O guerreiro e o Heroi
14 O guerreiro e a dura realidade
Notas iniciais
Quando retornaram para o prédio de dormitórios dos alunos, a escola já estava com a segurança privada restabelecida e Katsuki podia andar livremente pelo campus, o diretor havia tratado sobre o desaparecimento de seus alunos e que a única coisa que havia passado pelo portal fora um espectro ao qual já estavam trabalhando para capturar. A imprensa foi mantida de fora do assunto, já que o governo não queria holofotes em cima do caso.
Katuski recebeu as boas vindas dos alunos que residiam nas dependências do colégio e conseguia compreender a maioria das coisas que as pessoas falavam. Era como uma feitiçaria, conseguir entender aquele idioma tão estranho. Um feitiço muito forte que talvez nem a Ordem dos Magos pudessem aplicar.
Ele já havia observado que aquele mundo era diferente, obviamente, as roupas e os costumes colidiam. Encontrou por ali coisas incríveis como a tal geladeira e o fogo que apagava sem muito trabalho. Talvez o mais complicado mesmo foi encontrar rostos conhecidos, como da Maga Uraraka, o príncipe Todoroki, e Deku.
— Está precisando de roupas novas. — Momo comentou. — Podemos sair para fazer compras amanhã.
Ele não sabia quanto tempo ficaria preso naquele universo novo, mas ficou claro que nem todas as pessoas usavam suas roupas de batalha ao longo do dia. Apesar de ele estar acostumado a se vestir com aqueles trajes durante o dia.
O líder daquelas pessoas ao qual chamavam de Aizawa-sensei, o convidou para uma conversa. Seu quarto não era diferente dos outros que viu no dormitório, apesar de ter mais livros nas prateleiras.
Katsuki sentou-se na cadeira que foi oferecida enquanto ele sentava-se em uma poltrona.
— Aconteceram muitas coisas desde ontem, mas não podemos descansar. Meus alunos ainda estão desaparecidos e eu preciso saber tudo sobre o espectro que você perseguia. Você entendeu o que eu quero saber?
— Sim. — Ele respondeu, sentia-se ainda deslocado, mas precisava terminar sua missão. Aquela situação e o encontro com Deku acabou desviando de seu objetivo, mas ele jamais deixava as coisas importantes de lado. — Sugare, é o nome do demônio.
— Um demônio?
— Sim, ele não é perigoso como os outros demônios, mas dá trabalho. Fazem brincadeiras que podem machucar. A maga Uraraka me contratou para prendê-lo e quando eu estava perseguindo uma clarão me atingiu, quando acordei, estava aqui.
— E como faz para capturar esse demônio?
— Sugares gostam de plantações, costumam comer todas as coisas que encontra, principalmente fruta. Mas ele tem dificuldade de locomover depois que come, por isso deve ter se escondido em algum lugar. — Katsuki apertou as mãos em cima de sua perna. — Eu quero entender como vim parar aqui.
Aizawa suspirou, dobrando a perna sobre a outra e o encarando seriamente.
— Não posso dar muitos detalhes, mas um portal foi acionado entre os dois mundos. — Ele falou, analisando sua expressão. — Já ouviu falar de algo assim?
— Já, mas são histórias que contam para assustar crianças.
— Parece que não são só histórias, não é mesmo? — Aizawa levantou-se. — A propósito, eu sinto muito sobre você ter perdido alguém importante no seu mundo.
Katsuki crispou os lábios, ele não esperava ter que falar sobre aquele assunto tão cedo. Mas alguma coisa dizia que podia confiar em Aizawa.
— Ele, ele parece tão...
— Real? — Aizawa inclinou a cabeça. — Izuku Midoriya é um bom rapaz, o sonho dele é ser o herói número um. Aliás, é o mesmo sonho de Katsuki Bakugo, você o deixou abalado.
— Deku pensa que eu sou ele.
— E você o confundiu com alguém do seu passado. — O sensei inclinou as costas na mesa e cruzou os braços. — Eu não tenho nada a ver com isso, mas se eu pudesse oferecer um conselho, seria que o conheça primeiro.
Katsuki deixou o quarto de Aizawa. Ele sentia o amargor daquele vazio em seu peito, não conseguia esquecer o rosto de Deku, nem o seu último sorriso. Assim como não conseguia esquecer a expressão surpresa de Midoriya Izuku, e seu sorriso. De fato, eles eram parecidos, mas não iguais. Compreendeu melhor aquele mundo, e que eles eram pessoas diferentes. E, pensando melhor, a cor dos cabelos de Midoriya eram mais escuros, ele possuía mais sardas e seu corpo havia cicatrizes intensas, principalmente nos braços.
Durante os últimos dois anos, Katsuki lutou para superar a morte de Deku. E agora, ele voltava para assombrar seus pensamentos.
— Hey! — Kaminari o encontrou no corredor. — Vem, vamos comer alguma coisa, Sero está preparando hamburguer para a gente.
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