O garoto da Casa ao lado
11 Eles estão felizes?
Notas iniciais
– Aaahh! – acordei assustada – Que sonho estranho! – encarei o teto – Nossa! Ainda está escuro lá fora. – falei fitando a janela. Peguei meu celular. – 05h 35m? Está bem cedo!
Ainda era cedo, mas aquele sonho não me deixou voltar a dormir... e o sonho me trouxe algumas lembranças que eu não queria ter. Sonho...? Não, eu chamaria de pesadelo.
Levantei e fui tomar banho. Demorei bastante tempo na banheira, era cedo mesmo... Saí, vesti o uniforme, peguei a mochila e desci. Minha avó não estava na cozinha. Olhei no relógio ao lado da geladeira, 06h 10m.
– Parece que vai chover... – falei indo até a sala e fitando a janela. O tempo estava realmente feio. Subi as escadas para ir até meu quarto.
– Já está acordada? – perguntou vovó aparecendo na porta de seu quarto que era em frente ao meu. Ela estava enrolada em um cobertor e bem sonolenta.
– Sim. – sorri parando em frente à porta do meu quarto.
– Já são 06h 15m? – assustou-se olhando em seu relógio de pulso – Eu pensei que era mais cedo! – desceu correndo e eu ri.
Entrei em meu quarto e peguei meu guarda-chuva com estampa de gatinho. Lembrei do Haru ~sorriso~ Olhei em minha cômoda e vi a foto dos meus pais. Lembrei do meu sonho/pesadelo. Desci as escadas, deixei meu guarda-chuva junto com a minha mochila e fui para a cozinha. Minha avó estava esquentando café no fogão.
– Vovó... – falei enquanto me sentava a mesa – Eu posso te perguntar uma coisa? – abaixei a cabeça e ela me encarou.
– Sim querida! – sorriu.
–... – parei por um instante – A senhora acha que... os meus p-pais estão f-felizes porque e-eu estou tentando s-seguir em frente? – senti meus olhos lacrimejarem e ela me fitou surpresa.
– É claro que estão. Por que essa pergunta? – perguntou se aproximando e acariciando o topo na minha cabeça.
– E-eu acho q-que eu não tenho esse direito! – gritei a encarando – Por que eu não morri? Por que eles e eu não? Eu não tenho o direito de esquecer tudo e voltar a sorrir! – eu estava irritada e triste – Eu... – as lágrimas começaram a descer – Eu não posso esquecê-los! – soou como um sussurro, mas ela pareceu escutar.
– Hiromi... – me abraçou – É claro que eles querem que você siga em frente. – sua voz estava trêmula – Nós não vamos esquecê-los, mas não podemos ficar presos ao que aconteceu. Tenho certeza que seus pais ficariam tristes se você não seguisse em frente – percebi que ela estava chorando – Viva por eles! Você não morreu, então tem que viver! – falou em tom de ordem. Retribuí o abraço.
– A senhora tem razão vovó... – falei enxugando minhas lágrimas – Eu tenho que viver por eles! – forcei um sorriso e ela sorriu.
Tomei café rápido, e me despedi dela com um beijo em sua bochecha. Saí e achei estranho, Haru não estava sentado no muro como de costume. Peguei meu celular para ver a hora e eram 06h 40m. Fui guardá-lo, mas ele vibrou. Mensagem.
“Baixinha, desculpe! Eu fiquei até tarde jogando vídeo-game com o Otani e acabei perdendo a hora. Não me espere se não você vai chegar atrasada. Desculpe novamente. Amo você!
De: Haru-fofo."
~Corei~ Tinha salvado o seu número com o nome “Haru-fofo”, e ele acabou de “dizer” que me ama? Vou sozinha mas vou feliz! Espera, que coisa clichê eu acabei de pensar ~sorriso~ Fechei o portão e começou a chover, abri o guarda-chuva e coloquei o capuz do casaco na cabeça.
Fui andando e vi um casal e entre eles segurando a mão de cada um havia uma criança. Eles pareciam muito felizes. A criança era uma menina muito fofa, e a cada poça d’água o casal que provavelmente eram os seus pais a impulsionavam para um pulo. Parei e fitei aquela cena ~sorriso~ Eles continuaram seu caminho e eu o meu até a escola.
Fui pensando no que a vovó disse. Eu quero seguir em frente, pelos meus pais, mas é difícil pra mim não tê-los por perto.
Cheguei à escola 07h 20m. Cumprimentei o porteiro e ele me deixou entrar. Segui para a sala.
– Ohayo minna! – abri a porta e falei sorrindo. Sorte minha o professor ainda não estar na sala.
– Ohayo! – todos responderam sorrindo, inclusive a Sakura.
– Que bom! A Sa-chan está melhor! – pensei e me dirigi ao meu lugar.
– Baixinha! – Haru gritou e me abraçou – Você demorou lerdinha! – apertou minhas bochechas sorrindo e eu corei.
– Tá, tá! – sorri e me sentei. Eu realmente demorei, peguei um caminho mais longo e ainda fiquei viajando em meus pensamentos.
Um professor bem animado entrou na sala e disse que era professor de filosofia e japonês e que seu nome era Saito. Ele era meio avoado e desastrado. Eu não entendia quase nada do que ele falava. Tinha o cabelo loiro e parecia jovem.
Haru dormiu a aula toda, Yumi conversava com Sakura, Natsume e Otani se olhavam às vezes, os outros alunos também conversavam e o professor parecia estar no mundo da lua.
Meu olhar se encontrou com o da Maya ~medo~ Ela me olhava muito feio. Essa garota não gosta de mim. Desviei o olhar Me perdi em meus pensamentos. Estava distraída.
– Preste atenção na aula. – ouvi uma voz familiar.
Pai?! Me levantei assustada. Pedi ao professor para ir beber água.
Saí da sala. Meu coração estava disparado. Foi minha imaginação? Joguei água em meu rosto e voltei para a sala. A aula acabou e ficamos com a aula-vaga. Perdida em meus pensamentos novamente.
– Baixinha? – Haru falou sonolento. Virei de lado, o fitei e sorri.
– O Otani me disse ontem que já tentou se confessar para a Natsume muitas vezes, mas sempre algo dava errado! – deu risada e eu também. Fitei o Otani e a Natsume, e eles estavam discutindo como sempre ~suspiro~
O sinal tocou e a professora Hana entrou na sala.
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– Mi-chan, vamos até a biblioteca para estudar? A prova é na próxima aula. – Yumi perguntou se aproximando junto com o Otani, Natsume e Sakura.
– Sim! Vamos Haru? – sorri e me virei para ele que concordou com a cabeça sorrindo.
Saímos da sala e fomos para a biblioteca. Pegamos nossos livros de história e começamos a ler a matéria que segundo o Tanaka-sensei cairia na prova. Perdi-me em meus pensamentos novamente e um sorriso familiar me veio à cabeça.
– Mãe?! – levantei bruscamente da mesa em que estávamos sentados.
– Você está bem? – perguntou Sakura que estava sentada ao meu lado e todos me olharam esperando uma resposta.
– Estou sim... – sorri sem graça me sentando novamente e voltando a ler. Haru ficou me encarando por algum tempo.
O sinal soou e voltamos para a sala. Fizemos a prova e até que não estava tão difícil, mas tenho quase certeza que se eu tirar nota 05 é o muito ~choro~
Uma professora alta de cabelos vermelhos entrou na sala e se apresentou como Nana e disse que era professora de inglês e ela era muito elegante e educada ~admirada~ Tivemos duas aulas dela e o sinal tocou novamente nos dispensando.
Estava chovendo e o meu pequeno guarda-chuva não me protegeria daquela chuva tão forte. Me despedi de todos e segui com o Haru a caminho de casa.
– Você quer vir comigo? Meu guarda-chuva é grande. – sorriu me fitando.
– N-não obrigada – corei – Aqui está otim... – bateu um vento muito forte e meu frágil guarda-chuva saiu voando. – Só pode ser brincadeira ~choro~
Pensei em correr atrás dele mas Haru me puxou para baixo de seu guarda-chuva. O guarda-chuva não era tão grande assim e tivemos que ficar abraçados. Era constrangedor, mas também estava muito frio, então... ficamos assim mesmo. Meu rosto estava quente.
Chegamos em casa. Eu parei na frente do meu portão e fiquei fitando o chão estava muito corada.
– Você está tão distraída hoje. – falou apoiando seu guarda-chuva em um dos ombros.
– Estou? – sorri envergonhada.
–... – entristeceu – V-você não g-gosta mais de mim p-porque eu não fui com v-você até a escola h-hoje ~choro~
– Eeehh? – me assustei – É claro que não é isso! – falei sorrindo. Como ele é Kawaii.
– Sério?
– Hum! – sorri fazendo sinal de positivo com a cabeça.
Nos despedimos com um beijo e eu o acompanhei com os olhos até que ele entrasse em sua casa. Entrei e fechei o portão. Era descoberto até a porta de casa, então eu corri e acabei escorregando e machucando o braço.
– Era só o que me faltava... – Um trovão soou – Aahhh! — Me levantei e saí correndo até a porta.
Entrei e tive que ir direto para o banho. Estava tão quentinho que eu me esqueci da hora. Saí do banheiro e vesti uma blusa toda preta, um casaco rosa claro e uma calça jeans. Desci e fui comer alguma coisa.
A Chuva parou e eu resolvi ir andar um pouco. Fui até a pracinha e me sentei me encostando no tronco de uma árvore e dobrando os joelhos. Olhei para o céu e vi um arco-íris ~sorri~ Comecei a pensar em meus pais e abaixei a cabeça a apoiando em meus joelhos.
– Nós estamos felizes, filha! Siga em frente! – vi seus sorrisos.
Me levantei rapidamente e senti meu olhos encherem-se de lágrimas. Será que eu dormi, e acabei sonhando com isso? Voltei para a casa pensando naquilo ~sorriso~ Haru estava sentado no muro de sua casa. Quando me percebeu sorriu e pulou do muro no chão.
– Onde estava? – me abraçou e eu retribuí o abraço – Eu entrei em sua casa e vasculhei tudo e não te achei.
– Eu fui andar um pouco e colocar minha cabeça no lugar! – cruzei os braços.
– E conseguiu? – sorriu travesso – Lerda como é só nesse tempinho conseguiu fazer algo assim? – começou a rir.
– Nhé! – mostrei a língua e dei um tapa de leve em seu ombro.
– Lerda! – mostrou a língua e sorriu.
– Infantil! – sorri.
– Baixinha! – falou passando a mão no topo da minha cabeça.
– Baka! – o abracei e ele retribuiu. Ficamos abraçados por algum tempo e começou a chover.
Tinha que chover logo agora?! Haru me deu um selinho e se dirigiu para sua casa e eu entrei para a minha.
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Minha avó chegou e eu a recebi com um grande e sincero sorriso.
– Olha como ela está radiante! – meu avô falou entrando.
Assistimos a um filme e eles adormeceram no sofá. Sorri olhando-os.
Subi para meu quarto e troquei de roupa, para um pijama. Peguei a foto dos meus pais e a abracei.
– Boa noite! — coloquei a foto no lugar. Deitei na cama e fiquei fitando o teto. Peguei meu celular.
Haru PVO on
Eu estava deitado quase dormindo. Senti meu celular vibrar em baixo do meu travesseiro. Mensagem.
“Hey... Eu também amo você!
De: Baixinha ♥"
Fitei o teto. Poxa Hiromi! Até o sono você consegue me tirar!? ~sorriso~
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