O garoto da casa ao lado
5 Capítulo 5 - Padaria da esquina
Notas iniciais
Passei por Nico e me sentei na cedeira em sua frente (ele ainda me olhava com cara de uaau).
– Olha, eu sei que meu brilho ofusca os seus olhos e abala todo mundo, mas não precisa ficar babando desse jeito. — Eu brinquei com ele (mas a parte do brilho é verdade), ele apenas desviou o olhar e murmurou:
– É que seu cabelo assim faz você ficar bonita... — PARA TUDO! NICO DI ANGELO ESTAVA ME ELOGIANDO? A MINHA PESSOA? Eu até pensei em falar isso em voz alta, mas eu só falei um rápido
– Eu sei! — Vocês pensaram que eu iria falar "obrigado", né? Mas ele não é digno da minha gratidão. — Cade o pessoal?
– As meninas foram na minha casa com a Hazel e os meninos foram no supermercado pra comprar algumas coisas, já que vocês acabaram com o doritos.
– 1º- O doritos era meu e 2º- Por que você não foi junto? — Eu me levantei e peguei água na cozinha.
– Por que eu acordei agora a pouco, Percy me mandou uma mensagens. — Nico me passou o celular dele aberto no Whats com a conversa do Percy. Estava basicamente assim: "Cara, eu e o pessoal tamo indo comprar umas besteiras ai no supermercado e as minas foram na tua casa, acorda ae bela adormecida!". Eu devolvi o celular e me sentei de novo.
– Aproveitando que todo mundo saiu, eu vou aqui na padaria comprar minha Nutella que acabou. — Eu fui subindo até meu quarto e Nico foi atrás.
– Eu vou com você. — Ele, assim que entramos no meu quarto, sentou na minha cama e começou a mexer no celular. Eu fui até meu closet, peguei um short, uma blusa branca e meu casaco da grifinória, já que tava um pouquinho frio hoje. Fui até o banheiro, me tranquei e comecei a me trocar. Quando sai, Nico folheava um dos meus livros.
– NÃO TOQUE NOS MEUS LIVROS! Quantas vezes eu já te falei isso? — Peguei o livro da mão dele (que eu percebi que era A culpa é das estrelas) e coloquei de volta na minha estante.
– Umas 300 vezes desde de que você aprendeu a ler! — Ele deu uma risadinha — Vamos logo! — Fomos descendo até a porta e saimos de casa. A padaria era logo na esquina e meu pai tinha deixado dinheiro comigo caso eu precisasse.
A padaria se chamada "Padaria do seu zé", mas infelizmente o seu zé já morreu a uns trinta anos (segundo meus pais) ou seja eu nunca conheci o seu zé, mas o seu filho zé II assumiu a padaria... Tanto zé nessa merda (Olha que a filha dele se chama zé joaquina, a coitada devia sofrer bullying na escola).
– Eai seu zé 2 — Ele ficava com raiva quando eu chama ele de 2, pois ele sempre me corrigia falando que era 2º.
– Não é dois! É segundo!!! — Ele esbravejou.
– Oi pra você também. A educação de hoje em dia não existe mais né! — Eu me virei de costa para ele, pois se não ele ia me ver rindo.
– Oi, Cassidy... — Seu zé 2 (hihi) era um cara meio velho, com uns dentes a menos, um chapéu de palha e uma voz incrivelmente irritante. — Sua Nutella acabou de novo?
– É a vida! As coisas sempre acabam um dia. — Eu fui até a prateleira da minha vida e peguei uns três potes.
– Menina, você vai se entupir de tanta Nutella! Não é a toa que eu achei você mais gorda. — Nico debochou se apoiando no balcão do caixa em que zé 2 estava.
– O que vem de baixo não me atinge. — Mostrei a língua pra ele e peguei outro pote só de mal.
– É assim que os namorados se falam hoje em dia? — Perguntou zé 2
– Nós não somos namorados!! — Falamos eu e Nico ao mesmo tempo.
– Ta bom... — Zé 2 piscou para Nico mostrando os buracos no meio do seu sorriso.
– Cala boca seu zé DOIS! — Quase esfreguei o dois na cara dele quando coloquei minhas nutellas no caixa.
– Qual é o seu problema? — Pergunto a criatura com cara feia.
– O meu problema é ele! — Apontei para Nico e ele ficou com cara de "wtf"
– O que eu fiz? — Ele chegou perto de mim.
– Nasceu! — Joguei o dinheiro na cara da poha do zé 2 e sai pisando forte daquela espelunca.
– ESPERA GAROTA! — Ouvi Nico gritar, mas eu já tava do outro lado da rua. — Volta aqui. — Quando ele me alcançou eu já estava na frente de casa, ele me segurou pelo ombro e se aproximou de mim.
Ele estava tão perto que eu podia sentir a respiração pesada dele (o coitado correu demais... Quer saber, coitado uma ova, quem mandou ele nascer!?).
– Olha aqui, eu já fiquei com minha paciência no ponto alto ontem por conta daquilo, hoje já passou do limite. — Eu cruzei os brços e segurei o olhar dele. Os olhos deles eram bem pretos e os meus eram azuis, ele era totalmente branco e eu era muito bronzeada, seus cabelos era bagunçados e de qualquer jeito e os meus eram arrumados e lisos (quando eu não faço trança), ou seja, eramos totalmente opostos. Mas por alguma razão eu comecei a ficar mais calma, descruzei meus braços e continuei a olhar pra ele. Ele também pareceu relaxar e encostou sua testa na minha, olhando para meus lábios.
Então eu despertei quando ouvi umas risadinhas. Me afastei rápido dele e olhei pra frente. As meninas estavam em frente a casa do Nico, rindo e com a câmera dos celulares apontadas pra mim.
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