passando a beijá-lo no pescoço. Toda aquela excitação o fez virar na cama e abraçá-lo em um beijo profundo. A língua ávida preenchendo sua boca, enquanto as respirações aceleravam conforme ele puxavam os lençóis para fora da cama. Já estavam nus, as roupas jaziam no chão há muitas horas.
Deku arfou, jogando a cabeça para trás, enquanto os beijos de Katsuki se espalhavam pelo seu pescoço, descendo ao peito, mordiscando os mamilos dele com a mão em seu membro, masturbando-o intensamente.
Ele gemeu, com a necessidade de sentir Katsuki dentro de si. Deku o desejava com todas as forças, e seu corpo vibrava na expectativa de ser preenchido.
— Chega, eu quero você logo. — Ele desabafou, a boca semiaberta, apoiando os cotovelos na cama para ver Katsuki sugar seu membro.
— Você está assim tão desesperado? — Katsuki sorriu, limpando a boca com as costas da mão.
Deku sorriu, erguendo o próprio corpo apoiando as mãos em seus ombros e sentando-se no colo dele. A intimidade entre os dois crescia a cada dia que passava, já fazia quatro meses desde que Deku chegou aquele mundo e compartilhava a cama com Katsuki. Seus sentimentos eram correspondidos, mas também eram como uma novidade todos os dias que se renovava. Sempre aprendendo algo novo ou uma nova sensação.
Ele gemeu com os primeiros movimentos, deixando-se levar pela energia que tomava conta dos dois corpos sobre a cama. A sincronia as vezes se perdia, quando eles se agitavam e o orgasmo o tomava completamente. Katsuki sempre dedicava toda sua atenção vê-lo se deliciar de prazer e Deku não poderia se sentir mais amado por isso.
***
— Se você me pedir com jeitinho, eu posso ficar mais um pouco. — Katsuki falou, enquanto o beijava novamente nos lábios. Eles estavam na banheira, a água fria os envolvia, enquanto Deku esfregava a bucha nas pernas de Katsuki.
— Eu não posso fazer isso, as outras pessoas precisam de você e... — Midoriya parou por um momento, você ouviu isso?
— O que?
— Parece que alguém me chamou. — Ele olhou para os lados, mas depois achou que era apenas uma impressão errada. — Enfim, eu vou com você.
— Não vai ficar para treinar?
— Hoje não.
Deku vinha aproveitando aquele momento no mundo de Aarghus para treinar alguns novos golpes e desenvolver melhor seus poderes. Enquanto estava longe de Katsuki, após a formatura, Deku iniciou sua carreira como super-herói, estava indo tudo bem, quando seus poderes perderam o controle, tal como aconteceu no primeiro ano na U. A. High.
O treinamento naquele mundo era puxado, mas eficaz, estava se sentindo quase próximo de conseguir controlar parte de seus poderes.
***
A reunião com o rei foi longa e Deku percebeu como Katsuki ficava irritado em certas situações e era até interessante vê-lo negociar com o Rei e seus conselheiros. Ele era um homem inteligente e sabia ser convincente quando se controlava. Enquanto eles caminhavam pela vila, Deku apreciou a vida que as pessoas ali viviam. Era tranquila, mesmo que a guerra tenha moldado a história deles.
— Venha, vamos comer algo. — Katsuki segurou sua mão. As pessoas pareciam não se incomodar com isso, ainda que Deku ouvisse um cochicho e outro quando eles passavam.
Eles comeram carneiro e uma torta de maçã, retornando para a hospedaria que estavam. Só retornariam para Bravan no outro dia.
Enquanto conversavam, Deku ouviu novamente um sussurro chamar seu nome. Olhou ao redor e tentou se concentrar, para ouvir novamente.
— Ok! Dessa vez eu ouvi. — Katsuki pulou da cama e ficou em pé. — Você acha que é um fantasma?
— Não existe isso, existe? — Deku olhou para ele, preocupado.
— Se existe, ou não, ele vai aprender uma ou duas coisas que eu quero fazer agora com você.
Deku gargalhou, quando Katsuki retornou para a cama.
***
Após o treino, Deku mergulhou no rio e se refrescou, era final de tarde e ele estava cansado. Sentia os músculos doloridos relaxarem na água. Katsuki chegou em seguida, saltando na água e fazendo um grande barulho. Deku nadou na direção dele.
— Eu acho que vai chover, vamos entrar.
— Como você sabe? — Deku perguntou, olhando para o céu da tarde que se tornava meio vermelho pelo pôr do sol.
— Estamos iniciando a época de chuvas, veja, os pássaros migrarem. — Katsuki apontou e Deku olhou voltou a olhar para o céu. — Vamos entrar.
Ele concordou e os dois saíram do rio, a chuva iniciou pouco tempo depois e durou pelo menos três dias sem parar.
Durante esse tempo, Deku aproveitou para se dedicar a leitura. Havia muitos livros interessantes na biblioteca do castelo. Katsuki ficava uma boa parte do tempo ocupado com os problemas de Bravan e sempre que podia, Deku o ajudava com algum problema.
Eles foram chamados para ajudar a remover uma rocha que caiu da montanha e destruiu uma casa na floresta. As pessoas estavam bem, mas precisavam cuidar para que mais nenhuma rocha folgada caísse como aquela.
O vento estava forte, e a chuva dificultava a visão, houve um momento que Katsuki se desequilibrou, mas Deku o segurou pela mão.
— Vamos voltar. — Katsuki gritou e Deku concordou com ele, mas antes de descerem a montanha, uma descarga elétrica caiu na direção dos dois e os afastou.
Deku teve o corpo arremessado para um lado e Katsuki para o outro, quando ele acordou a primeira coisa que viu foi o rosto surpreso de alguns jovens usando o uniforme da U. A. High.
***
Izuku correu pelo campus da U. A High e entrou no prédio em busca de ajuda. Assim que abriu a porta da sua antiga sala, ele se deparou com Shinso no lugar de Aizawa. Os olhos preguiçosos do rapaz ficaram surpresos ao vê-lo ali. Ele cancelou a aula e levou Midoriya para a enfermaria, estava tudo bem com ele, embora fosse recomendado descanso.
— Você não entendeu, o Katsuki ficou lá, alguma coisa aconteceu com ele. — Izuku saiu da enfermaria, explicando o que havia acontecido. Ele precisava encontrar respostas, precisava se encontrar com Mei, mas ela não estava em seu departamento naquele momento.
Shinso emprestou seu celular para ele e depois apontou para suas roupas, era hora de voltar a sua vida.
Izuku agradeceu o colega e prometeu devolver o celular logo em seguida, assim como o dinheiro que Shinso emprestou para ele poder ir até a casa de sua mãe.
***
Quando Inko abriu a porta, ela mal conseguia dizer uma só palavra, olhando para Izuku.
— Oi, mãe, tudo bem? — Ele falou, sem graça, e recebeu um abraço apertado em seguida. — Eu vou contar tudo o que aconteceu, mas preciso encontrar com a Mei.
Assim que entrou no apartamento, encontrou-se com All Might sentado no sofá da sala.
— Midoriya, o que você faz aqui? — Ele perguntou, levantando-se.
— O que você está fazendo aqui. — Izuku olhou para a mãe e depois para o sensei.
— Lembra-se que você me fez prometer que eu viria visitar sua mãe sempre? — All Might pigarreou e deixou a xícara em cima da mesa. — Mas, me conte o que houve.
Deku pediu para que ele aguardasse até que ele tomasse um banho já que ainda estava todo molhado da chuva de Bravan.
***
Após o banho, Deku saiu do quarto e contou tudo o que havia acontecido, enquanto comia a comida da sua mãe. Não se lembrava de como era boa aquela comida. Eles precisavam encontrar Mei, já que ela era a pessoa quem estava trabalhando para criar um dispositivo que ligasse os mundos.
Depois de alguma horas, Mei entrou em contato, animada por falar com Izuku. Eles marcaram no departamento em que Mei trabalhava. Assim que chegou lá, Midoriya foi recepcionado pelos colegas de turma, que ficaram sabendo de seu retorno.
— Cara! Você parece mais forte. — Kirishima falou, batendo em seus ombros. — O que você achou da cidade?
— Gostei bastante. — Izuku respondeu, dando alguns pequenos detalhes de sua vida em Bravan, mas, em seguida, explicou o que havia acontecido para eles. — Eu estou preocupado, porque ele pode ter caído e se machucado.
— Então esse cara não é tão bom assim. — Bakugo cruzou os braços e olhou para Midoriya, recebendo uma advertência no olhar de Kirishima. — O que é?
— Não se preocupem, eu já sei o que aconteceu. — Mei ergueu o óculos, descansando-o sobre sua cabeça. — Você disse que estava ouvindo vozes?
— Sim, durante alguns dias. — Izuku não sabia como aquilo poderia ajudar.
— Eu estava testando esse dispositivo, é um tipo de rádio, a frequência aqui é horrível e eu precisei ir até o Monte Mahamushi
— Você subiu um vulcão só para testar isso? — Uraraka inclinou a cabeça, com uma expressão confusa.
— Sim. — Mei respondeu, confiante. — O vulcão possui uma taxa alta de produção de energia geotérmica. Era isso, ou uma fusão nuclear proibida pelo governo.
— Como isso pode ter me trazido para cá? — Izuku perguntou sério.
— Lembra quando eu disse que era possível que houvesse alguma forma de nossos mundos se conectarem? Já faz alguns meses desde que você esteve lá e eu estava usando o seu próprio DNA para conseguir te rastrear. Acho que o raio foi como um condutor de energia que abriu o portal.
Midoriya virou-se, andando de um lado para o outro. A questão mais importante era: como ele voltaria a ver Katsuki? O aparelho do pai dele só terminaria de carregar dali quatro semanas, quando completasse onze meses. Era a única forma de eles se verem novamente.
A rotina de super-herói de Izuku foi rapidamente colocada em destaque. Todos os jornais falavam sobre seu retorno e como o crime no Japão estava em alta. Midoriya não culpava seus colegas pelo aumento do crime, todos vinham fazendo seu trabalho da melhor forma possível. No entanto, houve uma grande disputa de territórios entre a máfia chinesa e a coreana em alguns pontos estratégicos do país e isso causou algumas baixas. Iida havia sido internado e Midoriya foi visitá-lo na reabilitação, ele fazia fisioterapia para que os movimentos de suas pernas voltassem. Era como ver o drama ao qual ele passou com o irmão ser revivido.
Izuku também ajudou na vigilância pela noite, na companhia de Hawks, que contou tudo o que havia acontecido para ele. O bom de conversar com Hawks, era que ele não amenizava a situação, como os amigos vinham fazendo.
No final do dia, Midoriya retornou para seu apartamento e, após tomar um banho, ele largou o corpo no sofá, ligando a televisão. O sinal da tevê deu erro e Midoriya mudou de canal, mas nenhum estava funcionando.
Ele suspirou e desligou a televisão, pensando que era melhor dormir. Precisava descansar para mais um dia.
Logo que se deitou, sentiu uma mudança no clima. As cortinas balançaram e o vento iniciou.
Izuku se levantou e fechou a janela, mas naquele momento ele viu um raio cair ao longe e um clarão iluminou o parque próximo de seu prédio. Midoriya deixou o apartamento pela janela, usando seu poder para conseguir alcançar o parque o mais rápido possível. Ele vistoriou toda a área, em busca de uma pista. Quase perdia a esperança, quando ele se virou e viu Katsuki próximo da fonte em que as pessoas jogavam moedas e faziam pedidos.
Deku sorriu, sentindo o coração vibrar de felicidade, mesmo assim ele não conseguia dar um passo na direção de Katsuki, temendo que aquilo fosse um sonho.
— Eu esperava uma recepção melhor. — Katsuki gritou do outro lado. — Vai levar um tempo para meu pai me levar de volta para casa, então é melhor você ainda me amar.
Deku gargalhou e correu na direção de Katsuki, pulando sobre ele e o beijando em seguida.
***
Era a primeira neve no inverno e Izuku puxava a mão de Katsuki para fora do prédio.
— Essas roupas incomodam demais. — Ele reclamou, puxando o cachecol.
— Assim que a gente sair, você vai entender por que tanta roupa.
E era verdade, Katsuki esfregou as mãos nos braços, sentindo frio. A única coisa que o fez continuar do lado de fora, foi quando Izuku atirou uma bola de neve em seu rosto.
Eles caíram no chão, e riram. Izuku girou o corpo e se deitou sobre ele, não havia muitas pessoas no meio da neve naquele horário.
Katsuki acariciou o rosto dele, os cabelos estavam maiores e mais revoltos.
— Eu te amo. — Disse, beijando-o nos lábios.
— Mesmo depois de toda aquelas bolas de neve na sua cara? — Deku o alfinetou, mas aceitou mais um beijo. Eles se sentaram e Katsuki não ficou incomodado com as calças molhando em cima da neve.
— Isso vai ter volta, mas, sim, mesmo assim eu te amo. — Ele o abraçou.
— Eu também, eu também te amo.
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