Em março, Arthur Harris fez aniversário. Como caiu numa terça-feira, eu só consegui encontrar com ele a noite, saindo da biblioteca.

— Ei — eu chamei.

Ele olhou para os lados procurando quem havia o chamado.

— Ah, oi Chloe — ele disse quando me encontrou.

— Não te vi o dia inteiro hoje — falei — Pra onde você está indo?

— Eu ia largar as minhas coisas na Torre da Grifinória e iria tomar banho, por quê?

— Posso ir com você? — perguntei — Não tomar banho... quer dizer, acho que você entendeu.

Ele ergueu uma sobrancelha, me encarando desconfiado, mas não protestou.

Nós subimos as escadarias até chegar ao retrato da Mulher Gorda.

— Já volto — ele disse e entrou na sala comunal da Grifinória.

Ele deve ter largado as coisas de qualquer jeito na sala comunal, porque saiu um minuto depois.

— Que rápido — comentei.

Ele só fez uma careta e nós fomos andando pela escola.

— O que você queria comigo? — ele perguntou.

— Eu sei que hoje é seu aniversário. Queria te dar uma coisa.

Ele me olhou intrigado.

— Você vai me dar um beijo, por acaso?

— O quê? Não! — falei.

Ele deu de ombros.

— Que pena.

— Pare de ser bobo, Harris.

Nós paramos na frente da Sala dos Troféus.

— Espero que você goste de chocolate — falei.

Com um movimento da varinha, conjurei um cupcake de chocolate para ele. Tinha um "Parabéns" escrito em glacê vermelho e amarelo em cima, nas cores da Grifinória.

— Uau — ele disse pegando o bolinho — Você tem que me ensinar uns feitiços desse para eu não morrer de fome quando for morar sozinho. Obrigado, Chloe.

Eu ri.

— Está maravilhoso — ele falou depois de mastigar um pedaço — Você quer?

— Não — respondi — É seu presente de aniversário.

Ele enfiou o resto do cupcake inteiro na boca.

— Meu Deus — eu exclamei baixinho.

Nós continuamos conversando, até a hora que decidimos voltar às nossas salas comunais. Uns alunos (com atitudes suspeitas) saíram correndo ao ver dois monitores passando pelo corredor.

— Ai ai, que saudades do meu primeiro ano — Arthur disse ao ver os aluninhos — Tudo era tão simples.

Ele me deixou na frente da entrada da Torre da Corvinal e seguiu para a da Grifinória.

>>>

Abril chegou com um pedido formal de namoro de Travis para Hannah. Tudo aconteceu no meio do campo de quadribol, após a vitória de sua Casa contra a Sonserina.

— É claro que eu aceito ser sua namorada! — Hannah disse empolgada e beijou Travis.

— Agora só falta você aceitar Arthur, Chloe — Jane disse mais tarde, me cutucando.

— Dispenso — respondi.

A verdade era que, quanto mais eu me esforçava para não pensar nele, mais eu pensava. Qualquer lugar da escola que eu ia, eu dava de cara de com ele, ou então alguém falava dele e eu me esforçava para escutar do que estavam falando. Eu aguardava ansiosa as aulas em conjunto com a Grifinória... Não, eu não podia estar gostando dele de verdade, podia? Ele só era meu amigo.

"Pare de criar paranoias, Chloe. Vocês dois são amigos. Ele brinca com o assunto, mas não passa disso — uma brincadeira" eu dizia à minha mente "Foco nos N.O.M.s".

Eu comecei a reparar que eu havia começado a ficar com um calor diferente quando estava junto à Harris e quando ele me tocava. Sempre que eu sentia seu perfume eu começava a procurá-lo e eu até sorria quando falavam "Archloe".

A pior parte era quando ele invadia meus sonhos.

"Pare de ser ridícula, Chloe" disse pela última vez à minha mente antes de ir dormir.

Mal sabia que todos os sinais estavam ali. Eu só estava ignorando.

>>>

Em Junho, o verão começou a chegar.

Nos finais de semana, os terrenos de Hogwarts ficavam cheio de alunos sentados na grama com um suco de abóbora geladíssimo do lado, ou então sentados na beira do lago observando a lula gigante.

Entretanto, junto com o verão, veio o nervosismo causado pelos exames, assim como os N.O.M.s e N.I.E.M.s, para os alunos do quinto e sétimo ano, respectivamente.

A biblioteca sempre era encontrada lotada, as salas comunais andavam silenciosas (e sempre que alguém inventava de fazer bagunça, nós, monitores, dávamos castigo ao aluno bagunceiro) e todo nervosismo pairava pelo castelo. Muita gente ia à enfermaria por conta de ansiedade.

— Os exames de vocês vão acontecer ao longo de duas semanas — o professor Morgan Patel, de DCAT, informou — Pela manhã os senhores farão a prova teórica e a tarde, a prova prática. Apenas Astronomia que terá a prova prática aplicada meia-noite na Torre Maior.

Muitas conversinhas nervosas surgiram pela sala.

— Deem o melhor de vocês — o professor disse.

A primeira prova foi de Transfiguração. A prova a tarde foi a mais difícil de ser realizada, pois tínhamos que transfigurar coisas dificílimas.

— Eu acho que fui mal, estou ferrada!

— Cale a boca, Chloe.

As provas seguintes foram de Trato das Criaturas Mágicas, Feitiços, Defesa Contra as Artes das Trevas... e assim as duas semanas foram seguindo.

Por fim, a última prova que restava era de Poções, e na minha opinião, a melhor.

Pela manhã, quando eu peguei o papel com a prova, fiquei feliz de saber como responder tudo o que era pedido.

Quando eu saí da prova, fui esperar meus amigos terminarem.

— Chloe! — uma voz veio correndo até mim.

Era Arthur.

— Me diz que a resposta da última era adicionar Pó de Chifre de Unicórnio à poção, para dar o resultado esperado — ele disse com a respiração ofegante.

Eu tentei lembrar da última questão.

— Era — falei — Pelo menos foi o que eu coloquei.

Ele abriu um sorriso muito largo.

— Ah! Ainda bem! Eu lembro que você me explicou isso umas semanas atrás. Te amo, Chloe.

Eu fingi que não ouvi esse último comentário.

— De nada — respondi.

Com o final dos N.O.M.s, só tivemos mais duas semanas de aula. Agora só tínhamos que nos preocupar em Julho, quando os resultados dos N.O.M.s chegariam pelo correio coruja.

— Onde vocês vão passar as férias? — Jane perguntou para mim e para Hannah — Vamos marcar de nos ver!

— Eu combinei de passar uma semana na casa de praia da família do Travis — Hannah disse — Mas isso em julho, em agosto eu tô livre.

— Eu ainda preciso ver — falei — Meus pais querem ir à Irlanda.

— Eu não quero ficar em casa aturando meu irmão — Jane disse — Vou fazer Henry ir lá em casa e ficar conversando com ele.

— Você tem um namorado para ficar conversando com seu irmão? — perguntei rindo.

— Mas é claro. Não é pra isso que namorados servem?

— Eu acho que é — Hannah disse séria.

No último jantar do ano letivo, a diretora Minerva McGonagall anunciou qual das Casas tinha ganho a Copa.

— Quero parabenizá-los pelo excelente ano que tivemos — a diretora disse — Sem grandes confusões. Obrigada monitores, por ajudarem a manter a ordem. Esse ano, em quarto lugar da Copa de Casas, temos a Sonserina.

Houve aplausos para a casa. Com certeza eles estavam em último por conta de Samantha e as amigas (inclusive o cabelo dela agora estava no comprimento normal).

— Em terceiro lugar... Grifinória!

Houve aplausos para a casa. Acho que estava tudo bem eles ganharem o terceiro lugar, já que haviam garantido a Taça de Quadribol.

— Finalmente, em segundo lugar... — a diretora fez suspense — Lufa-Lufa! Parabéns Corvinal, por terem o maior número de pontos desse ano!

Vários aplausos irromperam pelo Salão Principal. A decoração ficou toda azul, da cor da Corvinal. Os fantasmas das outras casas cumprimentavam a Dama Cinzenta.

Quando os aplausos acabaram, o banquete foi servido.

No dormitório, as garotas buscavam suas coisas para guardar nos malões. Na sala comunal sempre aparecia alguém perguntando se alguém tinha visto isso ou aquilo.

Fui dormir pensando em todos os momentos que eu tinha vivido naquele ano. Foi um bom ano, eu estava feliz.