O garoto da Casa ao lado
27 Especial: Um sábado normal... Na medida do possível
Notas iniciais
– Wah! – bocejei deitada na minha cama.
Me levantei da cama, e desci de pijama mesmo. Passei por um pequeno quadro de avisos na parede. Ah sim! Minha avó decidiu que dividiria as tarefas entre nós duas, para facilitar as coisas. Olhei no relógio da cozinha e já eram duas da tarde. Acho que eu exagerei um pouco...
– Tudo bem! Hoje é sábado! Eu não tenho nada para fazer e... – virei meu rosto com um sorriso meio ruborizado.
Era só minha imaginação certo? Não podia ser verdade... Aquele bendito quadro de avisos... Andei até o mesmo lentamente, para confirmar se eu não estava delirando...
– NÃÃÃOOOOO!
“Sábado – faxina: Hiromi-chan ♥”
Autora PVO on
– Droga! Eu odeio fáxina! E mesmo assim... Ela ainda colocou aquilo... – Hiromi suspira se referindo ao coração que sua avó desenhara no quadro de avisos.
A menina pega uma vassoura na pequena área de serviço de sua casa após a cozinha, e sobe as escadas correndo. Ela começaria a limpar por cima e depois em baixo.
Ela pensou em chamar algum de seus amigos para ajudá-la, mas depois se lembrou que provavelmente estaria ocupados. Ela começou a associar as pessoas que estariam num encontro, ou estudando, ou apenas passeando:
– Natsume –> Otani. Yumi –> Aoki. Sakura –> Eriol. Mao –> Yue. Maya –> Luka. Tomoya...
Ela não podia chamá-lo a sua casa desse jeito!
– Haru... — Ela dirigiu seu olhar para a janela da sala, lembrando-se da primeira vez que tiveram uma conversa mais intima. — Foco na limpeza! – balançou sua cabeça negativamente.
Hiromi arrumou seu quarto, seguindo para o quarto dos avós, o banheiro e desceu as escadas suspirando cansadamente. Ela tinha que acabar o mais rápido possível. Não tinha tempo para descansar. Por ter dormido até tarde, sua avó logo chegaria e ficaria realmente decepcionada com ela.
Ela pegou todas as roupas sujas que havia encontrado no andar de cima e foi até a máquina de lavar na pequena área de serviço, jogou todas dentro e pegou o sabão em pó. Ela verificou se havia algum manual de instruções na caixa, mas não havia nada. Da última vez que ela havia lavado roupa, sua avó dissera para ela por mais sabão em pó.
– Então tá! – ela sorriu meigamente e jogou quase metade da caixa direto nas roupas – Acho que está bom... – verificou uma ultima vez e ligou a máquina. Logo se voltou para a cozinha.
Lavou a louça e limpou os armários. Então varreu o chão e seguiu para a sala limpando tudo e terminando passando a vassoura. Voltou a área de serviço e dessa vez trouxe um tipo de esfregão e o passou por toda casa.
– Um brilho! – a baixinha se sentiu orgulhosa visualizando todos os comôdos que pareciam brilhar realmente.
Então ela notou que a pequena mesa de centro da sala, estava com marcas de copo então rapidamente correu em busca de um pano e voltando com o mesmo. Se sentou no tapete e começou a limpar, um pouco sonolenta.
–--H---
Hiromi abriu os olhos lentamente e olhou ao redor. Ela estava na sala. Tinha dormido sobre a mesinha de centro... Mas, espera aí... As coisas ao redor dela tinha... Crescido?!
– Eh?! – ela olhou assustada em volta.
Ela estava em cima da mesa de centro e trajava um vestido azul claro com babados brancos. Virando a cabeça para o lado, ela visualizou uma pequena garrafa. Na mesma tinha um rótulo escrito “Beba-me” e parecia ter sido bebida por alguém.
– Que tipo de brincadeira é essa? – ela riu com uma gota.
Ela já lera um conto semelhante a esse várias vezes. Inclusive, era um de seus preferidos! Ela se sentou suspirando pesadamente e então viu uma pessoa estranha passar correndo por ela.
– Estou atrasado! A Rainha cortará minha cabeça! – a pessoa dizia.
Espera... Tomoya? Ele está vestindo um paletó branco e usa orelhas de coelho? Ela se segurou para não rir e resolveu seguir ele. Ela já sabia como era o decorrer da história e resolveu seguir o roteiro... Mesmo aquilo parecendo loucura!
– Aonde está indo coelho-san? – ela colocou as mãos para trás o encarando.
– Ora! Que pergunta mais besta! Estou indo para o chá com a Rainha de dominó, é claro! – ele respondeu apressado.
– E onde é? – a menina perguntou outra vez se lembrando que no conto original é rainha de copas e não de dominó, mas né...
– No palácio de dominó, sua bobinha! – o coelho-Tomoya se voltou para Hiromi e afagou seus cabelos sorrindo. A mesma corou e ele olhou em seu relógio – Estou atrasado! Atrasado! – gritou e saiu correndo.
Ela ficou meio confusa. Sua casa estava incrivelmente grande e ela havia visto o Tomoya... e ele era um coelho... Um coelho atrasado para o chá com a Rainha de dominó.
– Okay autora! Agora você já ta exagerando!
Autora: Não. Não estou. Só siga o flow~!
– Você é louca.
Autora: Eu ouvi isso! Ou li... Ah, apenas continue!
Ela olhou ao redor procurando por algo. Bom se tudo ali estava mais ou menos como o mundo de Alice, teria de ter o que faria ela voltar ao tamanho normal. Mas ela não o acharia se ficasse parada ali!
– Em Alice... O antidoto era cogumelos...! – uma lâmpada foi acesa em sua mente e ela pulou se estatelando no chão, mas se levantando rapidamente e indo em direção a porta, que estava aberta para sua sorte.
A grama parecia incrivelmente alta. Pareciam árvores não muito altas, mas mesmo assim altas. Ela começou a ouvir vozes. Parecia que duas pessoas discutiam e ela resolveu segui-las. Chegou até a miniatura de gnomo de jardim que sua avó tinha, que não era mais uma miniatura, e em frente a ela tinha dois rapazes vestindo ridículos macacões vermelhos e discutindo. Yue e Eriol.
– Yo. – ela acenou se aproximando deles.
– Yo garota! – Eriol sorriu.
– Você deveria estar no castelo da Rainha de dominó. – Yue disse mexendo em seu óculos.
– Hai, hai. – ela deu de ombros – Vocês sabem como eu posso voltar ao meu tamanho normal?
– Como assim? Esse não é seu tamanho normal? – Eriol perguntou.
– Na verdade, não! – ela respondeu pensativa enquanto os dois garotos voltavam a discutir.
Então ela se lembrou de algo interessante e sorriu travessa.
– Como vocês se chamam? – perguntou como quem não quer nada, mas querendo.
– Eu sou Tweedledee – Yue apontou para Eriol – e ele é Tweedledum! – apontou para si e sorriu superior.
– Não, seu mané! – Eriol ralhou – Ele é Tweedledum – apontou para Yue – e eu sou Tweedledee! – apontou para si mesmo.
– Agora eu começo a ficar confusa! – a baixinha disse olhando para os dois a sua frente.
Eles começaram a discutir de novo e a garota continuou seguindo pela grama a dentro. Hiromi acabou chegando ao canteiro de flores de sua avó e foi passar entre elas, mas alguma coisa segurou seu vestido.
– Que tom de azul mais lindo! – ela ouviu uma voz conhecida e deu de cara com uma Mao com um vestido amarelo com estampas de margaridas.
– Que tipo de flor você é? – ela virou-se e viu Sakura com um vestido rosa e... Já da pra perceber que flor ela é né?
– Eu não sou uma flor! – disse em vão pois sabia como aquilo se desenrolaria.
– Claro que é! – Mao balançou a cabeça fazendo bico repetidas vezes.
– Todas somos! – Sakura sorriu.
– Bom, eu não sou uma de vocês então. – Hiromi respondeu despreocupada.
– Então quem você é? – Mao perguntou com um sorriso desafiante.
– Vocês me conhecem... Eu sou Asumi...
– Asumi? – Mao a interrompeu – Nunca ouvi falar dessa flor... – se dirigiu a Sakura.
– Eu também não... Será um tipo novo? – Sakura sorriu animadamente.
– Eu não sou uma flor! – Hiromi se intrometeu irritada
– Então quem você é? – Mao perguntou de novo.
– Sou Asumi...
– Então! – foi interrompida novamente.
– Pobrezinha! Ela não sabe quem é... – Sakura disse chorosa.
– Devemos mandá-la para Absolena? – Mao sugeriu.
– Para quem? – Hiromi indagou. No conto que ela lera tantas vezes, não tinha essa personagem.
E de repente as flores Sakura e Mao, a empurraram para algum lugar depois dos canteiros de flores. E ela começou a ver bolhas de sabão...
– Deveria ser fumaça... – Hiromi sussurrou e viu alguém em cima de... cogumelos!
Ela correu até o mesmo mas a pessoa que estava em cima, soprou uma enorme bolha em seu rosto a deixando encharcada e a dando um susto. A pessoa riu e Hiromi percebeu que a tal Absolena era Maya, e ela estava com uma daqueles brinquedos que fazem bolhas.
– Você gosta do Haru? – Maya perguntou se deitando no cogumelo e não parando de fazer bolhas.
– Hã? Você devia perguntar quem eu sou! – Hiromi disse indignada.
– Você gosta do Haru? – ela a encarou.
– O que é isso agora? – a garota dos cabelos pretos desviou o olhar corada.
– Você gosta dele! – ela caiu na gargalhada rolando em cima do cogumelo.
– Não gosto! Ele está muito estranho comigo! Eu estou em outra... – Hiromi berrou.
– Você gosta do Tomoya? – Maya ficou séria de novo e soprou uma bolha na cara de Hiromi novamente.
– Dá pra parar de fazer isso?! – ela berrou.
– Gosta do Tomoya? – Maya deitou-se e continuou a fazer bolhas.
– Bom... Eu quero começar a gostar dele... – Hiromi disse corando um pouco e desviando o olhar.
– Gosta do Haru, então? – a loira começou a gargalhar de novo.
– Sim! Eu ainda gosta daquele idiota! – Hiromi se enraivou e acabou se entregando – apesar de ele não gostar mais de mim... acho... – completou cabisbaixa.
– E você quer investir no Tomoya? – Maya parou de rir e fez uma enorme bolha de sabão que ficou parada ao seu lado.
– Sim... – a baixinha respondeu levemente corada.
– Não desista de quem você realmente ama! – Maya disse séria.
Hiromi se surpreendeu e a olhou estática. Esse delírio, ou sonho, ou qualquer coisa... Estava ficando real demais! Será que tudo aquilo estava realmente acontecendo?
– ! – a garota foi surpreendia pela grande bolha que Maya tinha feito. A bolha a envolveu e a saiu flutuando levando para algum lugar.
Depois de alguns minutos dentro daquela bolha e já nem conseguindo respirar direito, a mesma se chocou em uma placa e estourou libertando uma Hiromi encharcada e ofegante. Ela olhou a placa e nela estava escrito “Aniversário de namoro”.
– Nani?! – ela franziu o cenho.
Se levantou rapidamente e observou uma mesa e duas pessoas conhecidas. Uma vestindo um paletó preto com detalhes laranjas e orelhas de lebre, Otani. E a outra com um paletó verde bem colorido e uma cartola... Haru.
– A Lebre e o Chapeleiro Maluco? – ela sussurrou e sem perceber começava a se dirigir a eles.
Ela se aproximou sem chamar atenção e começou a ouvir o diálogo louco, não igual ao do conto verdadeiro. Na verdade, eles estavam parecendo dois bêbados e falavam coisas sobre supostas namoradas.
– Ei mocinha, o que faz aqui? – Otani perguntou correndo até Hiromi.
– Bom... Eu estou procurando a saída desse sonho doido! – ela respondeu.
Dirigiu seu olhar a ponta da mesa. Haru a encarava estático com uma xícara na mão. Ela deu um sorriso meio constrangido e ele sorriu largo correndo até ela e a abraçando.
– Você não gostaria de ser minha namorada? – o chapeleiro perguntou.
– O que? – Hiromi corou violentamente por ser o Haru.
– Eu estou comemorando aniversário de namoro, mas nem namorada eu tenho! – ele girou o dedo indicador na altura da orelha, indicando alguém doido. Que era ele mesmo...
– Aceite, aceite! – incentivou a lebre-Otani deixando Hiromi mais constrangida.
Aquilo estava definitivamente ficando estranho!
– O que me custa né? Eu quero ser sua namorada sim! – ela falou sorridente. Sentiu uma enorme alegria como se aquilo fosse real e ela estivesse mesmo voltando com o Haru.
Eles pararam de sorrir rapidamente e pigarrearam e ajeitaram seus paletós e gravatas. A garota os olhou sem entender, eles pareciam constrangidos e voltavam a fazer o que estavam fazendo e a resmungar.
– Que garota atirada! – Otani reclamou enquanto cortava uma xícara ao meio.
– Pra me namorar terá de resolver minha charada! – o chapeleiro-Haru disse triunfante se sentando em uma cadeira.
Hiromi concordou com a cabeça e se sentou em outra cadeira esperando a charada. Que ela sabia que não conseguiria resolver...
– O que é que tem coroa, mas não é rei e tem escamas, mas não é peixe? – ele perguntou como se aquilo fosse uma grande charada e Otani bateu palmas emocionado.
– O abacaxi...? – Hiromi respondeu totalmente desnorteada por aquilo tudo está parecendo tão idiota.
– ! – eles ficaram brancos por a menina ter conseguido acertar a incrível e difícil charada deles.
– Já que é assim, se torne minha namorada! – Haru se teletransportou para o lado de Hiromi, se ajoelhou e beijou sua mão.
– Epa! O que está acontecendo aqui? – o coelho-Tomoya apareceu tirando a garota de perto do chapeleiro e o encarando ameaçadoramente.
– Dá pra me deixar sozinho com a minha namorada, seu coelho idiota? – o chapeleiro perguntou irritado e o coelho pareceu ainda mais irritado. Eles cerraram seus punhos, a lebre-Otani já tinha pegado seus óculos 3D e...
~ PI PI PI PI ~
– Ai minha nossa! Eu estou atrasado! – o coelho gritou pegando o relógio em mãos e saindo correndo. Hiromi preparou-se para correr atrás do coelho, mas Haru a parou.
– Onde vai, namorada? – começou a pedir carinho como um gato pede, e Hiromi corou muito com aquele ato.
– Aaaah! – ela gritou se afastando – M-me desculpe m-mas eu p-preciso ir! – disse e correu atrás do coelho.
– Você a espantou como faz com todas as outras! Seu doido! – Otani brigou com um chapeleiro que chorava, enquanto colocava chá em metade de uma xícara.
– Castelos de Dominó... Jogo de dominó! – Hiromi se tocou que tinha um jogo de dominó na sala de sua casa e se sentiu uma completa idiota por ter passado por tudo aquilo, se a saída estava tão perto de si desde o início.
Ela olhou para o céu e viu uma meia lua e se perguntou se tinha demorado tanto... Já estava escurecendo e seus avós logo chegariam. O que diriam se a vissem assim? Pera! Aquilo tudo era um sonho! A meia lua começou a se virar e transformou-se em um sorriso. Ela logo se tocou que aquele sorriso era do Gato de Cheshire... Ou melhor Gata, Natsume.
– Yo garotinha! – a gata-Natsume a cumprimentou flutuando.
– Yo... – Hiromi respondeu querendo logo chegar até sua casa, mas a mesma parecia tão longe.
– Quer chegar até o palácio? – a gata perguntou seguindo a garota.
– Hai. – a mesma respondeu correndo agora.
– Eu posso ajudá-la... – a menina parou bruscamente a encarou gata com os olhos brilhando. – Mas terá que ser sincera comigo. – falou enquanto fazia piruetas no ar.
– Tudo bem. – Hiromi cerrou os punhos decidida.
– Verdade ou desafio? – Natsume perguntou sorrindo animadamente.
– Eeeh? – Hiromi caiu pra trás. – Mas como assim? – se levantou meio desnorteada.
– Vamos! Escolha! – incentivou.
– Verdade. – Hiromi se deu por vencida e respondeu.
– Quem é a sua pessoa especial? – sorriu largo.
– Por que...
– Responda! – a gata a interrompeu superior.
– É um completo idiota! – Hiromi bufou frustrada.
– O nome. – Natsume exigiu.
– Haru. – Hiromi murmurou.
– Como? – a gata fingiu que não ouviu.
– Haru! – gritou corada.
A gata sorriu parecendo já saber que aquela seria a resposta, fez movimentos com a mão e começava a sumir.
– Siga-o. – Natsume mostrou um garoto com uma vassoura. O mesmo varria alguns caminhos e desenhava outros.
– Mas quem é ele...? – Hiromi procurou a gata, mas ela já tinha desaparecido. Suspirando pesadamente, ela andou até o garoto e deixou que fosse percebida. O garoto a encarou e continuou a varrer.
– Hideki? – Hiromi o chamou e o mesmo a ignorou completamente.
Ela não se lembrava de ninguém assim no conto de Alice, mas muitas coisas estavam diferentes no “Hiromi no país das Maravilhas”. Ela riu e o garoto a encarou a achando uma completa maluca.
– Pode me ajudar a chegar até o castelo de dominó? – a garota disse apontando em direção a sua casa.
– Claro! – o menino respondeu sorrindo gentilmente e começou a desenhar um caminho até a casa – É só seguir. – sorriu e voltou a varrer normalmente.
Hiromi fez uma reverência em agradecimento e saiu correndo em direção a casa. Chegou e entrou olhando em todas as direções a procura do castelo. O mesmo estava a frente da mesinha de centro. Só podia ser brincadeira! Aquilo não estava ali quando ela acordou!
Ela caminhou até o castelo que não era bem um castelo. Era uma pilha de dominó. Ela viu uma garota com um vestido vermelho que realçava perfeitamente seu cabelo. Yumi, a rainha de dominó.
– Ei Majestade! – ela chamou a atenção da rainha que a olhou parecendo irritada – Eu quero sair desse sonho estranho, pode me ajudar?
– ... – a rainha a olhou detalhadamente e depois se jogou na mesma – Você é tão fofa! Vai ser meu novo mascote! – ela sorriu radiante a pegando no colo.
– O que?! Iie! – Hiromi se livrou do abraço da rainha que ficou um pouco chorosa – Eu quero voltar ao normal! Quero que tudo volte ao normal!
– E por que eu faria isso? – a rainha disse superior.
Hiromi pensou um pouco. Ela era a rainha do dominó... Talvez se Hiromi ganhasse dela em uma partida, ela concordaria em ajudá-la. Afinal, ela era a rainha!
– Vamos fazer uma acordo! – Hiromi disse.
– E qual seria? – a rainha-Yumi abriu um leque da cor do seu cabelo e começou a balançá-lo na altura do nariz.
– Se eu te vencer em uma partida de dominó, você terá que me ajudar. Se eu perder, tudo continua como está e eu viro sua mascote. – ela suspirou pesadamente e a albina sorriu de orelha a orelha.
– Parece que já temos uma vencedora! Meu nome não é Rainha de dominó por acaso, darling! – ela disse convencida.
Os dominós começaram a se mexer e se separaram em sete para cada uma. E Yumi começou a jogada. Hiromi já se encontrava vencendo e a rainha trapaceou, fazendo os dominós se recusarem a se movimentarem por duas rodadas.
– Ei! Isso não vale! – a menina protestou.
– Eu sou a Rainha! Eu que dou as cartas por aqui! – ficou pensativa – Ou seriam dominós?
– ~gota~
5 minutos depois:
– BUÁÁÁ! Eu não acredito que a rainha do dominó perdeu no dominó! – Yumi chorava derrotada jagada ao chão, enquanto Hiromi tinha uma gota e sorria amarelo.
– Isso foi a coisa mais fácil que eu já tive que fazer! – murmurou.
– Tudo bem... – a rainha se recompôs e sorriu animadamente.
– E então...? Agora cumpra nosso trato... – Hiromi a lembrou.
– Ah sim. – ela sorriu e continuou como estava.
Hiromi começou a olhar para os lados e voltou a encará-la porque nada acontecia. Começou a achar que a Rainha poderia ter lhe passado a perna e sentiu uma enorme vontade de chorar. E se ficasse presa ali pra sempre? Não que sua vida “real” estivesse muito melhor...
– Para de drama, menina! – a rainha se irritou e disse bufando.
– Então me ajude! – Hiromi falou chorosa.
– Acorda! – a rainha riu.
– Hã? – a garota fez uma expressão confusa.
– Acorda! Você tá dormindo! – sorriu de novo e Hiromi viu tudo ficar escuro.
–--H---
Hiromi PVO on
– Acorda! – ouvi a voz do meu avô.
Fui abrindo os olhos lentamente e percebi que estava sentada no chão, com a cabeça apoiada nos braços, que estavam sobre a pequena mesinha de centro.
– Você fez um ótimo trabalho na limpeza! – minha avó sorriu enquanto apagava o quadro de avisos e escrevia outra coisa.
– Tudo voltou ao normal... – disse observando o lugar.
– Hã? – meus avós soaram juntos confusos.
– Nada! – sorri e me levantei.
– Muito obrigado pela a limpeza, netinha! – meu avô sorriu bagunçando meus cabelos.
– Hã... – minha avó apareceu da cozinha toda cheia de espuma.
– O que aconteceu? – meu avô perguntou enquanto eu já me afastava com medo.
– Parece que nossa “maravilhosa” dona de casa, exagerou no sabão em pó! – minha avó sorriu ruborizada.
– Tchauzinho! – falei e subi as escadas correndo para o meu quarto.
Escapei de ter que limpar a área de serviço. É! Esse sábado tinha tudo pra ser normal... Só tinha mesmo! Preciso dormir, mas não quero. Se eu sonhar com aquilo de novo? E ainda tem essa. Durante todo o meu sonho me botaram a prova de quem seria minha pessoa especial, e em todas as vezes era o Haru a primeira pessoa que vinha a minha mente.
Fale com o autor