Meu nome é Chloe Wood e eu tenho 11 anos.

Meus pais, Paul e Adaline Wood, assim como eu, são bruxos, embora meu pai venha de uma família de trouxas. Há algum tempo eu finalmente recebi minha carta de Hogwarts! Eu estou tão animada para ir à escola que quase não me aguento. É como se o Natal tivesse chegado mais cedo.

Parte da minha ansiedade é para saber em qual casa cairei, pois meu pai vem da Lufa-Lufa e minha mãe (assim como toda sua família) da Corvinal. Se quer saber a minha opinião, acho que ficarei na Corvinal. É um sentimento que eu tenho.

— Pelo amor de Deus, Chloe. Pare de ficar brincando com isso! — minha mãe falou quando eu acidentalmente acrescentei um ingrediente errado à minha poção.

— Desculpa, mãe!

Ficar fazendo poções no meu kit para crianças era meu passatempo favorito. Eu ganhei ele de aniversário há alguns anos atrás e até hoje passo horas do meu dia experimentando novas poções. Outro hobby que tenho é ficar voando no quintal. Meus pais não me deixam ir tão alto, mas só a sensação do vento batendo no meu rosto já é libertadora.

Finalmente o dia 1 de Setembro chegou. Nós fomos para a Estação King Cross às 10:45.

— Não está esquecendo nada? — meu pai perguntou.

— Não — respondi.

— Sua varinha? — minha mãe questionou.

— Aqui — abri o zíper do casaco e apontei para a varinha que estava dentro das minhas vestes.

— Okay. Acho que já podemos atravessar o portal, então. Você não quer se atrasar para o primeiro dia, quer?

— Nem de brincadeira.

Meu pai foi empurrando o carrinho com o malão e atravessou a barreira.

— Vamos — minha mãe disse e me deu a mão.

Quando não tinha nenhum trouxa olhando, nós corremos e atravessamos a parede entre as plataformas 9 e 10.

O trem já estava lá, assim como muitos alunos de Hogwarts. Alguns deles já estavam com os trajes da escola, porém a maioria ainda vestia as roupas de trouxa.

Faltando 5 minutos para as 11 horas, me despedi dos meus pais e embarquei no Expresso de Hogwarts. Procurei uma cabine vazia e me acomodei. Assim que deu a hora, a locomotiva começou a andar. Acenei em despedida para meus pais e fiquei observando eles desaparecerem pela janela, conforme o trem se movia.

— Com licença, será que eu posso sentar aqui? — disse uma menina na porta da cabine.

— Hm, claro — falei.

Ela ajeitou o malão e colocou a gaiola com uma coruja entre seus pés.

— Prazer, eu sou a Jane — ela deu uma pausa — Jane Smith.

Nós apertamos as mãos.

— Chloe Wood. Primeiro ano também?

— Ah sim — ela respondeu — Estou muito animada, e você?

— Também! Já sabe em qual casa vai ficar?

Ela deu um sorrisinho.

— Minha família é toda da Corvinal. Tenho grandes chances de ir para lá também.

— Talvez a gente fique juntas! — falei — A família da minha mãe também é de lá. Já meu pai vem da Lufa-Lufa.

— Que legal — ela disse — Minha madrinha era da Lufa-Lufa. O pessoal desdenha a Lufa-Lufa, mas é uma ótima casa!

— Sim! — respondi entusiasmada.

Poucos segundos depois, um menino de cabelos loiro escuro surgiu na porta.

— Posso ficar aqui? Está tudo ocupado — ele disse, sem jeito. Devia estar com vergonha de ter que ficar sozinho numa cabine com duas meninas.

Eu olhei para Jane e nós concordamos com a cabeça.

— É seu primeiro ano? — perguntei enquanto ele sentava.

— Sim — ele respondeu, ainda meio tímido.

— O nosso também — Jane disse.

O resto da viagem o garoto permaneceu calado, lendo um livro de quadribol. Já eu e Jane conversamos o trajeto todo.

Finalmente o trem chegou à estação de Hogsmeade. Os alunos do primeiro ano acompanharam Hagrid — o guarda-caças da escola — até o Lago Negro, onde chegariam à escola pela travessia no barco.

Como de costume, nós aguardamos numa sala, até o momento que o Prof Neville, de Herbologia, veio nos buscar para Cerimônia de Seleção.

Eu fiquei tão encantada que quase não ouvi quando o primeiro nome foi chamado.

— Armani, Theodore.

Um menino subiu nervoso ao palco, sentou no banquinho e então o Chapéu Seletor foi colocado em sua cabeça, cobrindo até seus olhos.

— SONSERINA — o Chapéu falou e a mesa da Casa aplaudiu e gritou.

Pelo meu sobrenome ser com W, eu ia ser uma das últimas. A fila foi diminuindo pouco a pouco.

— Harris, Arthur.

Era o menino calado que dividiu a cabine comigo e com Jane.

— GRIFINÓRIA — o Chapéu disse e a mesa rompeu em aplausos.

— Lufa-Lufa... Sonserina... Corvinal... Sonserina... Grifinória... — e assim os alunos foram sendo colocados em suas respectivas casas.

— Smith, Jane.

Dei um sorriso para ela, que seguiu até o banquinho. Mal o Chapéu encostou na sua cabeça e ela já foi mandada para a Corvinal.

Mais uns alunos foram selecionados e só faltavam eu e mais dois.

— Wood, Chloe.

Subi ao palco nervosa e me sentei. O professor colocou o chapéu em minha cabeça e uma vozinha me disse "Vejo que você é uma garota muito leal, gentil... ótimas características da Lufa-Lufa. Entretanto você é esperta, valoriza o conhecimento... tem todos os aspectos necessários para progredir na CORVINAL".

A mesa da Corvinal aplaudiu e eu fui rápido sentar próximo à Jane.

— A gente está juntas! — ela disse animada.

— Sim! — concordei feliz.

Quando a Cerimônia acabou e a diretora Minerva McGonagall fez o discurso, o banquete foi servido. Era uma variedade de coisas que eu fiquei até perdida decidindo o que comer. A sobremesa foi mais maravilhosa ainda.

— Acho que vou para a sala comunal rolando — disse à Jane.

— Eu também vou ter que ir assim — ela respondeu rindo.

Quando todos acabaram de comer, os monitores levaram a gente até a Torre da Corvinal.

— A senha é sempre uma charada — disse Penélope Green, monitora-chefe da casa — A porta só abrirá quando alguém responder certo, então pensem bem antes de responder.

Ela respondeu a charada e a porta abriu. A sala comunal da Corvinal é incrível. É uma sala circular, com tapetes azuis, repleta de livros e com janelas altas com vista para os terrenos da escola.

— É uma das maiores torres da escola, se não a maior — disse Jane.

— Isso é incrível.

Penélope mostrou duas portas. A que dava para o dormitório masculino e a do dormitório feminino.

— As meninas me acompanhem e os meninos sigam Oliver Jones — ela disse e apontou para outro monitor.

Nós entramos no dormitório e fomos seguindo até a porta que indicava "Primeiro Ano".

— Podem entrar.

O dormitório era cheio de camas com edredons azuis e prata, da cor da casa. Procurei a cama em que meu malão estava. Era do lado da janela, o que me dava uma vista incrível. Suspirei, encantada.

— Ah — disse Jane reclamando — minha cama não tem uma vista dessas.

Eu ri.

— Acho que me dei bem — falei.

— É verdade. Agora vou me preparar para dormir, boa noite Chloe.

— Boa noite, Jane.