O garoto do armário 118
4 Apelidos e capa do celular
Notas iniciais
Vamos lá, mais uma história para vocês: a criação dos apelidos do Kazuhiro.
O primeiro apelido foi TEF, sabem o significado?
Trabalho de Educação Física.
Foi criado na época em que o professor passou um trabalho e eu queria disfarçar quando estivesse falando dele no corredor com a meninas, ai veio a brilhante ideia desse apelido!
Sou muito criativa, não é?
O segundo foi até engraçado:
Tinha acabado de chegar na escola e estava tomando café com a Alice quando...
Puff! A luz foi embora.
Por conta disso, todos os alunos deveriam permanecer no refeitório, ou seja, ficou um calor absurdo!
A Liza, que havia chegado às 7:00, sentou conosco e começamos a fazer uma tarefa que tínhamos para o dia seguinte.
Eu estava ficando irritada por conta do calor.
Maldita coordenadora!
Comecei a ouvir risadinhas das meninas.
— O que foi? — já até sabia o porquê,
— Ele é muito estranho sem casaco! — comentou a Alice.
— É muito magro! É metade do meu lápis verde. — advinha de quem foi essa peça?
Começamos a rir loucamente na mesa.
Já falei que amo a Liza?
Muito legal tudo isso, né?
Não.
E o mais atual, criado no segundo ano: DC.
Não é por causa da DC Comics, já vou avisando. Eu gosto, mas prefiro a Marvel.
Bom, comecei a falar sobre como achava o rosto dele estranho e que eu era cega. Descobri o “dito cujo”, aquele de que se fala mal, e ficou abreviado, apenas DC.
Já falei o quanto sou criativa?
Pois é.
Vamos a outra história legal. Só que não.
Alice e eu estávamos sentadas nos bancos ao lado do refeitório, creio que olhávamos alguma coisa no celular dela e depois guardou.
A campa bateu e subimos.
Malditos dois lances de escada. Mata-me todos os dias. Sou uma sedentária que ama esportes.
Lógica, para quê?
Entramos na sala e fomos pegar nossas escovas de dente. Guardei meu celular e Alice me chamou:
— Chrystie, você pegou a capinha do meu celular?
Lembro que estava saindo.
— Não, já conferiu os dois bolsos?
Ela me olhou irritada.
— Já sim! Eu guardei aqui! — bateu na lateral da calça.
— Vamos falar com a Scarlet para caso alguém achar, ela nos avisará.
— Certo!
Saímos e fomos caminhando pelo corredor, a nossa era a última.
— Não é possível, ganhei aquela capa no sábado! — ela já estava triste.
— Calma, mulher! Nós acharemos!
Olhei para frente e quem eu vejo?
— Vamos falar logo para ver se alguém achou sua capinha...
Demos mais uns passos e virei, no mesmo instante vi um braço surgir em minha frente. Abaixei-me e olhei para trás.
Kazuhiro havia parado Alice.
Comecei a rir e corri para a área dos armários.
Passou-se um tempinho e ela apareceu, rindo.
— O que ele queria? — perguntei, estava extremamente curiosa.
— Ele veio devolver a capinha, estava caída atrás dos bancos. Como havia ouvido que estávamos atrás, veio perguntar.
— Não falei que tudo daria certo? — sorri.
Ela também sorriu, mas mudou para uma expressão que eu odiava.
— Ficou com ciúmes não, né? — dei um tapa em seu braço. — Você passou por debaixo do braço dele! — começamos a rir.
— Eu sei!
— A mão dele surgiu do nada! Tomei um susto!
Rimos ainda mais.
Esse dia foi louco.
Nunca soube como ele viu a capinha, porque ele ainda estava no refeitório quando sentamos no banco.
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