O Baile de Primavera aconteceria dia 20 de Março — o início da Primavera no hemisfério norte. Por sorte, o Baile aconteceria numa sexta-feira, por isso, a aula de Trato das Criaturas Mágicas, que era a última do dia, acabaria meia hora antes.

Assim que o sinal tocou, eu, Jane e Hannah saímos apressadas dos jardins onde as aulas eram lecionadas e seguimos para as escadarias de pedra que davam acesso ao castelo.

— Não sei por que elas estão tão apressadas, o Baile é daqui a 4 horas! — ouvi Travis reclamando atrás da gente.

— Garotas... — Henry suspirou.

— Todas loucas — Arthur concordou.

No sexto andar, eu e Jane nos despedimos de Hannah, que continuou subindo as escadas em direção à Torre da Grifinória.

— Linda! Espere aí — gritei vendo uma das nossas colegas da Corvinal entrar na sala comunal.

Ela parou na entrada, nos esperando para entrar e fechar a porta.

— Estou tão ansiosa — Linda falou enquanto Jane fechava a entrada para a Torre da Corvinal — E vocês?

— Muito — falei.

— Bom, preciso ir indo — Linda disse se despedindo — Até depois, meninas.

Eu peguei umas roupas no dormitório e corri para o banheiro dos monitores, antes que alguém o ocupasse. Tomei um bom banho com essências e outras coisas que me ajudavam a relaxar e o melhor, me deixavam cheirosa. Não queria que nada desse errado hoje.

— Ok, vamos lá — disse à Jane quando voltei.

Ela também já tinha tomado banho e agora passava hidratante nos braços.

— Você precisa me ajudar com isso — ela disse apontando para uma Poção Anti-Frizz - Eu quero que meu cabelo fique 100% impecável, não só onde minhas mãos alcançam.

— Sim, senhora — respondi.

Depois de passar a poção no cabelo dela, fui até minha cama, que tinha vários livros de beleza que eu havia pego na biblioteca abertos, como Um Guia para o Cabelo Perfeito, Penteados Bruxos para Eventos Especiais, Feitiços de Beleza, Os Melhores Feitiços para uma Pele Perfeita... e por aí vai.

Apontando a varinha pra minha cara, consegui fazer uma maquiagem decente (o delineado ficou igual! Milagres da magia). Jane me ajudou com o cabelo.

— Fique parada — ela disse apontando a varinha para minha cabeça.

Decidimos deixar meu cabelo solto, prendendo apenas os cabelos da parte da frente para trás — assim eles não ficariam caindo no meu rosto durante o Baile. Jane conjurou algumas flores pelo meu cabelo, dando um toque especial no simples penteado.

— Chloe, ficou lindo!

— Obrigada, Jane. Eu amei — disse ao me ver no espelho.

Em seguida, ajudei Jane a fazer tranças em seu cabelo e finalizei sua maquiagem.

Ela pegou o vestido que estava encima da cama e se trocou.

— Jane, você está maravilhosa! — exclamei quando a vi.

— Uau, Jane — disse Yasmim, uma das nossas colegas da Corvinal.

De fato, o vestido cor creme com brilho destacava a forma de seu corpo e realçava ainda mais sua beleza.

— Vista logo o seu! — ela me disse e agradeceu as garotas que faziam elogios.

Eu peguei um longo vestido azul claro que estava na minha cama e (dando uma última conferida se a poção depilatória havia funcionado nas minhas pernas) vesti. Ele era mais apertado em cima e mais solto na saia. O decote no busto não era nada vulgar, deixando a mostra o meu colar e realçando meu colo com sua modelagem e mangas mais transparentes caídas sobre os ombros.

— Você está deslumbrante, Chloe — Jane disse ao me ver.

— Obrigada — respondi — Você já vai descer?

Ela olhou um relógio que ficava no nosso dormitório. Era 20:45.

— Daqui a pouco. Henry deve estar se arrumando ainda. E você?

Eu borrifei perfume no meu pescoço e no meu punho.

— Combinei com Arthur às 20:50. Daqui a pouco vou lá para fora, ver se ele já chegou.

Quando deu a hora, eu desci para a sala comunal, que estava cheia de garotos do sexto e sétimo ano, todos muito elegantes, esperando seus pares. Tinha também algumas meninas que estavam maravilhosas e alunos dos outros anos, conversando animados ou então jogando alguma coisa.

— Nada de fazer muita bagunça na minha ausência, hein? — avisei à uns garotos do segundo ano que sempre estavam aprontando alguma.

Saí da sala comunal, rezando para que Arthur já estivesse ali fora e eu não precisasse ficar esperando. Para minha alegria, ele estava.

Seu queixo caiu assim que me viu e eu não pude deixar de rir. Ele caminhou até mim e pegou minha mão.

— Você está linda, Wood.

— Você também não está nada mal.

Ele se aproximou de mim, me dando um selinho respeitoso.

— Vamos descer?

— Vamos.

A entrada do Salão Principal estava decorada com vários arranjos de flores e fadinhas de verdade. Eu vi que os jardins também estavam decorados, haviam arbustos em formato de bruxos e criaturas do mundo mágico e também várias luzinhas.

Quando entrei no Salão Principal, vi que as quatro mesas haviam sido substituídas por mesinhas para umas 8 pessoas. Tudo estava decorado no clima da Primavera. Havia flores para todos os lados, tudo estava colorido e deslumbrante. O céu (encantado) estava estrelado em cima de nossas cabeças, deixando o Salão ainda mais encantador.

— Olha lá Hannah e Travis! — Arthur falou, me puxando com ele para a mesa deles.

Não demorou para Jane aparecer com Henry.

— Meu Deus! Jane, você está maravilhosa — Hannah falou.

Os últimos a aparecerem para nossa mesa foram Brice e Anna Jordan, sua acompanhante (e pelo o que eu sei, era a garota de quem ele gostava).

A verdade é que nenhum de nós ficou na mesa por muito tempo. Todos fomos para a pista de dança. Uma banda bruxa tinha sido contratada para tocar.

Quando eles tocaram uma música lenta, Arthur colocou a mão na minha cintura e me puxou para perto. Nós dois íamos juntos no ritmo da música como se fossemos um só.

— Não sabia que você dançava — comentei, erguendo a cabeça para encará-lo.

— Eu tenho muitas qualidades que você desconhece, Wood — ele disse segundos antes de me fazer girar.

— Tipo o que? — perguntei voltando a cabeça próximo a ele.

— Sabia que eu toco piano?

Olhei para ele de novo, desconfiada.

— O que? É verdade. Vamos para a sala de música de Estudo dos Trouxas um dia desses. Tem um piano lá e eu posso provar para você as minhas habilidades.

A banda terminou a música e recebeu vários aplausos dos alunos.

— Um dia você vai ter que me mostrar, então — falei.

Uma música mais animada começou a tocar e nós encontramos com Travis, Hannah, Jane e Henry de novo.

— Onde Brice foi parar? — Hannah perguntou.

Henry riu.

— Ele foi para os jardins com Anna. Eu e Jane vimos eles saindo.

Depois de umas 10 músicas, nós voltamos para a mesa. Arthur buscou algo para gente beber e enquanto nós descansávamos na mesa, Alicia e Michael Weazzy (o namorado dela) vieram nos cumprimentar.

— Fico feliz que vocês dois tenham se ajeitado, afinal — ela disse.

— Você deu um bom empurrãozinho — falei, agradecida.

— Se não fosse por você, talvez hoje eu estivesse no Baile com a Millie — Arthur lembrou.

— Credo — Alicia disse, rindo — Bom, a gente vai voltar pra pista. Divirtam-se!

Então saiu de mãos dadas com Michael para pista de dança.

As 23:00h, a banda parou de tocar e o jantar foi servido. Era praticamente um banquete de gala, também. Depois da boa comilança, aos poucos as pessoas foram voltando para a pista, ou casais foram "sumindo" do Salão.

Eu e Arthur fomos para pista, dançar mais um pouco. Lá pela meia noite e meia nós decidimos dar uma volta nos jardins.

Fazia uma noite estrelada e um pouco fria, por isso Arthur me emprestou seu terno para vestir. Nós sentamos em um dos bancos e ficamos abraçados observando as estrelas.

— É uma noite bonita — comentei.

— Concordo — ele disse — Mas não tão bonita quanto você nesse vestido.

Eu ri.

— Você gostou?

— Você está brincando? Já te acho linda com uniformes de Hogwarts, assim então...

Eu me virei para ficar de frente para ele e o beijei. Parecia uma cena de filme ficar ali embaixo das estrelas, beijando o cara que eu gosto. "Não é possível que isso esteja acontecendo comigo", pensei. Sempre passei tanto tempo ralhando com os casais em Hogwarts e agora eu era como eles.

— Uma coisa estranha está acontecendo comigo, Chloe — Arthur disse pegando minha mão e brincando com meus anéis.

— O que? — perguntei descontraída olhando seus olhos.

— Acho que estou apaixonado por você, Wood. Eu fico um completo idiota do seu lado, logo eu, monitor e capitão de quadribol da Grifinória! É sua culpa me deixar assim.

Meu coração se contorceu de felicidade.

— Que pena — falei com um sorriso no rosto — Se te consola, você tem o mesmo efeito sobre mim.

— Acho que nós dois precisamos de um sapo de chocolate e uma visita à Madame Pomfrey. Não deve ser muito normal isso, deve?

— Com certeza não — respondi séria.

O Baile acabou 01:30 e aos poucos as pessoas foram deixando os jardins e o Salão Principal e se dirigindo aos dormitórios.

Arthur me deu a mão e, de mãos dadas, nós fomos subindo as escadarias de mármore da escola. A maioria dos quadros já estavam dormindo em suas molduras.

No quarto andar, nós paramos em um corredor deserto.

— Quer ficar um pouco aqui? — Arthur perguntou com um sorriso travesso.

— Arthur! O que você quer de mim nesse corredor deserto? — provoquei.

— Muitas coisas, Wood.

Eu ri.

— Que bom, então, porque as minhas intenções são as mesmas.