O garoto da Casa ao lado
29 Que seja infinito enquanto dure!
Notas iniciais
Autora PVO on
Hiromi se levantou da cama fazendo um pouco de esforço. Seu corpo estava pesado e cansado por não te dormido direito a noite toda. Teria a manhã na escola para se despedir de seus amigos e professores. Coisa que ela achava que não seria fácil, considerando que a mudança de última hora era de fato estranha e que Yumi iria surtar...
Descendo as escadas já arrumada e com a mochila nas costas, ela seguiu para a cozinha parando em frente à um bilhete no quadro de avisos recém apagado.
“Fui resolver as últimas coisas antes de partirmos. Nosso voo é a três. Aproveite até lá.
Vovó ♥”
Suspirou e andou até um armário o abrindo e pegando um pacote de jujubas. Inflou as bochechas de maneira infantil e agarrou o saco irritada. Iria se empanturrar de doces para matar seu nervosismo, ansiedade e tristeza.
Saiu pelas ruas comendo jujubas, até chegar em frente a escola e guardar o pacote na mochila. Encarou o local por alguns segundos. Ao olhar pra frente viu Yumi acenando freneticamente e sorrindo de orelha a orelha. Junto a ela estavam Sakura, Natsume e Mao, que sorriam também.
– Ohayo. – falou um pouco (lê-se: totalmente) desanimada.
– Ohayo! – Yumi exclamou feliz da vida seguida pelas outras.
O que havia acontecido para estarem fora da sala e tão alegres? O horário de aula já havia começado e Mao estava bem tranquila com isso, o que tornava tudo mais confuso. Ela é a representante de turma e tem o dever de estar na sala no horário certo.
Se dirigiram para a sala de aula em passos lentos e calmos, conversando coisas não muito importantes. A primeira aula seria de Koharu-sensei, que a propósito, era a professora responsável pela classe.
As garotas vinham andando mais atrás, enquanto Hiromi ia na frente suspirando sem parar e pensando em como contaria a elas sobre sua mudança.
Ao abrir a porta de correr, Hiromi ouviu todos que estavam dentro da sala, e suas amigas do lado de fora, gritarem um “surpresa” animado e estava escrito na lousa da maneira mais chamativa possível: “Isso não será um adeus, e sim um até logo. Te desejamos sorte, Hiromi-chan. Dê tudo de si!”
A garota deu alguns passos para dentro da sala vendo a Koharu-sensei ao lado da lousa, sorrindo gentilmente e batendo palmas igual a todos os outros. Ela levou as mãos a boca surpresa e algumas lágrimas de felicidade escaparam.
– Arigato, minna-san! – falou entre soluços e todos correram para abraçá-la enquanto gritavam o quanto ela era fofa. (Principalmente a Yumi)
Tinham descoberto que ela iria embora, quando sua avó veio mais cedo e conversara com o diretor sobre a transferência e o mesmo disse que não precisava pressa por estarem perto das férias. A professora gostava muito de cada aluno e não conseguiu deixar de conversar com os outros sobre uma última lembrança com Hiromi.
Estavam todos muito tristes pela mudança inesperada, mas não mostrariam-se daquele jeito na frente de Hiromi. Talvez ela já estivesse sofrendo o bastante tendo que deixar todos os amigos. Não precisava saber disso.
Em um outro canto da escola de Hokkaido, um garoto dos cabelos castanhos, brincava com um lápis, sentado nas arquibancadas do ginásio com um olhar vago e entediado. Ele não queria ficar em sua classe. Estava a maior alegria e para ele aquilo não seria nada alegre: a garota que ele amava estava para ir embora. Ele não comemoraria isso de jeito nenhum!
Ele era realmente um idiota! Fizera tudo errado. Tudo ao contrário. Se pudesse ter uma segunda chance com ela, com certeza faria valer a pena. Mas ele não tinha o poder de voltar no tempo ou coisas do tipo. Tinha começado errado e agora não tinha mais jeito. Não sabia o que fazer quando estava perto dela. Por isso sua constante mudança de personalidade e humor. Se fosse bonzinho demais, talvez a machucasse e a deixasse confusa. Consequentemente quando se lembrava, tratava de contornar sua burrada.
Ouviu alguns passos e se encolheu assustado, olhando para os lados. Se algum inspetor lhe pegasse fora da classe em horário de aula seria um problema. E olha que nem estavam tendo aula de verdade na classe dele.
– Não precisa se esconder, irmãozinho. – Tomoya sorriu largo – Não vou te dedurar para o diretor e nem nada do tipo! – disse irônico.
Claro que não iria. Estava fora no horário de aula também. Estavam os dois no mesmo barco nesse exato momento.
– O que você quer? – Haru disse ríspido voltando a sua posição inicial.
Tomoya se sentou ao seu lado com um sorriso de canto. Haru não o encarou, apenas resmungou alguma coisa e virou a cara para o lado oposto.
– Você não vai se despedir? – o loiro perguntou encarando o vão à sua frente.
– Não. – Haru respondeu firme. Tomoya riu abafado e balançou a cabeça negativamente.
– Você sabe que não a verá tão cedo novamente, né? – cerrou os punhos levemente.
– Sim. – Haru se espreguiçou bocejando – Eu sei muito bem. – se levantou parecendo não dar importância.
Se por contar mentiras uma pessoa queimaria no fogo no inferno, com absoluta certeza, Haru já tinha um lugar reservado lá. Ele riu abafado com esse pensamento.
– E você está assim tão relaxado? – o loiro começara a ficar irritado. Se levantou o seguindo para fora da quadra.
– E o que eu posso fazer? – se virou levemente e lançou um olhar gélido para o irmão.
Tomoya fechou os punhos e correu pegando pela gola da camisa de Haru e o olhando ferozmente. Haru fez o mesmo, só que com um olhar sem expressão.
– O que você acha que está fazendo? – apertou mais a gola da camisa entre suas mãos.
– Me solta. – Haru murmurou e o irmão obedeceu com relutância. Brigarem agora não resolveria nada, apesar de o loiro achar que Haru precisava de uma boa surra.
Tomoya o encarou de canto e uma ideia surgiu em sua cabeça. Ele sorriu travesso e começou a dar alguns passos lentos em direção a nenhum lugar em especial.
– Sabe, nesse tempo eu conheci bastante a Hiromi e ela é uma garota incrível.
Haru sentiu seu sangue ferver e fingiu não dar importância ao que irmão achava ou deixava de achar. Não era da importância dele...
– Ela é linda! Inteligente e tudo que eu poderia querer. – o loiro olhou de canto novamente para o irmão e percebeu que estava dando certo – Se você não vai querê-la, não se importa se eu ficar com ela definitivamente dessa vez, não é? – colocou o dedo indicador e o polegar embaixo do queixo, pensativo.
Haru o encarou como se pedisse para ele parar se quisesse ter todos os dentes na boca, mas o loiro sorriu provocador e prosseguiu.
– Como somos bem próximos agora, acho que se eu pedisse a ela para ficar comigo aqui, ela não pensaria duas vezes e...
Tomoya sentiu uma forte dor em seu maxilar e sorriu com dificuldade enquanto cambaleava para trás. Levou uma das mãos ao local e massageou enquanto olhava para o irmão que tinha fúria no olhar.
– Não fale somente na aparência dela! – trincou o maxilar sem encarar Tomoya – Como diz ser tão próximos, devia saber mais dela do que simplesmente a cor preferida! – sorriu com sarcasmo – E se estão tão próximos assim, por que não estão juntos? Ela lhe deu um fora, querido onii-chan?
Tomoya sorriu vitorioso e Haru percebeu que ele estava testado-o.
– Está vendo? – ele perguntou estendendo os braços como se apresentasse um espetáculo – É disso que eu estava falando! Vai conseguir ficar longe dela? Vai conseguir levar isso consigo? Ela é sua alma gêmea e pelo que eu saiba, só temos uma na vida! – ele disse entusiasmado fazendo Haru rir um pouco e lembrar do tempo em que eram crianças.
– E o que eu posso fazer? Já pisei tanto na bola, que...
– Me escute, baka! – Tomoya berrou – Escute os conselhos de seu irmão mais velho uma vez na vida! – Haru o encarou surpreso – Você pode não me considerar seu irmão, mas mesmo assim eu sou. – sorriu piscando o olho.
Haru riu sincero e colocou as mãos nos bolsos começando a andar.
– Em todo esse tempo que passei com ela, Hiromi só pensava em você! – o loiro disse e Haru parou, parecendo ter interesse na conversa. O que era verdade – E eu sou muito lindo! – passou as mãos nos cabelos convencido – E mesmo assim, ela nunca teve olhos pra mim. – soou indignado e Haru se segurou para não gargalhar.
Tomoya suspirou, batendo de leve a palma da mão na testa.
– Pense um pouco, certo? – falou irritado – Fiquei sabendo que o voo dela sai as três. Você tem algum tempo até lá. E dá próxima vez, não bata tão forte! – disse enquanto passava a mão no maxilar e sorria. Terminou e saiu da quadra.
Haru ficou encarando por onde o irmão havia saído e suspirou. Resolveu voltar para a sala. Ao chegar na mesma e puxar a porta de correr, viu todos os seus colegas de classe o olharem e sorrirem, enquanto faziam a limpeza da sala.
Tinham ficado de aula vaga, para fazer aquilo. Tinha confetes pelo chão, respingos de chocolate na mesa dos professores e as cadeiras estavam todas amontoadas em um canto da sala. sem contar com toda a decoração que tinham feito.
Mesmo que a festa tenha sido para Hiromi, a mesma fez questão de ajudar a limpar como todos os outros. A garota ainda encarava Haru que estava parado em frente a porta e também a encarava.
– Ei! Segure esse saco direito! – Natsume riu chamando a atenção da baixinha que corou e tratou de segurar o saco de lixo para a amiga.
Haru entrou na sala e se dirigiu ao amontoado de mesas e cadeiras, pegando as suas e as posicionando em seu lugar. Sentou-se e ficou pensando na conversa que tinha tido com Tomoya. Encarou a garota mais uma vez e sorriu sem querer, ao perceber o ato tratou de virar o rosto para o lado oposto e então não conteve a vontade de sorrir.
O sinal soou um pouco depois que todos tinham terminado a limpeza e a arrumação da sala. E eles correram para a lateral da escola, convocados pelo Yano-sensei.
– Vamos correr um pouco hoje! – o mesmo gritou sorrindo após apitar – Então troquem-se e retornem! – apitou novamente e todos trataram de ir aos vestiários no ginásio da escola e trocar de roupa.
Na lateral da escola, havia uma espaço enorme e tinha meio que uma pista de corrida consideravelmente grande. Era usada nos festivais escolares de esportes, normalmente do ensino fundamental, já que a escola era dividida em dois prédios: o ensino fundamental e o ginasial.
Voltaram já vestidos e foram separados em dois grupos com 18 pessoas. Enquanto um grupo corria, o outro fazia alguns exercícios e assim sucessivamente. As pessoas do grupo de Hiromi se alongaram um pouco e começaram a corrida primeiro. Cada um a sua maneira e tempo foi correndo.
Haru corria meio lerdo e se sentia tonto. Talvez por não ter comido nada o dia anterior e nem hoje. Hiromi o olhava de canto as vezes, por estar correndo mais a frente. Ele parou ofegante e se apoiou em seu joelhos. Otani que não estava correndo naquele momento e esperava a vez de seu grupo enquanto fazia os execícios, correu até o amigo ao vê-lo desmaiando.
~*~
Haru acordou e se viu em um dos leitos da enfermaria da escola, a enfermeira estava na enfermaria junto à ele e deu um sorriso gentil ao vê-lo despertar.
– O que... aconteceu? – perguntou se sentando.
– Você não anda comendo direito, certo? – a enfermeira perguntou séria, ignorando a primeira pergunta do garoto enquanto escrevia alguma coisa em uma prancheta – Você passou mal por estar fazendo esforço demais e não ter se alimentado bem. – respondeu.
– Entendo. – Haru fitou a janela, despreocupado com sua situação.
Não havia ninguém mais lá fora, o que significava que a aula já havia acabado. Olhou em um relógio na parede e viu que o mesmo marcava 14h17m. Ele havia dormido bastante, mais um pouco e as aulas terminariam então talvez fosse melhor ir para casa. Suspirou se levantando e se despedindo da enfermeira, que disse para daqui pra frente ele tomar vergonha na cara e se alimentar direito.
Andando pelos corredores, viu uma cabeleira vermelha e uma loira avançarem nele de maneira histérica. Tomoya e Otani. O loiro segurou em seus ombros e o olhou com expectativa.
– Cadê a Hiromi-chan? – Otani o encarando quando percebeu que ele não diria nada.
– Não sei...? – Haru respondeu confuso.
– Como assim não sabe? – Tomoya perguntou o chacoalhando e parecendo entrar em desepsero.
– Ela fez questão de ficar com você na enfermaria. Hiromi-chan estava bastante preocupada. Ficou com você o tempo todo. – Otani explicou – Como assim você não sabe onde ela está?
Haru arregalou os olhos surpreso e seu amigo e seu irmão mais velho correram até a enfermaria, que não estava tão longe. Abriram a porta bruscamente, fazendo a pobre enfermeira quase ter um infarto e passar dessa pra melhor.
– Tinha uma garota baixinha dos cabelos pretos por aqui? – Otani perguntou a enfermeira fazendo gestos de alguém baixo e com cabelos na altura dos ombros.
A enfermeira suspirou aliviada. Com o choque da porta abrir tão bruscamente, até pensara que algo realmente ruim tivesse acontecido à algum estudante.
– Bom... – a mulher que tinha por volta de seus 32 anos, fez um semblante pensativo que logo se iluminou – Tinha sim! – sorriu – Ela disse alguma coisa sobre ter que ir embora para não se atrasar para um voo, e saiu correndo daqui. – sorriu para os garotos e se voltou para um estudante que chegara com o queixo sangrando.
Tomoya e Otani se encararam, agradeceram com uma reverência apressada e correram de volta para Haru que encarava chão enquanto estava escorado à parede sem expressão. O loiro e o ruivo fitaram o garoto a frente que resmungou e desviou o olhar.
– Você precisa pará-la! – Tomoya exclamou.
– Hai, hai! – Otani apoiou.
– Nande?* Eu não vou fazer nada! Ela está seguindo seu caminho e... – a expressão de indiferença de Haru se tornou uma fingida expressão de sofrimento — O que você está fazendo com ele, Otani-kun? – choramingou enquanto apontava para o irmão e sussurrava ao ouvido do amigo.
Ele estava descaradamente tentando mudar de assunto, mas um certo loiro que se encontrava ao seu máximo de paciência, não deixaria ele se desviar desse assunto tão fácil.
Tomoya se aproximou de Haru e lhe deu um tapa na nuca, irritado. Haru protestou passando a mão na nuca e se escondendo atrás de Otani.
– Pare de se fazer de idiota! – o ruivo falou cerrando os punhos.
– ... – Haru sorriu de canto.
– Eu sei que não é isso que você está pensando! – Tomoya sorriu.
Ficaram em silêncio. Os dois garotos encaravam Haru e o mesmo fitava o chão.
– Wah. – olhou para o teto enquanto mantinha a mão na nuca – Parece que fui descoberto. Está assim tão na cara? – riu abafado.
– Como nunca! – os outros dois disseram juntos e riram com a vermelhidão que se encontrou o rosto de Haru depois disso.
– Você a ama certo? – Otani perguntou empolgado.
– Hai! – Haru sorriu.
– E você não quer que ela vá embora, certo? – Tomoya perguntou também empolgado.
– Hai! – Haru colocou a mão no peito e fez uma expressão triste.
– E você vai atrás dela e vai pedi-la para ficar, certo? – os dois perguntaram já sorrindo de orelha a orelha.
– Ha... – Haru parou no meio da frase e refletiu um pouco, fazendo os outro dois caírem pra trás – Eu acho melhor não. – disse por fim dando as costas e começando a andar.
– Ehh? – soaram indignados.
Haru começou a andar até a sala, enquanto o amigo e o irmão o seguiam resmungando e falando o quanto ele era idiota. Tomoya se perguntava o que a garota tinha visto no boboca do seu irmão mais novo, mas gosto não se discute... ou com o coração.
Ao chegarem em frente a sala, Haru parou irritado e começou a discutir a mesma coisa com eles. Aquilo já estava ficando repetitivo.
– Haru! Você não pode simplesmente deixá-la ir embora! – Tomoya berrou.
– Não é só por você, e sim também por todos nós! – Otani atravessou na frente de Haru, segurando seus ombros com um pouco de dificuldade por ser mais baixo – Todos nós estamos tristes por ela ir embora e temos certeza que só com uma palavra sua, ela ficaria! – completou.
– Na verdade, três palavras! — ouviram a porta de correr da classe ser arrastada, e um Yue convencido disse mexendo em seus óculos que ofuscavam tudo de tanto que brilhavam.
– Sim, com certeza! – Eriol passou um dos braços pelos ombros de Yue e os dois riram abafado.
Em outra ocasião, definitivamente era caso de os dois serem internados por estarem sendo tão amigáveis um com o outro, mas aquela era uma ocasião especial. Além do mais começara à algumas semanas atrás, um boato em toda a escola que o presidente do conselho estudantil estava namorando uma representante de classe. Não havia mais motivo para briga entre eles.
– Três? – vários sinais de perguntas surgiram na cabeça de Otani.
– Hai! – Sakura e Mao sorriram e suspiraram apaixonadamente.
– Três?! – Otani soou de novo tentando entender.
– “Eu te amo” seu bestão! Três palavras! “Eu te amo”. – Yumi disse enquanto também suspirava e Otani começou a contar nos dedos a quantidade de palavras.
– ... – Haru começou a sair de fininho, percebendo que todos estavam focados em outra coisa e nem se lembravam mais da sua existência.
Uma aura assassina começou a impregnar o lugar. Haru congelou e começou a tremer. A propósito, onde estava a Natsume mesmo?
– HARU! – uma certa azulada saiu bufando da sala e pulou no garoto deferindo socos e chutes no mesmo que tentava se esquivar.
Sakura e Yumi, correram e agarraram a amiga e tentavam acalmá-la e a mesma choramingava que o Haru era um tremendo idiota e precisava de uma lição.
– Quantas vezes eu já fui chamado de idiota só nesse capítulo? – Haru murmurou com uma gota e um olho roxo.
– Haru! Não te perdoarei se deixá-la partir! – Maya sorriu superior. – Daí toda essa história terá sido em vão e eu não vou poder escrever um mangá shoujo inspirado em vocês. – ela suspirou – Nos finais os protagonistas ficam juntos, certo? – piscou o olho e Luka fez um sinal de positivo.
Haru riu com aquilo. Maya conseguia se redimir por tudo que tinha feito cada vez mais. Até de Hiromi ela tinha se aproximado. Não que agora ela fosse uma santa, mas ela estava tentando mudar.
– Haru! Força mano! – um colega de classe gritou.
O garoto ficou surpreso ao notar que todos de sua classe assistiam a tudo que estava acontecendo.
– Isso aí! – uma garota gritou erguendo o braço no ar.
– Não desista dela! – Yue sorriu.
– Ela também te ama! – Eriol disse e logo se virou para Sakura – Ama né?
A mesma sorriu envergonhada com a falta de noção do namorado e o fez calar a boca com um selinho tímido. O garoto corou encarando a rosada ao seu lado que encarava os pés.
– Eu acho que isso foi um sim! – Eriol sorriu largo.
Haru encarou Natsume como se esperasse a benção de um pai na hora de pedir a mão da filha em casamento. A azulada que estava ao lado de Otani, apoiada no mesmo. Ao perceber o olhar de Haru sobre ela, ajeitou a postura se separando do namorado, cruzou os braços, virou a cara e murmurou um “hunf!”. Haru fez uma expressão chorosa e a fitou de novo, vendo que a mesma o encarava de canto e sorria, dando a sua “benção”.
Todos os colegas de sala começaram a gritar e a incentivar Haru. O mesmo olhou em volta e começou a lembrar de todos os momentos bons e ruins que passara ao lado de Hiromi. De como ela corava com qualquer coisa pervertida que ele dizia, ou como ela era infantil as vezes e como ela conseguia ser madura quando queria. Do seu sorriso. De como ela ficou ao seu lado quando aquilo aconteceu com sua mãe e de como ele se odiaria se a deixasse ir.
Inesperadamente uma frase que nunca saíra de sua cabeça e estava esquecida em seu subconsciente, veio à tona: “Não a deixe ir se você pode fazê-la ficar!”
– É isso mesmo! – cerrou os punhos e todos ao redor gritaram alegres com a decisão do amigo.
O garoto dos cabelos castanhos, correu para a sala pegando a mochila de qualquer jeito e a jogando nas costas. Sorriu para todos os colegas que gritavam para ele ir logo senão, não chegaria tempo de pegá-la antes do avião decolar.
– Arigato, onii-chan! – Haru sorriu travesso para o irmão que corou e arregalou os olhos, e isso fez Otani rir alto e levar um peteleco da namorada em seguida.
Tanaka-sensei que estava na classe na hora daquilo tudo, observava suspirando apaixonadamente, enquanto apoiava o queixo em uma das mãos.
– Isso me fez lembrar que também já passei por algo mais ou menos parecido. – suspirou, colocando um óculos e voltando sua atenção para um livro.
– Está apaixonado, sensei? – Mao perguntou parando ao lado do professor junto a Yue.
– E ela é sua esposa agora? – Yue perguntou em seguida, sorrindo.
– Hã? Não! – Tanaka riu – Ela era... um... homem. – começou a chorar ao se lembrar disso.
– Eh?! – o casal soou perplexos.
– Longa história... – esclareceu.
Pelo visto o professor tinha experiências um tanto estranhas...
Haru correu para estação de metrô e pegou um expresso que só pararia na estação que dava para o aeroporto. Foi batucando e pensando o que diria a Hiromi. Estava nervoso e suava olhando a hora em seu celular de minuto em minuto. Quando o metrô finalmente parou, ele saltou e saiu empurrando toda a multidão de pessoas até chegar a escada rolante, que pareceu demorar um século e ele correu por ela recebendo olhares repreensivos dos seguranças.
Quando estava no metrô, mandara uma mensagem a Otani perguntando qual era a plataforma que ela estaria e o ruivo respondeu rapidamente. Foi novamente na caixa de mensagens e leu: “7-C”. Olhou ao redor, nervoso e viu os números em placas ao longe. Começou a correr entre as pessoas.
Hiromi estava sentada em uma das cadeiras ao lado de sua avó, enquanto seu avô observava o avião pela grande janela de vidro. Ela checou sua caixa de mensagens como se esperasse uma mensagem de alguém e suspirou ao ver que não tinha nenhuma nova. Sentiu a mão de sua avó pegar a sua e apertar. Ela levantou o rosto e encarou o de Aika, que sorriu a encorajando. Ela olhou para frente novamente, com um olhar decidido e guardou o celular não percebendo quando o mesmo vibrou com uma mensagem de Natsume.
– Senhores passageiros do voo 204, se não se encontram na plataforma, se dirijam para a mesma, onegai!– (me desculpem se num aeroporto de verdade não é assim, mas a pessoa aqui nunca na vida viajou de avião) uma voz de mulher soou no auto falante, fazendo Haru e Hiromi ao mesmo tempo se assustarem e suspirarem.
Haru começou a se apressar mais ainda e conseguiu ver ao longe a plataforma que Hiromi estaria. Pulou por cima de algumas cadeiras ouvindo alguns “Ei!” e segiu correndo.
– Chamada para o voo 204. – a voz no auto falante soou de novo – Voo 204.
Hiromi se levantou se dirigindo a porta, juntamente com todas as pessoas que estavam aguardando a mesma ser aberta.
– Última chamada para o voo 204. – novamente a voz que fazia Haru suar de nervoso, foi ouvida – Voo 204.
Quando a baixinha estava chegando perto da porta e se preparava para entregar a passagem à aeromoça, pegou seu celular no bolso em vez da passagem que se encontrava no mesmo lugar, e viu que tinha algumas mensagens novas:
“Haru está indo atrás de você! Quer convencê-la a ficar! Ele finalmente se tocou! Volte Mi-chan ♥
De: Nat-chan” Hiromi arregalou os olhos e levou uma das mãos a boca, surpresa.
“Haru-kun é um idiota, mas com toda certeza do mundo, ama você!
De: Mao”
“Mi-chan, reflita em cima das palavras do Haru-kun. Não vá :c
De: Yumi-chan e Sakura (que esqueceu o celular em casa justo hoje)” Hiromi riu um pouco.
“Haru saiu que nem louco por você. Não me agradeça! Eu sei! Seu melhor amigo é demais ;)
De:Tomoya-kun”
Ela riu de novo e a aeromoça a encarou a fuzilando. Tinha como acelerar um pouco? O avião iria sair em alguns minutos e a garota estava igual uma retardada olhando para um celular e rindo. Ao ver da mulher.
Hiromi encarou a aeromoça, que fez uma cara de “anda logo!”, e sorriu envergonhada. Pegou a passagem e foi dar a mulher mas sua mão vacilou. De acordo com as mensagens, Haru estava vindo atrás dela... Ela olhou para trás procurando por ele, e viu Haru correndo em sua direção. Ele veio mesmo? Ou ela estava delirando outra vez?
– Hiromi! – ele gritou e a mesma arregalou os olhos não acreditando.
– Ha... ru? – ela murmurou e deixou sua passagem cair no chão e fazendo a aeromoça bufar em protesto.
Ele parou na sua frente se apoiando nos joelhos e tentando recuperar o fôlego. Ela o fitou e sentiu uma vontade imensa de chorar. Ela não queria se despedir dele.
– Não vá. – Haru murmurou fitando os pés — Não vá, por favor! – gritou e fez uma reverência atraindo vários olhares e fazendo a menina corar.
– C-como assim? Haru, eu... – ela sorriu nervosa, não sabendo como prosseguir com aquela frase e a deixando inacabada.
– Eu descobri... – Haru a encarou pegando em uma de suas mãos – Descobri que não posso viver sem você! Aishiteru!* – falou corado e Hiromi corou mais ainda.
Algumas pessoas que passavam por ali, paravam para assistir e soltavam suspiros apaixonados e batiam palmas. Umas até torciam para que a garota ali aceitasse ficar pra sempre com o garoto que surgira do nada. Assim pensavam, claro.
– Aishiteru yo! – ela sorriu gentilmente e Haru sorriu alegremente.
Tinha conseguido? Ela ficaria? Desistiria da ideia maluca de ir embora e deixar seus amigos aqui? Sua... pessoa especial?
– Demo... Gomen ne. – Hiromi sorriu envergonhada puxando sua mão da de Haru e fazendo as pessoas ao redor soltarem vários “Hã?” surpresos – Eu não posso ficar. Não sou maior de idade para morar sozinha e não tenho nenhum parente aqui. Mesmo que eu quisesse, não poderia ficar aqui... – ela parou sentindo uma dor no peito.
Haru a encarou enquanto ela falava e sentiu vontade de sequestrá-la e nunca mais deixá-la sair da visão de seus olhos. Talvez fosse tarde demais para aquilo tudo, mas bem que ele podia considerar a ideia de sequestrá-la. Era meio possessivo, mas... Foi interrompido de seus pensamentos pela voz doce da garota.
– Nós veremos de novo algum dia. – ela acenou e virou-se pegando sua passagem que havia caído no chão e indo em direção a porta de embarque.
– Não! – Haru segurou a mão da garota a fazendo olhá-lo novamente e rezar para que seus avós não dessem falta dela por enquanto e que a aeromoça que se encontrava ali, não fosse a que iria no avião em que ela iria – Case-se comigo! – ele gritou e viu Hiromi corar ao extremo – Se você se casar comigo, poderá ficar aqui! – disse nervoso. Ela arregalou os olhos e depois sua expressão foi acolhedora.
– Haru... – ela sorriu gentilmente e se aproximou acariciando o rosto do garoto – Sabe que somos muito novos para fazermos isso sem pensar nas consequências, certo?
Haru viu sua última esperança ser despedaçada assim que aquelas duras palavras, porém aconchegantes foram ditas. Um completo paradoxo. A garota puxou sua mão novamente e sorriu as colocando pra trás. As pessoas ao redor começaram a se dispersar desapontadas, mas nem tanto quanto Haru.
– Meu número continua a mesmo! Podemos conversar por mensagens. – sorriu e acenou indo definitivamente para a porta de embarque e acenando uma última vez antes de sumir da vista de Haru.
Para surpresa de Hiromi, a aeromoça se encontrava chorando por toda aquela cena e quase não pegou a passagem da mão dela.
– Tch! – Haru protestou chutando o ar e indo na direção oposta.
Ao entrar no avião, Hiromi se sentou no meio de seus avós enxugando algumas lágrimas e suspirando. Tinham alguns poucos minutos antes do avião decolar.
– Por que demorou tanto? – Shin perguntou enquanto já folheava uma das revista de caça-palavras que tinha comprado para passar o tempo.
Hiromi engoliu em seco e apertou a barra da saia que estava usando. Sua avó a encarou, suspirou entendendo a situação e se levantou pegando do pequeno porta-bagagens acima deles, a pequena mala com as roupas de Hiromi. Ela a olhou sem entender nada e se levantou a encarando.
– Você quer ficar, não quer? – sorriu e piscou.
– Mas vovó, mesmo que eu quisesse-
– Não quer? – sua avó a interrompeu. Hiromi afirmou com a cebeça e depois desviou o olhar tendo a plena consciência que sua avó estava pirando.
– Então vá! – ouviu seu avô dizer e virou para encará-lo, o mesmo sorria.
– Mas... Como? – perguntou pegando a mala.
– Resolveremos isso! – seus avós piscaram e ela se sentiu a neta mais sortuda do mundo.
A garota beijou seus avós sorrindo, colocou a mala no chão do avião e saiu correndo pelos corredores do mesmo, sem pensar duas vezes. Acabou sendo repreendida pela mesma aeromoça, por estar fora do assento quando o avião estava prestes a decolar. Hiromi apenas sorriu e abraçou a mulher que se assustou com o ato e entendendo mais ou menos, deixou a garota sorridente seguir caminho e descer do avião.
Assim que Hiromi desceu, em um ou dois minutos o avião levantou voo. Um voo que não duraria tanto tempo assim. Ela correu com um casaco em um dos braços e puxando a mala com o outro. Ela não sabia onde ficaria ou como, mas aquilo não importava no momento.
Não achou mais Haru por ali e deduziu que ele já estivesse na estação de metrô. Correu o mais rápido que pôde pelo espaço do aeroporto e desceu para a estação de metrô procurando por todos os lados um rapaz de cabelos castanhos. O avistou prestes a entrar em um um vagão de metrô e gritou seu nome.
Haru ouviu a voz de Hiromi gritar seu nome ao longe, mas sabia que não podia ser ela já que a mesma estava em uma avião alto no céu nesse exato momento. Sorriu com sua mente e pensamentos. Estava tão obcecado pela garota que começava a ouvir vozes.
– Haru! – dessa vez o grito soou mais perto e ele se virou recebendo um abraço no mesmo instante que quase o fez cair.
– Hiromi? – ele perguntou assustado. A sua obsessão estava pior do que imaginara. A garota o soltou e deu alguns passos pra trás e sorriu – O que está fazendo aqui? – apontou para o lugar – não devia estar no avião? Com seus avós? Voando para Tóquio? – ele fez gestos representando cada uma de sua falas, o que fez Hiromi rir.
– Desse jeito eu vou pensar que você não queria que eu tivesse mudado de ideia. – ela murmurou fazendo biquinho e se fingindo de ofendida, enquanto batia as pontas dos dedos indicadores um no outro.
– É-é claro que n-não! – ele gaguejou e a abraçou apertado. Ela tinha voltado.
Ficaram assim por longos minutos, até que Haru a ergueu no ar e rodopiou a colocando no chão de volta. Se encararam corados e desviaram o olhar.
– Isso q-quer dizer que estamos juntos d-de novo? – ela perguntou encarando o chão.
– Hai! – Haru entrelaçou seus dedos – E que ficaremos pra sempre! – deram um selinho logo se separando por ouvirem aplausos.
As pessoas do lugar estavam assoviando e gritando, enquanto batiam palmas para aquela linda declaração de amor, como se tivessem entendido tudo que estava acontecendo. Eles começaram a pensar que devia ser bem comum aquilo acontecer em aeroportos e em como estava sendo clichê de certo modo.
Hiromi e Haru se entreolharam envergonhados e por coincidência o metrô que parara ali ia para a casa dele. Deram as mãos e entraram um pouco antes das portas se fecharem.
– Por favor, não entrem nos últimos segundos. Esperem o próximo. – ouviram a voz de uma mulher soar pelo vagão e riram baixinho.
Se sentaram em um dos bancos já que estavam quase todos livres, por o vagão estar consideravelmente vazio.
– Ei... – a garota sussurrou com uma das mãos ao lado da boca.
Haru a encarou confuso e ela fez um gesto com a mão para que ele se aproximasse mais para que ela pudesse sussurrar em seu ouvido. E ele o fez.
– Se for o caso, eu aceito me casar com você. – Hiromi disse e deu uma risadinha ao ver Haru se engasgar com a própria saliva e corar bastante.
A baixinha encostou sua cabeça no ombro de Haru e o mesmo afagou seus cabelos, vendo a garota cochilar. Sorriu. Ela devia estar bem cansada.
Ficaria muito clichê se eu dissesse agora que eles viveram felizes para sempre?
Leitor: É claro que ficaria! Isso virou uma conto de fadas por acaso?!
Mas ia ficar fofo, certo?
Leitor: Provavelmente não! Apenas pare de enrolar, onegai.
Okay, Okay!
Não posso escrever aqui que eles tiveram um final feliz, realmente. A história deles ainda não terminou. Está penas recomeçando novamente. Depois de tantas reviravoltas e algumas coisas estranhas, eles conseguiram voltar. O amor sempre vence, não é? Mesmo que não seja positiva a resposta, nesse caso, vamos pensar assim. Certo?
Um recomeço, uma nova chance e um provável "para sempre". Que seja infinito enquanto dure!
Fim (*3*)/~♥
Hiromi disse: Espera! Isso ainda não acabou! (Imaginem aqui, como quando um episódio de anime acaba e estão mostrando cenas do próximo, okay? Imaginaram? Perfeito!) Para poder explicar como eu consegui ficar, como meus avós ficaram, como meus amigos e professores reagiram com a minha volta e para termos outro especial com mais aventuras, (Hiromi ama especiais *u*) teremos um capítulo a mais!
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