O garoto da Casa ao lado

24 Namorando oficialmente


— Então vocês estão oficialmente namorando? — Travis perguntou.

— Sim — Arthur respondeu animado.

— Finalmente o casal Grifinal dessa escola está vivíssimo.

— Agora não há mais nada que ela possa fazer para se livrar de mim.

— Estou começando a me arrepender de ter aceitado seu pedido, Harris — falei.

Ele fez uma cara de magoado.

— Pode ficar tranquilo, Arthur. Ela não vai desistir de você tão cedo — Jane falou.

— Verdade — Hannah concordou — Já não basta a demora que foi pra ela admitir que gostava de você.

— Eu precisei ficar sob efeito de uma poção proibida em Hogwarts pra ela fazer alguma coisa.

Nós rimos da situação.

— Em minha defesa não foi bem assim, ok?

— Foi sim, Chloe. Cale a boca — Jane disse.

Eu dei um suspiro.

— Ok, vocês me venceram. Agora será que a gente pode aproveitar esse fim de semana em Hogsmeade e parar de falar da minha vida amorosa?

— Sim senhora.

>>>

Maio chegou rapidamente a Hogwarts. Os alunos já começavam a se preparar para os exames, assim como os do quinto e sétimo ano se preparavam para o N.O.M.s e N.I.E.M.s, respectivamente.

— Já pararam para pensar que ano que vem é a gente estudando pro N.I.E.M.s? — Henry disse na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas.

— E é o ano em que a gente se forma! Já sinto até um pouquinho de saudades de vocês — Hannah disse enquanto anotava o que estava no quadro.

— Parece que foi ontem que fizemos os N.O.M.s!

— Parece que foi ontem que nós fomos selecionados para as Casas — Henry falou.

— Vamos parar de falar disso? Esse assunto de provas me deixa nervosa — Jane disse.

O horário da última aula de Herbologia era meu período livre, visto que eu não fazia essa matéria, assim eu aproveitava para estudar praticamente sozinha na biblioteca.

Eu estava sozinha, concentrada nos meus livros, quando alguém assoprou minha orelha pelas minhas costas.

—Que por... — eu virei para ver quem era e recebi um beijo na bochecha.

— Assustou? — Arthur perguntou.

— Óbvio. Você é ridículo, Harris.

— Eu também te adoro, Wood.

Eu revirei os olhos e continuei a escrever meu resumo de Transfiguração. Arthur puxou uma cadeira e sentou na minha frente.

— Você não devia estar na aula de Herbologia? — perguntei.

— Deveria, mas pensei em matar a aula e vim te ver. Foi a melhor escolha do meu dia.

— Você não pode ficar matando as aulas, Arthur! Volte já para estufa.

Ele esticou o braço e segurou minha mão.

— Tá tudo bem. O prof Longbottom está dando um conteúdo que eu já sei.

— Fico orgulhosa de você já saber o conteúdo, mas mesmo assim... não fique matando as aulas a toa, Arthur — falei.

Ele dá de ombros. Continuo escrevendo até me incomodar com ele sentado em minha frente, me observando.

— Sério que você matou aula pra ficar me vendo? — perguntei.

— Eu pensei se você não quer ir dar uma volta comigo — ele deu um sorriso travesso — O castelo está meio vazio agora.

Eu sorrio, pensando sobre sua proposta.

— Nunca pensei que fosse dizer isso, mas sim. Vamos sair daqui.

— É sério?! Achei que você nunca fosse deixar de estudar para ir namorar, Wood. Logo você, da Corvinal.

— Eu também achei que nunca fosse — falei dando de ombros — Mas tudo tem a sua primeira vez.

Ele foi carregando minha mochila até chegarmos na Torre da Corvinal.

— Só vou jogar minhas coisas ali dentro, já volto.

Entrei na Torre que estava completamente vazia. Dei uma olhada no espelho e arrumei meu cabelo. Quando saí, Arthur estava me esperando enquanto olhava pelas escadas do castelo.

— Achei que você tinha morrido ali dentro. Que demora, Wood. Estava ficando preocupado.

— Que calúnia! — falei — Eu demorei dois segundos no máximo.

Ele passou o braço pelos meus ombros.

— Onde você quer ir?

— Não faço ideia — falei — Na verdade, a sala da Corvinal está deserta agora. Você já entrou lá?

Ele me encarou como se não acreditasse no que eu acabei de dizer.

— Você está me convidando para entrar na sua sala comunal?

— Ah, eu conheço a sala da Grifinória. Vamos.

Puxei a mão dele e abri a passagem da minha Casa.

— Bem vindo a sala comunal da Corvinal.

Arthur estava admirando a quantidade de livros que havia.

— Isso aqui é muito Corvinal, por Merlin.

— Eu sei — respondi me jogando em uma dos sofás de frente pra lareira.

— Algum de vocês já leu tudo isso?

— Provavelmente. Nunca duvide da capacidade de leitura dos corvinos.

Ele estava olhando cada centímetro da sala, impressionado.

— Que vista incrível vocês têm.

— Eu sei! — respondi — A minha cama é de frente para uma das janelas, é incrível. Você deveria ver um dia.

Ele virou para mim com um olhar diferente.

— Chloe, você não pode ficar dando esse tipo de informações sem despertar a curiosidade de um homem, se é que você me entende.

Eu ri.

— Uma pena que garotos não consigam entrar nos dormitórios femininos, se não eu te mostrava. No da Grifinória dá?

— Não — ele respondeu sentando do meu lado — Travis já tentou ir no dormitório de Hannah mas foi jogado para fora. Deve ser uma regra em Hogwarts.

Eu ri imaginando a cena.

Arthur deitou com a cabeça no meu colo e eu comecei a brincar com seus cabelos loiros.

— O jogo com a Lufa-Lufa é essa semana, não é? — perguntei.

— Sim. A Grifinória precisa ganhar, Chloe.

— A final será com a Corvinal se vocês ganharem. Eu sempre fico tão perdida sobre para quem torcer... Óbvio que eu torço para Corvinal, mas eu também torço pelo capitão da casa rival. Olha a situação que você me colocou, Harris.

Ele segurou minha mão que estava apoiada sobre seu peitoral.

— Aposto que você não queria estar em outra situação, Wood.

— Com certeza não.

— A gente não falou uma vez que não precisávamos ser melosos um com o outro? — Arthur perguntou rindo.

— Falamos — respondi.

— Acho que estamos nos contrariando, então.

No sábado de manhã era o jogo da Grifinória contra a Lufa-Lufa. Eu acordei cedo e deixei a sala da Corvinal enquanto todos ainda dormiam para me encontrar com um namorado muito nervoso no Salão Principal.

— Você sabe que ainda faltam três horas pro jogo, certo? — perguntei me sentando na mesa vazia da Grifinória, exceto por ele.

— Sei.

Eu segurei sua mão e com a outra me servi com suco de abóbora.

— Vai dar tudo certo. Vocês vão arrasar hoje, tenho certeza.

— Obrigado, Chloe.

Nós terminamos de comer e fomos passear pelos jardins até dar a hora de ele ir para a o vestiário.

— Você vai se sair bem, Arthur. Você é um ótimo capitão — disse e dei um beijo nele.

— Obrigado.

Dei um abraço nele, antes de deixá-lo ir para o vestiário.

— Te amo, Harris — sussurrei em seu ouvido — Agora arrase nesse jogo.

— Também te amo, Wood.

Jane, Hannah e Henry já estavam me esperando para irmos juntos para a arquibancada.

— Arthur está nervoso, não está? — Hannah comentou enquanto subíamos a escada — Travis comentou comigo.

— Está — falei — Ele acha que não é um capitão muito bom para o time.

— Ele está muito enganado então — Henry disse — Eu jogo quadribol e sei quão bom ele é. É muito difícil jogar contra a Grifinória.

— É... ele tem uma certa dificuldade em aceitar que ele é bom.

O time entrou em campo sob uma chuva de aplausos. Eu fiz um joinha para Arthur assim que ele me achou na arquibancada.

Não demorou muito para a Grifinória abrir o placar do jogo.

— E BAKER DEFENDE OS AROS DA GRIFINÓRIA. NIELS DETÉM A GOLES, ARREMESSA PARA STEVENS... LUFA-LUFA CONSEGUE A GOLES... MOORE DESVIA DO BALAÇO ARREMESSADO POR COOPER E DEIXA A GOLES CAIR NA MÃO DA GRIFINÓRIA. HARRIS AVANÇA PARA MARCAR.... É PONTO DA GRIFINÓRIA!

A arquibancada vibrava a cada ponto marcado.

— Olha, eu acho que o Kevin viu alguma coisa — Henry disse.

De fato o apanhador da Grifinória estava descendo em alta velocidade.

— Ali o pomo — falei apontando.

— Onde? — Hannah perguntou.

Antes que eu pudesse mostrar onde o pomo estava, ele agarrou, dando mais 150 pontos para a Casa.

— O POMO FOI CAPTURADO! GRIFINÓRIA GANHA MAIS 150 PONTOS, FECHANDO O PLACAR EM 200X30. O PRÓXIMO JOGO É A GRANDE FINAL, JÁ SEMANA QUE VEM, CONTRA A CORVINAL.

Quando o jogo acabou nós fomos até os jogadores da Grifinória.

— Eu não falei que vocês iriam conseguir?! — gritei correndo para Arthur que me esperava com os braços abertos.

Ele me agarrou pela cintura e me girou no ar. Quando me pôs no chão, não consegui falar nada, pois fui calada com um beijo.

— Você é maravilhosa, Chloe! Te amo.

— Vocês que foram maravilhosos. Que jogo! Eu te digo que você precisa acreditar mais em você mesmo, Arthur!

Ele me abraçou pela cintura e nós fomos andando juntos de volta para o castelo.

— Sabe, acho que hoje você merece uma recompensa por ter feito seu time jogar tão bem nesse jogo tão difícil.

— Gostei dessa ideia, Wood. No jogo contra a Corvinal vai ter isso também?

— Ainda estou pensando nas possibilidades.