O golpe de Max Sanderson
1 ................... A origem.
O imóvel de n° 903 da rua 73, foi construído em 1935 como residência de Karl Sears, comerciante de Manhattan, proprietário da Sears Inc., próspera empresa que negociava com acessórios e todos os tipos e instrumentos navais. Com a morte do Sr. Sears em 1946, sua viúva Emylli e seu filho Karl S. Jr., imediatamente após o testamento ser confirmado, venderam o imóvel a Baxter e Stark, famosa companhia de investimentos sediada na Flórida.
Essa companhia converteu o imóvel em oito apartamentos, sendo 1 por andar, com suítes. O apartamento do térreo foi transformado em um estúdio fotográfico. Os imóveis foram vendidos a preços exorbitantes, mas o local privilegiado justificava o preço exigido. O edifício é uma bela estrutura. A decoração interna é mínima e sóbria. O hall de entrada é revestido por mármore creme claro rajado, decorado com espelhos antigos. Além da entrada principal existe uma entrada para empregados que se estende da rua até a porta de serviço, na lateral do prédio. No subsolo existe uma quitinete, ocupada por David White, administrador do edifício e sua esposa Agnes. Não tinham filhos.
David possuía a chave do apartamento do 7° andar, que embora mobiliado, estava sem ocupante, ficando ao seu encargo mostrar o imóvel aos corretores e os prováveis compradores. Ele se mantinha no prédio de terça a domingo. Todas as segundas visitava a irmã num asilo em Nova Jersey.
Suspeitando que sua mulher utilizava o apartamento na sua ausência, David contratou os serviços de uma agência particular de investigações e com autorização do proprietário foram instalados microfones e micro câmeras escondidas em pontos estratégicos no apartamento.
Todas as chamadas e conversações telefônicas bem como as conversas ocorridas no apartamento eram instantaneamente gravadas. As gravações resultantes serviram de base para a ação de divórcio, por motivo de adultério. O que se segue é a transcrição de uma gravação feita na madrugada de 24 de março, que deu origem a um dos golpes mais bem planejados que se tem notícia, surpreendendo até mesmo a experiente agente do FBI, Lucy Stansfield. Começa a gravação: (Som de porta sendo fechada)
Agnes — Bem, aqui estamos... Fique à vontade.
Max — Como pode um lugar de classe como este não ter porteiro?
Agnes — Temos 2, mas o do turno da noite é novo aqui, foi contratado a 2 meses. É fácil encontrá-lo cochilando atrás do balcão da recepção. É um bêbado durante o dia.
Max — Muito bom isto aqui.
Agnes — Que bom que você gosta. Prepare um drink para nós. Tem uma garrafa de whisk no bar.
Max — Aqui está.
Agnes — Tintim (som de vidro). Sente-se e descanse. Vou vestir algo mais confortável.
Max — Todos os apartamentos desse edifício são como este?
Agnes — O apartamento de cima é maior, é a cobertura. Tem uma varanda com vista para o rio. Por quê?
Max — Gostei dele. Tem classe.
Agnes — Classe? (som de risos) Você é demais... O que você faz na vida?
Max — Eu trabalho numa gráfica.
Agnes — Não vai me perguntar o que eu faço?
Max — E você faz alguma coisa?
Agnes — Você é um homem interessante sabia?
Max — Você está bêbada?
(Som de risos) — Agnes — Não..., é..., talvez um pouco. Espero que você não pense que tenho hábito de pegar homens na rua... Você é casado?
Max — Não.
Agnes — Puxa vida, nem mesmo sei o seu nome. Como é que você se chama?
Max — Quer outro drink?
Agnes — Obrigada. Como é mesmo seu nome?
Max — Max... Max Sanderson.
Agnes — Max... Huumm, é um bonito nome (som de bocejo). Puxa que sono...
Neste ponto há evidência que a Sra. Agnes cochilou. Max andou pelo apartamento. Inspecionou o sistema de intercomunicação ligado à campainha e ao microfone na portaria. Inspecionou as fechaduras das janelas e a fechadura da porta da frente.
Agnes — O que é que você está fazendo?
Max — Apenas esticando as pernas. Bem eu vou embora.
Agnes — Mas nós nem fizemos nada gostosão (ouve-se uma forte bofetada).
Agnes (arfando) — Por que você fez isso?
Max — Era o que você queria não era?
Agnes — Como é que você sabia? Nota-se assim tão claramente?
Max — Uma mulher carnuda e madura como você, essa hora trazendo um desconhecido com quem simpatizou na rua..., tinha que querer algo mais.
O que segue são sons de tapas, gemidos, grunhidos de prazer, xingamentos e gritos abafados de orgasmos da mulher.
Quando saiu Max gastou algum tempo examinando o hall do andar. Tomou o elevador até a cobertura, examinou as fechaduras e voltou vagarosamente para baixo, examinando portas e fechaduras. Não havia visor nas portas dos apartamentos desde o térreo.
Quando ele saiu da portaria às 3 da madrugada, já tinha examinado os dispositivos de segurança das portas externas e o sistema de alarme. Esperou calmamente por um táxi e voltou para o seu apartamento no Brooklyn.
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O nível de um agente do FBI variava conforme sua importância, sendo o nível 5 considerado o máximo. Com total aproveitamento nas missões que participou, a agente Lucy Stansfield estava enquadrada nesse seleto grupo. Uma excelente estrategista, a mente ágil, a destreza em vários tipos de lutas e armas, e a personalidade forte e incorruptível a tornaram uma pessoa respeitada no quadro de agentes. Trabalhar na equipe da “Dama de Ferro”, como era conhecida, era um privilégio dado a poucos.
As atividades criminosas não se limitavam mais a crimes individuais. O crime mudou radicalmente, agora eram bandos, quadrilhas organizadas. Organizações conhecidas como “Cosa Nostra”, “Sindicato” ou “Máfia”, foram ano após ano se infiltrando em todos os níveis e setores da administração pública.
Uma coisa intrigava a agente Stansfield. Quem eram esses homens que com dinheiro e influência livraram Max Sanderson da prisão sem sequer ter cumprido metade da pena? A única explicação é que Max era ligado a uma das famílias. Mas qual? Esses e outros questionamentos sem respostas tiravam o sono da agente.
Aproximadamente 3 meses depois do livramento da condicional da penitenciária de Sing-Sing, Max passou a ser vigiado. Microfones foram colocados em seu apartamento recentemente alugado. Um encontro marcado, em especial, chamou atenção da agente.
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Em 12 de abril, com autorização judicial a equipe de Stansfield instala secretamente microfones no painel dos veículos usados pela presidência da Beneth Co., passando a monitorar os suspeitos.
Às 2:40 da tarde de 17 de abril, um luxuoso Mercedes preto com vidros escuros estava estacionado na rua 59, próximo a esquina da 5ª avenida. Além do motorista o único ocupante do carro era Kevin Simons, vice-presidente da empresa. Não tinha antecedente criminal, embora tivesse sido 2 vezes intimado pela Promotoria Pública de Nova York, sob suspeita de influência na aquisição de licença para venda de bebidas alcoólicas em vários bares e restaurantes da cidade.
Às 2:43 do mesmo dia, um homem aproxima-se do carro. Mais tarde identificado por testemunhas como Max Sanderson. Max era um ladrão profissional; 6 meses antes fora libertado depois de cumprir prisão de 1 ano e 7 meses, num caso de assalto com arrombamento de um supermercado. Sua ficha criminal mostrava ter sido preso outras 3 vezes, mas sem registro de julgamento. A gravação começa:
Simons — Max! Que bom vê-lo! Entre, entre!
Max — Sr. Simons. Como tem passado?
Simons — Bem..., mas você está bem. Um pouco mais magro. Mas diga, como tem andado as coisas para você?
Max — Não está ruim. Agradeço o que fizeram por mim. Se não eu estaria apodrecendo naquela prisão por mais 5 anos.
Simons — Você sabe que todos os caras bons que trabalham para nós são recompensados.
Max — Nunca vou esquecer daquela noite quando voltei para Manhattan. O quarto do hotel, o dinheiro, as roupas e aquela gostosa que vocês mandaram.
Simons — Espero que tenha gostado da mulher. Eu a escolhi pessoalmente (risos).
Max — Sr. Simons, Consegui trabalho numa gráfica fazendo jornal para uma rede de supermercados. O senhor sabe..., produtos, ofertas do dia, coisas assim. Me mantenho na linha.
Simons — Estamos sabendo Max.
Max — Mas tem uma coisa que queria falar com vocês. É uma boa ideia, vai render uma boa grana, mas não posso fazer sozinho. Por isso pedi esse encontro.
Simons — O que é Max?
Max — Provavelmente o senhor vai pensar que estou maluco, que a prisão afetou minha cabeça.
Simons — Diga logo o que é..., é uma operação?
Max — Sim, é uma coisa que está martelando na minha cabeça quase 1 mês.
Simons — Você disse que não pode fazer sozinho. Quantos homens vai precisar?
Max — Acho que 10.
Simons — Não gosto disso, muita gente envolvida. Não é simples... Que lucro você imagina?
Max — Bem, eu imagino um mínimo de 100 mil dólares.
Simons — E você quer falar com o “Doutor”?
Max — Se o senhor puder arranjar um encontro...
Simons — É melhor você me contar mais um pouco.
Max — Tem um prédio no East Side, perto do rio. São 8 andares, tem 1 apartamento por andar. Gente rica.
Simons — Você quer assaltar um dos apartamentos?
Max — Não Sr. Simons. Eu quero assaltar todo o edifício. Limpá-lo.
................... Os primeiros passos.
A agente Stansfield investigava Joffrey Lane já algum tempo, já encontrara vários indícios de que o “Doutor” era o 2° em comando da família D’Angelo, mas nunca conseguiu comprová-los. Os D’Angelo eram uma das 5 famílias da Máfia que controlavam a distribuição de drogas, extorsão, prostituição e outras atividades ilegais em Nova York.
Joffrey era presidente da Beneth Co., um homem alto, passava dos 70 anos, com uma pequena barriga que se insinuava sob o paletó, cabelos e bigode brancos, e que a muitos anos sofria de um tic crônico que contraía seu olho e face direita. Quando estava sob tensão o tic se acentuava ainda mais.
Um homem razoavelmente bem vestido, de cabelos castanhos cuidadosamente penteados se apresenta ao segurança na portaria. O guarda o identifica e entrega um crachá. Ele se dirige ao andar da presidência.
— O Sr. Lane, por favor. Meu nome é Max Sanderson.
— Ah sim. O Sr. Lane está esperando pelo senhor. Pode entrar, é a primeira porta à direita. — Responde a recepcionista.
Max agradece e se dirige para a porta indicada. A secretaria o atende e anuncia.
— Mande-o entrar. — O Presidente ordena.
— Boa tarde Sr. Lane. — Max cumprimenta.
— Max, que bom revê-lo! — O presidente da Beneth cumprimenta o homem com um forte aperto de mão.
— É bom ver o senhor novamente. O senhor está bem! — Max responde.
— Muito gordo. São as malditas massas. Mas eu não consigo resistir. Como tem passado? — Lane pergunta.
Max responde: — Queria agradecer... — A frase é interrompida com um gesto de Lane com o dedo sobre os lábios.
— Claro, claro... Você já olhou a vista do nosso terraço? Que tal subirmos e dar uma olhada? — Lane ordena a secretária pelo viva voz. — Adrienne, diga ao Sam para ligar o ar condicionado na sala de reunião do terraço.
Chegando na sala, Lane introduz uma chave num dispositivo sobre a mesa. O sistema de bloqueio eletrônico é ativado.
— Temos que ter cuidado. Você não acreditaria nas parafernálias que os federais usam hoje em dia. — o “Doutor” faz uma pausa — Simons me disse que você tem uma operação interessante planejada. Você imaginou 10 homens. Quanto vai sair essa “brincadeira”?
— Acredito que 8 mil para começar a contratar a equipe. Vou precisar pagar metade adiantada e metade quando a 1ª etapa do serviço acabar, e mais 1 mês de trabalho. É preciso ter cuidado na primeira investigação. Mas tudo que preciso é um empurrão para começar. — Max responde.
— É coisa boa mesmo? Garantia de lucro? — Lane questiona.
— Sim senhor. É gente rica. — Max responde.
O “Doutor” fica pensativo por alguns instantes. — Veja bem, estou pensando em custear seu plano com meu próprio dinheiro..., então vou querer ser informado do andamento de tudo. E outra coisa, quero nossos homens nisso... Qual sua proposta na divisão?
— 70% para mim e 30% para vocês. — Max responde olhando fixamente para o “Doutor”, aguardando a reação do homem.
Após alguns segundos de silêncio, Lane responde: — Vou pensar na sua proposta. Mas a sua ideia é boa, me interessou. Darei a resposta em 2 dias.
— Certo senhor, eu entendo. Obrigado. — Max concorda um pouco desapontado.
O “Doutor” se sente incomodado da maneira como Max olha para as contrações do seu rosto. — Agora vamos descer. Meu tic já começou a incomodar com o frio.
Os dois homens voltam ao escritório do Presidente da Beneth. Max sai do edifício.
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Harry e Anny moram num pequeno apartamento na rua 24 Oeste, no Brooklyn. O casal tinha uma extensa lista de antecedentes na polícia. Drogas, extorsão, prostituição e furto, mas apenas Anny tinha condenações que lhe renderam um total de 4 anos e 8 meses de prisão. A campainha toca, o homem vai atender e grita surpreso: — MAX!
Eles se cumprimentam com entusiasmo. Max entra e se acomoda na surrada poltrona junto a TV. Após uma rápida atualização das histórias de vida. Harry conclui: — E assim, aqui estamos nós. Essa é a triste história das nossas vidas.
— Tenho uma jogada para vocês. — Diz Max mudando de assunto.
— Para os dois? — Harry pergunta entusiasmado. — Sem esperar resposta Anny pergunta em seguida. — Quanto?
— 1.000 para cada um para começar. Serviço leve. Vou dizer o que vocês precisam saber... Depois disso nada de perguntas, Ok? — Max responde.
— Tudo bem. — Harry concorda eufórico.
Max começa a explicar o serviço de cada um: — É um prédio no lado Este. Vou deixar o endereço e tudo que sei sobre os horários do porteiro e do administrador. Harry, eu quero uma lista completa de todos que moram no prédio ou que trabalham lá. Isso inclui faxineiros, diaristas, em fim todos que andem por lá. Nomes, idades, horários, etc. Quero que você investigue se tem cofres, objetos valiosos e veja como pode agir. Então fale comigo.
— Anny, eu quero que você investigue o estúdio. Quantos funcionários, horários, câmeras de segurança, sistema de alarme, filmadoras, câmeras fotográficas..., tudo que possa ter valor, ok?
— É como você disse nada pesado. Como é que entramos em contato com você? — Anny pergunta.
Max responde: — Eu telefono toda sexta-feira às 15:00. O telefone está limpo?
— Olhe..., tome... É uma cabine telefônica numa confeitaria na Avenida York. Vou estar lá no horário toda sexta-feira. — Anny entrega um papel com o número telefônico.
Max guarda o papel no bolso do casaco.
— Alguma coisa adiantada? — Anny pergunta.
Max tira um pequeno bolo de notas do bolso e dá 500 dólares para cada um. O casal se alegra com a entrada do dinheiro inesperado. Anny festeja: — Você caiu do céu.
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Seguindo várias denuncias, de que o proprietário da New City Eletronic Co., estaria envolvido em atividades criminosas de venda de produtos falsificados, a polícia de Nova York realiza busca de produtos ilegais na empresa. Mas nada encontra além de CDs. O proprietário Sr. Bruce C. Rogers, conhecido como “professor”, assina a intimação de comparecer ao distrito para prestar esclarecimento. A polícia sai da loja e entra um homem de cabelos castanhos cuidadosamente penteados.
O atendente pergunta: — O senhor deseja alguma coisa?
— Quero falar com o proprietário. Ele está por aí? — Pergunta o homem visivelmente irritado.
O empregado se retira para chamar o dono. Pouco depois volta acompanhado de um senhor aparentando 55 anos, de bigode e uma leve cicatriz no queixo. O homem despeja toda irritação: — Vocês me venderam um aparelho de ar condicionado que pifou pouco tempo depois de ligado. Aguardei um tempo e voltei a ligá-lo: funcionou uns minutos e parou de vez. O que o senhor me diz?
O Sr. Bruce responde educadamente: — Por favor me acompanhe até o escritório, tentarei resolver o seu problema. — E dirigindo-se para o funcionário. — Bill, controle as coisas por aí, já volto.
Entrando no escritório com a porta fechada, eles se cumprimentam alegremente.
— Olá Max, quanto tempo! — O homem exclama.
— Você me parece muito bem “professor”. — Max responde.
— Estou bem meu amigo e você? Obrigado por me avisar da vinda da polícia. Já vi que continua com seus contatos, não é? — Bruce responde.
— Vou bem. No nosso ramo um tem de proteger o outro não é? Boa instalação você tem aqui. — Max diz.
— É a lojinha dá algum lucro..., conserto e revendo televisão, ar condicionado... Vou levando. — Bruce responde.
— Hum..., já senti que se lhe propor um trabalho vai me custar mais caro não é? — Max resmunga.
Bruce sorri e diz: — Por isso que eu sempre gostei de você. Você é um cara esperto. Do que se trata?
— Tem um prédio no lado Este. Não muito longe daqui. Quero o subsolo vasculhado, sistema de telefone, quantas linhas existem, ramais, alarmes, tudo que tiver lá. Tudo.
— Vai ser complicado. Com todos esses assaltos que estão acontecendo, o pessoal está muito alerta. Tem porteiro e entrada de serviço? — Bruce pergunta.
— Tem sim. — Max responde.
O “professor” começa a raciocinar em voz alta: — Imagino que também tenha circuito fechado de TV da entrada de serviço e o porteiro só abre a porta depois de ver quem está tocando, certo? ... Deixe-me pensar... Vou precisar de um caminhão da telefônica, motorista, uniformes, equipamento, crachás de identificação... Somos funcionários e estamos instalando novas linhas no quarteirão e precisamos inspecionar as conexões telefônicas no subsolo. Certo?... Entro pelos fundos e checo tudo que existir nas caixas telefônicas e sistema de alarme. E aí? O que mais você quer?
— Quero fotos de tudo. Pode ser que escape algum detalhe, nunca se sabe. — Max exige.
O “professor” o olha sério e diz: — Fique tranquilo. Fotos claras e completas de todos os ângulos. Detalhes e mais instruções sobre o que pode ser cortado. Satisfação garantida. O total do serviço é 1.300 dólares com metade adiantada.
— Só posso dar 1.000, para começar. — Max negocia.
O homem pensa por alguns segundos e diz: — Certo. Aceito.
— Ok, “professor” fechado! — Max conclui a negociação.
— Ah mais uma coisa, o carro e o motorista fica por sua conta. Não tenho nenhum de confiança. — Bruce avisa.
— Merda. — Max pensa por alguns instantes. — Está bem, mas providencie o crachá e a identidade.
— E onde é que vou arranjar isso? — O “professor” pergunta.
— Tem uma gráfica no Bronx. Procure pelo Ted. Leve fotos 3x4 recentes. Assim que estiver pronto me avise. — Max encerra as instruções.
Os homens voltam à loja. O Sr. Bruce se despede do cliente, com a promessa de que o problema do ar condicionado será resolvido rapidamente.
................... Montando a equipe.
— Nossa você é demais. Nunca encontrei ninguém como você. Onde aprendeu a fazer essas coisas? — Diz a Sra. Agnes depois de um profundo suspiro.
— A prática trás a perfeição. — Harry responde sorrindo.
— Você me virou pelo avesso e de cabeça para baixo. Você sabe exatamente onde me tocar. — Diz Agnes.
— É, deu para perceber. — O homem responde.
— Teve uma hora que eu quis gritar. — Agnes revela.
— E porque não gritou. Ia me excitar mais ainda. — Harry diz.
— Essa vagabunda aí de cima provavelmente ia chamar a polícia. — Agnes responde.
— Quem é? — Harry se mostra curioso.
— A velha Sra. Lee. Ela e o marido moram na cobertura. — Explica Agnes.
— Eles ficam em casa o dia todo? — Pergunta o homem sondando mais detalhes.
— São aposentados. Ele joga na bolsa. Já ganhou muito dinheiro investindo em ações. — Agnes responde.
— Eles são ricos? — Harry se interessa pelos detalhes.
— Ricos e miseráveis. Não me dou com eles, mas uma noite ele me chamou apavorado que ela tinha desmaiado. Foi só um desmaio, nada demais. Mas quando estive no quarto deles vi um cofre que deve datar do século XV de tão velho. Posso apostar que está cheio. Ele foi joalheiro. Mas vamos deixar isso de lado. Quero fazer tudo de novo. — Agnes responde.
— Vamos fazer diferente agora. Sei de uma posição melhor do que esta. — Harry sorri e instiga o desejo da mulher. Pondo em prática o conhecimento de anos como prostituto.
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Harry se dirige a uma gráfica no Bronx. O rapaz negro que atende no balcão o olha desconfiado e pergunta: — O senhor quer alguma coisa?
— O Ted está por aí? — Harry pergunta.
— Êi Ted, tem um cara querendo te ver. — Grita o rapaz.
Um homem negro de meia estatura e corpulento surge na porta e ao reconhecer Harry se aproxima de cara fechada. Sem cumprimentos ele vai direto ao assunto. — Onde está meu dinheiro?
— Está aqui. Desculpe ter demorado a pagar, mas é que a praça anda ruim... Posso te falar um minutinho? — Diz Harry.
O homem confere o dinheiro e convida Harry para ir para a sala dos fundos que usa como escritório. — O que você quer? — O homem pergunta rispidamente.
— Eu preciso de uma carteira de identidade e um crachá com o nome da companhia de pesquisa New Urban Reorganization. É fictícia, mas ponha um endereço real com esse número de telefone. Aqui estão as fotos e meu nome para os documentos. Faça também uns 10 questionários em papel timbrado com o nome da empresa. Tome, aqui está o modelo. — Harry explica.
— Certo e o que mais? — Pergunta o homem.
— Por enquanto é só. — Harry finaliza.
— Volte hoje às 16:00. São 20 dólares. Só entrego o serviço com a grana na mão. — Diz o homem sem rodeios.
— Certo. Obrigado Ted, volto às 16. — Harry acerta o encontro e sai da gráfica.
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— Vamos rever o plano está bem? — Disse Harry. — Me apresento ao porteiro como Edwin B. Stalter, funcionário da New Urban, digo que estou fazendo uma pesquisa sobre o atual prefeito. E a propósito: no dia que eu for “trabalhar”, você vai ter que ficar de plantão no telefone, entendeu?... Bem voltando. Este é o número da minha identidade, para o caso de alguém querer checar.
— Certo. — Anny confirma.
Harry continua: — Não deve levar mais de 4 horas. Depois de pegar as informações sobre os moradores, tipo quem mora onde, horários, quantos moradores, etc. Peço que ele pergunte aos moradores se querem ser entrevistados. Só voluntários, nada de forçar barra. Acho que vai dar para entrar em uns 3 ou 4 apartamentos. Tenho que conseguir o que puder em uma visita. Se Max não ficar satisfeito, que se dane.
Harry percebe que Anny fica pensativa. — O que foi? — ele pergunta.
— Sabe..., tem vez que o Max me assusta. Ele é tão tenso, calculista. Parece ser aquele cara que para se dar bem mete uma bala na cabeça de qualquer um. — Diz Anny.
Harry responde: — Ele é capaz disso. — Faz uma pausa. — Ele matou 1 cara lá na Madison. Explodiu a cabeça do cara.
— Sério? Não sabia... Então nem vou sugerir nada. — Anny diz espantada.
— Sugerir o quê? — Harry pergunta.
— Bem..., esse trabalho está estranho. Max nos dando essa grana toda por um trabalho simples desse. Tenho certeza que é uma coisa muito maior do que ele nos disse. Então eu pensei se nós..., nós descobríssemos o que é, pode ser que pudéssemos nos antecipar e pegar. — Anny expõe.
Harry paralisou com o que ouviu e alterado começa a berrar: — Você está louca sua imbecil! Nem pensar entendeu? Nós recebemos pelo que fomos contratados e é tudo o que precisamos saber e vamos fazer, a não ser que Max nos dê mais. Está claro isso? Se ele suspeitar disso estamos mortos entendeu? Estamos mortos!
Os olhos arregalados da mulher mostravam o espanto com a reação do companheiro. — Credo Harry, você não precisa gritar comigo desse jeito... Está bem, esqueça.
Harry percebendo que assustara a mulher pede desculpas e explica que tinha medo do que Max podia fazer com eles, já que para ele matar não era problema.
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Os irmãos Gregor e Garth dividiam uma pequena quitinete no Bronx. Gregor, o irmão mais velho era corpulento, estatura média, usava barba, cabelo castanho ondulado e olhos negros. Garth era bem alto, musculoso, olhos azuis, cabelos castanhos compridos extremamente lisos e um belo rosto de traços másculos. Ambos eram fichados na polícia de Nova York por pequenos delitos.
Max faz uma ligação. O telefonema é rastreado imediatamente. A gravação é iniciada:
Max — Alô... Gregor?
Voz de homem — Ele não está. Quer deixar recado?
Max — É o Max. Não adianta disfarçar a voz, eu sei que é você seu desgraçado.
Gregor — (alguns segundos de silêncio) Max? Max é você cara? Como é...
Max — Cale a boca e preste atenção. Tenho um trabalho para você e o Garth. Ainda estão no ramo?
Gregor — Seu telefone está limpo?
Max — Está, fique tranquilo. Os federais saíram da minha cola. Desde que saí da prisão estou trabalhando honestamente.
Gregor — Garth pegou uns 30 dias de cadeia. Andou se metendo numa briga, quebrou os 2 caras. Vai sair na terça. Mas o que você tem para nós?
Max — Tem um prédio no East Side em Manhattan. Trabalho rápido, 8 andares. — Parte do plano vai sendo explicado. – Tem um cara que vai entrar como funcionário da telefônica, vai inventar uma história para o porteiro e que precisa examinar as conexões. Mas é preciso parecer autêntico, roupas, furgão e motorista. É aí que vocês entram.
Gregor — Como assim?
Max — No primeiro momento vou precisar só de você. Depois o Garth entra na jogada. Providencie os uniformes, documentos e o furgão. Você será o motorista. Não acredito que vá precisar mais de 3 horas. Aí você deixa o cara onde ele quiser. Se desfaz das roupas e do furgão, entendeu?
Gregor — Certo, e os documentos?
Max — Tem uma gráfica no Bronx. Procure pelo Ted, é o dono. Leve fotos 3x4 recentes. Ele só trabalha com a grana na mão. Diga que eu te mandei lá.
Gregor — Quanto levamos nessa?
Max — 1.000 dólares cada um para começar.
Gregor — Não pode ser mais um pouco? Vai dar trabalho arranjar isso tudo.
Max — Não posso. O chefão limitou o orçamento.
Gregor — Ok. Quando começamos?
Max — Quando você tiver tudo pronto, entre em contato. Estarei todas as sextas no Baccus Bar, a partir das 21:00... Você sabe do Bloomer?
Gregor — Ele anda se virando por aí. Só coisa pequena. Por quê?
Max — Veja se ele quer pegar uma boca, mas não entre em detalhes. Se quiser mande me procurar.
Gregor — Max você sabe que ele é um cara legal, mas é “fraco”, não aguenta pressão.
Max — Sei sim, mas o que tenho para ele é moleza. Ele dá conta.
Gregor – Ok, vou falar com ele.
Max — Certo te aguardo. — A ligação é encerrada.
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Max entra no Blinky’s Bar and Grill se acomoda na banqueta do bar e pede conhaque. O garçom serve a bebida olhando fixamente o desconhecido.
— Você conhece Daylon Cortese? — Max pergunta.
— Nunca ouvi falar. — O garçom responde desconfiado.
— Ele é bem alto, negro, tem uma cicatriz de navalha no lado esquerdo do rosto, cabelos longos sempre presos no alto da cabeça... — Max insiste com o homem.
— Não vou poder ajudar. Nunca vi esse cara, nem nunca ouvi falar. — O garçom responde.
— Sei... Meu nome é Max Sanderson. Vou terminar a bebida, atravessar a rua e comer alguma coisa no Mama’s. Se o tal cara aparecer por aqui, vou estar por lá pelo menos por uma hora. Tome..., aqui tem uma nota, para o caso dele aparecer.
— Vou aceitar o dinheiro, mas não conheço esse homem. Nunca o vi. — O garçom responde guardando o dinheiro.
Max está no Mama’s Food saboreando um prato de costeletas quando aproximadamente 15 minutos depois, um negro de cabelos presos num coque alto, vestido com roupas de cores berrantes e óculos escuros se aproxima.
— Como vai irmão? — O homem o cumprimenta com um amigável tapa nas mãos.
Daylon tinha uma extensa ficha criminal incluindo prisões por roubos, resistência à prisão, assalto com tentativa de homicídio e arrombamentos. O que lhe rendeu 6 anos e 11 meses de prisão. Extremamente musculoso e ágil com a faca. Serviria perfeitamente para os planos de Max.
Max o convida para sentar-se e diz: — Peça alguma coisa. Eu pago. — Após alguns minutos atualizando as conversas, Max entra no assunto que o levou a procurar Daylon. No final, depois de tudo explicado ele pergunta: — Você topa?
Daylon responde: — Se tem grana na jogada, eu topo sim. Quanto vai ser o meu?
— 1.000, com metade no início e metade no final. — Max responde. — A propósito, Marcus ainda está na área?
Daylon confirma. Max completa: — Pergunte se ele está interessado. Estarei de volta daqui a 2 dias nesse mesmo horário e lugar. Certo? — Max passa a parte acertada dentro de um guardanapo. Daylon termina o café com roscas e se despede de Max que calmamente continua comendo as costeletas.
................... O encontro com a Máfia.
Max entra no Duke’s Bar. O ar do local era pesado, a fumaça das dezenas de cigarros pairava no ar criando uma atmosfera quase irrespirável. O barulho das vozes dos frequentadores, a maioria deles bêbados, estava acima do som da TV. Não era um local que ele frequentaria, mas tinha certeza que ali se mantinha a salvo de olhares curiosos. Pouco depois um homem senta-se ao seu lado no bar e pede uma cerveja.
— Então conseguiu alguma coisa? — Max pergunta curioso.
— Não tão completo como você queria, mas dá para ter uma boa ideia. — Harry responde entregando um relatório.
Harry explica cada item do minucioso relatório começando pelo porteiro, seguido pelo administrador, faxineiros, empregadas, diaristas e moradores; hábitos, horários e o principal, os bens que cada imóvel visitado tem. Ele conseguira visitar 5 dos 8 apartamentos. Agora cabia a Anny visitar o estúdio que ficava no térreo.
— Quanto você acha que pode ser o lucro? — Max pergunta.
— Pelo que vi todos tem boa situação financeira, acho que uns 200 mil por baixo. — Responde o homem.
Os olhos de Max brilharam. Desembolsa 500 dólares e diz: — Você saiu melhor do que eu esperava. Aqui está o restante do pagamento. A parte da Anny pago quando ela me entregar o serviço, ok?
Enquanto termina a bebida Max pergunta: — Você quer participar?
Harry fica calado por segundos. — Você está incluindo a Anny?
— Não. Ela está fora, isso é serviço para homens. — Max responde.
— Você está esperando alguma violência? — Harry pergunta.
— Não acredito. Mais da metade dos moradores vão estar fora por causa do feriado. — Max responde. — Afinal você topa?
— Ok, topo sim. — Harry responde guardando o dinheiro; termina a cerveja e se despede.
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— MERDA! Eu disse ao “Doutor” que o procuraria quando estivesse com tudo engatilhado. — Max explode.
— Calma Max. Muita calma, Você está muito “nervosinho”. Não somos seus companheiros de rua. — Simons responde irritado. — O “Doutor” investiu 8 mil dólares de seus fundos pessoais nesta operação, é natural que ele queira saber do andamento da coisa.
Percebendo que sua explosão tinha sido precipitada, Max desconcertado se desculpa: — Desculpe Sr. Simons, é que eu ando muito tenso. O lance é grande, provavelmente maior que aquele roubo do supermercado. Quero que tudo saia bem. Mais 1 mês no máximo. Pode ficar tranquilo que não estou gastando nem um centavo além do necessário.
— Max, não é só pelo dinheiro. Ele pode ganhar mais que isso em drogas num dia. O “Doutor” é um homem vaidoso e orgulhoso de sua posição dentro da família D’Angelo. Ele não quer que saibam que adiantou 8 mil dólares a um ladrão para custear um golpe e não recebeu um retorno lucrativo, entende? — Simons explica num tom mais ameno.
— Diga a ele que dessa vez vai ser perfeito. Que até agora está tudo correndo bem. — Max responde mais calmo.
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Alguns dias depois, às 9:45 da manhã o furgão da companhia telefônica para em frente ao prédio. O funcionário Bruce C. Rogers, aliás, Antony Arkel, desce do carro e apresenta a credencial ao porteiro. Justifica que é necessária uma verificação dos terminais, pois seriam instalados cabos para novas linhas naquela rua e que estava examinando se seria necessária a troca de algum equipamento. A explicação satisfez o porteiro que permite sua entrada.
Ele entra e se encaminha ao subsolo; abre e examina a caixa de telefones, anota todos os telefones e respectivas extensões. Constata que no apartamento do 4° e 5° andar havia dois sistemas de fios separados, alarmes provavelmente ligados à uma agência particular de segurança que ativaria em caso de janelas ou portas abertas. Tira fotografias, desenha o sistema de fios, faz anotações. Achando que já tinha tudo necessário sai do subsolo. No caminhão Gregor, aliás, Darius Csokas, esperava pacientemente por ele. Entram no furgão e partem. A pedido o “professor” é deixado na rua 79.
Ele telefona para Max, marcando um encontro para o dia seguinte na sua loja. Entrega um CD com fotos, os diagramas, e um relatório detalhado do que tinha visto. Max paga pelo serviço, agradece e sai.
Gregor conforme o combinado se desfaz das roupas, queimando-as juntos com os documentos e abandona o furgão em algum beco do Bronx.
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Anny chega ao estúdio às 9:55 da manhã. Alegando querer fazer um book, estava visitando alguns estúdios pra um levantamento de preços. Enquanto era atendida observava atentamente a recepção do estúdio. Anny era uma bela mulher, alta, esguia, olhos azuis; sabia ser encantadora, com um entusiasmo tão contagiante que cativava as pessoas. Após longos minutos de conversa conquistou a simpatia da recepcionista e sutilmente vai obtendo as informações necessárias. Sentiu-se privilegiada quando recebeu o convite de conhecer as instalações internamente. Ela tinha o dom de ter uma excelente memória visual. Os mínimos detalhes do ambiente e equipamentos não ficaram despercebidos.
Anny vai ao Duke’s Bar, entra e procura por Max. Senta-se ao seu lado no bar. Max grita: — Garçom, trás 2 cervejas. — Em seguida sussurra. — Espere até a bebida chegar, aí podemos falar.
O garçom serve as bebidas e se afasta. Max discretamente observa em volta. O relatório escrito à mão era sucinto: “Boas instalações. O salão é dividido em 3 partes por divisórias, 1 ambiente para fotos. Inicia expediente às 9:00; total de 11 funcionários, que fazem rodízio no horário para almoço, encerra expediente às 18:00, mas às vezes dependendo de trabalho extra ficam 4 ou 5 pessoas até mais tarde. Raramente passam de meia-noite. Nenhuma câmera de segurança visível. Tem 2 computadores, 1 impressora colorida, 6 holofotes, 8 flashs de estúdio, 3 filmadoras profissionais, 3 máquinas de tripé; 1 armário com fechadura de segredo. No verso tem esboços da sala e divisões; janelas e portas.”
Max tira algumas notas do bolso e diz: — Obrigado. Aqui está o resto do seu pagamento. — Enfia as notas enroladas entre os seios de Anny, expostos por um ousado decote. — Tome sua cerveja com calma. Depois que eu sair, me dê 20 minutos e saia na direção da Madison.
Max toma mais alguns goles, paga e sai se despedindo da mulher.
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O restaurante italiano Mariella, famoso no Brooklyn, era conhecido como local de refeições e encontros da família D’Angelo. Num pequeno aposento privado nos fundos do restaurante estavam Max Sanderson, Joffrey Lane, o “Doutor” e César “Papa” D’Angelo.
César é o atual líder da família D’Angelo. Tinha estatura mediana, beirava os 70 anos, olhos castanhos, bigode, cabelos compridos e engomados penteados para trás.
— Acho que você não conhece César D’Angelo... Senhor, este é Max, o homem de que lhe falei. — Lane faz as apresentações. O tic nervoso começava acentuar.
— É uma prazer conhecê-lo senhor, eu... — Max tem a frase interrompida bruscamente pelo chefão.
— Max eu tenho outro encontro ainda está noite. Então você vai entender se abreviarmos isso o máximo possível não é? — “Papa” D’Angelo exclama com a firmeza e autoridade que sua posição lhe dá.
— Claro senhor. — Max responde desconcertado.
— O “Doutor” me contou que você tem uma operação em vista. Um prédio no lado Este de Manhattan. Você quer limpar o lugar todo. Ele lhe adiantou 8 mil do próprio bolso, e agora chegamos no ponto de decidir se continuamos ou não com o plano. É isso? — “Papa” D’Angelo resume o assunto.
— É isso mesmo Sr. D’Angelo. — Max responde. Sentindo-se intimidado com o olhar duro do chefão.
— Certo. Então o que você conseguiu? — “Papa” D’Angelo pergunta.
— Tenho um relatório aqui para o senhor e o “Doutor”. A coisa parece grande. — Max responde entregando os papéis.
— Quanto? — O chefão pergunta.
— No mínimo 200 mil. Acredito que chegue a 400 mil. — Max responde com um ar de satisfação.
O olhar do homem pesa sobre Max. O silêncio impera na sala. — Qual é a mercadoria? — “Papa” D’Angelo, pergunta.
— São joias, quadros, pratarias, ações, dinheiro vivo... Essas pessoas são recheadas. — Max responde.
O olhar penetrante do chefão volta a incomodar Max, que embora constrangido, não desvia o olhar de “Papa” D’Angelo que agora lê o relatório com mais atenção. Por fim rompendo o silêncio o chefão pergunta: — Já começou a pensar na operação?
— Só um começo. Terá que ser num final de semana. O ideal é aproveitarmos o feriado do Dia do Trabalho que cai numa 6ª feira. Vai ser um final de semana prolongado. Metade das pessoas terá saído para praia, casa de campo... Teremos bastante tempo. — Max responde.
— Você sabe atirar? Já matou alguém? — O chefão pergunta.
— Sei sim... Matei 1 cara uns anos atrás. — Max responde.
— Não fazemos operações com homens desarmados. Você vai ter que carregar uma máquina. Nunca se sabe o que pode acontecer. — Diz “Papa” D’Angelo taxativo.
Max concorda e até se mostra satisfeito com a ideia.
— Muito bem, supondo que eu lhe dê sinal verde, o que mais vai precisar? — “Papa” D’Angelo questiona.
— Vou precisar de mais 7 mil para pagar meu pessoal. — Max responde.
— Sete? Mas você antes me pediu 8! — O “Doutor” interrompe.
— É que antes tinha uma mulher envolvida. Ela já fez a parte dela. Agora está fora da jogada. — Max responde.
— Ela não vai abrir a boca? — O “Doutor” pergunta com o tic contraindo acentuadamente sua face.
— Não senhor. É gente de confiança, eu garanto. — Max responde.
“Papa” D’Angelo encara o homem, faz uma pausa enquanto avalia a proposta. Passados alguns instantes olha o relógio e quebra o silêncio. — Preciso sair, já estou atrasado para meu encontro. Agora eu quero falar com o “Doutor” a sós, você entende não é? Vamos entrar em contato dentro de uma semana e lhe darei a resposta.
— Certo. Obrigado senhor, ficarei aguardando. — Max responde se despedindo do chefão.
Quando Max sai, o “Doutor” pergunta: — E então o que achou? — O tic contraia sua face cada vez mais.
— Ele passou um tempo atrás das grades. O que aconteceu? — O chefão responde com outra pergunta.
— Merda, meu rosto está piorando. — O “Doutor” reclama. — Bem foi num assalto num supermercado. Estava tudo planejado, mas alguém entregou a jogada à polícia. O plano era para nossos homens entrarem na loja e colocar tudo no caminhão. Max era o motorista. Aí de repente tudo saiu errado. Holofotes, sirenes, pistolas, carros da polícia cercando o quarteirão, megafone..., aquela merda toda. 2 homens foram mortos no ato, o 3° gravemente ferido, morreu no hospital e Max foi preso, mas aguentou firme, não dedurou ninguém. É um cara esperto, de confiança. Assaltou alguns apartamentos no East Side. Entrava e saía tão depressa e tão na moita que ninguém suspeitava dele. Estava indo muito bem, até que foi pego.
— Está bem, acho que isso é tudo. — “Papa” D’Angelo olha o relógio. — Tenho que ir para Manhattan. Estou muito atrasado.
— E afinal o que você resolve? — O “Doutor” pergunta ansioso.
— Vou analisar melhor... — Olhando para o homem “Papa” D’Angelo diz: — Pôrra “Doutor”, você está careteando demais. Não pode fazer nada sobre isso? — Sem prestar atenção na resposta, olhando o relógio ele exclama: — Darei uma resposta sobre o caso em uma semana.
................... O acordo.
A semana passa e “Papa” D’Angelo convoca nova reunião com o “Doutor”. No domingo, às 23:45, os 2 homens se encontram numa mesa reservada no restaurante Mama & Nona. Após os cumprimentos, o “Doutor” pergunta ansioso: — E então?
— Eu analisei melhor. Tem muita gente envolvida, são 8 homens incluindo ele, e mais o nosso: 9 ao todo. Não vai dar certo, vai terminar em desastre. Acho que a coisa toda vai ser uma violência, com pessoas sendo feridas ou mortas. Mas eu aprovo. Vá em frente.
O “Doutor” olha confuso para “Papa” D’Angelo. O homem entende o semblante do subalterno e explica: — Veja essa operação veio bem a calhar para os interesses da família. Você se lembra do Tony?... Pois bem, eu devo um favor a ele. Tony veio me visitar ontem. Ele tem um homem: Vincent Parelli. Que se tornou um imenso problema e Tony quer detoná-lo entende? Vou mandar Tony dizer a Parelli que ele será nosso homem na operação do Max. Vamos dizer ao Parelli que queremos um homem bom, da nossa confiança para nos certificarmos que não seremos lesados. Ao mesmo tempo você diz ao Max que aprovei seu plano, que ele passe a andar armado e no fim da ação derrube Parelli. Este é o nosso preço para financiar o golpe.
O “Doutor” fica pensativo. Alguns segundos se passam, por fim ele diz: — Eu acho que o Max não vai topar.
— Vai sim. Conheço esses amadores ambiciosos. Sempre sonham com um grande golpe, depois se escondem em algum país da América do Sul pelo resto da vida. No princípio ele vai reclamar, mas depois vai aceitar a barganha. Além do fato de querer mostrar boa presença junto à família D’Angelo.
— E se o golpe der certo? — O “Doutor” pergunta.
— Tanto melhor. Tony se livra do cara e ainda vamos ter lucros; e provavelmente Max sairá do país, assim os federais não poderão ligá-lo a nós. — “Papa” D’Angelo responde.
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O encontro entre Max e o “Doutor” se dá no Mercedes preto da presidência da Beneth Co.. Os homens se cumprimentam se acomodando no interior do veículo. Max está ansioso. — Então o que o senhor me diz?
— Tudo certo, pode prosseguir, “Papa” D’Angelo deu o Ok. — Responde o “Doutor”.
Max dá um profundo suspiro de alívio e sorri. — Ótimo!
— Mas em troca você tem que fazer uma coisa para nós. — Avisa o homem.
— Sim senhor o que é? — Max pergunta curioso.
— Você sabe que é costume colocar um homem nosso nas operações. Você conhece Vincent Parelli? Conhecido como “Socks”. Já ouviu falar nele? — O “Doutor” pergunta.
— Não conheço. — Max responde.
— É um cara durão. Vamos dizer a ele que você é que vai ser o chefe da operação. Isso fica estabelecido. — O “Doutor” frisa.
Max abre um sorriso. — Certo isso é bom. E o que mais devo fazer?
— Queremos que você o mate. — O Doutor responde friamente sem rodeios.
A surpresa foi visível no rosto de Max. — O quê? Vocês querem que eu o mate?
— Sim. — A resposta vem curta e taxativa.
— Por quê? — Max responde se mostrando confuso.
— Você não precisa saber. Não tem nada com o golpe. Queremos ele detonado, isso é tudo. É esse o nosso preço. — O “Doutor” responde friamente.
Max está visivelmente nervoso. — Tenho que responder agora?
— Não. Você tem até amanhã. Se não quiser, tudo bem, nada de ressentimentos, você devolve o dinheiro e esquecemos tudo. Se for sim, vamos lhe fornecer o caminhão, as armas e os horários da ronda da patrulha. Mas a decisão é sua. — O “Doutor” pressiona.
Max se despede prometendo entrar em contato.
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A cabeça de Max fervilha analisando os fatos. Ele está incomodado com a história. Ele era um ladrão, não um matador a sangue frio. Os homens que vão financiar tudo querem que ele queime um cara que nunca viu na vida e não dizem por quê. Eles o conheciam, sabiam que se concordasse ele não voltaria atrás. Max vê o dia amanhecer, ele está tenso, mas a decisão já foi tomada.
Max entra no Mercedes estacionado na 5ª Avenida. Kevin Simons espaçosamente acomodado no interior do veículo o saúda: — Olá Max. Feche a porta rápido, não deixe o ar condicionado escapar, hoje está um calor infernal... Então o que decidiu?
— Eu aceito a proposta. — Max responde com firmeza.
— Ótimo. A divisão será de 60% para você e 40% para nós. — Simons informa.
— A minha proposta foi de 70 para mim e 30 para vocês. Eu e minha equipe é que vamos correr os riscos e ainda vou ter que matar um cara que nem conheço. — Max reclama.
— Bem, isso é o que estou autorizado a lhe propor, é pegar ou largar! Se você não está satisfeito vai ter que discutir com o “Doutor” ou “Papa” D’Angelo. — Simons responde rispidamente.
Max curva-se cruzando as mãos sobre os joelhos; fica em silêncio pensativo.
— Eu não tenho o dia todo. Tenho uma reunião marcada no escritório daqui a 30 minutos. Então o que vai ser? — Simons pressiona.
— Suponho que vocês tenham que prestar contas a “Papa” D’Angelo não é? — Max pergunta.
— Temos mesmo Max. Você sabe como a coisa funciona. — Simons responde.
— Ok, aceito os 60/40. — Max responde.
— Ótimo. Aqui estão os 7 mil, para seu pessoal. Vou mandar o Socks entrar em contato com você para participar do planejamento. Está tudo claro? Se tiver alguma dúvida pergunte agora! — Simons exclama.
— Esse Parelli..., o que foi que ele fez? — Max pergunta.
— Não sei e nem quero saber. Sugiro que você faça o mesmo para evitar problemas. — Simons faz uma pausa. — Olhe Max, você está nos fazendo um favor. Assim vou lhe fazer um também. Parelli gosta de ferir, de apagar pessoas... Não vire as costas para ele, entendeu?
— Entendi sim. Obrigado pelo aviso. — Max agradece.
— Depois que você acertar detalhes com seu pessoal, entre em contato, Ok? — Simons determina.
— Claro Sr. Simons. — Max responde e se despede.
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É marcada uma reunião com a equipe. Socks está arfando fortemente de cansaço ao subir as escadas. — Pôrra cara, você não podia ter marcado a reunião em outro lugar? Um restaurante bacana na Times Square, por exemplo?!
— Não. Aqui tenho certeza que não seremos observados. — Max responde.
Com intervalos de 2 a 3 minutos os demais vão chegando e se acomodando no pequeno apartamento de Harry. Com todos presentes a reunião começa. Com exceção de Harry todos eram experientes em operações do gênero. Max começa as apresentações: — Bruce, o “professor”, é o nosso técnico, ele vai cortar os telefones, os alarmes e a energia do elevador; Marcus vai abrir as portas e os cofres; Harry vai nos indicar o que é de valor e compensa ser levado; joias, pratarias, etc.; Gregor vai ser nosso motorista; Garth e Daylon são os músculos que precisamos para carregar o caminhão. Bloomer, vai ficar vigiando a portaria e as câmeras das duas entradas..., e esse é Parelli, o “Socks”, é o olheiro dos chefões. — Max diz num tom de deboche. — Todos os olhares se voltaram para o homem. Parelli fuzila Max com o olhar.
Parelli era inquieto, viciado, sem cérebro e doido por matar. Uma má combinação. Nunca se separava da Magnun automática que carregava na cintura. Ele sabe que uma ordem de “Papa” D’Angelo não deve ser discutida, mas a ideia de ser comandado por um ladrãozinho do Brooklyn o irritava.
Max explica detalhadamente o plano, repetindo insistentemente para que não fique qualquer dúvida sobre função de cada um e a importância das ações cronometradas; a conversa prossegue com acertos sobre a partilha do assalto e material necessário.
— Vamos usar luvas e máscaras? — Harry pergunta.
— Vamos. Já providenciei. — Max responde.
— As armas e o caminhão? — Marcus pergunta em seguida.
— Gregor vai buscá-lo em Manhattan. As armas vou entregar no dia. — Max responde.
Socks se manifesta: — Vou levar minha arma. Isso é definitivo.
— Ok. Mas não quero tiros. Não vai ser preciso, grande parte dos moradores vai sair para o feriado. E outra coisa, não quero essas pessoas sendo espancadas, entendeu? — Max diz já prevenindo Parelli.
Max chama particularmente os comparsas e entrega a cada um deles envelope com metade do pagamento. Já com tudo esquematizado a reunião é encerrada.
................... Iniciando os trabalhos.
Na noite do feriado do Dia do Trabalho um caminhão fechado desce devagar a rua. Faz a curva, entra na rua que dá para a lateral do prédio e para, bloqueando a entrada de serviço; desliga o motor e as luzes. O porteiro estranha o veículo parar naquele local aquela hora da noite. Continua observando; 2 homens saem do caminhão, mas apenas 1 deles continuava visível. Ele se dirige aos fundos com a intenção de pedir que a entrada seja desimpedida.
— Êi você! Não pode estacionar aí. Não está vendo o aviso? — Avisa o porteiro em voz alta.
Mal acabara de falar, sentiu um objeto frio de metal encostar na sua nuca. O 1° homem pulara o muro sem grande dificuldade e agora sussurrava junto ao ouvido do porteiro. — Se você não quiser morrer vai fazer exatamente o que eu mandar!
— Ssim..., sim. — O porteiro responde gaguejando.
Com o cano da arma cutucando a nuca do porteiro, o assaltante se dirige a portaria, e apertando o botão abre o portão de serviço. Nesse instante as portas laterais do caminhão se abrem. Os homens descem rapidamente, todos mascarados e de luvas. Max se encarrega de levar o porteiro para trás do balcão da portaria e imobiliza o homem amarrando seus tornozelos e seus braços nas costas e o mantém deitado no chão atrás do balcão.
— Nem um barulho entendeu? — Avisa o mascarado. — Quantas pessoas têm no prédio?
— Tem o administrador e a mulher na quitinete no subsolo, 4 pessoas no estúdio, 4 homens no 2°, 2 senhoras idosas no 4° e 1 casal com o filho no 5° andar. — Responde o porteiro, que após a informação teve a boca tapada por uma larga tira de esparadrapo.
Max sabia que poderiam acontecer coisas inesperadas e teria que estar preparado para lidar com elas, e essa era uma delas. Com o feriado prolongado, ele não esperava que tivesse todas essas pessoas no prédio. Seria muito difícil manter o controle sobre todos eles. E se algum deles tivesse uma arma? Teriam que agir rápido, pois a ronda do carro de polícia estaria passando novamente pelo local às 3 horas. Sua mente funcionava rapidamente procurando improvisar uma alternativa para a situação. A solução imediata seria reunir todos num só lugar; um de seus homens os vigiaria enquanto os outros “limpavam” os apartamentos. Max reúne os companheiros e explica a ideia de última hora. Aquela hora todos estariam trancados em casa portanto as portas não poderiam ser arrombadas. O barulho e os gritos de socorro alertariam a vizinhança e, além disso, mesmo com os telefones cortados restavam os celulares.
Max lembra-se que as portas não tinham visor, afinal quem precisa disso quando se tem serviço de portaria durante 24 horas e um serviço de vigilância monitorado por câmeras? Então qual a solução para fazer os moradores destrancarem as portas? Qual a situação que levaria as pessoas a não raciocinarem com medo? — É o fogo! — Max sussurra para si. E assim foi feito.
Bloomer fica de vigia na portaria e de olho nas câmeras; o “professor” foi diretamente ao subsolo para cortar as linhas telefônicas, alarmes e a energia para o elevador. Cada movimento tinha sido estudado.
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No apartamento do 4° andar, a Sra. Raimi de 94 anos, morava com a irmã de 91, ambas viúvas e sem filhos eram acordadas com violentas batidas na porta e uma voz masculina berrando: — FOGO! FOGO! TEM UM INCÊNDIO NO PRÉDIO, TODOS DEVEM EVACUAR OS APARTAMENTOS IMEDIATAMENTE!
Sem questionar, atordoadas as duas velhas vestem os roupões por cima das camisolas e a irmã bastante amedrontada destranca a porta e abre. Dois homens mascarados invadem o apartamento empurrando as duas para dentro.
— Se ficarem quietinhas não vamos machucar vocês, entenderam? — Um dos homens avisa rispidamente.
As duas são levadas para o sofá, amarradas as mãos e as bocas tapadas com esparadrapo. Em seguida o outro diz: — Fique de olho nelas, vou trazer o resto das pessoas.
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No apartamento do 5° andar morava a família Smith. Raramente saiam de casa. O jovem Oscar Jr., era inteligente e estudioso. Ficou paralítico aos 12 anos devido um atropelamento quando teve a coluna quebrada; o rapaz agora com 15 anos não se sentia à vontade no convívio social. Preferia isolar-se no quarto com o computador e o celular, onde mantinha conversas madrugada adentro nas redes sociais. Era por volta de meia-noite, o jovem tinha se recolhido e os pais estavam na sala quando uma voz de homem gritou: “— FOGO! FOGO!” — batendo na porta com violência.
O Sr. Smith levantou-se de um pulo jogando o livro no chão, correu para porta, destrancou-a e abriu. Deparou com 2 homens mascarados e armados. O Sr. Smith reagiu rápido, ele atacou o primeiro mascarado, que rindo se desviou do soco. Com a coronha da arma o bandido bate no rosto do homem quebrando-lhe o nariz, fazendo o sangue escorrer. Quando ele cai o mascarado o chuta no estômago e nos testículos. Tudo acontece em segundos. A mulher assistia a tudo paralisada sentada no sofá. Era como se aquilo não passasse de um pesadelo, tudo acontecendo em movimentos lentos e irreais. O 2° mascarado empurra o outro para o lado e ordena: — “Já chega!”.
— Ai meu Deus! — A mulher saindo do choque corre e ajoelha-se ajudando o marido que encolhido no chão gemia sem conseguir se levantar.
— Nem pense em gritar sua vagabunda ou estouro sua cabeça agora mesmo! — Ameaça o agressor apontando a Magnun para cabeça da mulher.
— Onde está o garoto? — O 2° mascarado pergunta.
A mulher começa a chorar, pedindo que não fizessem mal ao seu filho que era paralítico e estava dormindo no quarto. O agressor vai ao quarto e arranca todos os cabos do computador, trás o celular e a cadeira de rodas vazia.
— O que você fez? — O outro mascarado pergunta.
— Ele finge que está dormindo, mas está bem acordado. Eu lhe disse que se ele desse um “ai” eu mataria seus pais e quebraria o seu pescoço. — Socks responde sorrindo sadicamente. — O que vamos fazer com ele? O elevador está parado não podemos carregá-lo.
Max pensa por alguns instantes e responde: — Ele não pode andar. Vou amarrá-lo e deixar aqui mesmo, amordaçado. Vamos levar os pais para o apartamento das velhas.
Socks joga a cadeira de rodas no hall e desce com o casal para o 4° andar. O Sr. Smith mantinha uma pequena toalha pressionada contra o nariz. Quando chegou ao apartamento apoiado na mulher cambaleando e sangrando, as outras pessoas se assustaram com seu estado. A essa altura já passava de 1 da manhã. Daylon, Garth e Harry iam em cada porta e com a mesma tática de alarmar sobre o incêndio, invadiam os apartamentos; com a lista em mãos Harry instruía os musculosos companheiros o que deveria ser levado para o caminhão.
Com a habilidade de um arrombador profissional Marcus abria as fechaduras dos 4 imóveis que estavam sem os moradores, abrindo caminho para os outros 3 companheiros que faziam a “limpa”. Tudo corria bem. Todos os moradores já tinham sido reunidos no apartamento da Sra. Raimi e estavam sob vigilância.
Foram descobertos verdadeiros tesouros em pedras preciosas brutas, dinheiro e ações no cofre do apartamento da cobertura, e no 2° andar o cofre na parede guardava além de joias, 18 mil dólares em grana viva.
................... O tiro saiu pela culatra.
Acreditando na incapacidade do jovem Oscar, Max se limitou a amarrar seus pulsos e tapar sua boca. Enquanto amarrava o rapaz ele alertava: — Escute rapaz. Lá fora tem um homem que gosta muito de matar e agredir as pessoas. Ele quebrou o nariz de seu pai e pode fazer coisa bem pior com sua mãe e com você. Então trate de se comportar. — Max olha o relógio; esse imprevisto desperdiçou 15 minutos.
Tendo terminado a sua parte no plano o “professor” foi designado para ficar vigiando o rapaz. Max desce para ver o andamento das coisas. Os minutos se passam. O homem vai ficando inquieto; anda pelo quarto; examina a rua escondido pela cortina. Olha o relógio. Tudo parece estar no horário programado.
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Max consulta o relógio, era 2 da manhã, o apartamento do administrador, o do 2° e do 5° até a cobertura já estavam “limpos”. Parte da equipe estava trabalhando no 3° andar. Ainda restava o estúdio e o apartamento do 4° andar onde estavam os reféns. Tudo estava indo bem. Daylon, Marcus e Garth se revezavam subindo e descendo as escadas carregando todos os objetos de valor que Harry indicava, incluindo tapetes persas caríssimos, quadros originais de pintores famosos, esculturas, notbooks, computadores, pratarias, todos os tipos de aparelhos de som e imagem que existissem nos locais. Tinham que se apressar em breve o carro patrulha passaria pelo local e veria o caminhão estacionado. Max vai até o 3° andar. — Então, como estamos?
— Estamos indo bem, esse apartamento é um verdadeiro tesouro de antiguidades valiosíssimas. Tem um... — A frase de Harry é interrompida bruscamente por Max. — Não tem tempo para isso agora, temos que correr!
— Os rapazes estão fazendo o mais rápido que podem, mas aqui tem muita coisa, precisamos de mais gente. — Harry responde.
Max lembra-se que o único disponível seria o “professor”, uma vez que Parelli estava vigiando os moradores, Gregor recebia a mercadoria roubada e arrumava dentro do caminhão e Harry orientava os companheiros na “limpa”. Corre até o apartamento do 5° andar. O “professor” se assusta com a porta sendo aberta repentinamente.
— “Professor” preciso de ajuda no 3°. — Max exclama.
— E o garoto? — O homem responde.
— Ele é aleijado, não tem perigo. — E virando-se para o rapaz confirma. — Ele não vai sair da cama. Vá ajudar os outros. Desço logo.
O “professor” olha para Oscar sem dizer nada. Então vê um antigo relógio de bolso de ouro finamente trabalhado na mesa de cabeceira do rapaz, pegou-o, coloca no bolso e sai. Max agacha-se junto à cama e observa o rapaz paralítico. — Escute. Você vai ficar quietinho ouviu? Estamos com seus pais, um ruído seu e eles já eram. Fui claro?
Oscar está tenso, se limita a balançar a cabeça concordando. A porta do quarto foi trancada por fora. O que Max não podia imaginar era que no armário embutido do quarto existia um aparelho de rádio de ondas curtas abandonado desde que o Sr. Smith comprara o computador e o celular para o filho.
Oscar ouve a porta da sala se fechando. Já resolvido a estragar os planos dos bandidos; o roubo do relógio, herança do avô o irritara, era de um valor sentimental inestimável. Foi a gota d’água. Ele esperou aproximadamente por 20 minutos e nenhum homem voltou. Decidiu agir. Começa a escorregar para o chão silenciosamente, com as costas já encostadas no tapete, puxa as pernas cuidadosamente de cima da cama. Qualquer barulho alertaria os ladrões que estavam no apartamento logo abaixo. Tira o esparadrapo da boca e o coloca sobre a cama. Mesmo com as mãos amarradas Oscar se arrasta pelo chão até chegar ao armário. Com dificuldade alcança o puxador e abre a porta. Deitando-se de lado puxa as pernas e senta-se sobre elas, apoiando no armário. Alcança o equipamento e o liga esperando pacientemente que esquentasse. Passou 1 minuto quando ele deu o sinal de chamada e avisou que estava ocorrendo um assalto no n° 903 da rua 73, em Manhattan. Transmitiu incessantemente durante 2 minutos, repetindo a mesma mensagem, esperando que alguém estivesse na mesma faixa de onda e ouvisse seu aviso.
Calculando que já passara tempo demais desde a hora que saíra da cama, ele desliga o equipamento, fecha o armário e arrasta-se de volta e com toda a força que seus braços podiam ter ele puxa o corpo de volta para a cama, recoloca o esparadrapo sobre a boca e deita exausto. Aproximadamente 6 minutos depois a porta é destrancada e um mascarado entra, olha para ele, examina o quarto com atenção e se retira trancando novamente a porta.
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A ajuda braçal do “professor” agilizou mais o serviço. Harry avaliava que até o momento já tinham passado da estimativa inicial. Com o estúdio mais o 4° andar, passaria de meio milhão de dólares em mercadorias e dinheiro. Tudo perfeito, um trabalho de organização notável.
................... A Dama de Ferro.
— É do Departamento de Polícia de Nova York? — Pergunta a voz masculina.
— Sim senhor. Em que posso ajudá-lo? — Responde o policial.
— Meu nome é Adrian Wilkinson, sou radioamador de Chicago, a poucos minutos captei um chamado de alguém informando sobre um assalto que está acontecendo...
Numa sequência de chamadas o DPNY recebe ligações da Flórida, Atlantic City, Kansas, e vários outros lugares informando sobre o mesmo assunto.
— Pelo amor de Deus você ouviu isso tudo? — Pergunta o policial.
— Claro. Isso é fantástico..., dezenas de pessoas de outros estados e cidades nos ligam informando que estão assaltando um prédio na nossa cidade e não sabemos disso..., o tenente vai gostar muito de saber. — Responde o sargento de plantão. — Não pode ser trote... Mande um carro para a rua 73. Diga para passar pelo n° 903, mas não parar, dar uma olhada e chamar depois. — Ordenando em seguida. — Ligue para o tenente e avise o que está acontecendo.
— Senhor o Departamento está fazendo uma operação conjunta com o FBI. Não seria o caso de avisá-los também? — Lembra o policial.
O sargento pensa por alguns instantes. — Quem é o agente encarregado?
— É a agente Stansfield. Lucy Stansfield. — Responde o policial.
A surpresa no semblante do sargento foi notada por todos na pequena sala. — Certo, avise-os também. — Concorda o homem que sorrindo sussurra para si: — Isso vai ser interessante.
As ligações são feitas. Aproximadamente 18 minutos depois o tenente entra no departamento como um furacão, querendo todo o relatório sobre o caso. O sargento relata tudo, inclusive do aviso para a agente do FBI. O tenente fuzila o sargento com o olhar e diz rispidamente: — Você tinha que ter falado comigo antes. Quem decide o que deve ser feito aqui sou eu. Entendido? Esses federais são um bando de idiotas, só servem para atrapalhar... Quem é a “boneca”?
— O nome é Lucy Stansfield. — O sargento responde aguardando a reação do superior.
— QUÊ? — A surpresa do tenente foi incontrolável. — Lucy Stansfield? “A Dama de Ferro”?... PUT... — O tenente controla-se no último instante quando vê a agente entrando e dirigindo-se a eles. A figura alta e o ar de autoridade da mulher impressionavam não apenas pelo seu porte, mas também pela beleza. Após rápidos cumprimentos e apresentações de sua equipe a agente pede um relatório da situação. Imediatamente o sargento repete o que acabara de relatar ao tenente.
— Muito bem senhores, a partir de agora essa operação está sob controle do FBI. — A agente exclama.
— Espere um pouco. Você não pode ir chegando assim, invadindo a nossa jurisdição. — Exclama o tenente irritado.
— Ligue para o Comissário de Polícia e o FBI-Serviço Especial de Investigação do Crime Organizado. Não demore, não podemos perder tempo. — Responde a agente olhando fixamente o homem.
O sargento vira o rosto tentando a todo custo controlar a vontade de sorrir. O tenente fica desconcertado com a atitude autoritária da agente. Ele concorda contrariado. O compromisso com o dever é prioridade: — Você tem razão não temos tempo a perder.
Imediatamente ela determina que descubram o telefone da portaria do edifício. A telefônica informa que a linha está muda, como também todos os telefones no endereço.
— Localizem o carro que passou pelo prédio. — Ela ordena.
— Ele está parado na 72. — Informa o sargento.
— Mande-o para a rua 74, e que entrem em qualquer andar do prédio que dá para o 903 da rua 73. Nada de sirene nem luzes. Quero que transmitam toda a atividade do prédio. — A agente determina.
Dirigindo-se para o tenente que permanece calado, visivelmente irritado com a afronta à sua autoridade, ela fala num tom mais ameno, tentando quebrar o clima pesado que se instalou no Departamento. — Tenente, por favor, providencie a SWAT. Preciso de 1 carro de choque e 10 homens.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A agitação no Departamento foi se acentuado à medida que os minutos se passavam. O policial que estava no telhado do prédio da rua 74 informou que as cortinas de todos apartamentos do 903 estavam fechadas, quase todas as luzes acessas, a porta de serviço está aberta e tem um caminhão parado na entrada de serviço do prédio e homens mascarados carregando coisas para o caminhão.
— Quantos homens ele viu? — O tenente pergunta.
— Disse que pelo menos 5 diferentes, mas pode ter mais dentro do prédio com reféns. — Responde o sargento.
— Cinco? Meu Deus o que é isso! — Exclama o tenente surpreso.
Stansfield determina: — Ponha a SWAT em movimento. Alerta vermelho. Mande-os estacionar na 72 perto do rio e aguardar. Mande a patrulha voltar para a 72 e atravessar o carro na rua; e quero mais carros para bloquear também a 73 e 74... Eu vou para lá. — Após pequena pausa ela continua dessa vez se dirigindo a sua equipe. — Claire traga munição e coletes. Você vem comigo... Eli, você fica aqui, preciso de alguém para suporte.
— Não seria melhor você deixar isso por conta da SWAT? Eles são especializados nesse tipo de serviço. — Diz o tenente com tom de deboche.
Lucy se limita a olhá-lo com um sorriso de lado e diz: — Avise aos carros que vou assumir o comando da operação. — As mulheres vestem os coletes, verificam as automáticas e munição e partem para o local. Deixando para trás o tenente e o sargento boquiabertos.
— Meu Deus! Não acredito. Você viu isso sargento? — Pergunta o oficial.
— Sim, senhor. Já tinha ouvido muitas histórias sobre ela, mas não acreditava. — Responde o sargento.
Com uma piadinha Eli diz sorrindo: — Ela é demais mesmo. A folha dela tem mais elogios do que eu tenho de ressacas.
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As agentes chegam ao local e se identificam. Lucy se comunica com o Departamento e informa ao tenente sua localização exata. Lucy tira o colete e se desarma. — Me empreste o seu casaco. — Ela pede a Claire.
— O que vai fazer? — Perguntou Claire sem entender a atitude da chefe.
— Vou passar pelo prédio, me deixe na metade do quarteirão e volte para junto dos policiais. — Lucy responde enquanto veste o agasalho.
Claire e Lucy trabalhavam juntas a muitos anos. Formavam uma dupla respeitada dentro do FBI. Claire sabia que não adiantaria argumentar com a chefe do perigo que correria se expondo daquela maneira.
— Que tal? — Lucy pergunta quando termina de se arrumar.
— Hum, até que ficou bem. Combina com seus olhos azuis. — Claire responde sorrindo.
Lucy sorri quebrando a tensão do momento. A agente sai do carro e caminha pela calçada oposta ao prédio. Passando pelo edifício, pelo canto do olho vê o caminhão estacionado na entrada de serviço. Mas não tinha sinal de ninguém. Enquanto caminhava Lucy analisava a situação. Uma invasão frontal seria desastrosa. Estariam expostos, pois os prédios em volta não ofereciam qualquer possibilidade de cobertura para os policiais e poria em risco a segurança dos reféns. Quando chegou a esquina da 73 já tinha formulado um plano de ataque. Dobrou a esquina e retornou ao posto de comando.
Ela entra em contato com o Departamento e pede mais 1 carro de armas com lança bombas, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral e uma ambulância. Começa então a organizar o plano.
........... Um acontecimento imprevisto.
O relógio marcava 2:27 da manhã. O estúdio já tinha sido invadido. Nesse momento Gregor entra correndo, ofegante. Tinha acabado de subir as escadas aos saltos. Avisando que um carro da polícia tinha passado exatamente na hora em que ele e o irmão estavam carregando os equipamentos para o caminhão.
Max olha o relógio e explode: — NÃO É HORA DESSES MERDAS PASSAREM POR AQUI. A RONDA SERIA ÀS 3... Acha que eles viram vocês?
— Não sei dizer, estávamos na penumbra, mas acho que sim, e o pior é que estamos de máscara. — Gregor responde.
Max decide abandonar o prédio. Manda Gregor avisar aos outros comparsas que deixassem tudo como estava, fossem para o caminhão e esperassem por ele. O que tinham já era o suficiente, deixariam o resto do estúdio e o apartamento do 4° andar. Nada valeria o risco dos seus pescoços. Max entra apressadamente no apartamento do 4° andar e manda prender todos os reféns no banheiro. A tensão era sentida no ar. Socks e Marcus empurravam as pessoas para se apressarem.
— Não vai caber todo mundo lá. — Marcus alerta.
— É só matar alguns que o problema está resolvido. — Diz Socks aterrorizando os reféns.
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Max voltava em cada apartamento examinando tudo atentamente e por último o do rapaz paralítico. Verificando que o jovem continuava na cama, voltou a trancá-lo no quarto. Max ordena que Harry vá ver Bloomer na portaria e procurar informações. O homem estava recostado numa pilastra no final do hall de entrada do edifício, de modo que quem passasse pela rua não conseguira identificá-lo na penumbra. Ele estava tenso, com os olhos fixos na rua.
— E aí Bloomer. Como vão as coisas? — Harry pergunta.
— Até o momento está tudo tranquilo. A única coisa foi uma mulher sozinha que passou pela calçada do outro lado, mas nem olhou para cá. — Bloomer responde.
— Mulher? Andando sozinha essa hora na rua? — Harry questiona desconfiado.
— Deve ser uma prostituta terminando o dia de “trabalho”. Deve ser conhecida na área, do contrário não se arriscaria. — Bloomer responde com um sorriso forçado, tentando disfarçar o nervosismo.
Harry percebe a tensão do homem, sentia que alguma coisa o preocupava e pergunta: — Está preocupado com alguma coisa?
Bloomer fica alguns segundos em silêncio. — Não sei, mas sinto que alguma coisa não cheira bem. É bom sairmos logo daqui.
Harry se encontra com Max e relata toda a conversa.
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Analisando todos os prós e contras da situação, a agente Stansfield decide que o menor risco seria uma invasão por cima, iniciando pela cobertura; 5 homens da SWAT desceriam pelo prédio vizinho até o telhado do 903, alcançariam a cobertura e entrariam “varrendo” cada andar. A tática era assustar os bandidos com barulhos e fazê-los correr para rua; nada de combate frontal. Todos os carros patrulha já estavam posicionados estrategicamente bloqueando qualquer tentativa de fuga; 6 atiradores de elite da polícia estavam posicionados nos prédios em volta, de modo a fazer um cerco no 903. Com a orientação de não atirarem até sua ordem.
O carro de choque da SWAT se move pela rua 72. O edifício vizinho do lado direito era um prédio comercial de 12 andares, que devido ao feriado estava desabitado, apenas com 6 seguranças de plantão. Com a colaboração do vigia os 5 SWAT entram pelos fundos e sobem para o telhado. Preparam o equipamento de escalada e descem silenciosamente num intervalo de 1 minuto cada, chegam ao telhado do 903 e pulam para o terraço. O homem em comando avisa que todos os SWAT já estavam no terraço.
As duas agentes se aproximam do edifício cercado. Os homens recebem a ordem de aguardar 2 minutos e depois começar a “varrer” os andares sem tiroteio. Lucy frisava insistentemente “sem tiroteio”.
Os 5 SWAT entram no quarto de Oscar e o encontram amarrado e amordaçado. O policial se aproxima e tira as amarras e o esparadrapo. O rapaz se identifica e diz que tinha sido ele quem mandou o aviso. O policial pergunta onde os ladrões estão. Oscar avisa que estão no andar logo abaixo mantendo os moradores como reféns. O policial manda que ele permaneça quieto no quarto e saem do apartamento.
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Todos os bandidos foram descendo, exceto Harry que insistiu em voltar ao apartamento do 3° andar para pegar um pequeno porta joias delicadamente trabalhado com pedras incrustadas que ficara sobre o móvel do quarto. Anny iria adorar o presente. A noite tinha sido proveitosa.
Lucy ordena que os outros 5 SWAT entrem no edifício. As agentes com os sentidos em total alerta juntam-se aos homens esquadrinhando cada metro do local. O esquadrão que descia se encontraria com os demais companheiros que subiam fechando o cerco.
O bando estava quase no fim da “limpa”. Então tudo aconteceu. Gritos vindos de cima, estampidos, explosões, fumaça descendo pelas escadas e homens gritando: — “VOCÊS ESTÃO CERCADOS! JOGUEM FORA AS ARMAS! MÃOS PARA CIMA!”.
Harry em pânico corre para a escada de serviço descendo aos saltos. Mas antes de sair vê Max subir as escadas correndo. Ele grita pelo companheiro, mas é inútil, o barulho é ensurdecedor.
Harry e o “professor” chegaram na portaria. Olhavam em todas as direções sem saber o que fazer. Por fim o “professor” tira a máscara, as luvas e senta-se no chão. Encosta na parede e coloca as mãos na cabeça. Harry vira-se a tempo de ver Bloomer sair correndo pela portaria.
Até o momento a agente Stansfield não autorizara nenhum tiro. Então de repente um mascarado sai correndo atirando contra a polícia. Ela se posiciona e com 2 tiros certeiros no peito derruba o homem. Uma bala do bandido acerta o ombro de um policial. Daylon e Marcus foram encurralados na escada sob a mira de 3 SWAT. Não tinham escapatória. Atiram as armas no chão, lentamente levantam as mãos e gritam: — NÃO ATIREM! NOS RENDEMOS, NÃO ATIREM!
Passado o primeiro momento de choque Harry compreendeu que tudo estava perdido no exato momento em que 2 SWAT invadem a portaria mirando nele e no “professor”. Tira a máscara e levantando os braços ele grita: — EU ME ENTREGO!
Um minuto antes da invasão da SWAT os irmãos chegam ao térreo, correm para o caminhão atirando contra os policiais. Numa manobra desesperada Gregor dispara de ré em grande velocidade, enquanto Garth debruçado na janela atirava. A agente ordena que abram fogo. Uma saraivada de balas atinge o caminhão. O veículo bate violentamente num dos carros que bloqueava a rua e para. Claire e 3 policiais se aproximam cautelosamente e verificam que o motorista está morto e o outro mascarado está muito ferido. Nesse momento todos são imediatamente alvejados de uma janela no 4° andar.
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Socks tratava os reféns com desprezo agressivo. Era visível a diversão que o pânico das pessoas provocava nele. Vez por outra apontava para um dos moradores ameaçando atirar. Rindo sadicamente. Quando é surpreendido com o barulho nos andares acima, logo seguido de tiros vindos da rua.
Ele quebra o vidro da janela e começa a tirar. Alguns dos moradores que já estavam presos no banheiro estavam em pânico sem entender o que estava acontecendo. Quando o tiroteio começou os reféns restantes se atiraram no chão temendo serem atingidos por balas perdidas, pois não tinham onde se abrigar. O bandido xingava e atirava recarregando a arma por 2 vezes. Nesse instante Max entra no apartamento com a arma na mão e o chama: — SOCKS!
Ele se volta e recebe 2 tiros no peito; deixa cair a arma e tomba estrebuchando e sangrando muito. Max se aproxima e dá o tiro de misericórdia. — As reféns choram histéricas com a violência da cena. — O acordo com a família D’Angelo estava cumprido.
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Max desce para o 3° andar, pula a janela e sobe pela escada externa de incêndio até o último andar. Entra pela janela, atravessa o apartamento correndo, sai pelo terraço e numa rápida avaliação da altura e da distância, numa atitude de desespero ele pula para a escada de incêndio do prédio do lado esquerdo. Ele se choca contra as ferragens, por pouco não despencando do 8° andar. Com dificuldade, se puxando para cima ele escala a proteção da escada, desce saltando os degraus até o chão; corre pelo beco tomando impulso com agilidade escala o muro dos fundos e cai na rua.
Max está arfando fortemente, caminha pela calçada procurando aparentar calma. Os policiais que estavam no carro bloqueando a 73 decidem investigar o homem que surgira do beco próximo. Saem do carro e vão na direção de Max. O bandido em desespero saca a arma e dispara um tiro certeiro diretamente no peito do policial que cai morto. Imediatamente o outro saca a arma e dispara 3 vezes contra Max que responde ao fogo e com apenas um tiro atinge a coxa do policial derrubando-o no chão. O policial volta a atirar, mas Max desaparece na esquina da 73 com a East End.
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Ouvindo vários tiros próximos a esquina da 73. Claire corre até o local e volta com a notícia de 1 policial morto e outro ferido na coxa. Lucy orienta que a ambulância de plantão se dirija para o local do confronto. A agente contata o Departamento e ordena que Eli providencie mais 2 ambulâncias.
Através do minúsculo fone de ouvido, Lucy é informada que as 2 ambulâncias chegaram. Ela manda que recolham os mortos e os feridos.
Revistando cuidadosamente os apartamentos encontram alguns moradores no 4° andar deitados no chão em choque, além das pessoas mantidas prisioneiras no banheiro. Havia também um mascarado morto no chão. As testemunhas disseram que foi executado por um companheiro.
A agente pragueja ao constatar que um dos ladrões tinha conseguido escapar ao cerco. Provavelmente era o responsável pela morte do policial na 73.
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O homem olha o relógio. Eram 3:50 da manhã; ele está parado na esquina da 74, aguardando o sinal abrir. Começa acender um cigarro quando de repente a porta do outro lado se abre e um homem entra. O suor escorrendo pelo rosto e respirando fortemente. O motorista fica assustado. Max empurra o revólver nas costelas do homem que empalidece e treme de medo, acreditando ser um assalto.
— Quando o sinal abrir continue dirigindo normalmente, eu lhe digo por onde ir... Não corra, nem “fure” nenhum sinal... Continue nessa direção. — Max ordena.
— Vo...você quer meu dinheiro? O carro? Pode pegar só não me mate, por favor... Tenho mulher e filha... Pegue tudo e me deixe ir embora. — Diz o homem gaguejando apavorado.
— Pôrra, cale essa maldita boca e dirija!... Vamos para o Brooklyn. — Max esbraveja.
Max pressionava firmemente a arma nas costelas do motorista. O carro segue o trajeto indicado parando num falso endereço no Brooklyn. Max sai e diz: — Vá embora. Vou ficar aqui para ter certeza que você vai seguir. — Ele acompanha o carro até desaparecer na esquina.
Agora já eram 4:15. Ele segue pela rua até seu apartamento. Sobe os degraus aos pulos. Entra no apartamento tranca a porta e fecha as cortinas. Pega a garrafa de conhaque e toma grandes goles. Está suado, tenso, exausto. Ele está confuso; analisa o que pode ter acontecido de errado. Tinha um golpe bem planejado. Tudo estava correndo às mil maravilhas e de repente aconteceu aquela merda toda. Onde estava a falha? Agora tinha que sumir por uns tempos, deixar a coisa esfriar.
A Máfia tem olhos e ouvidos por todos os lugares de Nova York. “Papa” D’Angelo e o “Doutor” já devem saber do fracasso do golpe, mas também que ele cumprira o trato. Acreditava que isso amenizava a situação.
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Pressionado no interrogatório, num acordo para ter a pena atenuada, o “professor” delata Max como o “chefe” e o mentor do assalto. Com as informações necessárias Claire e Lucy seguem para o endereço de Max.
Enquanto se dirigem para o Brooklyn, a agente Stansfield analisa em que ponto o cerco pode ter falhado. Claire dirige calada. Por fim ela rompe o silêncio: — Lucy o chefão vai mandar um agente para reforçar a equipe.
— Quê? — Lucy exclama surpresa. — Não acredito que o Robert vai fazer isso comigo... Você sabe quem é?
— Não. Ele só disse: “nada melhor do que aprender a trabalhar com a melhor”. — Claire contém o sorriso.
— Engraçadinho ele... Era o que me faltava. Agora vou ter que aturar um novato metido a sabichão..., cheio de teorias e nenhuma prática de campo. — Lucy reclama.
— Lucy não é ele..., é “ela”. — Claire informa.
— O QUÊ? Não acredito! — O ar de espanto da agente provoca risos em Clair.
A notícia aborreceu a agente. Ela não gostava de trabalhar com novatos; era uma preocupação a mais. Lucy sempre tinha como objetivo a conclusão satisfatória dos casos que lhe eram designados, mas em qualquer ação sob seu comando sua 1ª preocupação era a segurança de pessoas inocentes e do pessoal de sua equipe. Esse não parecia ser um caso comum de investigação. A organização e a estrutura montada para o assalto levava a indícios da participação da Máfia nesse caso. Ela conhecia a frieza e perversidade da organização; nada nem ninguém era obstáculo para alcançar seus objetivos, e o que menos ela precisava no momento era uma pessoa inexperiente sob sua responsabilidade.
................... A novata.
São 4:45 da manhã. A tensão toma conta dos nervos de Max. Ele não poderia continuar ali, na certa a polícia descobriria seu endereço. Caminha nervoso pelo apartamento; a mente ágil procura uma saída. Escondido pela cortina ele olha pela janela a tempo de ver um carro da polícia e uma picape preta estacionando na frente do prédio. A saída de serviço nos fundos dava para um beco sem saída. Lembrou-se do subsolo. Juntou os dólares restantes, 1 caixa de munição e pôs tudo nos bolsos do casaco. Max desce as escadas aos saltos, chega ao subsolo; um lugar extremamente quente e fétido; com vários sacos de lixo amontoados e 2 grandes latões azul de lixo com rodas, num canto. Um lugar inadequado para se viver, mas era o lar do faxineiro; um velho bêbado e mal humorado.
Max bate com força na porta do quarto do homem. A porta abre-se com um rangido. A expressão de surpresa do velho foi imediatamente acompanhada pela pergunta: — O que você quer?
— Tem um pessoal barra pesada que veio me cobrar uma grana e não tenho como pagar. Preciso sair do prédio sem que eles me vejam. — Max resolve falar a língua internacional do dinheiro. — Tome 10 dólares. Me leve para a rua naquela caçamba de lixo.
Enfiou o dinheiro na mão do velho e se dirigiu para o latão de lixo. Esvaziou o conteúdo. Quando viu a cara do velho se franzindo numa careta, enfiou a mão no bolso e deu mais 20 dólares para o homem. Max deita o latão e entra. Com um gemido de esforço tremendo, o velho levanta o latão, põe um saco de lixo sobre Max fecha a tampa e segue para a rua.
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Por ordem superior Stansfield contrariada aceitou a jovem agente, mas a tratava com frieza e uma sutil hostilidade. Lucy ordena que os dois policiais vigiem a saída de serviço; que Eli fique na entrada do prédio e a novata fique no carro para manter contato com a central. Era uma desculpa para manter a loira longe dela.
Não dão atenção ao velho faxineiro que sai do prédio empurrando um latão de lixo para o beco próximo. Lucy e Claire sobem as escadas correndo. As agentes se posicionam prontas para invadir o apartamento. As batidas fortes na porta são acompanhadas do berro de aviso: — FBI!
Força a maçaneta. Silêncio total. Com um violento chute ela arromba a porta estraçalhando a fechadura e ambas invadem o apartamento. Com os sentidos em total alerta, examinam cuidadosamente cada cômodo. Imediatamente entra em contato com os 2 policiais e Eli; é informada que ninguém saiu pela porta de serviço nem de entrada. A fisionomia da agente se contrai de raiva e ordena que todos subam vasculhando cada andar enquanto ela e Claire desceriam pela escada de serviço. Ninguém foi encontrado.
Lucy pragueja furiosa: — MERDA! O DESGRAÇADO CONSEGUIU ESCAPAR!
— Como pode ser? — Claire questiona intrigada.
O raciocínio ágil da gente vai analisando os detalhes. O semblante tenso de Lucy se transforma quando ela se lembra do velho empurrando o latão. Manda que procurem o faxineiro.
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Max sente a caçamba parar. O velho bate na lateral do latão; Max sai do beco andando apressadamente na direção da rua 24 Oeste. Sem perceber que esta sendo seguido.
A campainha toca insistentemente. Uma olhada no visor e Anny abre a porta sonolenta. A única iluminação do ambiente era a da rua que entrava pela janela. Max entra apressadamente e ordena: — Tranque a porta e feche as cortinas.
Anny estendeu a mão para o interruptor; Max segurou-lhe o braço a tempo de impedir e diz: — Não acenda a luz!
— Onde está o Harry? — Anny pergunta assustada.
Max a olha em silêncio. Anny cai em si e como se não quisesse acreditar na evidência pergunta: — Saiu tudo errado? Ele... ele está...
— Ele foi preso. Saiu tudo errado sim. Estávamos tão perto..., tão perto. Aí de repente... — Max demonstrava a raiva prestes a explodir. — Acho que alguém nos entregou! — Ele conclui a frase sacando o revólver.
A mulher recua com os olhos arregalados de pavor, quase tropeçando nos móveis, ela diz apavorada: — O que é isso?... Não Max, não fui eu, por favor, não fui eu! Eu nunca iria denunciar vocês, juro por Deus!
Max dá uma violenta bofetada na mulher que se desequilibra e cai sobre o sofá, ele aponta a arma e berra: — Sua cadela vagabunda, eu confiei em você e você nos traiu... O que foi? Quis se livrar do seu macho?... Só que você ferrou com todos nós sua piranha! Quanto ganhou pela informação, ou está trepando com algum tira hein?
Anny murmurava entre soluços: — Não Max eu juro, não fui eu! Por favor, não me mate!
Max esmurra violentamente a mulher no rosto e no estômago enquanto a xinga. O sangue escorre pelo lábio cortado e o nariz de Anny que tossindo e chorando se dobra de dor abraçada à barriga. Por fim ele a levanta pelos cabelos e enfia o cano da arma em sua boca.
Nesse instante a batida na porta e uma voz feminina o faz parar. — Senhora, está tudo bem aí?
Max sacode a mulher e manda que responda. — Quem... está aí? — Anny diz com esforço controlando o choro.
— Sou sua vizinha do 3B, ouvi barulho, pensei que você poderia estar passando mal. — A voz responde.
— Não..., obrigada... Estou bem..., está tudo bem. — Anny responde com a arma encostada na cabeça.
— Ok..., se precisar de alguma coisa é só tocar a campainha do lado. — A mulher diz.
Muitos minutos se passam, Max aguarda; segue-se o silêncio. Ele caminha até a porta, olhando pelo visor se certifica que a vizinha foi embora. Quando é surpreendido por uma voz próxima a janela: — Jogue a arma no chão e vire-se devagar!
Max vira-se devagar sem largar a arma; estava ofuscado pelo facho da lanterna apontada diretamente para seus olhos. Anny chorava encolhida no sofá.
— Ponha as mãos para cima. DEVAGAR! — O vulto ordena.
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A equipe de Stansfield volta para a picape e não encontram a nova agente. A tensão acumulada e a frustração de mais uma investida mal sucedida descontrolam a agente. Furiosa Lucy esmurra o volante.
— Alguém viu a “Barbie”? — Lucy pergunta irritada se referindo a novata. Claire e Eli se entreolham sem saber o que responder. O celular toca. Lucy atende, seu tom de voz é áspero: — Alô... Onde você está?... O QUÊ? Olhe mocinha, não estou para brincadeira ouviu?... QUÊ?..., TEM CERTEZA? Não faça nada, espere por nós, entendeu? Estamos indo para aí. Espero que você esteja certa!
Lucy e a equipe partem para o endereço, acompanhado do carro de polícia. A agente contata o DPNY pedindo mais 1 carro e que se dirija para a rua 24 Oeste no Brooklyn. Os carros da polícia param nas esquinas das ruas paralelas; em outro ponto distante do endereço a picape para; os 3 agentes correm, entram no prédio e se dirigem para o apartamento 3A. Com as armas apostos se posicionam e antes que Lucy se anunciasse ouvem-se três disparos. Lucy e Eli chutam a porta estraçalhando a fechadura; invadem o apartamento a tempo de ver sob a iluminação das lanternas, o homem deixar cair a arma e tombar bem devagar agarrado a surrada poltrona junto a TV. Claire acende a luz. Os agentes surpresos se deparam com a novata próxima a janela aberta agarrada ao braço direito, com um filete de sangue escorrendo entre os dedos e a fisionomia atordoada. Lucy manda que providenciem uma ambulância enquanto socorre a jovem agente.
— Sua louca não mandei esperar? Não sabe obedecer ordens? — Lucy esbraveja.
A jovem não reage, é como se não a estivesse ouvindo, apenas continua olhando o cadáver sangrando no chão. Lucy percebe que pelo estado de choque da novata esta deveria ser a 1ª vez que matara alguém. A tensão e irritação de Stansfield dá lugar a preocupação com a jovem.
— Como é mesmo o seu nome? — Lucy pergunta num tom cordial.
— É Gabrielle senhora... Eu não queria matá-lo, mas ele reagiu. — A jovem responde saindo do estado de torpor.
— Calma menina, está tudo bem... Fique calma... A quanto tempo está no FBI? — Lucy pergunta examinando o ferimento da jovem; a bala pegara de raspão, nada sério.
— 2 anos, senhora. — Gabrielle responde.
— Hum... Fez um bom trabalho menina. Não vou esquecer isso. — Lucy responde. — Não precisa me chamar de “senhora”, e da próxima vez obedeça as minhas ordens, entendido?
— Sim senhora..., Quer dizer..., sim, está certo chefe. — Gabrielle responde encabulada.
A ambulância chega; as 2 mulheres feridas são socorridas e o corpo recolhido.
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O corpo de Max Sanderson foi levado para o necrotério da cidade de Nova York por volta das 7:00 da manhã. O apartamento dele foi lacrado e um guarda colocado na porta. No dia seguinte a equipe chefiada pela agente Stansfield vasculhava o local minuciosamente. Claire, Eli e Gabrielle reviravam gavetas, armários, colchão, poltrona, atrás e embaixo dos móveis.
Gabrielle encontra pregado com fitas, escondido debaixo da última gaveta de uma cômoda no quarto, um pequeno caderno. A primeira vista parecia uma agenda com anotações. Lucy folheia o caderno e seus olhos brilham. Ela mal acredita no que está em suas mãos. Dá uma sonora risada. Os outros agentes a olham curiosos. Claire conhece a chefe, ela não é de demonstrar sentimentos, alguma coisa muito especial deve ter acontecido.
— Sabe o que é isso? — Lucy pergunta e antes que alguém respondesse ela continua. — Isso é uma espécie de diário contábil falando dos negócios de Max Sanderson, ligando-o ao tráfico de drogas, prostituição, extorsão e roubos. Todos devidamente detalhados e o melhor de tudo... Mostrando a participação da família D’Angelo em tudo isso. Aqui tem evidências suficientes para por Jeoffrey “Doutor” Lane, Kevin Simons e César “Papa” D’Angelo na cadeia por um bom tempo. — Lucy está contente; olha para Gabrielle que lhe devolve o olhar e um lindo sorriso. Por alguns segundos elas permanecem se encarando. Lucy finalmente abre um belo sorriso, indicando que o novo membro da equipe tinha sido aceito com total aprovação da agente.
........... Uma noite de comemorações.
Num relatório confidencial ao FBI, a agente Lucy Stansfield relata toda a sequência de fatos, gravações e procedimentos legais usados para que se chegasse a conclusão da missão. Embasado nas indiscutíveis provas apresentadas a Promotoria da cidade de Nova York abre processo acusando criminalmente Jeoffrey Lane, Kevin Simons e César D’Angelo. Processo esse que mais tarde passou a esfera da Suprema Corte, devido a complexidade e o envolvimento de mais pessoas que estariam fora da competência legal do município.
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Já passava de meia noite, mas o grupo continuava conversando animadamente na Columbia, a cafeteria que nunca fechava. Comemoravam a condenação dos 3 mafiosos. É claro que a família D’Angelo não deixaria de existir, mas pelo menos sofrera perdas importantes na sua estrutura. Lucy sorria numa descontração raramente vista, até mesmo por Claire sua parceira de anos no FBI. A conversa inevitavelmente caminhou para o desfecho do caso de Max Sanderson.
— Já que estamos falando no assunto, uma coisa me deixou intrigada. Pode me explicar como você foi parar no endereço da Anny? — Claire pergunta se dirigindo a Gabrielle.
Um pouco encabulada Gabrielle responde: — Bem..., já que fui deixada de “castigo” no carro, resolvi usar o laptop, entrei nos arquivos do DPNY e li os depoimentos dos bandidos capturados no assalto, o que me levou a ficha de Sanderson. Poucos minutos depois vi um homem saindo do beco. Ele estava com uma atitude suspeita, olhando em volta nervoso. Observei melhor e vi que correspondia com a foto do criminoso. Arrisquei o palpite que se fosse o Sanderson, ele procuraria outro abrigo por perto. Consultei os endereços dos comparsas e o único no Brooklyn era o do Harry, então resolvi segui-lo.
— Mas você foi imprudente menina, devia ter nos esperado. — Lucy interrompe.
Gabrielle a olha séria e diz: — Chefe posso lhe pedir um favor?
Lucy a olha curiosa e após alguns segundos responde com certa desconfiança: — Pode.
— Pare de me chamar de “menina”, “mocinha” e coisas do gênero. Gostaria que me chamasse pelo meu nome! – Gabrielle responde séria.
Lucy, Claire e Eli se entreolham surpresos pela atitude de Gabrielle; alguns segundos se passam em silêncio. Claire e Eli percebem a piscadela rápida e significativa da chefe. A fisionomia de Lucy se fecha. Os olhos azuis penetrantes encaram Gabrielle. Por fim o silêncio é rompido: — Está bem “Gabrielle”. — Lucy frisa bem o nome da loira. — Mas também tenho um pedido, ou melhor, uma ordem. Não me chame mais de “Chefe”.
Gabrielle sente que o clima de descontração mudara; se sente insegura com o peso do olhar e o tom de voz de Stansfield; talvez tenha tido uma atitude precipitada. Ela ainda não estava acostumada com o temperamento da chefe.
— Bem acho que já está tarde, Amanhã tenho que ir cedo para o trabalho. Vocês ficam? — Lucy diz sem olhar mais para a loira sentada ao seu lado.
Todos se levantam. Gabrielle está embaraçada. — Chefe, quer dizer Lucy, eu... — A frase é interrompida bruscamente por Stansfield.
— Você não é obrigada a sair agora. Mas quero que se apresente amanhã às 7:00, está claro? — Lucy diz, em seguida piscando o olho para Eli.
Eli acompanhado de Gabrielle e seguido por Stansfield se dirigem a porta. Nesse momento Claire vai ao balcão e pede 3 cervejas. Seguem na direção da picape em silêncio. Claire se junta ao grupo e cercam Gabrielle impedindo sua entrada no veículo e antes que pudesse reagir, é pega de surpresa com as cervejas sendo derramadas sob sua cabeça. A loira dá um pequeno grito de susto acompanhado de risos de todos e o “batismo” está realizado.
Lucy diz sorrindo em bom som: — Bem vinda a equipe Gabrielle!
Passado o espanto Gabrielle sorri sem jeito aceitando o “batismo”. Apesar do transtorno de ver sua roupa e cabelos molhados de cerveja, está contente. Agora ela tinha certeza que fazia parte da equipe da “Dama de Ferro”. Sem dúvida essa seria apenas a 1ª de inúmeras missões de que participaria e o início de uma grande amizade.
Continua...
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