O guerreiro e o Heroi

28 O guerreiro e a verdade


Notas iniciais
Dia 28. Backstreet Boys - I Want It That Way

Katsuki não sabia muito sobre seu pai, senão o que a mãe havia contado, mas até mesmo Mitsuki não sabia tudo sobre o homem com quem se casou e teve um filho. Naquela tarde, depois que o pai foi levado para o quarto, eles puderam conversar mais.

Masaru pediu para que o filho se aproximasse, ele falou sobre sua infância muito pobre e como os pais não tinham dinheiro para mandá-lo para uma escola especial. Na vila que moravam, não havia nenhum lugar que fizesse o treinamento para poderes como o dele. Os pais ouviram então falar sobre a escola U.A., uma das mais renomadas do Japão, mas ele ainda era um bebê para iniciar seus estudos na escola. O governo já estava em cima da família, desde que ele conjurou um portal e um filhote de dragão foi encontrado em seu berço. Masaru não culpava os pais por ter tomado aquela decisão e permitido que ele fosse levado, eles eram simples e acreditavam que seu futuro poderia ser muito melhor se fosse treinado e bem cuidado pelo governo.

Mas tudo foi diferente do que os pais esperavam. Ele foi usado como cobaia e testado de diversas formas.

— Um dia eu descobri que eles queriam enviar um grupo de pesquisadores para esse Universo. Eles me diziam que era apenas para coletar amostras de plantas e catalogar os animais. Um estudo, sabe? — O pai de Katsuki tinha uma barba grossa e os cabelos negros, sua pele era muito pálida. Ao contrário de sua mãe que era loira e de pele bronzeada. — Mas eles começaram a trazer os animais para cá, presos em jaulas. Eles falaram que os animais seriam levados de volta, mas alguns foram dissecados para estudos, enquanto outros eram tratados com muita crueldade. As coisas pioraram quando eu encontrei uma garota, ela não falava meu idioma, mas não precisava dizer muito... eu sabia que ela era uma prisioneira. Tentei argumentar, mas eles me sedaram. Foi quando eu decidi libertar todos, as coisas saíram do controle e eu criei um portal para que pudesse fugir, eu acabei indo junto. Não era minha intenção, mas foi a melhor coisa que fiz da minha vida.

O sorriso dele era fraco, com o olhar distante, como se estivesse se recordando de tudo o que havia passado até aquele momento.

Katsuki não conhecia aquela versão da história, e imaginava porque sua mãe não contou.

— Essa garota, era a minha mãe? — ele perguntou.

— Sim. — Masaru respondeu, sorrindo para o filho. — Ela me ensinou tudo, a falar o idioma, pescar, caçar, criar armadilhas, lutar...

— Então por que você voltou para cá e nos deixou?

Masaru suspirou, cansado.

— Quando Bravan foi atacada pelos Renegados, eu precisava te proteger, seu avô havia acabado de ser assassinado. Criei um portal e o trouxe para cá com sua mãe até que as coisas ficassem mais calmas em Bravan, foi quando o rei uniu a ordem dos Magos e dos cavaleiros para lutar. Mas eu não esperava que aqui as coisas tivessem ficado ainda piores. Eu sei que cometi erros, mas foram todos pensando em proteger vocês.

— Provavelmente eu teria tentado a mesma coisa. — Katsuki moveu a cabeça e depois levantou-se da cama. — Mamãe vai ficar louca quando a gente voltar, capaz dela querer vir aqui tirar satisfações pessoalmente.

— É, mas não se preocupe. Depois que a gente voltar, não haverá como criar portais.

— Como assim?

Masaru ajeitou as pernas na cama e pegou o controle remoto da televisão.

— Depois de todos esses anos, eles injetando coisas em mim, finalmente conseguiram deturbar meu poder. Eu não sei como isso aconteceu, mas foi muita sorte aquelas criança terem conseguido passado pelo portal sem caírem em algum vórtice temporal e jogados para outras dimensão.

— Então, como poderá ter certeza de que poderemos voltar?

— Eles vão usar um aparelho para ampliar meu poder e canalizar em um só ponto. Como não temos esse tipo de tecnologia em Bravan, será perigoso eu usar meu poder novamente.

Katsuki não sabia como reagir aquela notícia. Ele não queria causar nenhum tipo de problema para ninguém, é claro, mas chegou a cogitar a possibilidade de voltar a ver Deku através dos portais que eu pai conjurava. E aquela notícia causou um abalo em suas intenções. Ele não poderia colocar Deku em risco e fazê-lo se perder no tempo.

Naquela noite, encontrou-se com ele e o assunto foi discutido. A surpresa não foi agradável, como Katsuki já imaginava. Mesmo assim, Deku sorriu e o abraçou.

— Eu quero que você volte em segurança. — Ele disse, apertando as mãos em seus ombros, enquanto a cabeça apoiava em seu peito. — Além disso, deve estar sentindo falta da sua casa.

Katsuki beijou-o nos lábios e o abraçou, puxando mais para perto dele, enquanto se apoiava na pilastra da varanda.

— A minha mãe é bem barulhenta e eu não tenho um minuto de sossego na minha casa, as vezes preciso resolver os problemas das outras pessoas. Mas, sabe, eu acho que sinto falta disso.

— Eu aposto que você deve ajudar muitas pessoas.

— Eu não tenho alternativa. — ele virou a cabeça e Deku riu. — Sinto falta da floresta, dos animais que eu cuido. Ao lado da minha casa há um rio, ele possui muitos peixes e na primavera fazemos competições para saber quem pesca mais peixes.

— Parece divertido.

— Eu geralmente consigo muito.

— Aposto que consegue. — Deku beijou-o no queixo e roçou os lábios em seus lábios. — Como se fala adeus em seu idioma?

Katsuki fechou os olhos e depois os abriu, observando as sardas no rosto de Deku muito próximo do rosto dele.

— Não há uma tradução para adeus, nós usamos algo como até logo, nos vemos em breve, é algo como zowkrocé.

— Como? — Deku gargalhou. — Eu juro, não entendi.

— Zowkrocé. — Katsuki repetiu e mais devagar para que Deku pudesse entender. — Isso mesmo.

— E o que você fala quando sabe que não vai mais ver uma pessoa?

— A gente não fala. — Katsuki disse sério, mas depois sua expressão tornou-se mais suave com o olhar de Deku. — Meu povo acredita que não há um ponto final. Não é bem isso que eu quis dizer. — Ele analisou os pensamentos, mas não conseguia colocar em palavras.

— Vocês não sabem dizer adeus, eu gostei disso. — Deku voltou a apoiar a cabeça em seu ombro, acariciando as costas dele com suas mãos. — Quem sabe assim nos resta uma esperança de nos vermos novamente.

Katsuki o beijou nos cabelos verdes, era o que ele mais desejava, poder unir aqueles dois mundo.

Notas finais
Ai gente, os dois tem coisas importantes para realizar em seus mundos e eu to aqui pra dificultar ainda mais a vida deles kkk Beijos