O garoto da Casa ao lado
16 Equinócio da Primavera -- Parte 1
Notas iniciais
Maya PVO on
– Que demora! — reclamei me sentando no banco da praça, que fica perto da casa de Haru a propósito. — Ótimo! Como tudo que eu penso chega no Haru?!
– Por que está resmungando, sua doida? — Tomoya se aproximou.
– Finalmente! O que estava fazendo? — levantei a cabeça para encará-lo.
– Eu estava dormindo... — colocou as mãos nos bolsos da calça e se encostou em um poste a minha frente.
– Versão masculina da Bela Adormecida! — protestei.
– O que quer comigo? — deu de ombros sobre meu comentário e perguntou tranquilamente.
– Eu vi... tudo o que aconteceu... — falei cruzando os braços.
– Tudo o que? — pareceu confuso, mas não me encarou em nenhum momento.
– Tudo o que rolou! Hiromi, você, Haru...
– Ah! — pareceu ter percebido — Não sei do que está falando... — caí pra trás.
– O que?
– Você é louca! Não faço a mínima ideia do que está falando...
– Esse seu loiro oxigenado está danificando seriamente seu cérebro! — falei.
– Eu não sou oxigenado! E se eu sou burro, você também é... Loirinha! — me encarou com um sorriso de canto irônico... mas muito sexy! Que?! Maya seu foco é o Haru!
– Tá! voltando ao assunto... — balancei a cabeça para parar de pensamentos desnecessários — Aquilo que rolou lá nos fundos da escola...
– Hum... Estava espionando seu amado Haru-kun? — esse sorriso de canto de novo? *cora*
– Nai! Quer dizer... Isso não interessa! — ele voltou a fitar o nada e parou de me encara.
– Mas o que é que tem aquilo? — tirou umas da mãos do bolso e começou a passá-la nos cabelos.
– Eu gosto do Haru! — corei violentamente.
– E daí? — colocou a mão de volta no bolso e continuava a encara o nada.
– Você gosta da Hiromi, não é?
– Opa! Pera aí! — me encarou mas ainda com a mesma cara de sentador.
– Não gosta?
– A beleza dela me deixou intrigado! Queria me divertir com ela! Apenas isso... — falou tirando um pirulito da calça, abrido-o e o colocando na boca.
– Teme!* — sorri sarcasticamente e ele riu abafado.
– Aonde quer chegar com essa conversa?
– Pensei que poderia me ajudar a separar o Haru e a Hiromi... — coloquei os pés sobre o mesmo banco que estava sentada, dobrando os joelhos e apoiando a cabeça sobre eles.
– Sabia que está de vestido né? — ele disse encarando o céu estrelado.
– Kyyyah! Pare de ser pervertido! — gritei me levantando — Está de noite quase ninguém vem aqui a essa hora... — bufei desviando o olhar.
– Hihihi! — sorriu infantil. Corei.
– Tá! N-não v-vai me ajudar?
– Mesmo que isso custe a felicidade do Haru? — ficou sério novamente encarando o nada. Custa olhar pra mim?
– ... — nunca pensei nisso... Haru está feliz! Eu devo mesmo separá-los? — Kutabaro!* — balancei a mesma negativamente.
– Estou fora! Arigatou gozaimasu! — juntou as mãos, fez reverência e foi se afastando com as mãos no bolso.
– Argh! Baka, baka, bakayaro!* — me levantei e comecei a bater os pés com força no chão e gritar. — Você é um covarde! — apontei para o loiro que andava tranquilamente — Podia fazer seu inimigo sofrer! — falei. Mas lógico que eu o faria voltar a sorrir.
– Hã? — parou e me encarou de canto de olho ainda de costas — Eu e o Haru não somos inimigos! Eu sou o irmão mais velhos dele! — sorriu, e parecia um sorriso realmente sincero — Ja ne!* — continuou a andar acenando com a mão.
– Eeeh? — me sentei novamente no banco com os olhos arregalados.
Tomoya PVO on
Continuei andando e encarei Maya de longe. Ela me encarava com cara de pastel estragado *riso* Eu a conheci ano passado. É uma garota legal, mas é maníaca pelo Haru. ela é... suportável! E falando no Haru... Eu não menti! Eu sou realmente seu irmão mais velho.
Quando a Kagome se relacionou com Ichiro, ele já tinha um filho, que sou eu. E então ela ficou grávida, quando eu tinha 1 ano apenas, e o meu pai era um crétino, resolveu sumir e me deixou na casa de minha tia Naomi, aqui mesmo em Hokkaido. Tia por parte de mãe. Minha mãe... eu não cheguei a conhecê-la. Ela era aeromoça e o avião em que estava acabou caindo... e eu passei alguns meses com o pai que nem ao menos olhava na minha cara direito... Quando eu fiz 6 anos Naomi me contou toda essa história e que eu tinha um irmão. Eu não entendi muito bem, mas decidi que queria conhecer esse meu irmão. Um dia na praça, Haru e sua mãe estavam também e minha tia me mostrou ele e disse que aquele era meu irmão. Me aproximei dele e viramos amigos. Quando eu fiz 10 anos resolvi contar a Haru que eu era seu irmão e até hoje lembro de suas palavras " — Você é igualzinho ao pai idiota que me abandonou! Você poderia ter me contado assim que nos conhecemos, mas você mentiu. Eu não confio em você e você não é meu irmão!". *sorriso* Depois disso não nos falamos mais... Eu tinha medo de contá-lo logo no início e ele se recusar que eu me aproximasse. Ele é um bom garoto! Acho que se eu estivesse em seu lugar, faria a mesma coisa... Sobre eu irritá-lo? É isso que irmãos fazem, não é?
Parei em uma sorveteria e Haru e Hiromi estavam lá.
– Yo! — sorri para os dois.
– O loiro-kowai!* — a garota baixinha disse e eu ri abafado.
– O que quer? — o Haru não deu muito bola como sempre.
– Nande monai!* — sentei-me nos bancos a frente do balcão onde eles se encontravam. Hiromi me olhou assustada e Haru furioso. — Calma maninho! — disse sorrindo e pegando um menu de sorvetes.
– Maninho? — Hiromi encarou o Haru.
– Kaeru!* — ele disse se levantando e puxando a garota.
– Mas nós acabamos de chegar...! — ela resmungou mas ele pareceu não se importar.
Haru PVO on
– Haru, seu grande baka! — a baixinha protestava enquanto eu ainda a puxava.
– Gomen Hiromi... — a soltei, colocando as mãos nos bolsos e continuando a andar.
– Eeeh? — ele continuava parada — Por que saímos de lá assim? — ela correu e parou na minha frente apontando o dedo indicador.
–...
– EU QUERO SORVETE! — começou a bater os pés no chão feito uma criança. E é o que ela parece, por ser tão baixinha.
– *gota*
– Como você pode fazer isso?! Me chama pra tomar sorvete e depois saímos de lá assim?! Você é um namorado horrível! — me mostrou a língua e cruzou os braços.
– Te pago um sorvete em outro lugar, minha criancinha! — peguei em sua mão e ela corou. Começamos a andar.
Ainda bem que ela não fez perguntas sobre o idiota do Tomoya e sobre o "maninho"
– Estou tão animada! Esse vai ser meu primeiro festival aqui em Hokkaido. Mesmo quando eu vinha com os meus pais, nunca vínhamos em tempo de festa. — ela dava pulinhos enquanto andávamos pra casa. Depois de eu ter gastado todo meu dinheiro em sorvetes *gota*
– Não deve ser tão diferente de Tóquio... — falei.
Chegamos e ela foi pra sua casa e eu pra minha. Entrei, cumprimentei minha mãe e subi para o quarto, Amarelinho estava em cima da minha cama. Me joguei na mesma espantando o bichano que deu um pulo no chão.
– O que o Tomoya está planejando?
Manhã do dia seguinte:
Hiromi PVO on
– Vovó! Vovó! Vovó! Preciso de uma Yukata!* — desci do meu quarto gritando.
– O que? — ela apareceu na porta da cozinha.
– Uma yukata! — repeti.
– Tenho uma! Acho que lhe servirá se eu fizer alguns ajustes! — ela disse me fitando detalhadamente. Sorri e subimos.
Depois de VÁRIOS ajustes e VÁRIAS alfinetadas, aquela linda yukata me serviu. Nunca gostei muito dessa roupa! Ela me deixa ainda menor... E foi o que aconteceu... *melancolia*
Tirei aquela roupa e recebi uma mensagem:
"Vamos todos juntos ao festival, hai? Nós encontraremos em frente ao templo Tsuki Ai* ás 18:00. Não se atrasem! Beijos e ja ne.
De: Albina."
A albina seria a Yumi. Enviei outra mensagem:
"Você e as meninas irão de yukata?"
Não queria ser a única vestida assim... Recebi outra mensagem rapidamente:
"Hai, hai! Obrigue Haru a ir também assim!
De: Albina"
Me dirigi a casa de Haru. Bati na porta e a Kagome-san que atendeu.
– Yo Kagome-san! — ela voou em cima de mim, me abraçando e apertando as minhas bochechas, como sempre...
– Yo norinha linda! — falou depois de me soltar e sorriu — Entre. Acho que Haru ainda está dormindo... Pode subir! — apontou para a escada sorrindo e se dirigiu a cozinha.
Subi calmamente e abri a porta do quarto de Haru bem devagar... Ele estava dormindo. Andei até sua cama e me agachei ao lado da mesma fitando o rosto do dele.
– Tão Kawaii! — ele mantinha um pequeno sorriso no canto da boca. Passei a mão no nariz — Eh? Sangue? — Me levantei rapidamente dando passos pra trás, mas o amarelinho estava atrás de mim, tropecei no gato que miou e eu fui pro chão, mas antes bati a cabeça na prateleira cheia de bonequinhos que voaram em mim. Agora eu estava no chão com o nariz sangrando, descabelada, cheia de bonequinhos a minha volta e um certo gato parecia muito irritado com a minha pessoa.
Haru abriu os olhos e me viu. Se sentou na cama e continuou a me fitar.
– Você é a morte que veio me buscar? (Eu estava com um vestido todo preto) — coçou os olhos — Mas você se parece com a minha namorada... — passou as mãos no cabelo.
– Pare de brincar e me ajude aqui! — falei. ele pareceu assustado, mas se levantou e me estendeu a mão. Me levantei.
– Por que seu nariz está sangrando? — perguntou tirando a camisa do pijama e andando até seu guarda-roupa.
–... — meu sangramento nasal só aumentou. Estou tendo uma hemorragia! Vou morrer!
– Eh? Está sangrando mais! Deixa eu te ajudar... — se aproximou de mim e ainda não tinha vestido outra camisa.
– Urusai!* — gritei colocando as mãos no nariz e desviando o olhar — Vista logo alguma coisa! — um sorriso malicioso surgiu em seus lábios e antes que ele pudesse dizer alguma coisa eu joguei um de seus bonequinhos que acertou sua cabeça — VISTA LOGO ALGUMA COISA!
Saí do quarto e andei até o banheiro e lavei meu rosto. Fiquei um pouco por lá até a minha cara voltar a sua cor de origem...
– Finalmente! Começava a achar que tinha fugido pela pequena abertura no teto! — ele disse quando eu sai do banheiro. Estava com uma calça jeans preta e uma blusa vermelha, sentado no chão e encostado na porta de seu quarto.
– Aquilo é muito pequeno! — disse e fechei a porta do banheiro.
– Mas você é pequena! Tenho certeza que passa por aquela passagem e...
– Aho!* — comecei a dar leve tapas nele e ele gargalhava.
Descemos e sentamos no sofá. Não me senti segura para continuar no quarto dele. e se o seu lado hentai despertasse?! Melhor não arriscar...
– Quero que use um yukata hoje a noite! — sorri o fitando e ele fez uma cara de "quem comeu e não gostou".
– Aquela roupinha queima-filme? — suspirou.
– Acho que ficará lindo nela... — eu disse.
– Eu acho que não estou afim... — se ajeitou no sofá de um eito folgado.
– Por favor... — me aproximei dele ficando de joelhos sobre o sofá para meus olhos ficarem na mesma altura dos olhos dele.
– *suspiro* — me deu um selinho e eu me assustei com o ato, já que não esperava — Okay! — sorriu sem me encarar.
Depois de bastante conversas paralelas com Kagome-san vim para casa, e minha linda vovó me ajudou novamente a vestir a yukata, prendi meu cabelo no tradicional penteado, só deixando minha franja e ouvi Haru chegar.
Desci rapidamente e *cora* ele estava mais lindo do que eu imaginava. Agora não nariz! Não resolva sangrar! Eu não sou pervertida! Não sou!
– Oh... Yo! — ele percebeu minha presença e ao me fitar corou e eu já estava corada. — Está linda! — sorriu.
– Arigatou! — sorri.
– Está mesmo! — minha avó disse juntando as mãos.
– Parece uma garotinha de 7 anos! — meu avô disse sentado no sofá e eu o fuzilei com os olhos — M-mas e-está linda querida! — ele disse e eu sorri vitoriosa.
Fomos andando até o templo Tsuki Ai e ninguém havia chegado ainda. Passado uns 5 minutos...
– KONNICHIWA!* — Uma albina voou em mim me abraçando e apertando minhas bochechas. (As pessoas amam fazer isso comigo).
– Konnichiwa! — Sakura, Natsume e Otani apareceram sorrindo também e...
– Nat-chan e Otani-kun... estão de mãos dadas? Deu tudo certo? — Yumi me largou e eu corri até os dois que sorriram — Awwn! — meus olhos brilharam.
– HAHAHAHA! — Haru ria esteticamente e Otani começou a fazer o mesmo. — A sua... roupa! — falaram em uníssono apontando um para outro e riram mais ainda.
– Parem de brincar! — agora eu e Natsume repreendemos os dois.
– Hai! — disseram.
– Vamos nos divertir! — Yumi gritou e começou a puxar Sakura.
– HAI! — todos respondemos.
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